segunda-feira, março 31, 2008

DESEQUILÍBRIO MEDIÁTICO


O que se noticia aqui quanto ao desequilíbrio de representação
do PSD, nos blocos informativos e ao apagamento do PS, enquanto partido maioritário,
por comparação com a omnipresença do Governo
mostra como a decrepitude da democracia portuguesa é um facto
porque não se pratica o recomendado pela ERC.
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A governamentalização de tudo, o controlo apertadíssimo de toda a informação,
faz de este Governo qualquer coisa de asfixiante
para a Pluralidade Vital que urge estabelecer por cá,
própria, como é, das sociedades avançadas
e, por isso mesmo, para manter tal estado de coisas,
foi necessário agir em favor das elites económicas na garantia das contrapartidas
de apoio ilimitado e de fundos ilimitados
para a já considerada a mais longa Campanha Eleitoral de sempre.
Para efeito de síntese e de clareza,
nada melhor que dar a palavra a quem comenta:
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helicoptere personnel

helicoptere personnel
Vídeo enviado por OXY67

QUADRO MARINHO, O JOCA



Inalar toda a água marinha que posso, no vaivém das vagas.
Estaciono o corpo à beira-rebentação sob a música convulsionada
de cada onda crashando longamente em espumas de energia perdida
que se espraia em aplauso.
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Inalar. Inalar mais, até ao ardor dos olhos, do cérebro.
Tu ficas a ver-me, olhas o Brasil no horizonte adivinhado,
nostálgica, grávida da minha semente.
Reergo-me da poça escavada por detrás da rocha grande a contemplar também
para Ocidente e para Oriente: vejo a luz plúmbea que se recria no fim da tarde,
vejo a magnífica solidão dos casais com duas crias, ralos e pacatos, já na penumbra,
festejando-se quatro a quatro por sobre o extenso areal.
Brincadeiras. Levezas familiares.
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Sem frio e com tempo, apesar do teu frio, meu Amor Equatorial.
«Olha, Linda, vai ali um tipo que foi o meu principal rival desportivo,
durante uma breve fase da adolescência.»
Já vai calvo e seco de carnes, o Joca. A cinco metros daria para acenar-me.
Mulher. Dois filhos pequenos. Um casal deles. Perfeito.
Ah, eis ali o seu automóvel, um Mercedes Classe A.
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O Joca sempre foi um emproadão e continua igual.
Não me reconhece e devia, o Peneirento de Merda.
Eu fui o primeiro sol da glória dos duplos mortais sem trampolim, lá na Terra.
Depois veio e tornou-se ele o glorioso sol dos triplos mortais,
das piruetas e dos encarpados com mini-trampolim. Eu ajudei-o e iniciei-o nisso.
Fui eu a primeira estrela absoluta a sacar aclamações rendidas de Gladiador e Toureiro,
na Faena-Fado-Fandango de me exibir, ao final de cada Ano Desportivo, no Ginásio.
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Depois chegou ele à minha Terra, ao meu Reino, como uma novidade exótica e bem nascida,
sem um quarto do estoicismo isolacionista de Leste soviético
e do saber de norte-americanismo cultural que me caracterizava
e foi a aclamação fêmea adolescencial por inteiro,
para minha raiva e desmoralização,
meus super-poderes em crise, meu ciúme em alta.
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Ainda para mais, chegar a ouvir da minha Paula,
essa baixinha acabadinha de chegar da Alemanha,
no meio do grupo dos ginastas, numa amena cavaqueira cheia de hormonas e tusas,
esse tiro de canos cerrados no meu peito à distância de um metro,
que, preferir por preferir, o preferiria indubitavelmente a ele-Joca e não a mim,
isso derrotou-me e deixou-me mazelas indeléveis, insónias de preterição.
Porque não se adora uma gaja à toa durante um ano inteirinho,
nem se arde de desejo a todo o pano sem consequências,
quando se tem somente catorze anos.
E eu esgotara todo o meu arsenal do ridículo
para tentar namorar com a Paula dos Grandes Seios,
essa luso-alemã roliça, tão anã e apetecível,
e em quem, nas binas do aquecimento inicial, eu tanto tocava naturalmente,
sem querer, querendo tanto
e também a quem nunca escondi as minhas descomunais e intermináveis erecções públicas
de lhe estar próximo, de lhe roçar no tecido sedoso transpirado, tão pele,
erecções que nunca pude ou nunca procurei disfarçar, incitado por tal presença
tão Carne Suculenta, enrubescido,
durante os exercícios de aquecimento ou à distância, olhando-a abrasado,
nas interacções em binas com ela, ruborizado!
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Mas enfim, mais velho que eu e em vantagem por isso,
o Joca viera para ser novo paradigma local.
E eu parti, jovem leão velho, a ser sol noutro lado e noutra coisa.
Nervos em franja. Derrotado. Desmoralizado.
«Amizade? Não, querida, sempre fomos rivais. Exclusivamente rivais».
Rivais pela glória, pelo brilho grego dos nossos corpos
no seu esplendor em Pose e Movimento,
na sua potência declarada e competida.
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Reinara eu seis anos ali. Comecei a reinar aos nove de idade e fui em tudo inédito e ousado.
Cedi o meu Reino somente aos catorze. Nada mau!
O Joca lesionava-se muito. Chegou tarde. Reinou pouco. Talvez dois ou três anos.
Não tinha o meu estoicismo isolacionista de Leste soviético.
Ambiente familiar de luxo o seu, que podia eu contra ter ele perceptora
e outras aquisições domésticas moralizadoras e avançadas?!
Sobrava-me Ânimo e Ambição, mas não mais ali.
lkj
«Vês? Acolá brinca o Joca, feliz, com a sua mulher, os seus dois filhos, o Grande Cagão».
Cá estou eu na merda outra vez, contigo, com a nossa filha. Grávidos, tesos, felizes.
Fase filha da puta esta e bastou um erro de secretaria,
mais um erro-conveniência orçamental
da Segurança Social para nos esganarmos como nos esganamos agora,
enquanto não é reposta justiça no resultado. E falta tanto para esse parcial dia!
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O meu ginásio é a Bloga, hoje. Re-miniscente de mim mesmo,
busco uma aclamação de Apolo Que Fere de Longe,
tenho dentro de mim um Zeus Tonitroante que exige idolatria-adoração incondicionais.
«Não, querida, não gosto e nunca gostei do emproado do Joca».
Sou um homem sem capacidade para conceder o benefício da benevolência
a quem notoriamente me subestime, deprecie, humilhe e hostilize,
coisa que esse Joca fazia com mestria e requintes de crueldade, excluíndo-me.
O meu amor da humildade e dos humildes é o reverso do meu Ego perigoso,
criado à custa de me dizerem que eu não chegava lá, que não conseguia,
à custa de quantas exclusões me aconteceram e que acabei por dobrar em triunfo.
O olhar do Joca era toda uma classificação da minha efígie viva, ali, com ele concorrencial.
Era uma desclassificação excluidora do meu monótono vestuário e de mim nele metido.
Era uma subclassificação da minha sociabilidade nula, sublimada em suor,
eu, que me habituara a nunca ir a festas de aniversário nem a fazê-las,
na missão de eu mesmo ser Misterioso, Imiscível com os insensatos colegas da escola,
Inacessivelmente Sábio, Santo e Diferente. Radicalmente Diferente,
precocemente Angustiado. Precocemente Só,
como só o são claramente os Velhos e os Eremitas!
lkj
O Joca nunca saía do seu pedestal absolutista de adorado fêmeo
e nunca empatizava comigo, único ali experiente, modelar, disciplinado, inatacável.
Ficava ele altivo a contemplar-se numa autobabação de gato,
lavando-se interminável, áspera língua, cego por si.
Eu não abria mão do meu estatuto de anos no Ginásio,
do meu silêncio, da minha distância defensiva.
Aproximar-me era rebaixar-me. Atrapalhar-me de ridículo. Prestar vassalagem.
Nem pensar. Pelo Orgulho é que vou. E fui.
lkj
«Não suporto partilhar a minha divindade esplendente, querida!»
Nem suporto de repente ser invisível. Uma vez rival, para sempre rival.
É a minha natureza.
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«A Paula das Mamas Grandes? Não, nada se passou entre ela e o Joca.
O Joca nunca estivera interessado. Era só vaidade e implícita tusa mesmo».
Da mesma idade ambos, mais velhos e experientes que nós,
já tinham alguém. Não se queriam,
a não ser no topo da hierarquia cerrada do desejo geral.
Dedicavam-se era a constantes sondagens de popularidade
e tusa entre o nosso grupo de ginastas.
Embora por vezes pense que toda aquela conversa
sobre com quem é que ela namoraria, se comigo se com ele,
ao dizer a frio na minha cara que seria com o Joca
fora uma jogada para que eu me mancasse.
O sorriso da Paula fora-me sempre um convite irresistível e privilegiador.
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E resultou!
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Ferir o meu Orgulho fora a arma de derradeira escolha.

domingo, março 30, 2008

NOVA FACHADA


O PÚBLICO noticia a face humana que Sócrates
passará a ostentar nesta linha de recta final em direcção à eleição aclamativa
que espera. De facto, ele sabe e todos sabemos, que tudo é uma questão de fachada.
Mudam-se os fachos e os faróis,
o fáscio muda e quanto a fachadas,
isso nem se fala!

Claudio Monteverdi: Vespro della Beata Vergine (1)

Com a minha mulher adiantada na primeira gravidez, de mãos dadas ali meu lado,
os olhos de ambos brilhantes,
os beijos e o amor ali felizes e plenos,
este concerto na Igreja da Lapa, Porto, talvez em Abril de 2006, deixou-me em completo e absoluto êxtase.

Para nunca mais esquecer de quanta beleza é preciso que me rodeie todo o tempo, além do benefício da Fé em cada versículo dos salmos num belíssimo Latim cantado.

PALAVROSSAVRVS REX

POEMAS E NÚMEROS


Fui, numa época de extrema secura de Lábios onde, Fonte,
me dessedentasse, de seios onde, Sôfrego Tacto, me saciasse,
Ventre-Fruto em gume cortado e em fenda devassado eu-todo falo e todo língua,
buscar algum consolo à memória de poemas - «Esvelta surge, vem das águas, nua,
timonando uma concha alvinitente.»
Memorizar poemas tornou-se-me como que um Sumo
e bebê-lo foi-me dizê-los,
dizê-los com uma expressividade Viva, talvez Raivosa -
«Nunca conheci quem tivesse levado porrada,
todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo» - em linha recta.
Porque todos, Todos!, os Poemas me faziam justiça - «Um gato vivo é qualquer coisa linda,
nada existe com mais serenidade, mesmo parado ele caminha ainda
as selvas sinuosas da saudade».
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Pharmacêutico de mim mesmo, em tanta Tusa Tensa por suprir,
o Poema engolido e ruminado fez-se corpo comigo.
Faz-se corpo connosco, em nós querendo,
e torna-se Cuzada-em-Cruz dada à irrelevância literária tão em voga,
cuzapada, culapada a essa literatura que vende Vácuos,
e tu, Toninho, meu cabrão, deverias compreender isto!, agora mesmo.
kjh
Por isso, todo o meu assumpto,
toda a minha ascenção, toda a minha assumpção em corpo e alma é Viver do Poema.
Não vês isso, Pedro, meu pimbalheiro de primeira água?
lkj
Fui e fiz-me isso-Poema cravado na minha carne.
E foi então que o meu olhar analogizante rompeu de nexos anexando todos os mundos.
O Poema está em todo o lado e é até nos números. Existe neles.
Aos sorteios ou azareios comecei a olhá-los como construções caprichosas,
camaleónicas, moventes, reagentes,
que também camaleonavam em função do meu passo,
claramente, sob o meu olhar de lince, aquilino olhar de águia altaneira.
E via as migrações para o litoral e as concentrações no centro de um quadro,
como mobilidade encomendada, orquestrada, defensiva, sonsa, sorna.
lkj
Ainda hoje manejo uma extraordinária e infinitesimal memória visual.
Não encontro interlocutores, sei, como uma ferida em pus,
que se mente por grosso e nós deixamos, alarves cloroformizados.
Mas anuncio grandes rasgões de Verdade-Para-Todos neste século XXI.
E os meus poemas hão-de ser facas kafkianas a rasgar de Verdade
todos os conluios danosos sob a capa sórdida e mentirosa da Benemerência.

sexta-feira, março 28, 2008

ES IST VOLLBRACHT: A UM CORDEIRO MICHAËLISIANO



No regresso da minha Noite de trabalho no Pub,
naquela noite de Quinta-feira Santa,
já passava das 4:30, a Lua prateava de magia o Mar e,
sobre o rio Douro, na foz do seu descanso, o que dela-Lua esparzia
fazia como que um triângulo de aquosos rebrilhos argênteos,
muito mansos, muito abençoadores.
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Era-me impossível, ao passar a Ponte da Arrábida,
deixar de olhar para ver com o meu coração, como um bâlsamo d'alma,
todo calmante, tal singular e fugaz espectáculo.
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Comparado com essa clara bênção, nada podiam as angústias
e as reverberações carolina-michaëlisianas, ainda frementes no meu espírito,
como insuspeitos pioneses invertidos
sobre a cadeira em que um professor se vai sentar, desprevenido.
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Para quê recordar que, sim, eu-vi-o-inferno-numa-sala-de-aula?
E vi os contornos mais absurdos da impotência e da irrelevância,
e vi o boicote sistemático, e vi o caos mais inapelável e absoluto,
e vi o espezinhar de tudo, de todas as regras de mínima humanidade e decência,
sentença de morte dos meus limites, para quê?
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Não negociava eu patamares comportamentais?
Não negociava e procurava cativar e seduzir para a Escola
e humanizar tal canibalístico caldo e balístico infinito debalde?
Não negociava eu petróleo por alimentos, no Iraque sedicioso das aulas?
Não embargava o comércio com aquela Cuba estranguladora das liberdades?
Eu negociava, visava resgatar, atrair para outra coisa,
protegia de ilimitadas oportunidades tal massa de transgressores subreptícios,
no limite, procurava compreender em que ponto dos seus percursos,
vinte e três alunos sem excepção se haviam decidido a tornar-se autófagos canibais
do seu próprio futuro.
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Os não-professores a emitir postas de pescada blogada sobre isto,
os Daniel Oliveira e outros cromaços
que bem podiam passar por Fariseus Lapidadores de Gente em face de isto,
com o seu seu verbo fácil, mas nada experimentado, que não me fodlixem.
Fui lembrado que ensinar é fácil porque é amar, amar é que é difícil
e não tenho aberto mão disso.
Vem este pífio Ministério encher de papéis-de-nojo
a paciência amorosa e relacional do ensino e dizer que ensinar é fazer de conta
que se ensina? Não me fodlixem!
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Três anos de miséria, Sra. Ministra Estalinista!
Três anos a ver afundar no pântano desmoralizador do Sistema o próprio Sistema.
Três anos a ver-me arredado de um olhar de confiança para isto.
Adeus, Galheteiro Ministerial da Educação:
Azeite-Caniche-Valter Lemos,
Sal-Prótese-Ocular-Jorge Pedreira,
Vinagre-Ministra de Lurdes!
Ide embora, que enfastiais, mais viciados no prime-time
que os justificadamente indignados ciganos de Mari Luz!
Es ist vollbracht!
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Es ist vollbracht,
O Trost vor die gekränkten Seelen,
die Trauernachtläßt
lasst nun die letzte Stunde zählen,
der Held aus Juda siegt mit Macht
und schließt den Kampf.
Es ist vollbracht.
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Aria from J. S. Bach's St. John Passion BWV 245
"Es ist vollbracht" ("It is accomplished")
- featuring boy alto Panito Iconomou,
soloist of Tölzer Knabenchor,
and viola da gamba soloist Christophe Coin.
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An inspired, historically informed performance.alto soloist:
Panito Iconomouviola da gamba soloist: Christophe Coin
Evangelist: Kurt Equiluz
Jesus: Robert Holl
instrumental ensemble: Concentus Musicus Wienconductor:
Nikolaus HarnoncourtTölzer Knabenchor director:
Gerhard Schmidt-Gaden Dom in Graz, Austria, ORF, 1985
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EVANGELIST...Da nun Jesus den Essig genommen hatte, sprach er:
JESUS: Es ist vollbracht.
ARIE (alt) Es ist vollbracht,
o Trost vor die gekränkten Seelen,
die Trauernachtläßt
nun die letzte Stunde zählen,
der Held aus Juda siegt mit Macht
und schließt den Kampf.
Es ist vollbracht
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Agnus Dei

quinta-feira, março 27, 2008

PSICOPATA, SEDUTOR E MENTIROSO


Nada tendo a ver com Christopher Walken,
só talvez com algumas das suas personagens
e mesmo nelas o problema e o perigo cheiram-se diegeticamente à distância,
do Ideias de Jeca-Tatu
acerca do perfil do psicopata, ou serial killer,
pôs-me a pensar na classe de mentirosos perigosos
que nos tem regido nos últimos anos, quer no plano interno,
quer no plano externo.
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Basta ler a posta e associar o lido às personalidades e factos que temos acompanhado.
Uma Ministra que nos gela o sangue
e nos deixa psiquicamente exangues pela burocratizante e obstinada estupidez.
Um Governante que em tudo favorece o único Portugal que lhe existe e que lhe interessa:
o Portugal de quem tem muito, mas mesmo muito, dinheiro,
relegando o Portugal pelintra, esmifrado e periférico
para um belo e prolongado fosso desanimador.
Um tresloucado belicista superpotente,
amigo do lóbi petrolífero e do lóbi armamentista e deles escravo executor.
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Três aspectos de uma só coisa esmagadora, falsa e letal,
une e irmana estes entes pseudohumanos no activo para tristeza do Mundo:
a recorrência da Mentira,
a luxúria do Poder,
a masturbação da Imagem.

GRAXA DO IVA



A medida é tomada, o Público noticia-a aqui,
podemos comentá-la e fecundá-la na respiração blogosférica.
e é a nossa fraca memória em Política a ser testada ao limite.
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Dir-se-ia que os Irmãos Metralha, que nos pastoreiam,
governam de tal maneira com o olho posto nas sondagens
que por isso mesmo se deixam inspirar
pela força eleitoralística do momento, manejando medidas
como os heróis e anti-herós do Dragon Ball Z manejam poderes,
e os jogadores de xadrez manejam as peças,
e é como se um Zandinga-ponto,
por detrás de cena, gritasse, a cada momento oportuno: «Entra, ladrão! É agora!»
E as SCUTs pré-eleitorais recuam.
E o Piercing, proposta de lei, recua.
E o saco plástico taxado, proposta de lei, recua.
E a OTA converte-se em Alcochete, recuando de Ota.
E temos o pacóvio político acabado Vitalino Canas
a desconsiderar os erros, recuando deles.
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Mas, de acordo com quem sabe, não devia ser agora!
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Os comentários num jornal-on-line e na bloga genérica
são a mais fidedígna sondagem sem recuos,
uma sondagem com opinião engasgada na garganta e as palavras certeiras
que é preciso dizer, avançando, a ver se se atemoriza estes negociadores eleitos
para decidir em nosso nome e em nosso clamoroso desfavor.
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Esta legislatura tem sido excepcionalmente humilde a recuar
e os recuos governativos têm sido das coisas mais felizes e relevantes
de uma Democracia Partilhada e Participada, como não há memória em Portugal.
E o braço de ferro, sociedade civil e Governo, mostra dar os seus bons frutos.
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Já está a circular o rumor de que este é o melhor Governo nos últimos 30 anos.
Há comentadores tendenciosos, postos a comentar as notícias do jornal Público,
com um formato comentador glorioso e triunfalístico,
tentando gerar ondas de entusiasmo impossíveis, tentando dourar a pílula.
Não sabem com quanta força a consciência cívica bem formada
lhes cairá em cima com os factos da boa informação,
com a boa transpiração do público e da sociedade não mais manipuláveis,
coisas que uma leal cegueira partidária obsta a considerar
e a relevar devidamente.
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De resto, graças ao Twingly do Público, a sondagem é diária
e podemos ler comentários que valem ouro lúcido
ou merda servil, conforme patenteiam os exemplos que passo a citar:
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DE FACTO A DEMAGOGIA TEM LIMITES
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embora sócrates não pareça reconhecer esta verdade inquestionável.
Nem sócrates nem alguns dos seus indesmentíveis amigos,
que continuam a querer atirar poeira para os olhos do zé-povnho.
Vejam bem: O governo "socialista"não tem culpa
pois esta é a era da globalização.
Esquece-se que esta é a desculpa esfarrapada de todo o neo-liberal
que tenta justificar o injustificável.
Veja-se Espanha e a forma com Zapatero se portou dignamente
diminuindo as desigualdades sociais,
não se acocorando perante a banca e o capital,
respondendo frontalmente a bush e a blair.
Veja-se sócrates a enriquecer os amigos,
desde berardo até vara,
a dar de mão beijada a saúde aos privados,
a vender-se e ao país por um punhado de lentilhas:
Neste PS, de socialismo não resta nada,
apenas negociatas vis e mesquinhas,
sem qualquer procura de justiça social ou de solidariedade...
por isso a banca,os grandes empresários,
os grandes advogados,
os grandes engenheiros andam encantados com ele...
e o têm levado ao colo.
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Por Oa, oeiras em 26.03.2008
kjh
MIGELITO
lkj
Este Governo é, em minha opinião, o melhor governo das ùltimas décadas.
Quer se concorde ou não pega o touro pelos cornos
e não se preocupa com as proximas eleições.
Portugal já precizava à muito de um Governo assim
para acabar ou pelo menos diminuir a bandalheira
que vinha reinando onde quem mais ladrasse
mais comia sempre do mesmo bolo (Orçamento Geral do Estado).
Continuem que vão no caminho certo. Parabens e obrigado.
lkj
Por Anónimo, Viana do Castelo em 26.03.2008
kj
Meu Deus, como eu gostava de ser comentado assim, com esta pureza e candura,
e a simplicidade, e a lineraridade, e o sentido de totalidade deste cândido anónimo!

quarta-feira, março 26, 2008

A ISABELA TERIA UMA ESTACA DE PAU PARA CRAVAR NESTAS PALAVRAS


Isabela, os gatos que ainda terei merecem um futuro melhor que eu tê-los,
mas também não é preciso exagerar num certo laconismo cortante.
lkj
Prefiro pensar-nos embrenhados nas lutas actuais,
pertencentes a um núcleo restante de humanidade mais humana e menos cínica,
que odeia opressões,
que não dicotomiza o feminino e o masculino,
ou o preto e o branco,
ou o nacional e o estrangeiro,
que separa lixos,
mas não separa gente nem a estratifica por categorias nem por opções,
(as mulheres que amam outras mulheres,
os homens que amam outros homens,
os homens que às vezes amam mulheres e outras vezes preferem homens
e outras ainda mergulham numa salada com todos-maluqueira grega ou romana qualquer,
que se contêm de molestar crianças, adolescentes e jovens,
caso os desejem,
porque se agirem malignamente contra os mais frágeis e pequenos,
ter-nos-ão à perna dentro da mesma luta por humanidade e desopressão!),
os pais que o deixam de ser só por lhes ser a filha lésbica,
só por lhes ser o filho homossexual,
têm, porque têm!, de se inspirar no saudoso Martinho Lutero,
um iluminado, como outros iluminados, que regurgitou pensamento
restrititivo e castrante, quando muitos e muitos, raros como pepitas,
já haviam emitido um pensamento bem mais complacente,
misericordioso e tolerante à época:
lkj
«Os homens têm tórax grande e largo,
quadris estreitos e mais entendimento que as mulheres,
que têm tórax pequeno e estreito e quadris largos.
lkj
Isto significa que elas devem ficar em casa,
sentar-se quietas,
cuidar do lar,
gerar e criar crianças.»
çlk
Martinho Lutero
klj
«As palavras e os actos de Deus são bem claros:
as mulheres foram feitas para ser esposas ou prostitutas.»
klj
Martinho Lutero, Trabalhos, 12.94
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E é, Isabela, em nome de essa mesma grande luta
que emancipará a mulher que há em qualquer homem livre e libertador,
e banirá a excisão do pensamento opositivo verdadeiramente independente e livre,
que é preciso também que nos inspiremos em Martinho Lutero.
Por isso mesmo e nessa mesma linha,
é que gostei muito do sermão do Messias Sorrateiro-Sócrates,
lá num evento-PS, anteontem, com palmas e palavras inflamadas,
e onde esse nosso BigBrother-Sócrates,
distribuidor de emprego e de desemprego selectivos,
sublinhou enfaticamente que, no PS, a liberdade é livre
e que ali, ao contrário do que se passava no PSD,
só no PS havia a liberdade de opinião
e liberdade de discordar e a liberdade de divergir e inaugurar novas tendências de liberdade,
a liberdade de falar muito de liberdade, de lembrar imenso a liberdade
de libertar da língua livre o desejo de ser livre e libertado e pluralístico e tal em liberdade.
«Se tu o enfatizas tanto é porque ela falta e tua a odeias.», pensei.
lkj
Certo é que bocejei de tédio, enquanto uma névoa verbal de cínico e hipócrita
pairava sob o sorriso estudado daquelas palavras.
E Portugal é isto e leva à letra isto,
tal como Martinho Lutero, novo Maomé fraccionador de um Corpo,
desbizantinizador obstinado e heresiarca novo, prescrevia:
lkj
«Do mesmo modo, devemo-nos submeter à autoridade do príncipe.
Se ele abusa ou faz mau uso dela,
não devemos odiá-lo,
buscar a vingança ou a punição.
A obediência é devida em nome de Deus,
pois a autoridade é o representante de Deus.
Por mais que eles tributem e exijam,
devemos obedecer e suportar com paciência.»
lkj
Martinho Lutero, no sermão Tributo a César

terça-feira, março 25, 2008

CLAUDIO MONTEVERDI, MEU ANTÍDOTO E MEU LEITE


Retrato de Claudio Monteverdi em Veneza, 1640,
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Entre os teus Madrigais,
ouvidos como um pranto gozoso e dolorido nos meus dias de desânimo,
e a tua Vespro della Beata Vergine, 1610 (SV 206 and 206a),
algures por 2006, na Igreja da Lapa, Porto,
Vésperas explosivas e comoventes,
fiz da minha primeira cogravidez, tão suave e pacífica,
um aleitamento permanente de Música
ao meu primeiro bebé por nascer.
lkj
Cabisbaixo, desempregado, miserável, sem tusto,
um pouco tal como agora estou e me sinto,
levado aos pontapés desprezivos
e pisoteado por este safardana Ministério da Educação sacana,
enganado por grosso por quanta esperança punha
na iníqua e enganosa Santa Casa dos Mil Enganos artificiais,
havia ainda o músculo de sonhar e a música de contemplar.
lkj
E eras tu, Claudio Monteverdi, que em música-leite de tudo me consolavas.
Ainda agora, ao ver a minha filha, com menos de dois anos,
agarrada por sistema ao Piano lá de casa,
cantando e tocando com uma estranha obstinação cómica e afinada,
me lembro bem com quanta música tua rodeei
a barriga da boa mulher minha onde,
intocável novelo sagrado que se desenovelava,
o meu querido bebé nadava.

segunda-feira, março 24, 2008

CAROLINA MICHAËLIS E O GENOCÍDIO DE ESPÍRITO EM PORTUGAL


Saio de casa para mais uma noite no Pub
onde minimizo os efeitos perniciosos do meu desemprego do Ensino.
É Quinta-feira Santa de silêncios. Cá fora, lua a pique, um forte odor a flor de laranjeira
embriaga-me de doçuras densas de história e reminiscências muito minhas.
lkj
As minhas botas firmam-se no lajedo reluzente, húmido, frio, da minha rua
e ainda baila na minha mente a humilhação colectiva da docência em Portugal
compresente na abominável cena do telemóvel no Carolina Michaëlis.
O mal é sistémico e os sinais, os maus sinais!, políticos na verdade determinantes.
Querer fazer da aluna Patrícia o cerne da responsabilização exemplar de tudo,
ou sequer a turma do 9.º C a que pertence,
vindo DREN com um sôfrego atraso justiceiro pomposo de INEM,
é não compreender a necessidade que haveria de,
ao mesmo tempo, sanear, punir e responsabilizar
toda a estrutura discente de que se faz a Escola Pública em Portugal,
pois o estado de bullying é permanente e as vítimas são estas: os Professores,
os Auxiliares da Acção Educativa e uma minoria de alunos bem comportados,
interessados e dedicados,
gente particularmente frágil e pacífica de mais para ripostar.
lkj
O mundo da Educação em Portugal abre fendas por todo o lado.
De repente, saltam Joaquinas e Patrícias, pessoas concretas,
cujos embates perdedores diagnosticam automaticamente a febre letal que enforma o Sistema.
Este consulado governativo, em especial este Ministério da Adulteração Educativa,
tem-se excedido em decisões, despachos e regulamentações asnas,
que imitam políticas experimentalícias
aplicadas em alguns países em tudo modelares da América no Sul
(para arrependimento geral dos povos e governos da América do Sul),
políticas de correcção rápida de indicadores estatísticos
e que na prática redundam na perda de qualidade e de rigor
nas aprendizagens e avaliações,
porque se o Maomé-do-Sucesso-Enlatado não vai à Montanha
dos Números Estatísticos Correctos,
a Montanha dos Números Estatísticos Correctos
despencar-se-á sobre todo o Maomé e adjacências do-Sucesso-Enlatado-Instantâneo.
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Paralelamente a isso, e o meu desemprego do Ensino
pela segunda vez nos últimos três anos, após doze de serviço ininterrupto, atesta-o bem,
tudo se tem feito para hostilizar, humilhar, desmoralizar, uma massa de gente que,
no passado, apesar de tudo era capaz de ser feliz e fazer felizes os seus alunos,
despertando-lhes tesouros indeléveis,
como a fome e sede de Prazer Intelectual,
de Bom Gosto,
o Espírito de Pesquisa,
o Apreço pela Pedra Angular Indentitária e Espiritual dos Clássicos Nacionais,
a Vivência dos Valores da Solidariedade, Espírito de Grupo, Espírito de Partilha,
mas que hoje alberga um profundo desalento entristecido
por se ver absolutamente chantageada e comprimida, no tempo e no espaço,
porque punitiva e metodicamente escravizada.
lkj
Há, aí, consumados zombies que têm alinhado
nesse adiantado Auto-de-Fé antidocentes e o Miguel Sousa Tavares
é um dos do discurso alinhado e demagógico
nessa fogueira estritamente orçamentalística,
tão desumana e cruel como as outras, as Fogueiras Literais.
Perdido entre tantos dossiês e tantas matérias a dominar,
pesquisas para best-sellers normalizados-pipoca, como o Rio das Flores,
(sou muito esse Diogo contemplativo lá narrado! Toda a gente é o Pedro!),
às tantas esquece a herança profundamente humanística,
cheia de bom senso e ética cristã daquela que o gerou,
menosprezando os professores e radicalizando
um discurso gourmet de caçador, viajante e aventureiro.
lkj
É um Genocídio de Espírito, o que este Dissipador Ministério da Decepação
tem levado a efeito. Mário Crespo, no Jornal das Nove,
estava visivelmente chocado com estas imagens-ponta-de-Iceberg.
Mas curioso foi notar a inércia inexpressiva da Odete Santos, do PCP,
e do Deputado Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas, do PSD,
quando confrontados com aquilo.
Há duas espécies de falta de espanto: o de quem já sabia
e o de quem não quer saber.

Hallelujah

BCJ - Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine...

J.S. Bach, Johannes-Passion BWV 245 (Philippe Herreweghe)

De todo o meu coração,
Meu Senhor e meu Deus,
eu vos adoro.
Consagro-vos o meu âmago,
tudo o que sou, toda a minha Esperança reside em Vós,
no Vosso Nome.

Em nada mais-areia firmo os meus pés e o meu ser a não ser no Rochedo da Salvação, que é Cristo, Rei e Senhor do Universo.

Rocha da minha vida,
cedo vos amei! Cedo vos amei!
Vinde, Maranathá!

PALAVROSSAVRVS REX

domingo, março 23, 2008

HALLELUJAH! DUAS COISAS DE PÁSCOA


Duas coisas, nesta pausa de Páscoa a que me dei:
cruzar-me na rua com o Zé Manel, Poeta vizinho amigo, genial, humilde,
atravessá-la expressamente para abraçá-lo e ser abraçado por ele.
Tivemos as curvas e contracurvas desentendidas da vida
e não nos falávamos nem nos abraçávamos justamente desde a última contracurva,
e a última contracurva fora no ano 2000.
Mas sempre tivemos este comum fervor pela Palavra e pela boa conversação,
e partilhámos muito sublime, muita intuição de futuro e de fé.
Consciência aguda das minhas amarguras por causa dele, admitiu à queima-roupa:
«Sei que não te tratei lá muito bem no passado.
Mas, olha, são fases. Podes imaginar.»
lkj
Para mim já tudo se tinha dissipado há muito, erodido pelo tempo. Passou.
Era o abraço e a amizade ali, bem vivos, o que então contava.
Agora somos mais vizinhos de e-mails, coisa que nos prometemos manter,
e no PALAVROSSAVRVS REX, meu manifesto quotidiano,
onde todo me verto e onde todo me dou,
talvez me aceda ele no melhor e mais solene dos silêncios.
lkj
Certo é que nos abraçámos com calor, com o despojamento-ternura de amigos,
trocámos breves e intensas palavras de cumplicidade do que tem sido isto
de estarmos parece-que vivos.
Perguntar de mais um do outro de passagem não nos teria respondido.
Só o afecto contava. E comoveu-me a nossa nudez de razões,
o estarmos ali desarmados de tudo,
até das dores e equívocos passados, para nos reencontrarmos
como quem morreu e agora está Limpo e Ressurrecto no Amor Essencial.
lkj
A outra coisa - e eu sou um gajo muito sensível e impressivo e por isso muitas vezes me engano -
foi o modo como outro amigo me evitou, fugiu literalmente de mim,
e nem sequer o perseguia eu. Acontece que seguíamos para o mesmo destino
e eu conduzia atrás, acenámo-nos, ele pelo rectrovisor,
aquando de uma travagem, para que alguém atravessase,
que nos fez reparar que éramos nós,
e depois fui notando que para onde intentava eu ir, ele ia também.
Foi então que ele desatou a inventar voltas sem sentido e eu toquei-me.
Depois de seguir demasiado tempo atrás dele, na esperança de que afinal apeássemos ali
e nos cumprimentássemos, vi que não tencionava estacionar, não faltando lugar para isso,
e, seguindo o meu caminho, parei, estacionei, algo magoado.
lkj
Pensei no desarranjo mental e na perplexidade que quem me leia aqui sentirá
caso, conhecendo-me previamente na carne e no osso, não dissocie a minha pessoa
dos textos-em-arte que emito. E desgostou-me essa rejeição talvez precipitada.
Não serei porventura o mesmo?
O mesmo apaixonado de Cristo, da Vida e da Humanidade?
O mesmo inconformado com tudo e que quer puxar com violência o Céu
para esta Terra de lodos, desgraças e terríveis assimetrias?
Sou o mesmo, Sérgio! Sou o mesmo!
lkj
E ainda que me tornasse o mais tremendo leproso
na minha carne e no meu espírito,
precipitado no inferno do pecado, do vício, do zero,
dissolvido na perda do meu sal de intocável e introcável integridade,
um destroço humano de alguma vez ter tido Fé no Ressuscitado e agido em conformidade,
se ainda assim eu fosse esse nulo, ao ver-me,
no teu lugar, eu pararia na berma,
sorrir-me-ia, como só tu o fazes, viria apertar-me a mão e dir-me-ia:
«Olha, joshua, aqueles que se diziam muito teus amigos,
além de te ignorarem deliberadamente, envergonhados de ti,
dizem que estás doido, que insultas tudo e todos no teu blogue.
Mas eu sei que são burros. Mal lêem o que escreves ou não te sabem ler de todo.
Eu oiço o que dizem e até fico a pensar se não têm alguma razão.
Depois entendo que ficam é perdidos, paralisados na forma, na letra, e ignoram o espírito.
Por isso, se te sentes feliz nas tuas causas, poemas e inconformismos, continua!
Talvez um dia até eu te consiga compreender devidamente e eles também.»
lkj
Aí, Sérgio, seria Hallelujah!
lkj
Porque ser segregado e mal visto por quem me desconhece é-me igual.
Mais perdem. Não perco nada com quem não me entenda.
Sê-lo agora pelo efeito perverso
dos mecanismos de rumor filho da puta
entre os muitos invejosos e inseguros que se diziam meus amigos,
já é mais intolerável porque denunciador da subdesenvolvida mente pequenina
da aldeola em que nasci, quando por todo o Cosmos ressoa a Alegria da Salvação
não a Alergia e a Murmuração.

quinta-feira, março 20, 2008

UM PAÍS E UM ESTADO EM ESTADO DE PINÓQUIO


Coelhinhos, Ovos de Páscoa, reformas estruturais, mentiras e mais mentiras,
opressão implícita pela supressão do emprego e do sustento,
silenciamento das oposições pela força do dinheiro,
controleirismo bufo das vozes incómodas, tratamento informativo omissivo,
propaganda oca desenfreada com tentativa de violação da nossa consciência,
manipulação terceiro-mundista da opinião pública inerte
e terceiro-mundista, é isto o que temos.
Um País tornado pífio pela incompetência e sofreguidão de pífios políticos indecentes,
que não consideram, nem escutam, nem servem as populações.
lçkj
Depois da Páscoa da Cidadania,
que no ano passado, 2007, surfou explosivamente a treta da licenciatura Farinha Amparo,
que Páscoa teremos este ano, quando cada vez mais um Povo Maior
se vai consciencializando do quanto tem sido enganado, rebaixado,
e de como se pratica o furto corrupto qualificado
cujo outro nome é ser político-partidário-dos-interesses-privados
e das públicas remunerações sôfregas e indecentes,
que nada, nada, mas mesmo nada se justificam à luz de comparações de peso?
kjh
Alguém disse que Ética e Política são uma contradição.
Alguém disse que Corrupção e Política são sinónimos.
lkj
Entre um Povo que dorme e se deixa conduzir a qualquer lado, tanto faz,
que compra qualquer versão oficial, deixando-se cegar por ela,
e outro que se apercebe, regista e critica as realidades profundas
que a todos condicionam negativamente e cujas responsabilidades podem ter nome,
onde te situas tu, leitor embuçado?
kjh
Terás de escolher entre a rebelião cívica consciente
e a entorpecida pasmaceira ou será tarde de mais.

EUA E A MÁ CONSCIÊNCIA SEXUAL. PORTUGAL E A BOA



Enquanto nos Estados Unidos a sexualidade dos homens públicos converte-se facilmente numa questão da maior seriedade nacional, com a qual se exige, com a qual se cumpre a já vulgar diarreia confessionalista e masoquista, cobrindo de hipócrita puritanismo uma sociedade já obscenamente belicosa, hipócrita e puritana, em Portugal, graças a Deus!, nada de semelhante sucede, a não ser algo de ainda mais grave que isso que é Proença de Carvalho vir dizer o quanto deseja sexualmente José Sócrates por mais quatro anos porque, segundo ele, não parece haver alternativa, aliás na mesma linha do que José Miguel Júdice pensa e deseja. Sendo partes sexuais interessadas em mais e melhores coitos com o Poder, bem podemos concluir o que isso representa de credível e sério para os reais e profundos interesses das pessoas comuns. Este tipo de desejo sexual adúltero e obsceno, muito comum nas cúpulas cleptocráticas de Portugal, desejo que o dinheiro tem do dinheiro!, é que é condenável. Este tipo de homossexualidade política, em que iguais amam e beneficiam iguais, já sobeja e abundantemente beneficiados que chegue, é que é condenável. Evidentemente que o Povo, esse, a não ser que compre a imagem enganosa de um novo providencial Salazar recauchutado e melhor, de um messiânico D. Sebastião regressado e empreendedor, esse Povo quer e deseja é explorar todas as alternativas a esse cenário sexual só degustável por alguns.

quarta-feira, março 19, 2008

(PRO)POSTA ABERTA A BELMIRO DE AZEVEDO


(Ficção a roçar a Ralidade)

O coyote errante, na linha longíqua do horizonte, sou eu.
lkj
Um cidadão desfavorecido acerca-se do gabinete do Grande Pai
das Operadoras de Caixas Registadoras, dos Operadores de Telecomunicações,
dos Grandes Investimentos Internacionais,
dos Grandes Protestos-Piçada contra a Taxação Obcessiva e Estrangulante do Estado
sobre particulares e empresas,
e ousa peticionar:

j.: Dr. Belmiro, estou em crise. Eu queria um pequeno donativo. Vinha aqui pedir-lho.
Belmiro: Mas tu o que és?
j.: O que sou?
Belmiro: Sim, o que és?
j.: Sou um Parasita Útil. Mereço subsídios e subvenções porque sou Poeta.
Belmiro: E trabalhar?, não há nada, nada, nada?
j.: Nada! Sou Poeta. Trabalho a Palavra. Faço um biscate por uns trocos.
Vivo mal e mal vivo.
Belmiro: Você é patético. Não tem orgulho próprio? Nunca dei por si.

j.: É natural, sou Poeta, não sou Político. E ninguém dará por mim até que morra.
Faz parte do Estômago Estúpido da Vida.
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Belmiro: Não costumo dar donativos. Não acredito num mecenato sem retorno.
Não dou peixes a desconhecidos e não ensino a pescar sardinhas
a quem me não trouxer garantidamente um tubarão. E isto é Gestão e Eficácia. Aprenda.
j.: Não acredito no trabalho escravo. Não acredito no lucro como absoluto.
Não acredito no papel do Estado Português
como garante de Justiça Social ou da Justiça em Geral.
Não acredito no papel de responsabilidade social dos mais Ricos,
que começaram sempre com um golpezito-Belmiro numa herança
ou com uma oportunidade reles-Amorim qualquer.
Não tenho perfil para golpes. A minha ética não o permite
para anos depois comparecer sério e de cara lavada
com todo um admirável sucesso e todo um admirável empório-império financeiro.
Preciso de um donativo!
Uma qualquer migalha para si para começar a pescar por minha conta!
Qualquer coisa para mim de abundante dada e generosa!
lkj
Belmiro: Vá trabalhar. Sue o seu suor. Poupe o seu dinheiro. Faça como eu fiz.
j.: Se isso é definitivo, possa você, os seus filhos e os seus netos, um dia, passear
em romaria de homenagem ao cemitério aonde os meus ossos forem descansar.
Atirar-lhe-ei a si e aos seus uma tíbia à tola ingrata e somítica.

TIBETE, DALAI LAMA E A SOMBRA NEGRA


Quem preside aos destinos da Negra e Sangrenta China
diz que o Dalai Lama é uma Sombra Negra
que esteve por trás dos recentes tumultos
lkj
Tal como na questão de Myanmar, a questão do Tibete
implica que só as nossas sociedades se solidarizem com as causas independentistas
daqueles povos oprimidos, não acompanhadas, porém, pelos respectivos Governos,
cujos negócios e compromissos negociais a tudo se sobrepõem.
É por estes e semelhantes oxímoros que as formas tradicionais de democracia
estão condenadas ao fracasso e ao progressivo descrédito galopante.
lkj
Só modalidades avançadas de democracia,
democracias reformadas e directas, farão justiça neste Mundo
porque nenhum cidadão sensato consentirá em injustiças ou oprimências
numa aldeia nossa vizinha na China,
num bairro aqui ao lado do Barreiro, da Vila d'Este,
numa favela contígua à nossa consciência, logo ali, no Rio de Janeiro.

terça-feira, março 18, 2008

BRANCA QUADRA ALADA


Fosse eu de todos desertado e, nesse desespero,
tentação fosse, albatroz, soltar-me de arrasto ao abismo,
ainda assim voaria rente ao tumulto das águas
ao mesmo vento, furioso alimento, com que cismo.

ALCOÓLICA EM TRATAMENTO


Contaram-me há dias que uma das moças,
para mim das mais impertinentes e aborrecidas clientes do Pub,
era afinal uma alcoólica anónima em tratamento, que era inteligente e especial.
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De facto, todo aquele comportamento eufórico, descontrolado,
a roçar os meus limites (vinha malcheirenta, postava-se à minha frente
entre o ir e voltar para fumar lá fora, pedindo-me para dançar e questionando-me absurdos)
das duas primeiras vezes que lá fora
faria pensar tudo menos da inteligência e do ser especial.
lkj
Chegava sozinha, tentava engatar um dos homens carentes lá batidos.
Bebia finos, dançava extravagantemente e não havia meio de sair,
mesmo quando passava da hora e exorbitava na seca que me dava.
lkj
As duas últimas vezes, porém, parecia-me outra pessoa e a pouco e pouco
dobrou a minha desconfiança do que seria a situação costumeira all-night-long.
Chegava simpática e sóbria. Vinha com um jovem companheiro que mais parecia tutor dela.
Comportava-se bem. Ela bebia Coca-Cola e ele o seu fino.
Ficavam pouco tempo. Saíam em cordialidade cúmplice comigo
e eu apreciei a mudança.
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Foi quando me relataram o que ela ousara dizer ao meu Patrão,
ainda na época das bebedeiras, que me convenci de como esta jovem era especial
e inteligente porque sensível ao perfil de um homem que terá falhado em ser amado:
«Tu julgas que és amado, mas não és.»
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Esta moça pode ter muitos defeitos mas por uma vez acertou.
O meu patrão solitário é um homem clamorosamente só.
Durante algum tempo apiedei-me dele e acompanhava-o nos fim das madrugadas.
Mas não há almoços nem pequenos-almoços grátis.
Há-de haver sempre um objectivo por detrás da mais cândida generosidade.
Tem mais empregados que nunca e nunca pagou menos que alguma vez por isso.
Despediu, sob acordo, um ou dois dos antigos cujos vencimentos eram elevados e agora
com cinco ali a afadigar-se na madrugada paga-lhes no total menos
que por um só daqueles antigos despedidos.
É a chamada gestão. Está no seu direito
e eu nem sou dos que mais se possa queixar ali.
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Mas ser o preço a solidão? É certo que ele é um perdulário, um gastador descontrolado,
dado simultaneamente a muito calculismo aproveitador e a alguma generosidade
com as pessoas que dependam dele,
mas não ser amado é sempre uma colheita que se semeia.
E para ele não ser amado é não ser amado dos filhos,
não ser amado das ex-mulheres, não ser amado dos amigos,
odiado pelos invejosos dele lá no Pub, não ser amado das putas a quem pagou
intermitências interruptivas à sua temível, oleosa, e alastrante solidão,
todo esse não ser amado pesa-me nele.
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Vinte e cinco euros a menos, e pagamentos às pinguinhas,
levam-me a romper com os pequenos-almoços grátis e solidários com ele.
Abalo dali, mal termino de fazer o que me incumbe e alego deveres urgentes.
Mato a fome noutro lugar a sós. Preciso de sobreviver aos naufrágios dos outros
que se dizem inafundáveis e resistentes lutadores nesta vida, como ele diz de si mesmo.
Preciso ganhar integralmente o meu dinheiro e não dar argumentos compensatórios disso
a quem me pague generosamente os pequenos-almoços.
lkj
Os clientes do Pub são histórias que preenchem o enigma total que nos somos,
mal desatamos a olhar para o enigmático neles.