sexta-feira, junho 30, 2006

Adeus, Luciferina Criptoscriptora

A ideia de que um amor, um amor bem forte, antigo, babado, feroz, espinhado, a varava, tornou-se-me evidente porque não a vi a saber parar, a rir até, por que não?! Por causas esgotadas e mortas pode parar-se imediatamente. Mas não por um homem velho, mas vivo, que arrebatou o coração de uma mulher há séculos e que há séculos por ele vive derreada de devoção.

Depois há coisas que um coração feminino (amargo e conformado com amarguras) não sabe fazer e é perdoar, ceder, recuar. Amando desmedidamente um homem, nada a pode segurar, ao vê-lo atacado, rinoceronte em marcha unicórnia de corrida.

Quando o amado apanhou o meu ferro, não interessa agora se jocoso, se justo ou injusto ferro, não se teve e, leoa experiente no bando e avançada nos anos, foi à luta, pronta a defendê-lo com unhas e dentes e lâminas. Mais uma vez mostrou amor. É isso: quando se encarniça contra os maus, os advogadosdodiabo, que maltratem o seu querido, o que ela mostra é isso. Amor. Se calhar o querido é seu marido. Por isso o ódio destilado tinha esse aroma desmedido e doido de cio, descontrolado.


Não há mesmo idade para amar caçadoramente com garra de águia ou Harpia (gavião-real ou uiraçu-verdadeiro) entre as ramagens amazónicas deste Desabafe Connosco, coutada de caça e predação dos fracos pelos fortes, dos errados pelos certos, dos mal escreventes e mal pensantes pelos bem as duas coisas. Isto é toda uma Faculdade de olhares pedantes e impiedosos no alto da mais suma sapiência e perfeição despreziva dos demais.

Luciferina, explosiva, armadilhou-se com quantas armas tinha e deu, como é seu estilo e timbre, uma no cravo e outra na ferradura porque, na hora de dar, acomete-a sempre uma íntima cegueira ciclópica e a bater é cega. Completamente bravia, cega e brava. É isso: femeamente brava, cega e bravia na hora de agredir, tomada de dores alheias.


Hieroglifando e criptografando palavras que se têm de ler duzentas vezes para delas se sacar sentido mínimo, surrou e zurrou e bramiu e espumou. Eu sei porque apanhei com ela para nunca mais.
Eu, que a vi de pau em riste por amor de um homem, apanhei com ela e com ele, com o pau das suas mãos, perdi os sentidos, caí inanimado da minha brincadeira abaixo.

Recobro agora mais forte. Ela, a Luciferina fêmea, tem o registo ilegível e perturbador dos animais selvagens e é toda uma outra maneira de ser Maria Ríspida e irracional, na hora do ataque por baixo.

Desse mau aspecto quero férias e distância para todo o sempre. Quem pode prezar um ninho de vespas mulher, uma olívia-palito despreziva dos mais puros espinhafres que a minha horta dá?!

Passei no teste.
Ela reprovou.


Joaquim Santos


quarta-feira, junho 28, 2006

Van Gozo

Retratem-me um céu com estrelas vivas
e o negrume nocturno revestido de luz,
insólita dança de planetas, luas e estrelas.
Pintem-me um quadro com cenas celestes
e casarios em repouso
aguardando
a hora de embarque
numa morte
idosa, serena:
a torre da igreja é o foguetão,
morrer a viagem.

Calem-me a gritaria desse Van Gogh de barba invertida! Não se aguenta tanta beleza estridente!

Quanto aconchego em ser pequeno
ao colo do ignorar
as teorias todas,
ou então louco,
numa liberdade dissertante e impunível,
inimputável,
de bobo cortesão!

Joaquim Santos

terça-feira, junho 27, 2006

O Eterno no Efémero

A pedra,
o monte e a sombra da nogueira,
num denso azul escuro,
uma lua crescendo, obesa, ou minguando,
fatia mordida, nádega sugerida à espera da concha de uma mão ousada,
o copo de leite,
a cerveja partilhada
e bebida entre olhares cúmplices,

intensos, amantes, ternos,
isso e ainda mais que isso tem espiritualidade,

repousa em transcendência,
é prenhe de eterno,
porque transparência,

porque toda a sublimidade
porque à flor efémera luz

que é estar vivo e respirar.

Joaquim Santos

sábado, junho 24, 2006

Sumo

O que é não sabemos,
mas pode bem ser sumo, só sumo artesanal, e não mecânico.
Por que não haveria de ser só

suco, sumo, néctar, polpa,
vitamina tirada à mão,

frutado ordenhar de vaca lá na horta?

A cor é citrina, protestante, conspiratória, régia, marchante,
mas o fruto é de beber, sorver,

com palhinha e tudo...

Depois de aberto, esquartejado e esmagado!

Joaquim Santos

Rumo a Um Tempo de Bons Ventos e Acalmia

Há quem pense
e traduza só doçuras,
há quem sempre escreva mel
e bolos de chocolate e amor e paixão e ternuras.
Há quem esteja obeso de altruísmo,
quem queira ser melhor
honesto e santo como um paraíso sobre duas pernas
é só têm duas cores: ou a dor ou o amor.


Eu não. Não escamoteio nem rancor nem frustração, caso os tenha.
O que tenho é para ser dito, escrito, até que passe e meu ser serene.
Se é fúria, escrevo fúria.
Se é ódio, escrevo ódio.
Se os meus olhos dão com falácia
e mentira em toda a parte, sai-me um verbo verde,
carregado de escárnio e escarro,
quisera saurianamente devorar, trespassar, garra enclavinhada, esse engano ruim,
ser avalancha que, desprendida do penhasco mais pináculo, fragorosamente soterrasse todo o mal num silêncio branco.

Assim ou assado, é escrevendo que digiro
os absurdos, mar alto, em que navego e me vitimam
rumo a um tempo de bons ventos e acalmia.


Joaquim Santos

terça-feira, junho 20, 2006

Embalar-te, Meu Amor
















Vieste
embeber a tua alma de vida e pasmo,
neste mundo, casa desarrumada,
minha filha,
e um mês, o primeiro, passou já.

Embalo-te enquanto canto,
é sempre com música que te acalento e acalmo
e tua mãe é toda uma paz, paisagem amorosa,
que se desenha em seios, mãos e beijos.

Resguardar-te de prematuros espinhos,
olhar-te nos olhos,
sorrir por tua causa todos os dias,
e compreender que ser pai de um bebé belíssimo como tu, filhinha,
é por cá,
Europa,
um prazer esquecido.


Joaquim Santos


sábado, junho 17, 2006

Igualdade na Diferença








Hoje
a uns e a outros
a relva é a mesma
é a mesma bola,
o mesmo ar por respirar
frankfurtiano.

Tudo, à superfície do verde herbáceo,
poderá ser igual,
menos a Vontade:
a Vontade lusa sobre a bola é que será um povo inteiro,
valendo por duas Pérsias e três Mesopotâmias.

Daqui, velhos, crianças, mulheres e homens,
nas suas crises e lágrimas e ânsias,
nos seus sonhos, labaredas, infâncias,
quando dizem «Aleluia» ou
«C'um caralho! Que se foda!»
somente exigem, afinal,
nova Índia que se veja.

Certeza e cloreto de sódio,
nossa nau de pau futebol,
maresia, salssugem, por dentro
enchendo a camisola,
o pontapé,
meias,
chuteiras,
a vela-rede panda duma baliza certeira,
ao leme-jogar de pé,
de pé na acalmia e na borrasca, mas vencendo:
e aportar à nova Calecut, glória lusíada de um caneco ou troféu rebrilhando mundial sobre as nossas cabeças,
canela nova de ouro,
(meu povo-especiaria)
em pau e
em pódio.


Joaquim Santos



sexta-feira, junho 16, 2006

Reentrada















Fato, somente fato,
recheado de panos
e roupas velhas...
Simulacro de gente dentro,
sem carne, sem sangue,
desossado,
antes de arder
sexívoro
roçando
a atmosfera,
roçando...

Ser fato,
veículo espacial de pano,
em queda,
pano enquanto caio,
caindo enquanto ardo,
com azul e negro
como silencioso fundo.

Um fato,
somente um fato,
cheio de roupas e panos velhos,
oco de carne e sangue,
desossado,
somente veículo de pano,
condenado a cair e a arder,
roçando sexífero
pela atmosfera...roçando em fogo.

A gravidade de me pulverizar
enquanto caio,
e ceia de arder
enquanto caio
de ser feliz e fulgurante,
enquanto ardo
em azul e negro.

Fato espacial,
somente fato.

Joaquim Santos


Blogocelebração













Constelação blog
universo imenso blog
galáxia de vidas, estrelas a despertar ou a fenecer blog
blog sistema com luz ao centro
onde o tempo e o espaço se distorcem e condensam
e onde há arte,
e há cor,
e há música,
perante ti dá uma fome de polémica e divergência,
mas também de convergência e de partilha,
dá uma fome de bater todos os recordes de amar e ser amado
de visitar e ser visitado.

Joaquim Santos

terça-feira, junho 13, 2006

Sócrates, o Sorridente Barba Grisalha
















A selecção jogou. A equipa e o jogo é um vento, uma brisa marinha, que distrai dos biscoitos e da água salobra de bordo - vida nacional a doer -, enquanto impele a nau da imagem primoministerial no mar de baixios governar.

Porque em face da equipa nacional tudo se nivela, porque à sombra da equipa nacional os que estão por cima e os que estão por baixo dão beijos e abraços e porque os olhos brilham nos golos assim como secam, endurecem e fuzilam na miséria, Sócrates Falcon podia sorrir simpaticamente aberto ao fim do vento jogo vitorioso, para deixar a vela panda do sorriso embalar a nau da imagem num rumo de positividade improblemática.

A imagem nau socrática tem de seguir Falcon, sorridente no futebol e dura no jogo do pau da política quotidiana porque esta é a hora de agir politicamente, certa essa acção do menor controlo e atenção da sociedade civil porque as oposições também têm o olhar nublado de emoção e exaltação nacionais. Agora é que executivamente se pode actuar porque, entre os pães e o circo, manda e desmanda César Falcon.

Nau é nau por muito pirata que seja Falcon e nela haver pernas de pau ou papagaios de serviço é só uma questão de pormenor: alegremente se abordam os bolsos do povo em qualquer oportunidade; não se conhece maior aliança como esta aliança gay com o sistema-coveiro de Portugal, que são os badalhocos bancos, na sua propaganda cara, nos seus produtos irrealistas, no desfasamento entre o que vendem e o que pode ou não pode o público-alvo contrair.

Durante os jogos, só posso moderar as minhas emoções: há o meu lado. Há ainda o lado de quem não está bem. De quem não está nada, nada, mesmo nada bem.

Joaquim Santos

segunda-feira, junho 12, 2006

Perfil

























As tuas estrelas jovens azuis e
as tuas estrelas velhas vermelhas,
NGC 5866, contam que história?

Que agregação de inteligência contemplativa e adorante,
que acúmulo de informação,
que vidas,
que mortes contam as tuas estrelas jovens azuis e as tuas estrelas velhas vermelhas?

Não sei.
Mas a tua beleza em perfil
já fala, já me diz,
ser completo estrume haver extrema direita
e extrema esquerda, quando tão bela és
na poeira divina dos teus extremos, na divina poeira do teu centro.

Como os nossos antepassados, vendo a Via Láctea, reconheceram a aventura de Deus,
ao olhar para ti também apetece amar Alguém,
Algo (porque há aí Algo Enorme) que não morra.

Apetece Deus.



Joaquim Santos

domingo, junho 11, 2006

Bandeira

















Nós, o povo, pusemos as bandeiras do lado de fora de, barraca ou mansão, onde vivemos
e também no automóvel.

Compramos verde-rubros
cinzeiros,
isqueiros,
lingerie,
t-shirts inovadoras,
escovas de dentes,
cachecóis, sapatos;
fizemos penteados
bizarros,
bizarros bolos, pratos, vestimos os cães, vestimos os gatos
e até os nossos pássaros engaiolados têm a bandeira tatuada nas penas...

Agora, e a partir de hoje, é só esperar em cada jogador um comedor de relva profissional,
um guerreiro
dos mais ferozes ancestral,
disciplinado romano,
ousado grego
elefantino cartaginês,
resistente Viriato,
conquistador macedónio Alexandre,
porque ganhar ou é uma vontade insuflada de cio e certeza
ou a humilhante mariquice do talvez.

Portugal, no futebol como na vida, que ou (te sagres!!!) sangres ou desapareças!


Joaquim Santos


Solário


Vento solar
ciclópico vento
bafo ciclónico
radiação clone boreal de aurora crepuscular
calas calos
ardes grades
tuas manchas ganchos
solares
de cor e vida
nos fustigam.


Joaquim Santos


sábado, junho 10, 2006

Erupção


























Diz-se de um vulcão não activo que dorme,
sono de montanha com inflações de gás e magma
acumulados em bolha rochosa, deformação superficial.

Fala-se de um vulcão adormecido como se fosse gente a acumular razões de raiva contra o verde e a vida em vila romana Herculaeneum lá em baixo
e Pompeia do outro lado vesuviano.

Diz-se de um homem pisado, humilhado, perseguido,
talvez a promessa de uma fúria em magmas de sangue,
torrente piroclástica em castigo deslizante,
talvez a entrega do seu sangue
todo, renovando em solo fértil
quanto existe,
obedecendo
ao mistério irrecusável
de provisoriamente
morrer.

Joaquim Santos

sexta-feira, junho 09, 2006

E Agora Uma Coisa Completamente Banal

Sair de casa. O telemóvel avariado, usado e abusado
até ao limite de vida das teclas e dos circuitos. Depois uma deslocação desalentadíssima
e arrastada a uma casa comercial
onde supostamente se venderia um equipamento igualzinho ao avariado,
mas não,
já não vendem, já só proporcionam assistência técnica,
mas cara como a OTA para um bolso tão oco como Portugal é oco bolso.


Sair de lá pesado e denso de chateado. Lembrar as mensagens de voz,
quatro, ontem, todas urgentes e todas seguidas, como um mundo a desabar de necessidade, ouvidas em telemóvel emprestado, dinossauricamente velho e feio, sem qualquer cor.

E amanhã uma nova batalha travada instantaneamente e onde a posição das peças no xadrez é que é arma, é que é gume.

E amanhã novamente a minha batalha desigual, prenhe de sonhos de libertação-liberdade sempre insatisfeitos, sempre incumpridos, sempre sujeitos ao gozo, à troça de um sistema sem rosto, que não é gente e não é nada:

eis-me de novo a enfrentar um monstro fugitivo e maleável feito de uma lógica inapreensível. Um sistema feito para me evitar e para me sitiar tão mais humilhantemente quanto mais e melhor o golpeio fundo.

Tenho sangrado, assim, como um touro bravo lidado e morto nas arenas de Espanha,

mas todas as vezes me levanto animoso, tal como os guerreiros nos videojogos, com mais vidas, com mais armas e os mesmos cornos, pronto a visar as cinturinhas efeminadas do sistema-toureiro.

De língua pendida, inundado de sangue e suor, soltando um borrifo de bafo rubro, sinto que a qualquer momento o perfurarei, ao monstro que me lida, no sítio do costume: de baixo para cima, num movimento em oito interrompido, entre o ânus e o cóxis, coito que não irei interromper enquanto salto e movimento ainda mais a cabeça saciada do encarnado perseguido, mas finalmente alcançado. Cenas velhas e repetidas que passam depois em câmera lenta.

Com poucos recursos se faz a minha luta, enquanto o sangue vai manando por entre as bandarilhas que como que se me cravam ainda mais na carne tão macerada, mas ela, a minha luta, é eficiente, perigosa, potente, por isso imediata e sofregamente esmagada pelo sistema como se da ameaça das ameaças se tratasse. Ser precisamente isso a sua fragilidade!!! Ser precisamente aí que eu o vença!!!

Seja! Seja! Seja!


Poderei, por fim, vencer?

Joaquim Santos

(Amanhã ou depois, não sei se poderei vencer. Só sei que tenho armas).




Eclipse















Às vezes, o inferno é o silêncio dos outros,
o modo como se fecham e te fecham a porta do que sentem realmente
dando-te a facada da fachada, a mentira do sorriso convencional.

Às vezes, a desilusão é um vinho que se toma
e nos tomba de garrafa vazia, nas lages da rua, no teu jardim,
e o nosso ridículo, esse ridículo, é o olhar maligno, prenhe de inveja, falso
com que visas envolver-me e aprisionar-me na tua opinião de mim,
minhoca que revolve a terra,
a devora, e a defeca ou regurgita melhorada
para que melhor eu te apodreça nela.

Às vezes, não me venham falar em amizade.
Falem-me de frieza, maledicência,
confusão e solidão.

Falem-me de ignorância bestial do que somos, lá,
onde por fora se vêem exuberantes sorrisos e abraços,
desde o «Então, 'tá tudo?!» ao «Até logo!».

Às vezes, toda a fome se resume
em finalmente conversar e desabafar
como quem limpa os olhos
após um longo eclipse dos afectos
por doentes preconceitos
e erróneas opiniões.


Joaquim Santos

terça-feira, junho 06, 2006

Acreditar Eu Acredito, Mas...












Depois de os ter visto de semblante pesado,
fechado,
perante tanta festa,
atravessando, indiferentes e pressurosos,
tanta fanfarra de euforia emigrante,
tanta emigrande loucura
tantas bandeiras, motardes, crianças,
tantos «Vivas!», machos gritos ou fêmeos uivos de glória...

Depois de os ter visto desengonçados
e inexpressivos nos seus fatos negros,
escondidos na negrura dos óculos negros,
presos de movimentos, contraídos
como quem se defende ou de uma grande emoção
ou de um grande tédio,
sem qualquer sabedoria do sorriso e da pausa, arte do calmo encontro...

Depois de ter visto o Cristiano, ainda há dias a limpar o ranho com o punho da camisola de criança, agora a reagir justamente como querem os adversários que o vão perseguir e acossar: com desmedido descontrolo...

Depois de ter lido o que o Felipão desabafa para o Brasil e como gosta de coisas simplistas
ou simplisticamente nos define xenófobos e aos seus críticos como «bosta»...

Depois de tudo isso, acho que Portugal
vai ganhar...

...Vai ganhar pelo menos um joguito!


Joaquim Santos

segunda-feira, junho 05, 2006

Apologia do Meu UmbigoBlog

N
















Por vaidade ou não, por isto e por aquilo, por vício de intelectualite,
por descarga de criativite, o meu blog existe e é o melhor que conheço.

Aqui falo de tudo o que me apetece e a quem apetece cá vir e vier,
seja bem vindo, sirva-se do que há. O Cosmos está aqui

e está aqui também
a cocacolização mcdonaldesca
do mundo pelo planeta Bush.

Há espaço para comentários de todo o lugar e de todo o tipo.

Comente, caro co-desabafante de toda a coisa e lugar,
introduza o seu cotonete opinativo na ranhura auriular ou anal, se for bebé e tiver cólicas, de existir.

Se me apetece poetar, poeto aqui.

E se me espinha na garganta haver Maria de Lurdes Rodrigues
numa inovadora sanha anti-docente ou uma selecção
com colestrolari, isto é, com autoritarite vaidosa a mais,
desencravo-a aqui tão dulcemente quanto lá, no Desabafe do JN.

O meu blog sou eu, assim como o iraquiano é,
por uma conglomeração fodente de factores fodidos, irradicadiano sem querer.

Ah, não ter eu uma tyranossaurica-rexiana bocarra
que abocanhasse toda a popularidade dos blogs, tal como os bancos e as seguradoras abocanham todos os lucros loucos
de haver dinheiro monticulado na mão só de alguns donuts do mundo!

Joaquim Santos

Uma Medida Para Resolver a Ministra da Educação, A Sesuda Medusa




É somente porque nos invade, a nós professores, um cansaço sem medida que não nos é possível contemporizar mais com a palhaçada circense em que consiste este consulado ministerial: alforrecando medusianamente o seu discurso, Maria de Lurdes Rodrigues não pode estar a favor da excelência no ensino em Portugal, tão obcecada anda com toda a espécie de rodriguinhos persecutórios dos docentes, para usar uma linguagem futebolística.

Se ela estivesse a favor da excelência no ensino em Portugal, nunca a nuvem do erro seria tomada pela Juno dos profissionais no seu conjunto, nunca o menino do ensino seria lançado com a água do banho aperfeiçoamento do sistema, e, portanto, também os maus profissionais nunca resumiriam toda uma classe multifacetada: todos seriam apenas respeitados e protegidos.

Mas isso não faz parte do programa deste Ministério: do programa deste Ministério faz parte a representação da má fé e o encerramento das maternidades da credibilidade dos professores, faz parte a OTA de cortar e recortar a progressão na carreira dos professores e faz parte o TGV de obstaculizar para efeitos de progressão o estímulo e a motivação de quem envereda pelas pós-graduações e mestrados. Porque para o Ministério nada e alguma coisa é o mesmo.

Na acção docente sempre fiz muito mais do que era chamado a fazer e fi-lo ao nível do que me parece essencial: agir sobre e com os alunos no sentido de que sejam autênticos, verdadeiros com eles mesmos, resgatando-os dos equívocos da rebelião para a construção do grupo, para a coesão da turma, para um projecto de humanidade na e para além da turma. Pode um professor ir passando incógnito e discreto, mas os efeitos do que semeia não podem ser transformados genericamente em bosta por boutades genéricas.

Sempre odiei o simulacro de trabalho que representa toda a burocracia periférica aos alunos, criada para fingir verdade, erroneamente representativa do que se passa no seio e à superfície do sistema.

A Ministra está no centro da polémica e não vai conseguir branquear o que já disse e o que já fez (mal, muito mal). Pode vir agora sorrir mais nas entrevistas, corrigindo perspectivas e vir dizer que não disse. O clima já está empestado e há apenas uma medida, cuja justiça é sem medida, um adeusinho demissionário que de preferência não tarde.

Joaquim Santos

Galáxia Com Cara Séria














Não sei, pode ser
que haja lá fora uma multidão de mundos amigos
que nos aguardam maduros
na ecologia de respeitar chimpanzés e iraquianos.

Pode ser que enquanto o Irão grita
e os Estados Unidos
cocacolizam e mcdonaldam o mundo todo
(sorvendo por uma palhinha todo o seu petróleo imundo)
a tarefa afinal seja fazer milhões de biliões de amigos em todos os mundos.

Há luz de mais nessas galáxias longínquas
para que se ande por aqui somente
com equívocos democráticos de armas na mão
para tornar o mundo mais seguro
assim como ressabiado da democracia armadilhada.

Depois, ups, são mulheres e crianças
a apanhar por tabela e há inquéritos militares?

O Tribunal Penal Internacional manda saudades!


Joaquim Santos

Mini-Minhoca















Porque qualquer de nós já foi pequenino e teve fraldas
porque era naturalmente tenro e choroso
e ainda mais naturalmente com fome e com frio
agora que fazemos filhos e os temos ao colo,
agora que sofremos a sua posse e a sua falta
vemo-nos.

É isto o que fazemos: vemo-nos.

Aqui estás tu, Minhoca,
miniaturizado
à espera de emagrecer
e muito mais à espera de
gritar «gooooolo»
todas as quintas-feiras
no sítio do costume
por razões de festa
e nada mais.


Joaquim Santos

domingo, junho 04, 2006

Mona Lua




















Desconto as antigas noites sem nada
e caras
desmonto as horas cobras
onde padecia
destino e deserto
desconto-to, ao gelo.

Já tenho os braços
já toco a árvore
jacuzzi
já tudo.

Joaquim Santos

sexta-feira, junho 02, 2006

Ministério da Educação, Fonte de Caos
















A ideia de aperfeiçoamento e de reajuste é sempre positiva e bem vinda, mas o que tem sido a prática, não apenas dos elementos que compõem este Ministério da Educação, mas de todos os Ministérios, uns mais que outros, é a instabilização permanente de uma classe profissional que carece, no mínimo, de algum sossego para suportar a inundação de vida e energia que significa ter alunos.

Mas não, posta em cheque, empalada pelas palavras de ordem ministeriais e, degolada, posta à porta das cidades para que a vejam vexatoriamente por inumar, a classe docente é vítima de um claro esvaziamento do discurso por parte do poder que, porque esvaziado, descarrega uma bilis fedorenta em quem está mais a jeito, porque já por natureza dividido e fragilizado.

Já não bastava o nomadismo, a violência subtil e a pesada, a instabilidade nos horários, a burocracia elefantina, que nos dispersa as energias do centro de tudo, o aluno concreto, vem agora a Sesuda Ministra Medusa, alforreca inconsistente dos argumentos, de dedo em riste bodexpiatorizar-nos?!

Em todo o caso, há sempre quem muito justamente queira rasurar, exigindo que se demita, este comportamento errático, contra os professores, que nunca buscou com eles sinergias, mas usou e abusou da má fé.

Se não se demitir nem for demitida, continuará a usar e a abusar.

Joaquim Santos