quarta-feira, agosto 29, 2007

VIVA GALES! VIVA A CHINA E O TIBETE!


Viva o País de Gales!
Viva a China e o Bangladesh e, já agora, o Tibete e o Nepal!
A Nação Portuguesa também me enche de orgulho.
Sou um daqueles patriotas firmes, mas desesperadamente desiludidos.
E tudo porque o Estado Português é um Filho da Puta.
Somente o Estado Português para me fazer o que tem feito:
uma literal e completa liquidação mediante uma acção zarolha e sistemática das Finanças.
Somente o Estado Português para tentar, por todos os meios,
destruir-me como pessoa e indivíduo
brincando a cobranças completamente abusivas e indevidas e de uma retroactividade tão longínqua como inimaginável,
vistas zarolhamente só de um lado zarolho.
Por isso mesmo, caros concidadãos e cidadãos do mundo,
considero o Estado Português além de uma Pessoa Jurídica que não é de Bem
o maior Filho da Puta que se pode conceber e ainda pior que isso.
Abomino-o. Execro-o. Quero que se foda e se dane.
Eu vou processar o Estado Português.
Eu vou responder à letra ao Estado Português.
Eu vou ridicularizar o Estado Português
actualmente em campanha contra os indivíduos
de quem se serve e a quem jamais serve como deveria.
Eu vou verberar o Estado Português por estar a esmagar os indivíduos.
Eu vou denunciar o Estado Português pelos seus imaginativos abusos
contra os indivíduos, mediante uma esperta perseguição ao trabalho,
ao parco fruto do trabalho, pelo esmagamento da Pessoa comum,
pela destruição exasperadora da Pessoa comum.
Dêem-me um pescoço violentador que eu possa apertar furiosamente
e não chegará à fúria que me merece o pescoço sem-vergonha
do Estado Português.

KRASNOYARSK


Ainda que não queira,
levantarei âncora e soltarei vela.
Tudo em nós é tenda precária,
porém sinal de onde sejamos inexpugnável palácio definitivo
tão desejo somos de palácio definitivo.
Os tempos do gelo e do calor dançam,
namoram-se, esgrimem facas.
O amor e a raiva são íntimos.
Desejam-se a doer,
o gelo e o calor,
o amor e a raiva,
e são íntimos.
Minha viagem é ter Meta mais além.

Mozart - Don Giovanni - Deh, vieni, alla finestra

Deh vieni alla finestra, o mio tesoro,
Deh vieni a consolar il pianto mio.
Se neghi a me di dar qualche ristoro,
Davanti agli occhi tuoi morir vogl’io!

Tu ch’ai la bocca dolce più del miele!
Tu che il zucchero porti in mezzo al core!
Non esser, gioia mia, con me crudele!
Lasciati almen veder, mio bell’amore!

EUROFRAGILIDADE


Lá, na Europa, as pedras falam, eu sei.
Lá, os templos têm peso e gritam história densa,
muito sangue mana ainda
dos interstícios das catedrais,
dos principais monumentos,
e das usinas
e dos campos,
onde sopra mnemónico ainda
aquele vento das agruras passadas.
Lá houve revoluções, invenções e maquinações,
houve o falso Marx, outros bruxos e centelhas de belo
Mozart
e verdade
Michelangelo di Ludovico Buonarroti Simoni,
grandes causas, grandes moções de Povo,
um Povo hoje pesado, egoísta e dormente.
çlk
Aqui, porém, Brasil, tudo é jovem,
tudo é promissor,
parece que se começa sempre de novo o que quer que se comece,
aqui há mais sorrisos,
mais gente,
o amor circula-amplexo
o abraço é tão extremo como a violência,
aqui há, nas mulheres,
perpétua,
a miraculosa virgindade
fecunda da ternura
e que se possa, feliz, semear tanto
dulcifica-me e apaixona-me,
explode-me dentro tropical um calor igual ao de cá.
çk
Amo, por isso, o calor de aqui,
amo os matos e amo os campos de aqui,
amo a minha água de coco, minha talhada de mamão,
o meu suco de manga,
o meu suco de acerola,
e amo forte as gentes da Roça,
e a sua simplicidade essencialina atrai-me e tenta-me a permanecer,
e sinto-me e sou muito amado aqui,
e fiz muitos amigos aqui,
e vejo e toco e abraço Deus nas pessoas que d'Ele se aproximam apaixonadas,
aqui.

Mozart Ave Verum Corpus por Leonard Bernstein

Candide Overture: Leonard Bernstein conducting

terça-feira, agosto 28, 2007

PASTO DA GAIVOTA


Vem morrer à praia ou nela dar desajeitado e morto,
excesso de metal deflectindo bio-sonares
(petroleiros, núcleossubmarinos, cargueiros)
este ingente corpo canoro-aquático
a lembrar não ser todo o tempo governar
alegre flutuar filtrando da água o krill:
o ministro Rui Pereira chocou contra a Silves-realidade
e falou-SIC, como se ninguém estivesse ali
para lhe ouvir, alto e bom som,
o Vazio mais transgénico
a Desautoridade mais Nada.

ARDA EMBORA


Ainda que se agigante o Fogo em torno,
ainda que as labaredas lambam as minhas paredes
e ondas e ventos se levantem fortíssimos
ou se fenda, tremendo, o solo onde consolidei os meus pés,
o meu coração está firme
e está firme
na Pessoa-Sinal de
Yeshua, o Senhor,
para Quem todo o Cosmos,
toda a escala de coisas vivas alguma vez,
para Quem todo o possível e todo o inimaginável que viveu alguma vez,
todo o real-provisório e todo o invisível-escondido
convergem
no mais pleno e puro irresistível,
até que, convergindo, se Revelem.

terça-feira, agosto 21, 2007

PS-PODER OU DA POLÍTICA TRANSGÉNICA


No reino da censura e do controlo informativo português
há tempo e antena de sobra para a última estupidez,
prova provada da falta de imaginação e de ocupação
de um certo partido minoritaríssimo:
em vez de se verberar e ir levantar cartazes que encham de vergonha
este inédito poder controleiro,
este inédito poder asfixiador da verdade completa,
este PS brutal e anti-verdade plena na praça pública,
doa a quem doer,
resolveram estes aprendizes de ecologistas
penalizar um pobre e pequeno agricultor de Silves.
çlk
Mas mais ridículo que isso
é andar alguém, mesta fase da arte,
a fazer psico-CSI e a exumar a Irmã Lúcia
para confirmar, denunciando-o,
o consabido prosaico do seu santo prosaísmo.
A desocupação é realmente mortífera.
çlk
Fora isso, Zero de Conduta!

Mozart - Don Giovanni - Deh, vieni, alla finestra

segunda-feira, agosto 20, 2007

AOS CEM MAIS RICOS DE PORTUGAL


Para que se faça parte dos cem mais ricos de Portugal
é preciso ter colhões de ética,
ser irrepreensível na cidadania
e inexcedível na honestidade, na probidade
e na bondade e no sentido da justiça para todos,
essa grande fachada,
grande faz-de-conta entre jogadas perfeitas
e oportunidades oportunistas aproveitadas.
çlk
Em Portugal é só Fundações
e altruísmo entre os seus cem mais ricos.
Em Portugal é só causas sociais e beneficiência,
puta que os pariu egoístas e mortais e perigosos e impunes,
se e quando criminosos.
É uma arte rara ser-se rico assim em Portugal,
país dos ricos mais estúpidos,
mais grunhos,
mais boçais de que há memória no Universo.
Isto é uma gente que precisa de ser ajudada pelo Estado,
e é,
o mais possível
e o mais subsidiada que imaginar se possa,
e é,
é uma gente que precisa de ser visitada e compreendida pelo Povo:
são romarias às suas casas e aos seus negócios,
de joelhos,
e não à santa do ermo, o que falta ao Povo.
O País que se dane e arda,
o Povo que se despenhe e se lixe e seja escravo todos os dias da sua vida,
o que é fundamental na vida é entrar nesta corrida esplendorosa.
Estar entre os cem mais ricos é subir a pulso,
é caminhar e subir no suor de muitos,
sentir debaixo dos pés o maravilhoso estalar dos ossos alheios,
é trabalhar muito todos os dias com todo o gosto,
é trabalhar mais que todos, todos os dias com todo o gosto,
é ter tudo a seu favor,
é sentir-se feliz por si mesmo, em si mesmo e para si mesmo,
porque nada se compara a ser cada vez mais rico
num País cada vez mais igual a si mesmo:
pobre de espírito,
pobre no bolso,
pobre de podre.

Dessay performs

Die Zauberflöte (1) Overture

RENASCER


Recordo a força de esta luz atractiva,
alegria e felicidade cenobíticas plenas
há tanto tempo atrás,
aquela serenidade densa de cortar à faca,
aquela alegria indescritível baseada na comunhão diária
do Verum Corpus
Natum de Maria Virgine,
Vere Passum Imolatum
in cruce pro homine,
cuius latus perforatum
unda fluxit et sanguine:
esto nobis praegustatum in mortis examine,
quando tudo se resumia à litania da Vida,
à grande oração diária pelo Fim-Finalidade
e o Advento-Parusia em cada sagrado momento de Sopro,
à grande refeição diária no Espírito,
à ansia de renascer pelo Espírito e aceder ao Abraço
já bebido, já tornado Palavra,
à música que nos alimentava.
Eis para mim todo um Regresso Inteiro ao meu Cristo Sólido,
Íntimo, Presente e Vivo,
o Melhor do meu Passado,
o Melhor do meu Futuro.

sexta-feira, agosto 17, 2007

SÍNTESE DA PEDRA


Bardos de todo o mundo, uni-vos!
É evidente que nem tudo vai bem no planeta da finança,
a alta finança caganeira agora perdas,
rebentada a bolha do sobrecrédito ao imobiliário lá,
onde a googleganância é mais premente.
ç~k
Impende sobre nós a espada de nada mais haver que a espada, irmãos.
O filho da puta, paneleiro anónimo, do grande capital anónimo agremia-se, carteliza-se,
contra a pessoa concreta, contra o indivíduo,
a lei do trabalho, a torção à economia,
materializam-se num grande e conveniente cada qual por si,
e essa energia devoradora
faz de nós, meros indivíduos indefesos, os dumbasses, os parvos, os joguetes
que eles manipulam.
ljj
Nós, os bardos sem qualquer melifluência, sem qualquer pingo de sentimentaloidismo,
nós, os que queimam a palha do oco na palavra-espada,
os que enlouquecem de fúria rouca perante a veleidade sem-vergonha
dos governantes, esse escravos dos portentos globais,
que nos couberam no panorama actual mundial,
nós, os que ousamos fodê-los palavreiramente
porque nos fodem sem dó naquele grande contempto das pessoas-número,
das pessoas-mercearia, mera contabilidade,
das pessoas-deserto,
das pessoas-professor atirados ao pó do desprezível e à merda da irrelevância
no mais vergonhoso tratamento pela seriíssima cara de puta de serviço e blogobservadora.
çk
Os altos desígnios de Portugal estão-se a cagar
para esta gente a ensaiar arrogâncias
e receitas de arrogância
e métodos bufarinhentos concordes com a puta que os pariu.
A pedra rija é todo o seu sem-semancol
quando escrevem cartas e se defendem da merda que fazem educação.
çlk
Sejam, bardos do mundo, os Bill Gates da Palavra
esse ser podre de rico na firme certeza de o ser, tal é o poder novo,
temido por essa gente até agora agindo nas nossas costas e contra nós:
que se pense o que fazem,
que lhes produzamos nudez,
que a nudez por nós neles gerada bardoblogueana faça pasta-sangue
de essa arrogância.
çlk
Não sei como fazer face à estupidez geral que, numa inconsciência de reses
em alegre fila para o matadouro,
dá guarida a este estado covarde, conas, de coisas.
Já nos trairam que baste.
Lancêmos-lhes os molotov
da nossa consciência lúcida, guerreira, do que nos fazem e do que são.
A pau, pedra e espada - deitemos mão.
À pedra da palavra fundamentada e atenta, que é mais barata!

quinta-feira, agosto 16, 2007

King College Faure Pie Jesus and Agnus Dei

Porque Deus Existe.

Mozart - Ave verum corpus - Vienna boys choir

Kyrie Eleison

CRASH BOLSISTA MUNDIAL: KYRIE ELEISON


Rapina desenfreada contra o Povo do Mundo, Kyrie Eleison.
Ganância devoradora dos pequenos do Mundo, Christe Eleison.
Colapso caganeiresco dos cleptossáurios do dinheiro mundial, Kyrie Eleison.

Há uma Paz Absoluta e uma Absoluta Justiça

que só se bebem e respiram em Ti,
Kyrie Eleison, Christe Eleison.

A MORTE VISTA DE FORA


É como o espectáculo dolente
de haver sol a pique, poente,
ou rotundo luar baixo no horizonte, rubro, térmico,
sem que se seja luar ou sol.
çlk
Se nos for dado ser...
Quando formos esse sol ou esse luar, ascendente, depoente,
paladaremos o sabor do esplendor ao esplender.
ç~k
Aí, no justo cerne de se ser luz,
satélites de nós, extensões internas da Beleza,
veremos por dentro a contiguidade
que aparentava ruptura e incerteza.

quarta-feira, agosto 15, 2007

PRAIA ORIENTAL



Esses coqueiros alinhados,
pernas curvadas Elvis ao vento, dança estática,
sugestão de saias e seios
invertidos no vertical do meu olhar solo,
miram areias finas neste entardecer brasileiro.
Eles são eu, extático, ante o mesmo mar acetinado.
Ei-lo o mar finalmente.
Meu coração pausa, Boa Viagem,
depois de muito fórmico martírio,
(a vida é mocotó antonímica gororoba)
pausa em trópico real açaí e olha agora oriental
o que sempre lhe foi ocidental - o Atlântico são lágrimas de humano comentimento
nesta minha mesa tão de plástico universalmente pernambucana.
çlk
Peço uma Schin e uma Caribé
e tenho isto dentro
que se jaca desentranha denso goiaba: "Pois não!"
ç~k
É o mar suco que une tudo caju sumo,
mas esta gente desigual a toda a gente, mais menina,
indecisa-me o partir, acerola, carambola o meu íntimo,
vatapá meu paladar,
fractura-me o futuro porque ela é mais eu que todo o lá hoje,
porque ela é mais eu há trinta anos,
quando uma bola vulgar
ou uma bicicleta cravejada de oxidadas cicatrizes e mau funcionamento eficiente
desencadeavam todo o amplo mistério suficiente ao rapaz colectivo de eu e meus amigos
e hoje é somente uma solidão castrada e próspera europeia.
çk
O mar afigura-se-me a fêmea que faz ficar,
a imagem certa a contemplar esverdeada como os meus olhos
neste Brasil bandeira verde e novo ar.
çlk
Não ser mais que piaba, minipeixe sagitado de flacos prateados,
capturável entre o sedimento escuro de uma torrente em repouso.
Não ser mais que esse voraz cardume de pensamentos
divergentes e convergentes com a acção à superfície.
Vejos os esgares em festa dos que se casam em Portugal
nestes grandes Agostos do interior
cheios de Inverno,
nessas grandes migrações douradas de emigrantes,
nesses grandes acidentes nas estradas da saudade e da emoção,
e os seus petardos infinitos ao santo da terra
e as suas grandes competições festivas
com as aldeias em festa dos vizinhos.

segunda-feira, agosto 13, 2007

RECIFE, PONTES DE CARNE


Pelo teu Corpo de ruas e avenidas,
enorme Recife,
atravessei outras pontes
que só as que tens de pedra.

No calor que exalas,
li o vivo ardor dos corpos e da vontade que te sustentam,
e nas igrejas, monumentos, edifícios antigos,
a marca orgulhosa,
contida e alegre do teu Povo,
um Povo maior que todo o Brasil.

Na pele matizada da tua gente,
nessas belas mulheres infinitas que passam em torrente,
sós,
[embriaga que mulheres assim belas passem sós
e sós se quedem pela vida],
no rosto de esses magníficos velhos calorosos
cujas ancestrais escrituras são as próprias rugas sagradas,
nesse sangue e língua lusa álacre
bombeados por um coração generoso e forte,
há um pregão de feira que se solta,
há uma riqueza de odores de feira que se desprende,
há uma música, uma percussão que se estronda:
seres só o que és, na dor e no esplendor,
mas teres sido e seguires sendo
esse esforço ingente todo de CarnAlma feito
da lusa viril gente minha.

NO IMPENSÁVEL MUNDO INTEIRO DE OZ


Mentiras e só mentiras
são o pasto agreste que se serve ao Povo-Dorothy
em todo o mundo-estrada-dos-tijolos-amarelos.
Hoje, tanta tecnologia e informação depois,
temos que os USA são um país organizado e rico
de estúpidos embrutecidos,
liderado por um estúpido embrutecido idiota inimputável,
um irresponsável Bobo, Calígula anticristão, um nacional-cartelizador,
extremamente impreparado para governar,
um país de homens e mulheres
alimentados por Media obedientes no veicular do que há de mais estupidificante,
temos que os USA são um país de ignorantes da alteridade e especificidade mundial,
indiferentes tanto à verdade profunda das coisas e dos outros como à respectiva existência,
e, precisamente por isso, completamente estúpidos,
numa deriva imparável de militar odioso
e de mais estupidificação sangrenta
fundo semeada.
çlk
Kansas somos todos nós que desabamos sobre a Bruxa do Leste,
mas o Leste só quer ser USA.
O Tufão e a Bruxa do Oeste é só esta merda
que agora está na moda: foder o coiro e o juízo ao pequeno em nome dos números.
Mas em todo o mundo é a mesma coisa, variando apenas o grau.
Basta mudar o nome e repetir mais ou menos a estrofe anterior que estará bem.
A Espanha é um país de estúpidos...
A Inglaterra e os seus pomposos Media são um país de estúpidos...
Não há Cidade das Esmeraldas.
Não há Sapatinhos de Rubi.
Não há Bruxa Boa do Sul.
Não há senão um BildeMonstroBergAnónimo que conspira contra o Povo Tosquiado
que eu vejo em todo o mundo Derreado.
Em Portugal, entrámos no auge da estupidez:
uma gasta gente besuntada de mentira e negociatas sórdidas,
gente rasca, gente bojuda e suficiente,
gere a Coisa Lusa como coisa sua,
com o controlo remoto da remota legitimidade do voto escasso,
com o piloto-automático da deficitária clarificação da finalidade de essas políticas novas,
novíssima traição,
que lesam o cidadão à bruta,
uma gente, quer no Poder quer na Oposição,
agora acuada nas suas certezas da piça
e acordos e apoios estratégicos do cu,
aguardando o piparote inevitável.
çlk
A ignorância e a indiferença gerais, do mesmo Povo do mundo inteiro, são tão latas,
tão convenientes e tão da paixão de estes políticos sucumbidos ao dinheiro,
que estes se lhe dedicam como os antigos pacientes ourives,
pacientes relojoeiros, tranquilos, alapardados,
munidos do monóculo garantidor, aperfeiçoando o sono
estúpido de esse Povo em todo o mundo.
Tanta estupidez choca apesar de tudo olhos já treinados a surpreender
a mentirosa aparência das coisas em todo o lado.
A política mundial é uma fraude chocante
e tem o Povo do mundo inteiro domesticado e sonolento.
Em Portugal a política hoje é ainda mais fraude e ainda mais chocante e tem o Povo...
çlk
A violência é detestável?
Depende.
A pena de morte é justa?
Depende.
O aborto é realmente uma opção livre da mulher?
Tanto como a pesca ao arenque e o cerco ao azevinho.
Temos crime, desobediência civil, temos violência,
desobediência fiscal, temos corrupção, temos abuso da liberdade,
temos ignorância, desinformação, estupidez em doses insuportáveis
em todo o mundo?
De quem é a culpa?
A culpa é da Colonização.
A culpa é das elites dirigentes reprodutoras-de-colonização após a Colonização.
A culpa é dos mitos da Colonização postos a circular
pelas elites reprodutoras-de-colonização após a Colonização.
A culpa é das Igrejas.
A culpa é dos Judeus.
A culpa é da Aventura Marítima, leptousadia corsária.
A culpa é do défice de laicismo nos Estados.
A culpa é do défice de Deus nas Constituições dos Estados.
A culpa é do avanço dos Bárbaros.
A culpa é da devassidão saudável dos Romanos.
A culpa é da sabedoria pedófila dos Gregos.
A culpa é da zooteologia e da vida eterna dourada dos Egípcios.
A culpa é das indevidas cópulas entre o Sapiens e o Neantherdal.
çlk
O mundo inteiro é agora esta imensa seara de estupidez,
há que reconhecê-lo com grave preocupação.
E sendo tu o grande filho da puta egocêntrico que és,
sendo tu o incapaz de abraçar o teu próximo
e de o auxiliar com um sorriso profundamente benevolente,
de te comover com a história da sua vida,
que desata de repente a contar-te como a um antigo e confiável confidente,
sendo tu o renitente a deixares-te ficar ali a escutá-lo de todo o coração para lá da hora,
sendo tu aquele que, narcísico, no fundo faz amor consigo mesmo
no momento em que dorme com a bela mulher que engana,
porque ela te fica bem como um perfume novo,
porque ela te fica bem como um fato caro,
porque ela te assenta como uma luva de veludo
dentro do teu carro ou nas fotos que tiras
e pões na tua casa e ostentas no teu quarto,
aquela frágil mulher que não assumes nem largas,
aquela mulher insegura de si que insultas primeiro
e fodes depois com tremenda postiça paixão treinada,
que a deixa confusa, rendida,
disposta, predisposta,
tão moribunda está para si mesma,
ao próximo encontro, à próxima vez,
quando tudo recomeça,
quando o completo prazer e a tristeza completa lhe serão faca viva,
o bisturi que lhe desentranhará a alma,
tu, que então reinas, nesses intervalos das outras mulheres,
sendo tu isso e criativamente pior,
lavras também que a estupidez e a maldade da inconsciência,
o gosto de manipular, de gerar servidão, o fingimento do amor,
seja a regra das regras,
e a crueldade o jogo do momento
de esta jornada sem fim à procura do Totó,
nada mais que um cão que nunca andou perdido.

terça-feira, agosto 07, 2007

EU, BLOGLADIADOR


Quando vens cheio de raiva
reagindo dente-rangente
a que eu faça o que faço,
e, inteiriço, procure incansável o que procuro,
quando vens amarelo
tentar definir o que é um Homem
neste imenso blogoceano,
e como deve comportar-se,
e o que lhe é bem e lhe é mal,
e que não se pode ajoelhar,
dir-te-ei isto: combato pelo que acredito,
entro na blogarena, brando o meu gládio
neste blogocircus maximus,
uso as minhas armas e, para que te exista,
sou feroz e incansável a sobreviver,
sempre de pé,
movimento-me,
levo o joelho ao chão,
fendo-te o frágil escudo,
mostro-te que existo e tu não,
rechaço os teus golpes tão sem-colhões,
uso de clemência só após vitória que esmage e humilhe,
sou implacável só com covardes como tu,
sou implacável só com invejosos como tu vaidosos,
sou perfurante lâmina-toda
só com carcaças sensíveis, já no pó,
e com a mania de serem excelsa gente exclusiva
como tu.
Blogladiador, blogladiarei.
çk
Isto, meu invejoso amigo,
não é para senhoras.

COMBUSTÕES: NO ADVENTO DA CINZA


Não posso crer que, após dois anos de vida,
um dos meus blogues favoritos
e indiscutíveis, o Combustões,
vá suster-com-cara-de-fim
a sua magnífica autópsia diacrónica de este País
tão teimoso e incorrigível, tão cego,
blogue onde se desenhavam diagnósticos disto
precisos, fortes e, é verdade, sempre imprevisíveis.kj
çlk
Que o Miguel abandone Portugal,
algo que igualmente anuncia,
é perfeitamente compreensível:
muitas vezes o mais fino Patriotismo
exige tal extremo porque há algo renitente e acomodado
nos nossos conterrâneos que nos pesa e cansa.
Agora que concomitantemente se vá extinguindo a chama viva de tal blogue,
isso é que, a efectivar-se, sinceramente me custa.

segunda-feira, agosto 06, 2007

A380


ANTÁRCTIDA


ESTAS MULHERES QUE ÉS


Essas mulheres que na Índia se deitam,
e na China, Filipinas, e no resto do mundo,
com quem pague a quem as tem entre os dedos,
com quem pague aos de seus corpos e íntimo detentores,
essas mulheres de carne e osso,
subcasta de gente tida e mantida como coisa-menos-que-adorno,
essas mulheres são tu exactamente, meu curioso leitor.
E é preciso que se diga isto antes da próxima campanha contra o abate de focas bebé.
E é preciso que se diga isto antes das próximas lágrimas pela extinção de uma espécie.
Estas mulheres são tu.
Também tu, nelas, és fodido como calha e onde calha também, acredita.
Tu também, nelas, és oprimido, penetrado, inundado fora da tua vontade, longe da tua alegria.
Outros vêm e é em ti, porque nelas, que se roçam, a ti que mordiscam nos lábios e se vêm.
Outros vêm e é a ti, porque nelas, que lambuzam de lúbricas salivas e te apertam e se vêm.
Outros vêm e vão e depois testemunham ao teu dono,
como se testemunha à Concessionária do carro após a test drive,
que foste boa de foder, que a tinhas apertadinha,
que a tua cona ainda está em perfeito estado de consumo.
Tu, amigo e curioso leitor, és, porque elas o são também, só cona.
Mas talvez se detenham mais enquanto pagam ao teu dono
e te elogiem o orifício do cu e então saberás que és só isso: um cu.
E será sempre assim sob o estado laico e sob a teocracia,
sob a democracia e sob a monarquia,
sob os fascismos, sob as anarquias, sob a plenitude liberal,
enquanto os corações não ficarem apertados com isto,
enquanto os povos não sufocarem na piscina de merda em que vivem por consentirem nisto,
enquanto as gentes se mantiverem indiferentes, num doce ignorar de tudo isto,
enquanto estiverem humanos sujeitos a qualquer sorte de captividade
nesta coisa mundo chamada e imunda,
será sempre assim contigo.

domingo, agosto 05, 2007

PORTUGAL ESTÁ BEM AQUI


Ora assim está melhor.
A Democracia está melhor.
O Progresso, a participação e a cidadania
não podiam estar melhor.
Cá estamos, Portugal, bem melhor.
As instituições da Republica funcionam e são sérias.
Nunca estiveram melhor.
Os Jornais, sobretudo o Diário de Notícias,
são redactorialmente livres,
estão no pico da liberdade;
nada sabem de coacção e limitação e muito menos de intimidação
tendo como arma de chantagem apontada a perda do trabalho.
Aplaudam Portugal, portugueses,
isto está melhor mal-cheirento e sepulcro que nunca!
Aplaudam!
Façam a hola, levantem os braços,
bebam uns shots celebrativos
que isto não abana nem mexe
tão duro está.
Os meus pêsames o caralho,
isto agora é que está no ponto!
Os meus parabéns é que é!

sábado, agosto 04, 2007

DE COMER


Sonhei que acordara num país estercado
de silêncios e conivências.
A Procuradoria-Geral estava na mão corrupta
de políticos não-sérios com objectivos claros de o-povo-que-se-foda
e a verdade-que-se-foda-também que outros valores mais altos se entusam.
Os políticos sérios não tinham o apoio de quaisquer forças significativas
e eram ridicularizados em artigos de opinião e em certos blogues
de autómatas opiniões negativizantes sobre gente competente.
A massa envelhecida de Portugueses resignava-se ao bacalhau
garantido com batatas e ao peixe cozido com garantidos grelos
porque as suas lutas por Pugresso e Democracia
já haviam acabado há trinta anos.
lj
Sonhei que o camarão grande gordo e tigre era a comida oficial
do primeiro-ministro e as suas idas ao dentista prioridade nacional.
Sonhei que o seu Gabinete de Imagem seria aumentado pelo belo trabalho de ensinar a sorrir amarelo um homem verde de desdém por verdadeiros sábios, doutores e licenciados.
Sonhei que a Ministra da Educação tinha um problema no menisco,
por isso claudicava com o corpo todo,
e não sabia Inglês nem Matemática e que ao falar Português
tinha imensas pérolas articulatórias cheias de seriedade como
"Os exames foram coroados de sucesso pá Matemática
e pó resto." Sonhei que era impossível acordar de esta merda.
Sonhei que era impossível fazer humor com esta merda.
Sonhei que esta merda era impossível
e que um povo tonto, burro, alienado, envelhecido no coração e na carne,
em grave estado de desaparição reprodutora e entusiasmo abortivo,
merecia o cimento concreto de um sonho assim.

sexta-feira, agosto 03, 2007

CHARCUTARIA


Agora escolhe, se conseguires, meu amigo.
Abre a porta,
estende o braço,
sente o frio, e escolhe,
se conseguires.
Podes ver-te na puta da circunstância amarela
de teres de parir no átrio do hospital
ou um pouco mais longe,
só um pouco obstetra mais longe,
podes ter de te submeter à verde cirurgia claro,
já só quando estás para lá do ponto rosa de retorno para alguma saúde laranja que valha,
podes reparar que a mula azul que suporta tudo isto és vermelho tu precisamente,
e ainda suportarás mais por seres mula,
e ainda suportarás mais por seres o grande burro dos carregos da Coisa Pública,
podes ser tu o alvo prateado de injusta acrimónia de um marrar cego
só porque a um caralho laico lhe apetece
meter-se com a tua legítima sensibilidade mística,
a dos grandes pasmos criacionais,
a dos grandes ahs e ohs perante tudo isto vivo,
a das grandes missas naturais sobre o mar e sobre a montanha,
a dos grandes degelos, das Iguaçu torrentes Niagara,
a das grandes matas, florestas e desertos,
mas tens de escolher:
escolhe lá, então, de que filho da puta de exclusivo lado certo
ideológico da puta da vida é que queres estar, meu amigo.
Escolhe então.
Violência, é isso que escolhes e não abres mão!
çkl
Ó, caralhos me fodam, se eu alguma vez seguirei a tua cartilha laica,
se eu acatarei pardacento que os culpados de esta merda são sobretudo os padres,
as estruturas milenares de padres,
os seus textos de pedra,
o seu bafio a incenso,
o seu cheiro a cera...
a sua tutela das consciências...
a sua oferta de paz a saldo,
de uma consciência renovada,
igual à por renovar.
Vai-te foder, meu amigo,
que eu não sou de substituir uma tirania putativa por outra qualquer mais que certa!
Não me venhas vender patranhas dessas
porque de Judeus-exclusivos-culpados-Pretos de tudo,
está a puta da história antiga e recente cheia.
çlk
A puta da história recente mostra que não foram diferentes certos libertários
dos demais religioso-sanguinários.
São cabrões como tu, os que têm de escolher entre a mesma merda,
os que lamberam as batinas dos Secretário-Geral,
os que limparam as suas osgas do chão de gente,
os mais certos na puta de esta vida,
os mais racionais na puta de esta vida,
os mais esclarecidos na puta de esta vida
são cabrões como tu os verdadeiros culpados de esta merda toda,
porque escolheram só um bode expiatório,
porque escolheram a puta da violência,
porque a praticam numa teima homicida,
e é por verem apenas com o olho do cu
que há muito que merdacegaram!

quarta-feira, agosto 01, 2007

CROCOSANITODILO


Vem sentar-te aqui, Marques Mendes,
meditar longamente nessa liderança tão mansa opositiva,
nesses compromissos tácitos com os grandes do mundo,
os do grande paradigma liberal e, por isso mesmo,
das grandes trucidações futuras,
fautores dos futuros mendigos,
dos futuros perdidos,
dos futuros marginais irremediáveis,
da derradeira carneirização dos pequenos.
ljl
Ver-te o cu não implica emoções para ninguém.
Por isso vem e senta-te.
Também outros se sentaram aqui.
Sócrates, hemorróida autoritária, sentou-se aqui.
Sentou-se Cavaco, hemorróida sem ideias,
Durão, hemorróida da Comissão mais pruriginosa, também.
Todo o político-destempero de tripas nacional
pôde colar a sua necessidade-nádegas a estes dentes-crivo.
É somente uma questão ecológica,
isto de ajustar contas com a tua merda, Marques,
como com a de outros, grandes e pequenos,
malévolo-anónimos ou alevantadiço-identificados.