sábado, maio 31, 2008

EIS O GRANDE DIA DE PSL


A catástrofe espera o PS, mas só é assunto a fragmentação autofágica do PSD.

Hoje, ganhe quem ganhar, o horizonte é todo do Bloco de Esquerda.
Qualquer derrota de Pedro Santana Lopes, seja pela margem que for,
representará uma vitória para si porque qualquer vitória, de PPC e MFL,
é uma derrota para o Partido da agudização fragmentária
e da insustentabilidade incontornável.
O Centrão falhou Portugal. Os nossos pêsames frios.
Paz à sua alma!

DESMISTIFIQUE ESTE CARTEL


Não vá em cantigas: escolha não ser sodomizado!
Fuja de esta associação perversa entre dois pervertidos!

sexta-feira, maio 30, 2008

TENSÃO DISTENSÃO


Outras vezes há e sou eu que estimulo o diálogo entre clientes por alguma razão,
talvez por haver noites muito fracas,
com escassíssima clientela e por isso mesmo é menor a excitação e são maiores
as condições para saborosas conversas, e estimulo o diálogo
mediante perguntas directas, ponho os clientes do Pub a narrarem-me histórias de vida,
as suas amantes, os relatos de confrontos e de coragem
na vida e defesa das suas empresas, situações-limite sobretudo do pós-vinte e cinco de Abril,
mas também no pré-vinte e cinco de Abril, a que foram chamados, a evolução da economia,
a evolução do País, o sentimento crescente de desconforto exasperado com os políticos,
a necessidade de se não consentirem a amargura por excesso de informação e de conhecimento, para ainda usarem dos prazeres que lhes restam
(namorar no Pub, dançar, beijar, amar) sem se deprimirem
e eu pergunto-lhes disso e de tudo o mais porque me entusiasmo com o diapasão comum.
lkj
Os relatos são quase sempre interessantes
e as palavras muitas vezes servem-me de luz por serem sábias e razoáveis.
Mas eles estão ali para beber e para dançar e sou eu mesmo que isso lhes lembro e lá vão.
Depois fico a meditar no bem e mal que me faz saber o que sei,
no quanto o silêncio e a indiferença predominam diante do que faço repercutir aqui-del-blogue,
penso no por que as pessoas se fecharam numa defesa indefectível do seu partido PS
como outrora os alemães cegaram ante o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei
por um sentido e uma cultura de obediência ao Estado,
tolerando desonestidades e injustiças, malícias e crimes e todas as desordens:
porque o Partido era o seu sonho e o seu País era o seu Partido.
lkj
Penso que as sementes de reacção criativa e contestatária podem ser lançadas
nestas plataformas blogueanas tão injustamente invectivadas por ignorantes do seu potencial,
como o Miguel Sousa Tavares, Rogério Alves e Francismo Moita Flores,
porque um mundo justo e equitativo é uma necessidade, se a paz estiver mesmo
no nosso horizonte e não a ganância que tudo desnivela e tudo arrasa do lado mais fraco.
lkj
Assim se passou mais uma Madrugada e, terminado o meu serviço,
afastei-me do Pub e embrenhei-me, como sempre, no mesmo breu nocturno.
O meu automóvel, abastecido com a gasolina mais barata do mercado que a Galp controla,
quase sempre imóvel ao longo da semana, paralisado e triste, esperava-me duas ruas depois.
Eu tentava conciliar a minha necessidade de informação e de justiça em Portugal,
ao cotejar imensos blogues e informações todos os dias e produzir a minha própria,
com a justa calma e vital equilíbrio de não perder de vista a doce e louca alegria
da minha filhinha de dois aninhos e da adorável mulher, novamente grávida, na minha vida,
quando o que havia muito antecipava finalmente aconteceu:
«Não mexe: dá cá a carteira, e pouco barulho! Não mexe!», rouquejou uma voz.
lkj
Não me voltei logo, mas lentamente. Dois rapazes vindos de nenhures
cercavam-me, tinham as mãos direitas
dentro do casaco e obviamente não tinham a mais pequena ideia
de qual era e onde estava o meu carro. Não estava longe.
Disse-lhes: «Oiçam, eu não tenho nada.»
Isto é naturalmente a pior coisa que se pode dizer quando o sangue lateja,
o coração bate descompassado e o menos que temos é ódio ou raiva
pelo atrevimento de estes putos, mas foi o que eu disse e disse-o com um timbre de voz
que não manifestava qualquer espécie de rancor. De alguma forma,
o meu desemprego, a minha situação pessoal, as minhas reflexões e constatações quotidianas
colocavam-me, ponderadas todas as variáveis, num estado de rebelião interior semelhante,
onde nos movemos mais pelo desespero, pela desmoralização e pelo desalento,
que pelo requinte e complexidade de um sentimento mesquinho como a inveja.
lkj
Mas acrescentei: «Esperem, calma, eu compreendo-vos. Calma.
Eu posso provar-vos que nada tenho.»
lkj
Tirei a carteira. Pus-me de joelhos.
Despejei o conteúdo todo no chão, sob a luz pública, e fi-lo rápido, sem tempo a que me constrangessem a qualquer outra opção:
«Este é cartão da Segurança Social. Este é o meu número de contribuinte, o meu BI.
Isto são dois cartões da ADSE, meu e da minha filha,
isto é um cartão de multibanco da minha única conta sem saldo há muitos meses.
Este é o retrato da minha querida avó falecida. Esta é a minha filha.
Esta é a minha mulher. Isto é uma imagem de Jesus Cristo
para que me salve de mim e dos outros em horas como esta.
Isto é o único boletim do Euromilhões com que aposto a cada semana e sonho.
Isto é o que eu tenho na carteira: nada, zero, nicles.»
lkj
Na verdade, o meu patrão paga-me quando calha e quanto lhe convém de cada vez
até que me pague o que convencionamos e acordamos por mês.
E quantas e quantas vezes chego ao trabalho de bolso vazio
na esperança de que ele mo forre de um forrar mínimo
o que me valha para uma semana
e ainda não é dessa vez e por isso regresso de bolsos vazios, tal como chegara.
Havia duas horas e dois fiscais do SEF bateram à porta do Pub para confirmarem
que o meu colega brasileiro que serve às mesas efectivamente ali trabalhava
e agora eu tinha também os meus fiscais igualmente ali
a verificarem que é verdade, que assaltar um outro português é um acto idiota,
demasiado inglório e vergonhoso porque permite concluir que mais justificado
era que o assaltado assaltasse os assaltantes
ou que se associassem para operar em conjunto cada qual com as suas desesperadas razões.
O meu colega brasileiro, passada a tormenta, sentou-se,
falou-me do segundo emprego diurno numa gráfica que acumula com o Pub,
os recibos verdes, o IVA alto, a trabalheira infinita e o cansaço enorme que é suportar
os dois trabalhos com menos de três horas para dormir.
Pensei que tenho de ser assim. Ser humilde. Topar a tudo. Viver para trabalhar.
lkj
Mas ali estava eu agora, de joelhos, sem apetite para uma luta corpo a corpo.
Nem motivação para salvar a minha vida, apenas entusiasmado a demonstrar,
no powerpoint daquela calçada portuguesa, que estava na merda, que os putos
assaltavam um homem que estava na merda, que tinha sido esbulhado pelo Fisco
justamente no cerne do seu desemprego à conta de um assalto rectroactivo
a um processo aquisitivo de habitação com desonestidade sistémica do Banco
que o financiou e que todos os argumentos que apresentou não o isentaram
da desgraça de ter de pagar os olhos da cara e o couro do corpo ao Fisco.
Eu disse-lhes que o Fisco me havia assaltado primeiro. Disse-lhes mesmo:
«Ó amigos, o Fisco fodeu-me primeiro. Chegou primeiro.
O Fisco é mais eficaz que vocês, que só chegam depois. Tende paciência.»
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Doíam-me os joelhos. Tinha todos os meus objectos pessoais no chão.
Fotografias, cartões, o boletim do Euromilhões, tudo em esquema na calçada portuguesa
humedecida, viscosa, pejada de beatas, de chicletes incrustradas e de escarros.
Os putos, quando ergui a cabeça, iam longe, uivavam um para o outro,
corriam desalmadamente. Os seus passos e os seus uivos ecoavam nas arcadas
com lojas e montras onde manequins requebrados
ostentavam toiletes vermelhas e pretas.
lkj
Recolhi os meus objectos. Guardei a minha carteira.
Fora a primeira e única vez que fora assaltado na minha vida.
Correra bem. Correra bem melhor que o estado de assalto fiscal quotidiano
que nos vendem ser a coisa mais natural e necessária do mundo
quando, pelo contrário, é o Veneno com que se sustenta e perpetua este abissal declive
entre muito ricos e muito pobres chamado Eterno Défice Português.

quinta-feira, maio 29, 2008

O SANGUE QUE FALTOU A ABRIL


Não. Não me interessam nada as moções de censura dos partidos à esquerda ou à direita de este simulacro de governo nacional, isto é mais um governo globalizador das empresas portuguesas que estavam em condições de se globalizarem, e falar de esquerda ou de direita, o que quer que isso seja, é hoje confluir no óbvio. Interessa-me que as praças se vão encher de indignados pelo roubo em decurso: houve os capitães de Abril que fizeram uma revolução cobardolas, ninguém se feriu, niguém sangrou, ninguém morreu: foi muito bonita, muito romântica e tal e os povos oprimidos do mundo olharam e choraram.Trinta e quatro anos depois notamos que o Roubo do Povo foi o grande fruto amargo de essa pseudo-revolução. Agora, a nossa indignação chegou a um ponto em que nada poderá ser como dantes. Nada. As praças vão encher-se. O nosso copo de tolerância trasborda pelo roubo sistemático praticado a coberto dos principais partidos alternarem no governo e já não o podemos tolerar, nem ao sorriso de descaso de um verdadeiro filho da puta, com todo o respeito das demais putas e demais filhos. Chega. Basta. Nós sabemos o que se passa em Portugal, porque é que Portugal é a excepção, porque é que Portugal é sempre o pior, porque é que Portugal é neste momento a chacota da Europa porque o seu pomposo e ridente PM desfilou como um Rei nas passadeiras vermelhas da sem vergonheira, porque fechou os olhos às pessoas concretas e nunca quis ver o país, enquanto a fazer espelho estavam outros interesses e outras prioridades impriorizáveis. As praças vão encher e se não haverá militares nem capitães, talvez haja blogger de um outro Abril. Mas as praças vão encher e transbordar, Tiago, de censura. Podes gravar estas minhas palavras porque mo diz o homem da tasca, o secretário do escritório do Advogado, diz-mo o advogado, diz-mo a mulher a dias, diz-me o jovem desempregado, diz-mo quem tudo perdeu, quem de tudo foi esbulhado, quem já, de tanto subjugado de fisco e de chulice, nada mais tem a perder.

UM HOMEM GRANDE DENUNCIA A INJUSTIÇA



Estar do lado da verdade, doa a quem doer, e denunciar os factos
e o que muitos se afadigam para esconder da maioria;
estar ao lado dos mais fracos porque nisso transformados, porque a isso conduzidos,
por políticas míopes e maliciosas, eis os traços fundamentais de um homem
e de um blogger que muito admiro. Obrigado por ti mesmo, João Severino!
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Eis uma breve síntese do que deveriam saber todos os portugueses de razão recta,
sem tachos, de cabeça arejada, livre, e boa vontade para actuar em conformidade:
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«Indicadores económicos e sociais periodicamente divulgados pela União Europeia (UE) colocam Portugal em níveis de pobreza e de injustiça social inadmissíveis para um país que integra desde 1986 o 'Clube dos Ricos' no continente europeu. Contudo, o golpe de misericórdia foi dado pela OCDE, ao referir que nos próximos anos Portugal ficará ainda mais distante dos países mais avançados.
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A produtividade mais baixa da UE, a escassa inovação e vitalidade do sector empresarial, educação e formação profissional deficientes, mau uso dos fundos públicos, com gastos excessivos e resultados magros são os dados mais assinalados pelo boletim anual da OCDE sobre Portugal.E os analistas políticos e económicos sublinham a diferença do nosso país com a Espanha, Grécia e Irlanda (que fizeram também parte do 'grupo dos países pobres') realçando que Portugal não soube aproveitar para seu desenvolvimento os imensos fundos comunitários que foram cedidos a partir de Bruxelas durante quase duas décadas.
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Em 1986, Madrid e Lisboa ingressaram na Comunidade Económica Europeia com índices de desenvolvimento relativo e apenas há uma década Portugal ainda ocupava um lugar superior ao da Grécia e Irlanda no ranking da UE. Mas, em 2001 foi superado por esses dois países depois de ter sido ultrapassado pela Espanha.O relatório da OCDE critica também que os capitais cedidos a Portugal têm sido mal empregues no sector privado, salientando que "a força laboral portuguesa conta com menos formação profissional que os trabalhadores de outros países da UE, incluindo os dos novos membros da Europa central e oriental", assinala o documento.
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Portugal gasta mais que a grande maioria dos países da UE em remunerações aos funcionários públicos, mas não logra melhorar significativamente a qualidade e eficiência dos serviços, diz o documento que esclarece mais adiante que "com mais professores por número de alunos que a maior parte dos membros da OCDE, tão-pouco consegue fornecer uma educação e formação profissional competitivas com o resto dos países industrializados". E o documento prossegue dizendo que "nos últimos 18 anos, Portugal foi o país que recebeu mais benefícios por habitante em assistência comunitária.
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Mesmo assim, desde 1995, só se distancia em queda relativamente aos outros países". E nos debates televisivos e nas colunas de opinião na imprensa temos ouvido e lido várias vezes: "Para onde foram parar os fundos comunitários?"A resposta mais frequente tem sido que o dinheiro engordou a carteira daqueles que mais tinham, ou seja, os ricos e as grandes empresas há muito instalados na alta finança.
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Os números indicam que Portugal é o país da UE com mais desigualdade social e com os salários mínimos e médios mais baixos no bloco europeu, pelo menos até 1 de Maio, quando este foi ampliado de 15 para 25 países. E é também o país onde os administradores de empresas públicas têm os salários mais altos. Os governos portugueses têm argumentado que "o mercado decide os salarios". No entanto, o ex-ministro socialista João Cravinho desmentiu esta teoria. "São os própios administradores quem fixam os seus salarios, carregando as culpas para o mercado", disse Cravinho.
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Nas empresas privadas com participação estatal ou nas estatais com accionistas minoritários privados, "os executivos fixam os seus salários astronómicos (alguns chegam aos 70.000 euros mensais, incluindo bónus e regalias) com a cumplicidade dos accionistas de referência", explicou Cravinho. Para o ex-ministro, a crise económica que estancou o crescimento português nos últimos anos "está a ser paga pelas classes menos favorecidas", disse. A situação de desigualdade aumenta todos os dias com os exemplos mais variados, particularmente no sector dos transportes.
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Todavia, a realidade do fosso entre ricos e pobres é de tal ordem flagrante que os vendedores de carros de baixa cilindrada queixam-se que as vendas baixam de mês para mês, enquanto, por outro lado, os representantes das marcas de luxo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati e Lotus (veículos que valem mais de 200.000 euros), lamentan não poder responder a todos os pedidos... Exemplos destes já são às dezenas num país a caminhar para o abismo e governado por um primeiro-ministro que se dá ao luxo de ir aos debates parlamentares para apenas chamar nomes aos deputados da oposição...»
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João Severino

VERDADEIRO MANUAL PARA CEGOS


Se a insensibilidade se confunde com firmeza e abundam sorrisos hediondos;

se aquilo que José Manuel Fernandes compara não deveria ser comparável
tendo em conta os limites abusivos a que a fiscalidade directa já chegou em Portugal
para o abuso prosseguir em todos as frentes e patamares da fiscalidade indirecta,
ou se sequer aquilo que Sarsfield Cabral historia dos choques
ou crises petrolíferos do passado pouco tem de homólogo
com as exigências do momento presente português
quando prescreve inflexibilidade na alta de preços dos combustíveis
como forma de conduzir a alterações criativas de hábitos e readaptações diversas
(não admite que o caso português talvez devesse constituir uma absoluta excepção
para essa inflexibilidade e por boas razões!)
e nada do que ambos argumenta representa a verdade toda de este problema,
temos então que alguém anda aqui a mentir com a própria verdade partida aos bocados.
O que vale é que a boca do agente e responsável foge para ela, para a verdade:
lkj
«Se outras razões não houvesse para nos indignarmos e ficarmos profundamente ofendidos hoje, Teixeira dos Santos no-las deu. Pela insensibilidade, pelo mais descarado desrespeito com os cidadãos. Disse que «a queda no consumo de combustíveis que o mercado nacional está já a registar, como consequência dos elevados preços, que desviam também muita da procura para Espanha, custou já aos cofres do Estado uma descida de 2% nas receitas do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP), o equivalente a 20 milhões de euros» e «não se mostrou preocupado» porque «em contrapartida, o Estado encaixou mais receita de IVA, por força do aumento dos preços» que é «claramente superior à perda registada no ISP, ou seja, uma coisa mais que compensa a outra e o Estado acaba por ganhar mais».
lkj
Não que nos tenha dado alguma novidade. Não! quem sabe fazer contas e quem saiba como funcionam o ISP e o IVA sobre os combustíveis sabe que é assim – a receita do ISP é proporcional ao consumo enquanto o IVA é função quer do consumo quer do preço. É a todos os títulos miserável, é uma pulhice! Quando o ministro assim diz confirma que é possível encontrar uma fórmula em que o ISP flutue de acordo com o preço da matéria-prima de tal modo que a receita gerada para o Estado se mantenha e que mais, o preço dos combustíveis no consumidor final sofram menos oscilações. Uma fórmula que, em termos de receita, resulte neutra. Garante a receita, minimiza os impactos no consumidor e tem efeitos benéficos na economia.
klhj
Não sou eu que o digo... foi Teixeira dos Santos que o disse. Com certeza falou de mais mas se falou de mais, ainda assim, chamar-lhes miseráveis talvez seja pouco. Tem razão como é óbvio todo aquele que exige ao governo que mexa no ISP. Foi o ministro que o confirmou!»
kjh
in Pleitos, Apostilas e Comentários

quarta-feira, maio 28, 2008

CHAMEM-LHE PUTARIA?


Rui Ramos, no Público de hoje:

«Uma parte da esquerda começou a tratar o subprime como o Muro de Berlim do capitalismo. Não se entusiasmem, porque já não é a primeira vez que se enganam. Há cerca de 30 anos, o primeiro choque petrolífero também foi acolhido triunfalmente como "a crise final do capitalismo", "pior do que 1929". O Vietname, como o Iraque agora, e Nixon, como Bush, ajudaram à festa. Portugal passou então ao "socialismo". Era o vento da história. E que veio a seguir? Thatcher e Reagan. Há quem ainda não tenha percebido que a história não acaba quando nos convém. Mas desde então não tem sido a nossa história uma terrível marcha "liberal"? É verdade que há bancos e televisões privadas. Para além disso, porém, o que vimos nos últimos 30 anos foi a transferência crescente de recursos dos indivíduos e famílias para o Estado. Em Portugal, segundo cálculos do dr. Medina Carreira, a carga fiscal em percentagem do PIB duplicou: de 18,7% em 1965 para 36,9% em 2007. Chamam a isto "liberalismo"? E, já agora, também não lhe chamem "justiça social".»

Fiddler On The Roof - Bottle Dance.

Um dos filmes que mais adoro.
Uma das cenas que mais me comove.

PALAVROSSAVRVS REX

REX LVSITANORVM, REX LVSITANIA


«[16] Eodem tempore Metellus in Celtiberia apud Hispanos res egregias gessit.
Successit ei Q. Pompeius. Nec multo post Q. quoque Caepio ad idem bellum missus est,
quod quidam Viriathus contra Romanos in Lusitania gerebat.
Quo metu Viriathus a suis interfectus est, cum quattuordecim annis Hispanias adversus Romanos movisset.
Pastor primo fuit, mox latronum dux, postremo tantos ad bellum populos concitavit,
ut adsertor contra Romanos Hispaniae putaretur. Et cum interfectores eius praemium a Caepione consule peterent,
responsum est numquam Romanis placuisse imperatores a suis militibus interfici.»
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EVTROPII BREVIARIVM LIBER QVARTVS
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Não tarde a Hora Urgente do Rei dos Lusos,
nem tardem iguais os Lusos da Diáspora e os que cá se aprontem a regenerar-se,
a fazer da Terra Portugal Lugar de Brio e nenhum tapete de Espanha
ou dela quarto de arrumos.
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Isto era suposto ser um Lugar de Zelo, por Amor à Própria Terra e a Cada Pedra.
Mas é um Logro, uma mentira habilidosa repetida,
escarrada e cagada no sorriso do de Maçada.
De quanto em quando, é preciso Renascer, rasgar o Dogmático Velo,
regenerar a desgeneração das coisas velhas, das velhas ilusões,
porque a República era um Mito, um «Finalmente!» maldito,
destinado à sob pata do Capital Internacional.
lkj
Não tarde esse asteriscar na História de um parêntesis-desmazelo:
cansam-nos os sôfregos maus servos, executores e comentadores,
jornalisteiros, lambedores de traseiros, apesar da nossa fome só a eles invisível.
Acabe este danoso tempo de Audax, Ditalco e Minuro
ignorantes ingénuos, torpes burros,
que, porque servindo-se nos não serviram, também por isso preceram,
porque Roma não paga a traidores nem Portugal aos das Gentes Desertores!
E acabe este tempo pardo sem Servidores Respeitosos do Povo até ao Âmago,
tempo só de crápulas vendedores profissionais de mentiras, sequiosos de prebendas,
tempo só de devastadores do nosso Desígnio Independente e Interdependente.
lkj
Não há que ter medo! Para aí nos empurram: um Rei para o Povo e pelo Povo,
um Pai acima da Corrupção, casado com Portugal, não Gigolo dele!
Que Emoção e Razão se entrelacem!
lkj
Para lá vamos! Passaram cem anos! E a República vai cevada e está pesada,
são as reformas infinitas servidas a deputados,
são as reformas gordas de ex-banqueiros, de ex-quadros de isto e de aquilo,
são as compensações a ex-presidentes da dita como príncipes antigos reformados,
porque a República está cevada, vai pesada e insegura
de acessorias e consultadorias,
de secretários e secretárias, não está sóbria, está pesada e vai cevada
de vogais e consoantes,
de burocratas e nomenclaturas,
de inoperância e transumância,
de tratantice e trafulhice, de compadrio e afilhadio,
de furões, de patrões, de súbditos e superditos,
de ladrões e Ali Babás, de refinados bandidos!
kjh
Dêem-nos o Referendo, vós que tendes medo! Por causa do Medo, «quo metu».
Dêem-nos eleições! Dêem-nos a Palavra! Oh, ousem dar-nos a Palavra
e vereis como o Acordar Português será finalmente cheio de Povo!

terça-feira, maio 27, 2008

PELA MILÉSIMA VEZ, ABRAM OS OLHOS!


«Pedro Silva Pereira, afirmou que a conjuntura económica desfavorável
poderá adiar a concretização de alguns objectivos do governo.
"Esta situação nova, a conjuntura económica desfavorável,
pode implicar que alguns objectivos que tínhamos no horizonte
precisem de mais tempo para ser alcançados".
kjhlkj
Ora tomem lá! Eu que já tinha escrito qualquer coisa que titulei “Abençoada Crise”.
Que o que aí vinha iria ser o alibi para o que não fizeram numa legislatura.
Ei-lo! Pois agora há-de aparecer Sócrates com cara de caso,
na televisão pública (se não for a pública será uma qualquer das outras
para que não o acusem de privilegiar aquela em detrimento destas ...)
há-de fazer um debate para que debite a ladaínha do costume...
çlkj
A mim não me enganas tu!
Em 8 de Março quando o governo ainda nos dava (ignorando tudo e todos e o que vinha por aí) escrevi 1731: “Mas qual estudo, qual ponderação, qual quê?

O ministro das Finanças disse que «estamos a avaliar a situação para determinar quando poderemos baixar impostos». Mas estão a avaliar o quê?
"Vá-se catar!", homem. Os senhores foram umas anedotas,
os outros também! Mas os senhores é que governam.
Os senhores fizeram porcaria quando negociaram em Bruxelas
três ou quatro anos para liquidarem o défice.
Que em caso de incumprimento custariam ao país 400, ou mais, milhões de euros.
Façam as contas às perdas económicas (e não só) que já tivemos de aplacar
por causa da vossa cegueira.
lkj
Em três anos caminharam para uma redução drástica do défice
(mas não o liquidaram) à custa da liquidação da economia.
E deviam ter negociado seis ou sete. Os senhores são umas anedotas.
Mas qual estudo, qual ponderação qual quê?

Cada um dos senhores é um poço de hipocrisia, de cinismo.
Os senhores quando chegaram ao governo já sabiam bem
(também é para isso que serve a ciência económica)
que iam espremer até um ano antes das eleições.
E sabiam que, depois, fariam tudo para dar uma sensação de alívio.
Para tentarem perpetuar-se no governo por mais uma legislatura.
Tiveram, até agora, sorte. Sorte por a oposição ser uma classe de indigentes, de ineptos.” »
çlk
Comentário de Ouro 1
lkj
27.05.2008 - 19h42 - Preguiçoso, Sofá
«Ouça lá, homem, o PSD esteve lá DOIS ANOS depois do Guterres e seguiu as políticas que o sr. só veio reforçar. Se bem me lembro, quando o PSD entrou, tinha lá estado o seu amigo SEIS ANOS. Segundo o Durão, o País estava de TANGA.Tão de tanga que o Homem deu de frosques. Tal a maravilha que encontrou depois do seu amigo se ir embora.Congelaram-se aumentos, aumentaram-se impostos. O seu Governo congelou carreiras e aumentou impostos. Alguma coisa contra o anterior? No quê? Mais pobreza, mais desemprego, mais emigração, mais Banco Alimentar, mais sem-abrigo, mais criminalidade, mais falencias, menos maternidades, escolas, hospitais de proximidade. Daqui a 4 anos teremos o relatório de 2008. Se mudou, em relação a 2004, foi para MUITO PIOR. PCP ou BE precisa-se! Só esses podem falar de cima porque em 34 anos só vocês é que lá estiveram! E bela merda fizeram, diga-se. Vai mas é fazer currais para a Cochinchina! Ou talvez arranjes emprego na construção civil a pintar sanitários! Queixinhas da merda...!»
kjh
Comentário de Ouro 2
lkj
27.05.2008 - 22h09 - Fernando Afonso, Évora
«Sim, irmãos, devemos continuar a votar PS. Eu não votei, mas hei-de votar nas próximas eleições. Enquanto houver um reformado vivo, enquanto houver escolas, maternidades, centros de saúde, hospitais e demais serviços públicos para fechar. Enquanto houver linhas de TGV e aeroportos para construir, mesmo que já não haja petróleo para pôr os aviões no ar, sim, eu vou votar. Enquanto a criminalidade e a corrupção aumentarem. Enquanto os ricos não forem mais ricos e os pobres mais pobres, vou votar PS. Enquanto houver mais impostos para sugar e Asae para controlar, claro que vou votar. Nem que esteja desempregado, mesmo depois de ir ter feito a operação às cataratas a Cuba, vou votar e agradecer ao Grande Timoneiro. Sim, irmão, vou votar para que finalmente acabe o sofrimento, acabe m com Portugal e finalmente sejamos entregues a Espanha. A luz já se vê ao fundo do túnel... só é pena que seja o comboio que vem na nossa direcção!»

MÁRIO SOARES NO PAPAMÓVEL



Soares sentiu o pulso à sociedade portuguesa já em justificadíssima pré-rebelião
dada a lógica açambarcadora e socialmente irresponsável dos muito ricos,
dada a perda de valores, de ética, de sentido do colectivo, de consciência de corpo nacional,
entre as elites postas a jeito para sugar privilegiadamente o Estado
ou em condições de seviciar de miséria remuneratória e discricionária uma massa
infinita de portugueses já nos seus limites em matéria de pobreza e desigualdade.
Todos temos visto a insensível cavalgadela socratina
no favorecimento estratégico dos mega-empórios económicos nacionais,
na selecção criteriosíssima de quem o QREN apoiará ou não,
na longa lista de empresas colapsadas sob um conjunto de factores adverso de mais,
no quanto obstinadamente e inflexivelmente tem sido feito
em detrimento da sobrevivência e dignificação de vida da maioria.
lkj
É certo que é um Soares Papal que veste a camisola clubística de um PS
que já não é nada, que, com Sócrates, aos costumes disse nada,
que nada tem a ver com a própria história,
ao lembrar que por isso mesmo, por causa de essa insensibilidade reiterada e renitente,
o nosso voto de protesto fará crescer o PCP e o BE.
lkj
Naturalmente, Soares não compreende que apelar para medidas urgentes do Governo
para sossegar as classes mais insatisfeitas e corrigir-lhes a perda e a assimetria extremada
é o mesmo que pedir a um violador inveterado uma mudança de sexo.
Como não é natural, não acontecerá:
lkj
«Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é." Há que avançar rapidamente - e com acerto - na resolução destas questões essenciais, que tanto afectam a maioria dos portugueses. Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens. Inevitavelmente. É o voto de protesto, que tanta falta fará ao PS em tempo de eleições. E mais sintomático ainda: no debate televisivo da SIC que fizeram os quatro candidatos a Presidentes do PPD/PSD, pelo menos dois deles só falaram nas desigualdades sociais e na pobreza, que importa combater eficazmente. Poderá isso relevar - dirão alguns - da pura demagogia. Mas é significativo. Do que sentem os portugueses. Não lhes parece?...»
lkj
Comentário de Ouro
kjh
27.05.2008 - 11h15 - Anónimo, Porto, Portugal
«Conversa de treta. Mário Soares apoia a fundo o PS em versão moderna, que serve como preservativo contra o vírus do descontentamento social. Quase nenhuma das reformas que Sócrates/TeixeiradSantos estão a levar a cabo passaria com o PS na oposição. Dada a sua avançada idade, Mário Soares só acorda quando a tempestade abana bem o barco. Não haja ilusões: os pobres não fazem greve à sopa e a classe média está tão bem servida com o PS/BE/PCP como, por outra forma, com o PSD/CDS. O PS tem-se manifestado como o partido da mentira, da deslealdade democrática, da chico-esperteza. No tempo em que o Dr. Mário Soares podia desvalorizar a moeda, explicava aos portugueses que isso não teria nenhuma influência no poder de compra. Devem-se lembrar. Quanto aos pontos negros que refere, "saúde, educação, desemprego, previdência social", é de lamentar a empatia de MS para com quem sofre, porque esses pontos são o cerne da realização socialista. Ele age como amortecedor com pretensa autoridade moral. Tal como Almeida Santos e outros "elefantes" do PS.»

segunda-feira, maio 26, 2008

KIWITORINO, SENTA, DEITA, ROLA, BUSCA!


Há já muito tempo que não via este sósia do Danny DeVito, enquanto The Penguin:
António KiWitorino é um chato. Tão sádico com a nossa realidade dificílima
como o seu Patrãozolas PM e Dono. Esse que ali, na RTP,
KiWitorino defende com uma fidelidade meticulosa e falseadora:
desta vez não apenas tinha a voz estragada,
como, novamente, estragou e traíu a sua inteligência
com os malabarismos argumentários de que se socorreu
para defender o indefensável.
lkj
A verdade é que estamos mais pobres que nunca!
A verdade é que a lógica que rege os preços dos combustíveis está deturpada
porque se aposta na força da chantagem que o Estado mau pagador exerce
sobre uma massa incontável de credores! Há o silêncio dos inocentes.
Há também o silêncio entalado dos credores todos mansos,
todos dependentes do Estado.
lkj
Definitivamente há muito mais Défice para além da Vida!

DIFICULTISTA DEMAGOGO


Qual terá sido o acessor bem pago preenchedor de fichas, cábulas e copianços,
que lhe sugeriu esta pérola parola da firmeza e do não ceder ao facilitismo
a respeito de um simples factor de competitividade, bem-estar mínimo,
e sobrevivência de milhões de empobrecidos?

FELIZ MEMORIAL DAY!


Hoje é feriado!

L'Animateur - The Animator - Der Trickzeichner

PHOENIX JÁ É MARCIANO


Phoenix se pose sur Mars from Olivier Sanguy on Vimeo.

GALP, AUTO DA SODOMIA



A Galp acha bem em sodomizar-nos.
O Governo acha bem em sodomizar-nos com a Galp.
Manuela Ferreira Leite, putativa líder do PSD,
acha bem que a Galp com o Governo prosiga em sodomizar-nos.
E pronto, como nos vendem não termos alternativa,
parece que o Povo já se resignou a ser sodomizado e também a achar bem
que toda a gente em Portugal seja sodomizada pela Galp e pelo Estado.
Tudo isto só é normal em Portugal.
lkj
Comentário de Ouro
lkj
26.05.2008 - 11h56 - Antonio Maria, Carcavelos, Portugal
«A MFL tem absoluta razão no que diz sobre o ISP. 1) o problema da especulação sobre o petróleo veio para ficar e é estrutural. O petróleo atingiu o pico mais cedo do que se previa, por exemplo no México, no Mar do Norte e na Rússia! 2) se for aliviado o ISP, qualquer governo irá buscar a receita fiscal perdida noutro canto, estimulando as condições para uma guerra fiscal no seio da sociedade; 3) podemos actuar sobre a especulação da GALP, por razões de moralidade pública, e devemos fazê-lo; mas os resultados úteis serão ainda parcos no preço final de um bem cada vez mais escasso, que vai continuar a encarecer, e que não tem alternativa comercial (i.e. mais barata) à vista; 4) temos que aproveitar esta crise para uma revolução na eficiência energética da nossa sociedade, único caminho seguro para evitar o desastre. Este caminho afectará tudo e todos e será em muitos casos uma oportunidade de criação, produção, trabalho e trocas comerciais; 5) apesar criticar asperamente o governo PS em muitos domínios, devo reconhecer que tem sido muito ágil na negociação da nossa segurança energética para o intervalo decisivo da metamorfose energética que agora começa.»

GOLPEAR A GALP



De que Ferreira Leite é um Sócrates em versão recta e honesta não tenho dúvidas.
Tenho é dúvidas que seja corajosa o suficiente, como não fala no assunto é porque não é!,
para limpar o Parasitismo Partidário de Alto Gabarito na Função Pública,
para atacar a Despesa, coisa de quem ninguém ousa falar seriamente,
para moralizar e dar mais pudor à grande promiscuidade entre o Estado e as Corporações.
lkj
Manuela Ferreira Leite é cavaquistanicamente rígida, desimaginativa.
Alinhar com o Governo nesta matéria é no fundo acreditar que se pode castigar ainda mais
as pessoas e a economia sem que umas e outra não colapsem. O tempo provará
que a obediência aos critérios de Bruxelas é perfeitamente absurda tendo em conta
a nossa especificidade periférica e o nosso obsolescente modelo económico.
Por cá, ninguém compreende o desfasamento fiscal entre Portugal e Espanha
nem compreende ao fim de oito anos as exéquias da nossa economia.
Mais uma vez, Ferreira Leite tem o pensamento único de um asfixiante Fisco
como panaceia para as contas Públicas.
lkj
Como a extorsão ao Povo está em alta, como ninguém nos defende de quem nos saqueia
sem um pingo de vergonha, sem um mínimo de consciência das nossas dificuldades
para sobreviver, parece que o desfecho das próximas eleições
será um claro reforço dos partidos fora do habitual Bloco Central de Interesses, o Centrão.
Terá de ser um voto de protesto no PCP e no BE
como forma de erradicar a Política da Ganância e do Esquecimento das Pessoas.
lkj
A Falácia da Galp

«Ferreira de Oliveira, presidente da Galp, defende a descida da carga fiscal sobre o gasóleo e a gasolina. O recado é claro: se os preços estão caros é por causa dos impostos. É verdade, mas não toda. Com efeito, analisando a evolução dos preços dos combustíveis entre 2000 e 2008, o gasóleo em Portugal subiu 100% contra 52% na UE-15 e a gasolina 61% contra 31%. Além disso, quando em 2004 e 2005 houve alguns meses de baixa do crude, os preços ao consumidor não caíram. E também não é por causa dos impostos que as receitas de refinação e distribuição da Galp cresceram no primeiro trimestre deste ano dez vezes mais que no último trimestre de 2007...»

CONIVM MACULATVM


Beber a Cicuta da Verdade é aceitar que se morra como pessoa
e que se morra como País sempre que o País fica sob o pé de filhos da puta:
kjh
«Há muito que o copo estava cheio. Já não os podia ver nem pintados,
esses governantes-governados. Há dias, a notícia da Ericeira,
foi a gota do transbordo. Para mais, nesta altura em que o preço do crude não pára de subir
e ninguém, não só no que toca a duplas tributações, zela pela Constituição.
lkj
Hoje, a confirmação oficial da cumplicidade deste país, perdão, local mal frequentado,
no envio de presos clandestinos para Guantánamo confirma também
uma outra coisa: portugal (sim, com minúscula) bateu no fundo.
lkj
Triste, desmazelado, abandonado à deriva,
sem orgulho nem coragem, entregue a uma corja de novos-ricos oportunistas,
ambiciosos de curto prazo, parolos sectários da república da treta,
cínicos, mentirosos, hipócritas, inimigos de um povo dócil que enganam e exploram
(como o Manuel Pinho tinha razão, lá onde se fazem os negócios da China!),
assim vai, sabe-se lá para onde (com o acordo, talvez para o largo do Brasil),
este cadáver de país.
lkj
É hora de deixar o roto barco. Quem puder que emigre.
E se alguém disser que são os ratos os primeiros a abandonar,
responda-se que antes rato que otário.
lkj
Leitura recomendada para o fim-de-semana: Miguel Real, A Morte de Portugal

The Story of Stuff - Cap 1-7 em Português

PROCESSO DE PERVERSÃO DA DEMOCRACIA


«Após três décadas de democracia,
estamos a assistir a uma reconfiguração do poder político. Essa reconfiguração assenta em dois pilares: o actual PS e a ala cavaquista do PSD.
kjlh
Incapazes de segurarem este arremedo de estado social,
essas duas facções do poder tecnoburocrático uniram-se para procederem à maior transferência de riqueza de que há memória nas últimas três décadas.
Essa transferência de riqueza é absolutamente crucial
para a manutenção dos privilégios dos oligarcas.
lkj
Os professores, por serem 140000 e por estarem sistematicamente divididos
enquanto grupo profissional, foram os escolhidos para a a realização
desse processo de transferência de riqueza.
Dentro de meia dúzia de anos,
dois terços dos professores não passarão do meio da carreira
e estarão condenados a trabalharem até aos 65 anos (ou mais)
com um salário inferior ao de um sargento.
lkj
Para que essa transferência de riqueza se realize sem sobressaltos para os oligarcas,
é necessário que o poder político limite ou anule a liberdade de expressão
nos espaços e organismos públicos.
LKJ
A escola pública tem sido um espaço de eleição para o exercício das liberdades.
Com ameaças de processos disciplinares,
exacerbação dos conflitos entre professores titulares e não titulares
e uma política oficiosa de guardar segredo sobre tudo o que se passa nas escolas,
o poder político foi criando as condições ideológicas e repressivas
para que essa transferência de riqueza se continue a fazer de forma doce.
lkj
O objectivo é fazer parecer essa transferência como natural,
de modo a que as próprias vítimas do processo de pauperização e proletarização
a aceitem como inevitável. Se lerem A Política de Aristóteles, está lá tudo
o que é preciso saber sobre o processo de perversão da democracia
e a sua tranformação em oligarquia.
lkj
Em Portugal, esse processo está em marcha.»

kjh

domingo, maio 25, 2008

MUNDO E VIDA - DA VIVIDA


A VERDADE, NOSSA CICUTA


Numa das postas anteriores sobre a minha noite no Pub onde amealho alguns
trocos a troco de não ser professor ou coitinterromper-me de o ser,
que é a minha profissão, nem ser escritor,
que é a minha grande paixão, deriva e pulsão sofredora,
alguns trocos a troco de nem ser nada mais que porteiro e protossegurança,
um leitor-comentador interrogou-se sobre os efeitos nas pessoas concretas dos clientes
e até do meu patrão, meu amigo, se todos se revissem no que vou escrevendo.
lkj
Conviria lembrar ao leitor-comentador que assim que sobre elas (pessoas e clientes) escrevo,
numa direcção mais compassiva ou mais impaciente, mais humana ou mais impiedosa,
já não são pessoas. Passam a ser personagens, cujos nomes, Todos os Nomes, são fictícios,
a não ser nos casos em que o drama é grosso e a decadência infeliz lhes pede o Nome,
e é o caso, talvez exclusivo, da TóxicoManuela, que é para mim toda uma sinédoque do Porto Abandonado e Grisalho que se vê e deseja para viver condignamente
com a merda de reformas ou de vencimentos que aufere e com os gastos que lhe pesam,
mas também sinédoque antifrástica de Portugal, porque onde existe a TóxicoManuela
existem os outros, essa cascata de omissões
que nos fazem aviltadoramente desiguais em fosso.
lkj
Nunca indiquei ou revelei qual a casa onde trabalho. A casa não interessa.
As centenas de pessoas concretas que por lá param não interessam.
Interessa expôr a insensibilidade, o individualismo, a frieza,
o sofrimento escondido, a oprimência do trabalho oprimente,
a indiferença ao próximo como prática convicta e omissa de quem tem dinheiro,
a Árvore do Caos dos Afectos, a Solidão Dourada dos Chiques e Ricos,
as gorjetas que quem pode dar não dá e quem não pode dar até dá, sinal de que nos Vêem,
a Decadência de Muitos, o gosto de sopear os outros,
o prazer em humilhar e demarcar-se dos outros,
dos homens sós com três brasilerias ou duas eslavas de luxo ao serviço do seu gozo,
os mecanismos de exploração da mulher e da mulher brasileira ou eslava,
o estatuto do imigrante, a sua vida dura e sofredora.
A minha sensação de ser imigrante na minha própria terra, Porto, Portugal.
lkj
Nunca menti sobre as minha emoções, sofrimentos e dificuldades.
Expô-las e arriscá-las na sua crueza e intensidade faz parte do meu programa de escrita.
Mesmo o mais fundo abismo, o mais negro negrume emocional
contêm redenção e aspiram à luz e aí tubo-de-ensaio-me,
mergulho a fundo, arrisco sofrer por mim mesmo e pelos que vejo tombados ou fragilizados.
lkj
Nunca escondi da minha escrita um largo espectro de sentimentos contraditórios,
oscilantes, ambíguos quer sobre a Noite, quer sobre as pessoas da Noite,
sobre a avareza dos que não me vêem nem vêem mais ninguém que eles mesmos,
e não encontram as Pessoas para lá da sua função, estatuto e configuração física.
Fiz e continuo a fazer imensos amigos entre a clientela. É cansativo ser confidente de tantos,
com ternura o digo, mas vale a pena ser o depositário de infinitas histórias de vida
que procuro revivescer por aqui, com a arte e inspiração-prazer que me acometa.
lkj
É mortífero ter o leitor em causa aludido por fim à minha baba de raiva e à porventura necessidade urgente que tenho de medicina: hoje, no início da Noite,
quando as coisas ainda estavam frias,
e nos juntamos para conversar uns quatro ou cinco que raramente falamos,
foi curiosa a confluência em vários tópicos actuais, contra os quais me rebelo,
dos quais sem dúvida tenho raiva e cujos efeitos sofro na pele.
E ali estava eu, que escrevo sobre estas coisas todos os dias, a ouvir
a sintonia dos problemas, o sensus populi dos portugueses comuns, pais de família,
aquilo que velhos e jovens dizem a uma só voz e um deles, um venerável velho empresário,
nada mal na vida, por sinal, não escondia o que sentia:
«Isto é uma pouca-vergonha sermos o país mais injusto e desigual da Europa».
«Fala-se de parasitismo no sector público,
mas não se faz nada para evitar os gastos desnecessários.»
«O Primeiro-Ministro, não é mentiroso, é um aldrabão dos maiores que já tivemos.»
«O concluio Galp e Governo nem aos tolos engana! É a ganância a oprimir o povo.»
«Sou um revoltado. Só vejo injustiças e sofro com isso.»
«A República traíu-nos. Os cidadãos mais exemplares vivem sob monarquias.
As nações mais prósperas e moralizadas são monarquias.
A República sofisticou a arte de roubar ao Povo
e sofisticou-se a administrar danosamente o Estado
contra os interesses e o bem estar da Maioria.»
lkj
Calculo que numa poltrona suave, com a vida suave e tranquila, com o dinheiro a render
e a sobejar à própria sobrevivência pode alguém ser cínico e leviano
com a raiva dos outros pela própria penúria e dificuldades. Eu, por mim, não escondo o que sinto
(raiva ou insatisfação, ternura ou compaixão), o que passo, o que custa o trabalho e a penúria,
também não oculto o que vejo, não douro a pílula quando se trata de expor
a índole alienada e indiferentista aos outros que é a dos portugueses,
índole fatal para o bem geral e para a construção de um País Mais Feliz.
Pensar em Sócrates, em Pinho, em Maria de Lurdes Rodrigues
ou no omisso e De-Papel-Cavaco, é pensar num País Insuportável de Hirto e Desumano.
lkj
E tendo falado o leitor da minha filha, cabe-me ressalvar que a minha filha
inspira-me a maior das responsabilidades quanto ao País em que ambos nascemos:
beber a verdade a largos tragos, a cicuta da verdade, explorar os nichos de verdade,
de procura de clareza e transparência na vida portuguesa, coisa ameaçadíssima.
A minha filha tem um pai que a ama, educa, acarinha desmedidamente.
A minha filha não tem uma máscara inexpressiva e desinteressada por pai,
nem por pai um homem incapaz de sentir o seu tempo
em troca de futebol e respectiva idolatria. Tem um Pai de Carne e Osso
que tem algo a gritar ao mundo e às pessoas com alguma ética profunda,
com vestigial sentido de partilha e de humanitarismo integrador.
lkj
Porque sinto intensamente, sofro intensamente, o que é óptimo
para depois poder escrever desmedido e apaixonado.

Light My Fire - The Doors

You know that it would be untrue
You know that I would be a liar
If I was to say to you
Girl, we couldn't get much higher
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire

The time to hesitate is through
No time to wallow in the mire
Try now we can only lose
And our love become a funeral pyre
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire, yeah

The time to hesitate is through
No time to wallow in the mire
Try now we can only lose
And our love become a funeral pyre
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire, yeah

You know that it would be untrue
You know that I would be a liar
If I was to say to you
Girl, we couldn't get much higher
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire

sábado, maio 24, 2008

DESABAFO COMATOSO NOCTURNO


Há noites assim. Noites em que, no Pub, os meus ouvidos continuam o penico
das palavras doridas dela pela crise do casamento dela e eu me faço,
na antecipação mesma de esse consabido texto, todo compreensão e audição. E isso pesa.
Cansa. Desassossega. Já não o ama. Já não o quer. Só tem gelo em vez de desejo.
E ele insiste, como se insiste numa presa carcomida e definhada, incapaz de nela matar
a fome de sentido e de amor que o amor, pensa-se!, guarda para os seus.
Vício e obsessão enclavinharmo-nos justamente em quem nos dejecta
sem apelo nem agravo porque as coisas são o que são e não há volta.
kljh
Há noites, quase todas, em que os meus olhos permanecem o mesmo alvo sentado sob o tiro
dos perdigotos tagarelas, desses que insistem em conversar comigo
a um palmo do meu rosto fugitivo, aflito por tréguas, meu Deus!, tréguas da heterossaliva!,
gente que toda se me desabafa como quem me cospe:
a sua vida, de aventuras, gozos e tristezas,
são o cuspe e eu sou o vaso, a ânfora alada desse esgoto vínico
que por mim se adentra espiritual, mola diegética que se quer reescrever por meus dedos,
e se evola efectivamente no que evaporaescrevo.
Cuspe eles. Vaso eu, mesmo quando estou além conversa e além paciência.
kjh
Noites em que as pessoas se conglomeram em mais lado nenhum
a não ser no meu habitáculo,
havendo tanto espaço, tantos recantos para essas intermináveis conversas bissexuais.
No meu cubículo mal caibo eu, preciso de espaço para receber e despedir,
terei eu um mel qualquer que os cole ali?, serei eu obrigado a sorver esses murmúrios
que não me interessam rigorosamente na sua viril efeminescência?
lkj
Tardiamente à porta do Pub apareceram hoje seis alentejanos que se assustaram
ao considerarem o valor do consumo mínimo,
que se detiveram para conferenciar fraternalmente, afastados de mim,
sobre se valeria a pena entrar ou não. Negociei com eles a possibilidade de um bónus. Acordaram que sim e lá entraram sob essa possibilidade. Os seis serenos, tácitos, encolhidos.
Há muito tempo que não via aquele tipo de portugueses reservadíssimos, recatados, contidos,
democraticamente estrangeiros nacionais no Porto, e que apesar de bem bebidos
não foram capazes de qualquer interacção com a demais gente de outros linguajares,
de outros desabrimentos nesta outra língua que por cá, caralho!, puta que os pariu!, se fala.
lkj
Saíam, e ainda lhes atirei com uma nota biográfica e tentei gracejar:
«Dei aulas em Cuba... na vossa Cuba... Afinal, Colombo era cubano,
da vossa Cuba do Alentejo... Vila Alva e Vila Ruiva... vinho celeste...que saudade!».
Perante o meu inesperado discurso e a minha percepção professada da sua alentejoneidade,
estacaram, espectantes, a ouvir-me. Mas eu já sabia que se conservariam hirtos,
pesados, fechados, secos, lacónicos, como estátuas de sal
sob o enxofre piroclástico do Senhor castigando Sodoma e Gomorra.
A custo, um deles, correspondeu com um telegrama sintónico.
«É verdadi. O homem é de lá.»
E foram-se embora.
lkj
Noites em que os Senhores Doutores cinquentões também vêm virginais:
são três com três, são um trio virginal unido que se ama e ama estatelar-se em álcool,
invariavelmente bêbados, Advogados quando sóbrios, ambiguamente impotentes todo o ano
e bêbados à Sexta, empresários igualmente, impotentes todo o ano, bêbados à Sexta,
quadros técnicos e Directores Gerais igualmente, nos seus carrões despudorados,
sempre apesar disso, do álcool, correctíssimos comigo e com toda a gente,
e a que alguns atribuem esse sistemático preparo ébrio
precisamente à impotência profissional e sexual
ao passo que eu atribuo-a ao que eles sabem,
ao que eles vêem, ao que têm de fazer ou não fazer e tanto lhes pesa na alma.
lkj
Em noites assim, vejo que o meu grito não faz eco.
Em nada fui ouvido sempre que lambi aqui as minhas feridas
e expus, fracturas expostas e facturas, as lacerações de alma que tanto me rasgam.

sexta-feira, maio 23, 2008

PORTUGAL OU TRINTA E TAL ANOS DE TRETAS



Depois do vinte e cinco de Abril de 1974, Portugal foi um Rato Mikey
levado a passear pelos deslumbramentos ocos de uma Elite Política Perene,
essa que esteve sempre lá, sempre no meio da Decisão, sempre lá!,
no cerne do erro, da persistência no erro, na reedição do erro, na reinvenção do erro,
na reincidência no erro, na errância no erro, no erro pelo erro:
lkj
«Quando regressaram as caravelas e nos vimos reduzidos a este pobre e estreito naco de território o que nos foi proposto (e por nós indiscutivelmente aceite, legitimado e reconfirmado) foi um determinado tipo de desenvolvimento. Um determinado tipo de desenvolvimento que, exceptuando algumas poucas verdadeiras pérolas, tudo o mais que nos ofereceram foi pechisbeque. E hoje, apesar de tudo, é por essa via que persistimos (nem vejo quais serão as forças capazes de quebrar essa dinâmica). Vamos concretizar a alta-velocidade ferroviária. Um erro! Vamos fazer a terceira travessia do Tejo em local errado. Um erro! Vão ser lançadas a construção de mais auto-estradas. Um erro! Foram autorizadas a instalação de mais (no total do território) uma dúzia de grandes superfícies. Um erro! Foi autorizado o assalto por parte da indústria de hotelaria, de veraneio, da indústria do turismo, ao complexo do Alqueva. Um erro! Estes serão alguns dos “crimes” que estão a ser cometidos. A estes acrescem os “cometidos” (e foram cometidos, com o nosso beneplácito, por falta de visão da nossa classe política e por igual falta de visão dos nosso capital): cedemos, em troca de Fundos Estruturais (que não reestruturaram nada), a liquidação da nossa industria e frota pesqueira, da nossa industria vidreira, da nossa pobre e pequena agricultura, abandonámos, depauperámos, queimámos a nossa pobre floresta, não aguentámos a nossa indústria naval, a nossa média industria metalúrgica, a nossa média metalo-mecânica... liquidámos ou deixamos que fosse liquidada e nem tentámos a reconversão. Oito erros! Criámos serviços ou melhor não criámos serviços... criámos, na maioria dos casos, redes imbrincadas por meandros de complexos organigramas de dependências funcionais de carácter administrativo que mais não foram, décadas a fio, de fazer com que o que poderia eficazmente ser feito por duas pessoas passou e tinha de ser feito por quatro. Para não ir mais longe fico-me por este exemplo: em Portugal até ao ano passado, na industria seguradora, existiam mais mediadores, angariadores e corretores do que existiam no Reino Unido. Este é um exemplo de muitos!»