sábado, outubro 21, 2006

CRISE DE FIM DE SEMANA













Cansaço é cansaço.
Desocupação é desocupação.
Desgaste é desgaste.
Disponibilidade escrava é disponibilidade escrava.
Entre uma e outra e outra e outra coisas
vogou, como casca de noz em mar alto,
a nossa vida quase todo um ano.

Ó crista da vaga furiosa e imprevisível em que ela andou!

Tu sabes bem que, por vezes tóxica, a hora morre
e mata de equívocos o que o rosto fala, o que o rosto cala.
Tu sabes que nada se compara ao teu sorriso nosso,
à leveza com que todos os dias nos acolhemos.

Sabes, mas esqueces.

Uma semana dura, mal termina, para ti e para mim,
pode ser como a água do banho que atiramos juntamente com o bebé da alegria
nos fechados rostos, nas palavras guardadas, cansadas,
crueldades de silêncio cinza por sobre a cinza de tão fugazes dias.
Uma semana dura, mal termina, foi como uma batalha feroz
e poder agora pousar as armas ensanguentadas
não será ainda descanso.

Será...

Crise de disponibilidade.
Crise de frescura.
Crise de paciência.
Crise de fim de semana.

Toda a gente faz o que pode para se aguentar nas canetas durante.
O pior é depois...


Joaquim Santos

1 comentário:

Lidiane disse...

É isso que vivo agora: uma semana dura.
Mas, amanhã começa logo.

Beijo.