sexta-feira, outubro 13, 2006

VÉNUS NO CIO



















Queixa-se Vénus a Júpiter
pela falta de atenção.

Não diz palavra.

É com o corpo que se queixa, que a requer e que a ganha.
Esconde-se, mostra-se, rebola,
abre-se em florações lúbricas,
baba nos dedos, cabelos, da boca ao ventre
lábios cuja carne em flor brilhando rubra
é toda uma nudez ao coito pronta.

E o deus, que do seu trono bocejava já
da farta ambrósia, do farto néctar,
do convívio cansativo com os divos comensais,
pronto já ao sono divo,
logo larga a cornucópia,
pousa as armas tonitruantes,
ergue-se num pronto e, avançando para ela,
arrebata-a como a uma ave que, pelo pescoço,
se toma da multidão aviária.

Sobre o imenso e acetinado leito joviano,
em mil piruetas posicionais,
em mil ardores e suspiros,
em gemidos e gritos deleitosos mil,
em dores de gozo e ais que cantam,
será hoje Vénus bem fodida...

Joaquim Santos

Sem comentários: