sábado, julho 30, 2011

IMPRESSÕES BRASILEIRAS

1. O Brasil que reencontro agora em 2011 soa-me [e sabe-me a] particularmente diverso daquele que descobri em 2007. Ainda não descortinei se será dos meus olhos. Num momento em que todos os indicadores da economia são fabulosos no plano federal [receitas fiscais, actividade económica explosiva e invejável], ao nível do povão médio-baixo e médio-médio as razões legítimas para um certo ufanismo nacional servem talvez para camuflar a óbvia ressaca geral depois dos excessos de uma vida a "crédito" [extrabancário, mão em mão, clandestino], quando o crédito e o fraccionamento milimétrico dos pagamentos era instigado como vício e modo de vida. O mergulho na realidade dura, com a sua sobriedade e contenção forçadas, conduz a um evidente retraimento da componente social ao ponto de se poder pensar que, por este caminho, um certo Brasil ainda afável e sensual não escapará, no espaço de cem anos [psicológicos ou reais], à frieza e ao individualismo que castigam o hemisfério norte. 2. A região pernambucana em que me encontro, Vale do São Francisco, floresce economicamente graças à produção frutícola, sendo que a ignição de esse crescimento feliz, pelas sólidas safras da manga, coco, da uva ou do caju, se deveu em grande parte ao empreendedorismo japonês, israelita e também português, no aproveitamento do potencial hídrico do rio São Francisco. O interior de esse Nordeste há muito que já não é o mesmo. Mas só pode crer quem puder ou quiser ver. 3. A esta distância, Portugal parece-me um local imóvel há séculos, fulminado pela ganância de uma elite política e económica medíocre, egoísta e incapaz, que prefere conservar o país pobre e repleto de empobrecidos, onde as cartas estão todas marcadas: poderão os nichos onde se abrigam os mais ricos entre os ricos do mundo suster o absurdo construído até aqui? O lixo de crimes e inépcias que se vai desenterrando não surpreende, mas a placidez e a contemporização da sociedade, essas sim. E enojam. 

quarta-feira, julho 27, 2011

1808, LAURENTINO GOMES

Companheiro delicioso de viagem, devorado durante os voos, nas longas esperas de aeroporto. Obrigatório ler. 

NO BRASIL, PARAÍSO DO SUPERAVIT

Perdão aos leitores mais fiéis pelo inabitual silêncio, mas encontro-me no Brasil, paraíso do superavit fiscal e comercial, desde o dia catorze de Julho para cinquenta dias de extensa e intensa desintoxicação desta minha consabida paixão por Portugal. Um abraço sincero e quente a todos os benévolos fãs do Palavrossavrvs Rex, e até breve [posts e assim], na medida do possível!

quinta-feira, julho 14, 2011

ESTUPEFACTOS E VIRGINAIS

«Acredito na "estupefacção", mas apenas de alguns (poucos). Nos últimos anos várias estupefacções tem tido lugar  lá naquele Parlamento, naquele depósito de estonteados desconcentrados, que são pagos para NÃO ficarem "estupefactos". Afinal fiscalizam o quê? E o TC? Porventura a AR presta alguma atenção ao que escreve ou visa o TC? As PPP's, por exemplo, têm produzido também quantidades enormes de muita estupefacção. Estou mesmo convencido que lá no Parlamento há muito estupefaciente no ar, no plenário, nas casas-de-banho, no bar, nos arrumos. Há que ventilar as salas.» Besta Imunda

quarta-feira, julho 13, 2011

TERNURENTICIDA

A VELOCIDADE ENQUANTO DROGA

Não adianta branquear. Um acidente é um acidente. A velocidade excessiva, por ser excessiva, é crime, não somente quando esse excesso tem as piores consequências. A partir daqui, resta a atenuante de o condutor em causa, além de ter causado morte a terceiros, estar também morto. Infelizmente.

ESFOMEADO DE AZUL

CRIME, BURLA, DESPUDOR

Crime, burla, despudor, como herança: seis anos de obscenas negociatas, traficâncias de toda a sorte e golpes brutais ao erário não são a desculpa atrás da qual o novo Governo se poderá refugiar da tarefa medonha que tem sobre os ombros. São realidade e recente. Essa realidade assustadora enfrenta-se revelando-a para que quem cegou abra os olhos. Essa realidade não se encobre por causa de um código de conduta auto-imposto de absoluta exigência e boa fé, boa intenção em Passos Coelho, mas ingénua, tendo em conta o oceano de problemas herdados que lhe subjaz e lhe determina pesadamente o rumo regenerador. A realidade negra de uma governação de saque sistemático e de mentira como princípio medular, conforme perpetrada pelo socratismo, terá de assomar, límpida, específica e plena, gota amarga por gota amarga, aos olhos e à memória dos Portugueses, como exemplo e, quem sabe, como princípio de justiça inaugural.

CLEPTODEPUTADO ENCURRALADO

É interessante que o deputado socialista Ricardo Rodrigues finalmente vá responder em julgamento pelo crime de atentado à liberdade de imprensa, por ter furtado dois gravadores a jornalistas da revista Sábado durante a realização de uma entrevista em 2010, embora pareça mentira que o caso finalmente se desbloqueie. Mas será bom que se sinta o fim dos regimes de excepção do passado, o fim da interferência da Porca Política na Justiça, sentidos como nunca no magistério negro socratino. Que a Justiça seja Cega e se faça, que cessem a impunidade e a imunidade automática da facção no Poder, eis o caminho. A inJustiça tem perturbado a economia e subvertido tudo. Há um caminho a fazer. Faça-se. 

terça-feira, julho 12, 2011

OS FRANGOS DE JESUS

Recuso-me a admitir que o problema do Benfica em pré-época sejam os jogadores. O problema é Jesus e são os demais dirigentes. Perante a fragilidade na defesa, constatando-se que os centrais fraquejam, em vez de os defenderem e salvaguardarem, pois são os que estão, blindando-os do criticismo precoce, não, a partir do núcleo duro emitiu-se opinião, ventilou-se a fragilidade e ela agudizou-se, mostrando novas formas de sofrer golos que recordam (e isto é ironia do destino!) os frangos de Roberto, ainda que com o sólido Artur na baliza. Tudo se repete. A pré-época benfiquista desagrega e vulnerabiliza a equipa, pois as derrotas não fazem bem a ninguém. Isso e as nefastas experiências, enquanto os adversários directos partem organizados e sedimentados, como muito bem assinala o João.

BRASILEIRO UPGRADE DO PORTUGUÊS

Brasileiros ainda «constituem 26 por cento dos estrangeiros residentes em Portugal», com muito orgulho, calcula-se!, embora com cada vez menor proveito e não menor êxodo, regressando ao Brasil ou voando para outras paragens mais prósperas, tal como os demais portugueses.

PRENÚNCIOS E ABRENÚNCIOS

«Eu já vi este filme. E nunca acaba bem.»

POESIA — UM AFORISMO PESSOANO

«Os críticos podem dizer que determinado poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos pois que conservar o dia bom em memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira.» Fernando Pessoa

A NÓDOA E O AFOGUEADO

«Seguro é uma nódoa. Admito que uma parte significativa do PSD e dos jornais goste dele por isso mesmo; afinal com um ignorante sem ideias, manobrável por labregas máfias locais, o PS aparelhístico sentir-se-á 'melhor' e o PSD  cinicamente  melhor ainda ("deixem-no estar que está muito bem"); ilusão. A médio prazo, Seguro à frente do PS a todos prejudicará. Bem sei que o "afogueado Assis" colaborou até ao fim na defesa do crime socratista e na negação patológica da realidade que agora sufoca o País. Também ele não é flor que se cheire. O PS está doente e doente continuará, pois não devia admitir qualquer destes candidatos à liderança. Mas o aparelho é calabrês, estúpido, ambicioso e está deseperado. A renovação está assim posta de lado; e a mudança do PS para algo digno e expurgado de vícios, uma ilusão. Seguro só profere banalidades vácuas, muda nomes "para laboratório" (pelo Amor de Deus!...) e a sua figura espelha exactamente o que ele é: um espantalho manobrado por outros; e ambicioso, calculista e nada frontal (alguém se lembra do unanimismo dos 97% de sócrates no congresso, em que Seguro não abriu o bico?). Um personagem assim não tem capacidade ou legitimidade para comentar o Primeiro Ministro, o Governo, o Programa ou sequer as simples notícias das bolsas e da crise europeia. O País precisa de ser salvo destes alarves e destes partidos 'em vias de renovação'.» Besta Imunda

HELP

Há alturas em que nada faz sentido.

segunda-feira, julho 11, 2011

A VILEZA DA POBREZA PORTUGUESA

Há notícias que são letais para a esperança, bem ao nível dos factos que elas tratam: a taxa de risco de pobreza para a população idosa em Portugal aumentou para 21 por cento, em 2009, comparativamente ao valor registado em 2008 (20,1 por cento), segundo os dados obtidos através do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estatística. Vê-se pobreza entre idosos em todo o lado. Fica-se pobre já na juventude inexoravelmente, fora os ousados que emigram, porque os que ficam submetem-se à garantia de uma sopa sob uma triagem burocrática sanhosa nas 'avaliações' formalísticas que engendra, aliás ridiculamente proporcionais, em pompa e complexidade, à miséria expectável no horizonte ou quando a montanha continua a parir roedores. Perante isto, confesso encontrar-me no mais fundo do desalento pessoal e não me agrada dada quando olho o Grande Buraco Nacional aberto para o futuro. Perdemos. Fomos derrotados. Outras gerações reergam isto. É morrer cedo ou emigrar prestes.

ESTÉTICA DO ECLIPSE


Total Lunar Eclipse In Tajikistan from Jean-Luc Dauvergne on Vimeo.

NOVA EUROBRECHA — A ITÁLIA

«Giornata di fuoco su tutti i mercati, ma Milano paga l'assalto degli speculatori con perdite pesantissime in tutti i settori, a partire dalle banche e dagli industriali. Non bastano i giudizi positivi della Germania sulla manovra: l'indice Ftse Mib perde quasi il 4% e l'euro arretra. La Consob: "Le vendite allo scoperto non c'entrano.» Andrea Greco

EUROPA E O EXUMAR DA REGULAÇÃO

«Seja qual for a solução adoptada ela não deverá ser considerada mágica, definitiva ou desinteressada. Os EUA são estados federados, têm uma Reserva Federal, emitem moeda (à parva, nos últimos tempos) e o Congresso nogoceia neste momento mais um novo limite ao endividamento (poderia ser uma coisa 'de sócrates'...). A Europa, enquanto conjunto heterogéneo de economias consegue ser mais saudável que os encalacrados Minnesota, Califórnia, etc. Daí ser imperativo perceber que não existem soluções  políticas ou não  que protejam os povos e os países da imbecilidade, irresponsabilidade, delírios de prosperidade (baseados em 'nada', como o nosso) ou simples corrupção. A regulação tem de ser exumada e passar a ter o caracter de ASAE, de polícia, com penas duras para quem pecar; para isso também é bom que o BCE deixe caír tipos como Constâncio  o exemplo acabado da complacência. Façamos os nossos trabalhos de casa; não temos, de resto, outra escolha.» Besta Imunda

domingo, julho 10, 2011

FALIR, MAS COM HONRA

De alguma forma, se, por inépcia europeia, o pior vier a suceder à Grécia e depois ao nosso querido Portugal [sim, se acabarmos por falir como os Islandeses!], valha-nos o facto de o Governo de Passos Coelho ser mais sério, infinitamente mais sóbrio e bem intencionado, só fraquejando na questão da humilhação aos professores pela manutenção de uma palhaçada pseudo-avaliativa, coisa em que o magistério de influência maldoso de Cavaco interveio deploravelmente. Mas, sim, valha-nos o facto de termos um Governo mais a sério. Escrevo-o sem ponta de ironia nem margem para cinismos. O mal está feito e tem pouco mais de seis anos. O que me custa é que ainda haja algumas bestas com a ideia peregrina de que perante qualquer inevitabilidade que vivamos, fosse indiferente termos continuado ou não com Sócrates ao leme. Parte do que sofremos e sofreremos decorre do mau carácter do ex-chefe do executivo. Quer dele, quer de quem o apoiou. A estupidez humana é contumaz e, disse-o Einstein, tão infinita como o Cosmos.

VALTER HUGO MÃE E O BRASIL

ODIAR VELHOS. DETESTAR CRIANÇAS

A ONU, coitada, não sabe da missa a metade: 39%? E isso mede-se? Trata-se de um fenómeno estranho a frieza, o desprezo e a hostilidade de que os velhos são alvo em Portugal, máquina de fazer espanhós. Em grande parte por falta de recursos, o que obriga a escolhas cruéis, e míngua de realização pessoal que marca as gerações de trintões e quarentões muitas vezes dependentes ou longamente encostados a certezas que se esfumam, a violência e o desamor orientados para os mais fracos e vulneráveis estão por aí. O 'fardo dos velhos' e a impertinência das crianças, sempre tão caros e exigentes, explicam e espelham um cortejo de sangue e infelicidade de cuja notícia só se peca por defeito. Está quase tudo por fazer num País cada vez mais frio e fracturado no afecto e cumplicidade que deveria entretecer gerações. 

FLIP: LE GRAN CHEF NÉLIO FERNANDO

Nélio Fernando ou le grand chef declamador da Poesia em Língua Portuguesa, na Festa Literária Internacional de Paraty. Isso e o luso «muso da FLIP»: «O português valter hugo mãe foi responsável pelo primeiro momento de comoção colectiva da Flip deste ano, ao encerrar a mesa ‘Pontos de Fuga’ (...) lendo um bonito texto sobre a sua relação com o Brasil. O escritor (...) já tinha ganho a plateia ao longo do debate, com intervenções divertidas e emotivas. Sua fala final levou às lágrimas boa parte do público da Tenda dos Autores.»

A380 — ASAS AQUILINAS

sábado, julho 09, 2011

COMEÇAR MAL

«Desejo ardentemente que o governo tenha sucesso para o bem do país. No entanto, é lógico que começou mal. E começou mal porque se tem comportado apenas como um "cobrador" de impostos para o "Império" europeu, não como um governo de um Estado soberano. As medidas de fundo estão em estudo, as medidas simbólicas estão aí, para encher "chouriços". Medidas de fundo em prol do Estado português, onde estão? É-nos permitido isso, ao menos? O que andaram os políticos a fazer antes das eleições? Não se prepararam? Será que não pagamos um preço por lideranças pouco experientes entrarem de chapa no governo, pouco tempo após chegarem ao poder no partido? E depois é notório que se paga um preço por não ter havido uma coligação pré-eleitoral. A deficiente orgânica do governo tem a ver com a disputa partidária de PSD e CDS, que se tivessem com tempo negociado os lugares (negociação inevitável) e as políticas, teriam com certeza agora melhor desempenho, em vez de assistirmos a este desacerto com Ministros com "n" pastas, e inconciliáveis. Tudo por causa de uma coligação mal gizada. Vê-se com apreensão esta histerias anti-agências de rating, que só serve para desviar a atenção do estado do país. Mero populismo ao estilo de Sócrates, acompanhado de um europeísmo bacoco, quando o nosso maior problema é que esta "Europa" não nos serve minimamente e é substancialmente diferente do projecto europeu que nos convinha e ao qual aderimos nos anos 80. Assim não vamos lá porque estamos completamente a errar o "alvo". Isto mais parece a desorientação anti-Ultimato do final do séc. XIX, que foi um prenúncio de fim de regime. Algo que muito provavelmente voltará a acontecer de novo.» Anónimo

A POÉTICA DE HEMINGWAY

«Fiel a um estilo sóbrio, Hemingway volta a encontrar o sucesso com essa publicação de O Adeus às Armas, em 1929. E continua a seguir a recomendação do livro de estilo do Kansas City Star: «Usa frases curtas. Usa primeiros parágrafos curtos. Usa um inglês vigoroso. Sê positivo, nunca negativo.» Leonídio Paulo Ferreira, Notícias Magazine, #997 3.Julho.2011

PSD E A PALHAÇADA DA ADD MADE BY PS

«... resta apenas uma saída ao PSD e que é a seguinte: - apostar numa jogada de antecipação do Governo, evitando tornar-se refém desta situação parlamentar dilemática e pouco edificante, a qual só pode passar pelo anúncio de que se fará publicar, nos próximos dias, um decreto ou despacho governamental que revogará os processos de avaliação do desempenho em curso e todos os seus efeitos, com base, quer no historial de conflitualidade, de arbitrariedade dos processos e de perturbação desencadeada nas escolas, quer nas contendas político-partidárias que esta avaliação tem alimentado, num momento em que se torna vital inactivar crispações e desaguisados políticos e sociais que minem a confiança, dividam e arruínem a mobilização dos portugueses para o trabalho e a exigência ética.» Octávio V. Gonçalves

O DURO DESMAME SOCRATISTA

A face tenebrosa das agências de rating mostra-se agora em todo o seu vício. Até aqui, tinham razão os que lhes atribuíam, como Manuela Ferreira Leite, na última campanha eleitoral, um módico de credibilidade por contraponto à crassa falta de credibilidade do Governo Sócrates, um Governo trágico se não fosse grotesco. O PSD ganhou as eleições e a atitude de sobriedade e frugalidade em relação aos parcos recursos do Estado já se faz sentir simbólica e efectivamente com o anunciado fim de regalias do e no Governo, esperemos um bom começo de conversa quanto ao fim de outras escandalosas formas de esbanjar e malbaratar. Sócrates, o seu estômago e a sua forma luxuosa de se locupletar a si e aos seus Pitta terminou, terminando a mais extensa, desgastante e deliberada exposição mediática que Portugal já viu. No entanto, o sentimento de traumático desmame está ao rubro entre esses vorazes viciados no trabalho nazi da informação distorcida e no bem montado CIS-de-bolso partidário com acesso privilegiado a informação privilegiada, pronta a distorcer demoniacamente a realidade e os factos objectivos da governação, nas suas diferenças e nas suas rupturas, ou do momento económico. A inversão da rota abissal do País já encetada está aí, mas essa gente não se conforma com o que perdeu, com os privilégios que se esfumaram, com a avidez impossível de contentar. Gente má, que escarnece de todos nós e dana Portugal porque, toda estômago e toda ânus mal habituados na liberalidade selectiva do socratismo amiguista, está-se rigorosamente a cagar para Portugal. Deveriam estar na prisão. Não estão. Por isso fazem do ataque a melhor defesa.

sexta-feira, julho 08, 2011

MÚSICA PARA O HUBBLE

DOU O BRAÇO A TORCER

Parece que infelizmente fui enganado e a minha aposta nas apostas de Fernando Nobre, como candidato presidencial, primeiro, e como proposto presidente da AR, a convite de Passos Coelho, depois, foi completamente errada. Ingenuidade minha! As minhas desculpas a quantos me têm lido e me viram crente, crédulo, indefectível da esperança de regeneração da política e dos políticos que fui teimosamente vendo no Presidente da AMI. Nobre foi demasiado errático e escapista perante a solidez de que Portugal necessita e demasiado mau tendo em conta os bons exemplos de que nos deveremos nutrir. Não precisamos de cometas oportunistas, espumando ética que é uma coisa serena que não se diz, apenas se mostra. Nem necessitamos de beneméritos narcísicos, centrados em si e na sua sofredora sensibilidade heróica por oposição aos outros, sempre inferiores, instrumentais e errados. Do que carecemos é de verdade vivida e praticada; é-nos urgente uma palavra dada e finalmente cumprida. Nobre transmutou-se em pântano. Esbateram-se-lhe os contornos. É mais uma incógnita só suportável se passar incógnito.

GOSTOS NÃO SE DISCUTEM

Não se pode tirar os olhos do novo blogue do João, Gostos Não Se Discutem

MÁRIO VIEGAS E O PAI

«Mário Viegas  um 'tipo' lá de Santarém como eu  tinha a quem saír: seu pai, o Dr. Viegas  fleumático farmacêutico  estava frequentemente ao balcão a atender 'o povo'. Um dia, e a propósito do programa "Palavras Ditas" que o Mário tinha à época na RTP (a do Serviço Público verdadeiro...), uma senhora desabafava e dava alguma graxa ao velho: " Ah, Sr. Dr., vi o seu filho ontem na TV; que figura! que bem que diz! que presença! e que belo rapaz!..." Resposta do velho, sem levantar as lunetas da receita: " É porque é parecido comigo; 'se saísse' à mãe era um estafermo..."» Besta Imunda

O DESESPERO DA PIEDADE

Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.
lkj
Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingo
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina
lkj
Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.
ljj
Tende imensa piedade dos músicos dos cafés e das casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam o silêncio
E de súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.
lkj
Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.
çlk
Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Que em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe para onde vão...
çlk
Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão, mas são humildes nas suas carícias
Mas tende maior piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!
çlk
Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Que lembram madalenas arrependidas pedindo perdão pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.
çlk
Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tente mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.
çlk
Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos da mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.
lkj
E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tende piedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!
çlk
Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!
çlk
Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm a Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Com os olhos perdidos e com o seio na mão.
çlk
Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.
çlk
Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.
çlk
Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.
lkj
Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.
lkj
Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçadas
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.
lkj
Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanta poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa de tanta alegria e serenidade.
lkj
Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.
lkj
Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso,
Delirava e se desfazia em gozos de amor da carne.
lkj
Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.
lj
Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!
lkj
Vinicius de Moraes [dito por Mário Viegas]

«MAIS QUE POLÉMICO, ERA JAVARDO»

«Ídolos não tenho, mas admiro o trabalho de muita gente. Para além do Bocage, Shakespeare, Becket. Mas gostei de trabalhar com o Viegas, que era uma referência. Considerava-o uma espécie de Bocage dos nosso dias, um tipo incrível. Era um gajo muito mais mordaz do que se possa imaginar. Fazem falta tipos assim, esse tipo de actor não existe, toda a gente quer fazer a sua carreira certinha, o Mário estava-se nas tintas para isso, sempre foi muito caótico. Quando andava com ele nunca se sabia o que ia acontecer. Era um tipo muito revoltado mas que adorava viver e que extravasava para o espaço público toda a sua loucura, ele fazia de si próprio o espectáculo. Mais que polémico, era javardo, nada era sagrado para ele, tudo era passível de riso e de escárnio.» Miguel Gilherme

«MAS NELE É QUE ESPELHOU O CÉU»


Ocean Sky from Alex Cherney on Vimeo.

quinta-feira, julho 07, 2011

FUCK YOU VERY MUCH, TONY!

anthony.thomas@moodys.com

ADD: PASSOS ESTÁ A FALHAR GROTESCO

«… um bruáááá… e se já há avaliações mal feitinhas de tão apressados os prazos? E se, à luz das novas indicações, se (re)descobre que no ciclo avaliativo anterior houve escolas a contabilizar a assiduidade de forma diferente e os asteriscos foram falseados devido a critérios diferentes? E este é daqueles parâmetros que deveria ser objectivo. Agora pensem na manta de retalhos em que está a forma de apresentar evidências e de as mesmas serem avaliadas... Há quem peça a simples menção da actividade realizada para atribuir um Muito Bom e há quem peça documentação sobre o processo de realização da actividade para um mero Bom. Há quem exija um RAA de texto corrido, há quem o peça dividido por dimensões e quem o queira subdividido em domínios. Tudo teoricamente para seis páginas mas… lá vem truque – resguardando-se na possibilidade dos relatados incluírem os anexos que julguem necessários. Oitenta páginas foi-me contado por amigo aqui do deserto que viu um RAA, todo anexado. Sem ser para mérito, sequer. Garanto que há quem tenha entregue, para além do porta-folhas-dossiê, uma dezena de dêvêdês. Mas desde que os doutores Cavaco Silva, Nogueira Leite e Marques Lopes achem que assim é que é, os monos que se aguentem, em especial os contratados, mais precários, mais frágeis e mais vulneráveis a todo o tipo de desmandos. Hoje contava-me um colega que, algures pelo centro, uma colega contratada viu a classificação ser condicionada no ano anterior por estar com redução de horário, por motivo de aleitamento. Que descobriu isso em Agosto e não conseguiu encontrar apoio jurídico institucional (notem como evito afrontar os nossos representantes…) em duas organizações representativas e acabou por comer e calar. Isto é uma palhaçada. A peça de ontem da DGRHE – querendo moralizar as coisas – apenas ajudou a destapar as vergonhas que por aí andam. Será que chega a tempo de se perceber o fétido odor?» Paulo Guinote

ESPAÑISTÁN: «ESTE PAÍS SE VA A LA MIERDA»

LEGADO INFERNAL LEGADO A RIR

«A dívida pública directa do Estado português era, em Dezembro de 2010 de € 151.775.342.778,9 (151 mil milhões de euros). A 31 de Maio de 2011 era de € 164.347.649.580,02 (164 mil milhões de euros). Em apenas 5 meses aumentou 13 mil milhões de euros. Este é o legado de Teixeira dos Santos, José Sócrates e dos socialistas.» Gabriel Silva, Blasfémias

AGÊNCIAS QUE RATAM

AS MARCAS DO BOM COMBATE II

«Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé. Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor. Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.» Maria José Nogueira Pinto

PARA DECAPITAR ESSE COIO DE POLITIQUICE

«Por falar em 'dótouras', causas inteiramente novas e 'justiça': lê-se hoje num cantinho do Correio da Manhã que Cândida Almeida "vai investigar os arrendamentos, pelo governo anterior, de edifícios para funcionamento de tribunais; e respectivos contratos". Parece não haver caso que estas queridas não 'investiguem'; mas os resultados tardam ou sepultam-se nas estantes "Andy" - em caves. Já ontem também M.J. Morgado falou no "Estádio de Sítio" (lá para anagramas e nomezinhos temos nós habilidade...) peranto o Procurador, e chefias da PSP, que "O futebol em Portugal existia à margem do sistema de justiça - impune". Tudo isto é verdade e merece ser investigado; e depois levado à barra dos tribunais; e depois ter desfecho com condenações ou, pelo menos, conclusões em tempo útil. Mas não. Processos são constantemente abertos às dezenas (até conforme o calendário político) de forma autónoma e quase 'privada' por estas cândidas, sem que nenhum alguma vez chegue a bom porto. Pinto Monteiro declara-se impotente  usando malinha, tiara e um chapelinho dos anos 50. Também a familiaridade doméstica das procuradoras umas com as outras é estranhamente exibido nas têvês, sem pudor institucional, como aconteceu à procuradora-carla que se deitou com um perito/testemunha do caso submarinos-ferrostal. O MP está inoperante e, de coio de politiquice, passou também a clube-de-bairro onde se realiza o concurso da costureirinha. Por mais quadrado, lorpa, campónio e primitivo que o sistema de justiça americano seja (mesmo em NY) ele tem prazos para resolver matérias, casos, acusações; veja-se o caso DSK: o Procurador de Nova Yorque tem de prestar contas ao contribuinte e de decidir 'se vale a pena ir por aqui ou por ali'; e responder perante eleitores a quem interessa  SEM IDEOLOGIA  a segurança e o combate ao crime. Com resultados palpáveis e visíveis. Cá as procuradoras 'abrem mais um processo' ou 'investigam mais um caso'... Papel, mais papel, mais papel. Dr. Passos Coelho, Srª Ministra da Justiça, façam alguma coisa depressa! Decapitem Pinto Monteiro, ignorem as eventuais pressões do PR, demonstrem controlo, direcção, rumo e que algo vai mesmo mudar!!!» Besta Imunda

UMA CAUSA INTEIRAMENTE NOVA

Não poderemos expor, denunciar e vencer as agências de rating, levando-as ao tapete, como vencemos os indonésios por amor dos timorenses? Com a mesma mobilização e a mesma tenacidade?

SE É GUERRA QUE QUEREM

«Choque. Escândalo. Lixo. Resignação? Não. Mas sim, lixo, somos lixo. Os mercados são um pagode, e nós as escamas dos seus despojos. Isto não é uma reacção emotiva. Nem um dichote à humilhação. São os factos. Os argumentos. A Moody's não tem razão. A Moody's não tem o direito. A Moody's está-se nas tintas. A Moody's pôs-nos a render. E a Europa rendeu-se. As causas da descida do "rating" de Portugal não fazem sentido. Factualmente. Houve um erro de cálculo gigantesco de Sócrates e Passos Coelho quando atiraram o Governo ao chão sem cuidar de uma solução à irlandesa. Aqui escrevi nesse dia que esta era "a crise política mais estúpida de sempre". Foi. Levámos uma caterva de cortes de "rating" que nos puseram à beira do lixo. Mas depois tudo mudou. Mudou o Governo, veio uma maioria estável, um empréstimo de 78 mil milhões, um plano da troika, um Governo comprometido, um primeiro-ministro obcecado em cumprir. Custe o que custar. Doa o que doer. Nem uma semana nos deram: somos lixo. As causas do corte do "rating" não fazem sentido: a dificuldade de reduzir o défice, a necessidade de mais dinheiro e a dificuldade de regressar aos mercados em 2013 estão a ser atacadas pelo Governo. Pelo País. Este corte de "rating" não diagnostica, precipita essas condenações. Portugal até está fora dos mercados, merecia tempo para descolar da Grécia. Seis meses, um ano. Só que não é uma questão de tempo, é uma questão de lucro, é uma guerra de poder. Esta decisão tem consequências graves e imediatas. Não apenas porque o Estado fica mais longe de regressar aos mercados. Mas porque muitos investidores venderão muitos activos portugueses. Porque é preciso reforçar colaterais das nossas dívidas. Porque hoje todos os nossos activos se desvalorizam. As nossas empresas, bancos, tudo hoje vale menos que ontem. Numa altura de privatizações. De testes de "stress". Já dei para o peditório da ingenuidade: não há coincidências. Hoje milhares de investidores que andaram a "shortar" acções e dívidas portuguesas estão ricos. Comprar as EDP e REN será mais barato. Não estamos em saldos, estamos a ser saldados. Salteados. Portugal foi um indómito louco, atirou-se para um precipício, agarrou-se à corda que lhe atiraram. Está a trepar com todas as forças, lúcido e humilde como só alguém que se arruína fica lúcido e humilde. Veio a Moody's, cuspiu para o chão e disse: subir a corda é difícil - e portanto cortou a corda. Tudo isto não é por causa de Portugal, é por causa da guerra entre os EUA e a Europa, é por causa dos lucros dos accionistas privados e nunca escrutinados das "rating". Há duas semanas, um monumental artigo da jornalista Cristina Ferreira no "Público" descreveu a corrosão. Outra jornalista, Myret Zaki, escreveu o notável livro "La fin du Dollar" que documenta o "sistema" de que se alimentam estas agências e da guerra dólar/euro que subjaz. Ontem, Angela Merkel criticou o poderio das agências e prometeu-lhes guerra. Não foi preciso 24 horas para a resposta: o aviso da Standard & Poors de que a renovação das dívidas à Grécia será considerado "default" selectivo; a descida de "rating" da Moody's para Portugal. Estamos a assistir a um embuste vitorioso e a União Europeia não é uma potência, é uma impotência. Quatro anos depois da crise que estas agências validaram, a Europa foi incapaz de produzir uma recomendação, uma ameaça, uma validação aos conflitos de interesse, uma agência de "rating" europeia. Que fez a China? Criou uma agência. Que diz essa agência? Que a dívida portuguesa é BBB+ (semelhante ao da canadiana DBRS: BBB High). Que a dívida americana já não é AAA. Os chineses têm poder e coragem, a Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos... dos americanos. Anda a "troika" preocupada com a falta de concorrência em Portugal... E a concorrência ente as agências de "rating"? Há dois dias, Stuart Holland, que assinou o texto apoiado por Mário Soares e Jorge Sampaio por um "New Deal" europeu, disse a este jornal: é preciso ter os governos a governar em vez das agências de 'rating' a mandar. Não queremos pena, queremos justiça. A Europa fica-se, não nos fiquemos nós. O Banco Central Europeu tem de se rebelar contra esta ditadura. Em Outubro, o relatório do Financial Stability Board, que era liderado por Mário Draghi, aconselhava os bancos e os bancos centrais a construírem modelos próprios para avaliarem a eligilibidade dos instrumentos financeiros por estes aceites e pôr termo ao automatismos das avaliações das agências de rating. Draghi vai ser o próximo presidente do BCE. Não precisa de acabar com as agências de "rating", precisa de levantar-se destas gatas. Este corte de "rating" é grave. É uma decisão gratuita que nos sai muito cara. Portugal é o lixo da Europa. As agências de "rating" são os cangalheiros, ricos e eufóricos, de um sistema ridiculamente inexpugnável. As agências garantem que nada têm contra Portugal. Como dizia alguém, "isto não é pessoal, apenas negócios". Esse alguém era um padrinho da máfia.» Pedro Santos Guerreiro

quarta-feira, julho 06, 2011

ESTERTOR DO CAPITALISMO LOUCO

«O capitalismo sem território corre o risco de ser a sepultura dele-próprio (assim como a 'democracia'), pois não serve 'fim algum' senão a ambição de gestores bem-vestidos. Em 1929, o valor das acções era várias vezes superior ao total metálico de verdadeiro dinheiro em circulação  o que teria de ter um fim; isto apenas com telégrafos e periclitantes linhas telefónicas. O Fascismo não acabou com o capitalismo mas sim instrumentalizou-o  dominando-o: "um mal imprescindível ao progresso". Mas a desregulação da finança e da banca, assim como a informatização do dinheiro  cada vez mais virtual e traiçoeiro  aceleraram brutalmente o descontrolo por parte dos poderes eleitos. Que, valha a verdade, "não sabem o que querem nem para onde vão".» Besta Imunda

AS MARCAS DO BOM COMBATE

Vi, talvez há oito dias, um último debate, amistoso e quente, de Maria José Nogueira Pinto com Francisco Assis, no Jornal das 9, de Mário Crespo e compreendi. No seu rosto as marcas do combate mais sublime que um Homem pode travar e se ganha no paradoxo espiritual da perda, segundo a Esperança, nossa Rocha, contida nos Evangelhos. Compreendi a serena nobreza presente ali e compadeci-me. Maria José Pinto da Cunha Avilez Nogueira Pinto morreu nesta quarta-feira, de cancro no pâncreas, aos 59 anos. Era deputada à Assembleia da República eleita como quinta candidata na lista pelo círculo de Lisboa do PSD. Acredito que se terá regozijado com a eleição de Assunção Esteves, um dos sinais mais refrescantes e promissores na Política em Portugal, e acredito que, no seu trânsito, luzisse uma enorme esperança no nosso futuro.

AGÊNCIAS FUNERÁRIAS DE RATING

Convenço-me de que será preciso uma iniciativa global de fortíssima reacção às agências funerárias de rating liderada por Portugal. Nada como um golpe publicitário, um passe de escárnio com impacto planetário, uma mobilização do mundo português e da lusofonia. Só algo genial para inverter as proposições falaciosas das comissões de desmantelamento de países, famílias, pessoas contra essas comissões de desmantelamento de pessoas, famílias e países. Com estes três pilares da Humanidade não se deveria poder brincar. 

ENSINO: TRAIÇÃO AO FUTURO

«Como entrei para o ensino primário em 1971, como não tive irmãos muito mais novos, como não tenho filhos e porque não ligo aos meus sobrinhos, muito cedo (muitíssimo) deixei de me ralar com a Escola. Minha Mãe sim, pois era professora - e descrevia-me 'horrores' desde o gonçalvismo (milnovecentosesetenteicinqueiro), depois do gonçalvismo e já muito, muito depois do gonçalvismo. Como tive de estudar que nem um animal de carga para poder entrar no IST (onde depois se chumbava alegremente e às centenas largas...), estas questões "dos exames como 'instrumento apenas'(!)", da "avaliação" (seja de alunos ou professores) e "políticas de educação" deixa-me sempre nervoso e com vontade de vazar olhos. À Escola exige-se que: 1- exista fisicamente. 2- que essa existência passe por edifícios e por pessoas. 3- que essas pessoas cumpram a parte que lhes cabe, o professor obrigado contratualmente a ensinar; e o aluno obrigado a estudar e a saber. Se o aluno não sabe, deve CHUMBAR E REPETIR O ANO AS VEZES NECESSÁRIAS PARA SABER. 4-que os programas sejam exigentes, estimulando e puxando pela cabeça das crianças/jovens - e não O CONTRÁRIO sendo apenas uma colecção de 'conceitos' (!!!) confortável para meninos, professores, papás e mamãs e pedagogos enquistados em confortáveis e esquerdistas gabinetes de Lisboa (que mais não querem senão perpetuar a falácia do "Bom Selvagem" e adaptar a realidade a estatísticas queridas). 5- que os programas contenham MATÉRIAS FUNDAMENTAIS E ÚTEIS PARA QUALQUER CIDADÃO NO FUTURO, assim como para o PAÍS QUE GASTA DINHEIRO A ENSINAR; ou seja, que ensinem a RACIOCINAR, PENSAR, LER, ESCREVER, CONTAR. Poderia continuar aqui a bradar e a chorar, mas não o farei. Apenas refiro que alguém, lucidamente, disse que "igualdade de oportunidades não significa igualdade de resultados". Tudo o resto se deveria submeter a isto. Desmantelar novelos burocráticos, carreirismos, comodismos, teimosias e teorias puramente corporativas e subjectivas é URGENTE. A Escola deve servir o País, a sociedade e o futuro. Na Índia existem milhões de meninos que sentados na lama aprendem em quadros clássicos a calcular rápido e com superiores resultados.» Besta Imunda

«MESMO QUE PASSOS SEJA UMA ALFORRECA»

«Mesmo que Passos Coelho seja uma alforreca da governação, a equipa que lidera saberá impor-se e impor aquilo que são, à partida, propostas esclarecidas.» Tiago Moreira Ramalho

INFERNO DO RATING HERANÇA DE SÓCRATES

Fraqueza e Desconfiança. Afundar Portugal. Cevar o PS
Ainda que as agências de rating manifestamente não passem de instituições à margem da lei, da moral e do bom senso, uma mafia infernal, sita nos Estados Unidos e ao serviço do dólar, moeda moribunda, esmagando Estados vulneráveis, punindo cidadãos indefesos, a verdade é que, no caso português, o que avulta é o pesadíssimo fantasma de Sócrates que paira ameaçadoramente sobre o destino de Portugal. O homem que alegremente nos endividou sem freio durante seis anos está na base de quase todos os pressupostos e pretextos para este último corte criminoso do rating da República anunciado pela Moody's. Este e anteriores. São os actos que definem os políticos. Ora, os actos de Sócrates foram actos de dívida compulsiva, de favoritismo esbanjador, de populismo subsidiarista, de optimismo gastador saloio. Sócrates está rico. Portugal está mais pobre. A herança socratina, lixo em política e em moral, é, portanto, pesada e a causa primeira. Terá muito tempo para estudar, em Paris, a merda que nos fez. Nós, em face dos actos, frutos e efeitos do socratismo, teremos muito tempo para pensar se é ou não imperioso criminalizar e punir esqueletos vaidosos estéreis, cuja gestão danosa da Coisa Pública enterra a esperança e a prosperidade de um País por muitos e bons anos.