segunda-feira, fevereiro 24, 2014

PAGOU-LHE VINTE E CINCO LUÍSES

William Shakespeare
Tratava-se de uma destituição de um mestre-escola;
Pellerin retomou o seu paralelo entre Miguel Ângelo e Shakespeare.
Dittmer ia-se embora.
Arnoux apanhou-o para lhe meter na mão duas notas de banco.
Então, Hussonnet, julgando o momento favorável:
 Não poderia fazer-me um adiantamento, querido patrão?...
Mas Arnoux tinha voltado a sentar-se
e repreendia asperamente um velhote de aspecto sórdido, com lunetas azuis.
 Ah!, arranjou-a bonita, tio Isaac! Eis três obras desacreditadas,
perdidas! Toda a gente se ri de mim! Agora já as conhecem!
Que quer que eu faça? Tenho de mandá-las para a Califórnia!... para o diabo! Cale-se!

A especialidade do sujeito
consistia em pôr, na parte de baixo destes quadros,
assinaturas de mestres antigos.
Arnoux recusava pagar-lhe;
despediu-o brutalmente.
Depois, mudando de maneiras,
cumprimentou um cavalheiro condecorado,
empertigado, com patilhas e gravata branca.
Com o cotovelo encostado ao fecho da janela,
falou-lhe durante imenso tempo,
com ar meloso.
Por fim, rebentou:
 Eia!, não me custa nada ter correctores, sr. conde!
E como o fidalgo se resignasse,
Arnoux pagou-lhe vinte e cinco luíses,
e, assim que ele saiu:
 Como são maçadores, estes grande senhores!
 Todos uns miseráveis!  murmurou Regimbart.

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