segunda-feira, abril 28, 2014

ESPETO DA SITUAÇÃO

Não trabalho oficial e normalmente desde Outubro de 2012. Sempre cumpri escrupulosamente todos os meus deveres fiscais. Os meus rendimentos globais são abaixo do zero da dignidade, como acontece com milhares de pais de família em Portugal, nos últimos três ou mais anos. Não me mexo, não dou um pio, não clandestinizo laboralmente a minha vida. Nunca o fiz. No entanto, pelo menos desde 2005-2006, o Fisco descobriu e inventou para mim os mais estapafúrdios incumprimentos, as dívidas fiscais mais manhosas, e os juros de mora da praxe, incidentes fiscais que fui pagando conforme pude. E não posso. E continuam. Sou até um sincero entusiasta do trabalho global do competentíssimo Paulo Núncio. Pessoalmente, não sei como apode a minha situação pessoal senão de um espiral depressiva. Depois de esbulhado pelas consequências da Bancarrota, macerado pelo desemprego no Ensino, perseguido pelo opressor BES e pelo persecutório Fisco, resta-me o quê?! Há alturas em que se me evapora toda a esperança.

4 comentários:

Anónimo disse...

O que possa restar ou deixar de restar de nada interessa. Cada um de nós, impostados ("cidadãos" há muito que deixámos de ser e para ser "contribuinte" é pressuposto, se não uma voluntariedade, pelo menos um módico de justiça, de proporcionalidade, de bom senso que o fisco em absoluto despreza), é - após um cada vez mais breve período de utilidade - um ente perfeita e desejavelmente descartável.

Depois, como é evidente, de metodicamente despojado de tudo (a tal utilidade). Dos seus bens aos seus sonhos, se necessário e sem qualquer pudor reduzindo-o à vergonha, à desonra, à indigência. E culpando-o por isso.

Costa

José Domingos disse...

Esfolados até ao tutano. Aos banqueiros devedores, perdoam-se as dividas. para o ilustre desconhecido, uma divida até dá prisão.
Os estados de direito têm destas coisa.

Anónimo disse...

Percebo perfeitamente o que escreve, vivo situações idênticas ás suas compartilho os mesmos sentimentos em relação ao meu País.
Sinto que fui atropelado por uma corja de comissionistas desonestos apelidados de políticos que quando atingiram os seus objectivos, todo o esforço foi concentrado em governarem-se em vez de GOVERNAR o PAÍS.
Eles nem têm a noção da dimensão da responsabilidade que lhes foi conferida porque como indevidos totalmente desprovidos de caractér e de ética não tinham DIMENSÂO MORAL
para ocupar os cargos que ocuparam.
Por outro lado nós como povo nunca vamos aprender que ir atrás dos cânticos de sereia da DEMAGOGIA nunca leva a bom caminho.
Em 40 anos fomos TRÊS VEZES ao charco, nunca ouve responsáveis apesar de todas as malfeitorias
que Portugal foi sujeito.
Se ler Guerra Junqueiro in Pátria vai ver que um texto com mais de 100 anos está perfeitamente actualizado.

Anónimo disse...

Se calhar o Núncio não é assim tão competente. Mas quando não se quer ver...