quarta-feira, fevereiro 28, 2007

terça-feira, fevereiro 27, 2007

INSURGÊNCIA


Contra tudo e contra todos,
alçarei os punhos,
punhos bem fechados hoje.
Os punhos fechados hoje
é uma esperinha verbal aos ladrões públicos, às mentiras públicas,
à treta que os ingénuos engolem - 0,4 % menos pendências na Justiça? Bahh!
Tretas e mais tretas! Resultados da treta.
Esta mentira enorme que é Portugal!
Portugal anedótico,
Portugal fisico-quimicamente impróprio para consumo
tetraplégico do para onde ir,
Portugal das empregadas despedidas, lançadas fora, depois de gastas,
se grávidas, se doentes crónicas, se com problemas nas válvulas mitrais, se com um tumor no cu, rua, que cada qual só vale o que vale, só vale o que tem, só vale o que produza,
portanto, não vale nada;
Portugal dos manhosos, falsos, desequilibrados e invejosos do outro no local de trabalho,
enchendo de psicótico, de denúncia pidesca,
de descabelamento, desproporção e despropósito
o teu dia-a-dia de trabalho;
Portugal dos Zé-Maneis Figueiredo-Café com Leite,
esses canoros paneleiros inúteis, esses animais do Tribunal, esses complicados, esses nojentos, esses sebosos,
sempre a atrapalhar a pouca normalidade que há em Portugal com a anormalidade de serem perfeitos filhos da puta, cabrões do litígio gratuito e evitável!
Portugal pequenino a comparar-se com gente.
Portugal sem camas de hospital urgenciais, mas com OTA's, mas com TGV's,
nessa salivação subdesenvolvida por tudo o que é moderno, desenvolvido e alheio.
Portugal, sempre tão megalómeno e sempre tão roto, país pobre, país-favela,
de gente, os cabrões,
cada vez mais rica;
Portugal das taxas moderadoras na Saúde e directorias-gerais imoderadas nos ganhos,
nos prémios da inutilidade,
Portugal das benesses e favores, da desmatação selvagem
com vista ao lucro fácil da construção civil,
Portugal espremido de défices, de deficiências e definhamentos sociais,
mas sorridente e luzidio a propósito das desmaternidades,
o pão do desânimo é Portugal,
a côdea do nada é Portugal,
Portugal, filho da puta para os portugueses,
esses desinformados e afadigados de trabalhos que não dão por nada, que não se sentem,
mesmo acabados de enrabar,
ó coragem tão elogiada de fodê-los bem,
que anda a acometer estes executores políticos de hoje;
Portugal dos empresários mercadores de escravos,
dos sonegadores de umas migalhas de euros a mais em cada salário de merda que pagam,
a mulher de limpeza que limpa até ao reumatismo,
o torneiro mecânico que manipula máquinas até ao esfolamento dos dedos,
Portugal, empregador de imigrantes, a quem fica a dever vencimentos,
a não ser que uma faca se lhe encoste à carótida desonesta,
porque só assim é que é já a seguir.

Portugal futebolíneo, ronaldesco, mourinhado e nada mais,
Portugal que se abaixa em tudo ao futebol, que autoriza tudo em nome do futebol,
das pequenas estrelas adolescentes vilãs na escolas,
dos pequenos tiranos adolescentes adulados e à solta nas escolas
por serem activos humanos e grandes promessas de ganho dos clubes grandes de futebol;
Portugal ganancioso e a cagar-se para a ética e para o bom senso;
Portugal cheio de mediocridade adulta por cada idoso abandonado,
que tem de pagar (e falta quem se abaixe) para que lhe limpem do cu a merda,
pois não há filho ou neto que lhe valham,
estão longe, a masturbar-se diante das roupas de marca.
Portugal inexistente e risível no meio do mundo que desconhece que Portugal exista,
Portugal que finge jackpotes, que brinca aos totalistas que não se vêem em lado nenhum,
Portugal dos barramentos informáticos a quaisquer prémios em apostas múltiplas,
Portugal do faz-de-conta das lotarias e das raspadinhas que não saem nunca a ninguém,
Portugal que chupa o sangue aos bebés... esses inimigos terríveis do laré adulto,
empata-fodas do caralho, os empecilhos,
Portugal recordista do matar mais um!
Portugal, poço-sem-fundo dos casinos e das casas de putas com classe,
as casas e as putas, o céu da dança-do-varão em terra de monótonas e frígidas fêmeas,
putas romenas, lituanas, polacas, ucranianas, russas, sul-americanas, africanas,
putas para todos,
elas, que se sentam ao nosso lado,
elas, que se vêm roçar em nós,
elas, que efectivamente roçam em nós,
elas, que nos põem a mão
e nos tocam e dançam despidas, despindo-se,
diante da baba que nos acontece por isso mesmo,
a nós, que nunca vimos uma mulher,
a nós, que nunca vemos pessoas na mulher,
a nós, que só vemos nelas os apetrechos-mamas, só o acesório cona, só o aparato fêmeo,
a nós, que parecemos deputados extremamente profissionais e compenetrados
em gritar aqui-d'el-reis de protesto no Parlamento
das nossas erecções desesperadamente activadas por elas
para urgências de glória fodilhona aprazível num espaço privado
perfeitamente do conhecimento público,
nada que sessenta ou seissentos euros não paguem.

Portugal, ah, ah, ah, Portugal de esquerdistas-marxistas perdidos, dinossauros do equívoco que matou milhões,
de esquerdistas-marxistas do umbigo para baixo, marxistas perdidos esquerdistas, dinossauros, mas estalinistas-leninistas do caos antidemocrático do estômago para cima.
Portugal-de-rir nos telejornais e nos concursos das TV's, mas de rir à gargalhada,
tal a miséria por dentro em tudo.
Portugal de chorar.
Portugal do agora é que é, mas que nunca é.
Portugal que engana, que trai, que tece quantas partidas e patranhas há
aos portugueses,
à gentalha,
ao fornecedor do voto,
ao mal necessário.

Eu não mereço tal Portugal.
Tal Portugal não é digno de mim.
Este Portugal é dos espertos e dos cabrões.
Não nasci apetrechado com tais características fundamentais e lógicas,
por isso já estou pronto para morrer pobre e completamente inglês,
inteiramente estrangeiro para esta merda.
Este Portugal não é digno de mim.
Este Portugal esperto e cabrão devia beijar o chão português que piso,
é ele, porém, que me pisa a mim.
Dá-me náusea que uma terra como esta,
depois de tanto me ter fodido e defraudado,
a mim e a muitos,
me vá ainda por cima comer um dia.

domingo, fevereiro 25, 2007

AHMADINEJAD OU SISUDOS RIMOS DO MUNDO


Não se ponham a pau, não.
Limitem-se às falinhas mansas e verão.
Cada queixo é aqui um Queixo do Mal,
para não falar do que se passa
nestas pobres dementes cabecinhas calcinadas.

sábado, fevereiro 24, 2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

NÍTIDO ÁLVARO DE CAMPOS EM DOMVS LIA


«Ode Triunfal», «Tabacaria»
e dezenas de poemas mais,
naquela noite longa e excitante,
em que os nossos olhares
enleados, intensos,
se cruzavam,
e aquela mulher paranóica e brilhante
partilhava o seu génio, a sua intimidade
na sua escrita ousada,
inteligente,
a «Ode» e dezenas de poemas mais
eu os declamava sucessivos cheio de prazer e paixão.
Garrafa e meia depois,
em domvs Lia, tudo estava desfocado, fosco, baço para mim,
menos o texto [meu Deus, que prazer aqueles versos vibrando na agudeza dos meus sentidos, retinindo em eco no meu espírito na mais completa identificação, «Poema em Linha Recta»!
«Poema em Linha Recta»! Poema em Linha Recta»!]
era, ainda e sempre, a poesia a inebriar-me.

Seria a possessão do whiskey que me fazia dizer e redizer,
verso a verso,
aquele Campos delicioso todo?
Seria aquele ardor no coração,
aquela alegria completa da palavra certeira,
da inflexão oportuna, da dicção e do ritmo exigidos por cada frase?

Eras tu, minha mulher!
Éramos nós!
Era a hora da paixão amorosa que irrompia!
Pois tal hora dura igual!

COMO UM SOL DO MEIO-DIA


E, de repente,
todos lhe sorriem - é como se a tensão excessiva,
o pânico absurdo que a Lei incumprida, ou inescrupulosamente cumprida,
que todos viam na sua actuação confiadíssima,
gerara
num ou noutro, para não dizer em quase todos, menos nele,
toda se dissipasse para passar a haver
(conforme deveria ter havido sempre)
somente pessoas e não angústias legais,
somente um olhar,
um sorriso de confiança,
um encontro limpo,
sem mais receios,
sem o pé atrás da Lei,
sem a má-fé da Lei.

Todos lhe sorriem ou não passam de dois ou três pares de olhos
a olharem-no pacificados e benevolentes?
Que fosse um par apenas,
vale por tudo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

MONÓLOGO INTERIOR DE UM JOGADOR RELEVANTE ANTES DE E DURANTE UMA FLASH INTERVIEW


[Pronto, são eles, os jornalistas. Lá vêm. Calma, fica calmo.
Não exageres nos aaaaaaaaaaas e nas repetições, quando não souberes o que dizer.
«Penso, penso que o jogo, o jogo, foi bem, foi bem disputado. Aaaaaaaaaa...»
Porra, não te avisei?! Fala naturalmente. Agora não gaguejes.
«O jogo, o jogo correu-nos de feição até ao inter, até ao intervalo... Aaaaaaaa»
Foda-se, gaguejaste, disseste «o jogo, o jogo e até ao inter, até ao intervalo».
Também estes jornalistas esticam-se. Perguntam sempre a mesma merda
e naturalmente um tipo responde sempre a mesma merda.
Falar como o Figo? Não, que já não há ali o português-língua.
Falar como o Mourinho... Complicado.
Eh, pá. Nada de esfregar o olho esquerdo.
Foda-se, já está esfregado. Mania do caralho mexer no cabelo,
coçar a cara,
mexer na orelha,
esfregar um olho.
'Bora, nada de mexer na orelha. Foda-se, já mexeste.
Pronto, está feito: falaste. Um minuto diante das câmeras
há-de ser sempre esta coisa cabeleireira e manicure.]

MOURINHO E OS ESPERANÇOSOS NO JOGO


A todos quantos, apostando, por aqui e por ali,
com um eurito ou dois,
tentam e tentarão ganhar um prémio qualquer em ponto grande,
janela de sonhos e de derradeira libertação,
numa raspadinha aldrabona qualquer,
numa qualquer fracção impossível da Lotaria Popular,
ainda que muitos critiquem a fonte de esse remoto ganho,
a sua origem ociosa,
a fama ruim de ter sido o jogo,
e não o trabalho, a premiá-los,
aos que tentam e tentarão, por aqui e por ali,
a minha homenagem.

Frases cínicas como a de Mourinho,
sempre em pose majestática,
é que se dispensam:
claro que ele «não gasta uma libra» em apostas,
[os ingleses gastam rios de libras nelas!]
queira ou não atingir Ferguson ou Ronaldo nas suas apostitas de milhares.
Ele não aposta porque não tem nada mais a ganhar para além daquilo que ganha.
Não é porque lhe custe sangue o trabalho que não aposta.
Não é porque lhe custe mais a ele o dinheiro que ganha.
É porque já tem despreocupadamente imenso, desanuviadamente de mais
e que chegue que não aposta nem lhe serve para nada apostar.
Por sua vez, é porque têm de menos [quantas vezes menos que o menos]
que milhões de seres humanos normais,
na normalidade do seu desespero e ingenuidade normal,
esmagados, usados, pisados, ptelecados de precaridade em precaridade,
subpagos, ainda que sobreesforçados,
apostam o pouco que podem
em Portugal, na Guiana Francesa
e na China,
lá onde o resto do mundo é asno.
Mourinho que não se arme em Pitonisa de Delfos
dos tempos modernos,
tão peremptório é em quase tudo,
oráculo infalível no receituário do sucesso,
até no seu inglês 'irrepreensível': «I sink this, I sink that, I sink!»
Como se vê, o futebol vive de afundanços,
é um basquete esquisito
que também se joga com a língua.

REVOLUBLOGAÇÃO


A cada dia a sua luz,
as migalhas, o pouco, a saúde e o sorriso,
a cada dia a sua luz.

Fira-nos embora o olhar-facalhão,
a trincha-talhante dos que se incomodam
que existamos por isto e por aquilo - não suportam desalinhados;
desinfectem-nos eles laboralmente de nós mesmos e do que representamos
por insistirmos em resistir, resistindo,
rejeitando o fatalismo da democracia totalitária,
ainda que sorridente.
A cada dia a sua luz,
luz de migalhas, de pouco, luz, mais luz a cada dia.

Governem embora, os que governam, contra nós,
espremendo-nos entre a unha e a unha
como boas e populares pulgas,
queiram-nos produtivos rebarbáveis,
servis e obedientes,
terão de suportar-nos o «NÃO»,
terão de suportar que os vejamos tais quais são: mentirosos, manipuladores compulsivos,
terão de suportar este nosso avesso aos discursos e à imagem politicosa,
sabendo, como sabemos, que não há nem discurso nem ideário
porque a PESSOA HUMANA desapareceu dele,
a não ser o ideário da limpeza das contas,
a não ser qualquer coisa misteriosa e inefável como «mais riqueza»,
«maior produtividade» e fiquemos por aqui.

Em Portugal há esse desprezo pelo Povo,
esse olhar condescendente para com ele,
como se nada restasse senão ser ele desprezado
no seu primarismo automóvel,
na sua preguiça tecnológica...
na sua sinistralidade no dia-a-dia laboral de Empresa Pública negligenciada:
«Quando é que esta gente pára de morrer
de morte naufragada ou morte derrocada,
comprometendo os números de esta governação cheia de pulso?»

Há só um caminho: a revolução da democracia,
a democratização da democracia,
torná-la imediata,
torná-la directa,
torná-la inteira,
garrotear a plutocracia em vigor
e enforcá-la no seu egoísmo de nojo,
não haver em Portugal gente como Paul Newman!

Revolublogação - dar as cordas e as nozes a quem tem dedos e dentes -
corroer já e em força a espessa mentira
que rege esses sorrisos politicamente correctos,
que inspira essas fachadas de firmeza,
que motiva esse conluio com os cada vez mais ricos.

Estou farto de migalhas e de pouco!
Paguem-nos como na Califórnia, ora o diabo!
Paguem-nos como em Madrid ou em Berlim,
como em Londres e Paris,
não trabalhamos menos cá que eles lá,
portanto, paguem-nos ou vão-se foder,

se não nos pagarem!

Que merda!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

SÓCRATES NÃO, OBRIGADO!


Depois de séculos de sonho nevoeirento por homens providenciais,
cansámo-nos e ficamos órfãos de líderes providenciais,
sebastianescos que somos até à medula.
Portugal sente que, sem chicote, não vai lá.
A esquerda providencial, as referências de esquerda,

os logros de esquerda, são, no mundo inteiro,
toda uma relíquia do franciscanismo definitivo nunca concretizado,
nunca concretizável.
Sócrates é só o programa em vigor do capitalismo selvático:

o fim da questão social, das regalias e dos regabofes da pobre gente pequena,
dos direitos e dos Direitos,
é a guerra ao indivíduo servida a frio.

O pau socrático é isto apenas.

Quem gostar que o aguente.
Por mim, prefiro áfricas
a esta mentira lavada em telepontos
com vozeios musicais
estudados pelo seu departamento
de imagem e pronto a vestir.

JÚPITER ADÚLTERO


A águia metamórfica joviana
[que agarra fumegante feno,
quanta simbologia de tusa há
em que o feno arda!]
sabe que Júpiter mente.
Sabe Júpiter que mente consabidamente.
Juno sabe que Júpiter mente.
Todos sabemos que Júpiter mente.
Mas que Júpiter lhe implore e se desculpe
é apenas uma questão de Juno nua, ali e agora,
na sua apaziguadora cama
ou a paz pelo sexo.

INVOCATIO


A escarpa,
a longa lança belerofonteana,
morta a Quimera,
serena a montada,
alada,
dada a patada,
bebe a hipocrénea água
que ali brota.
Dar-ma também a mim
por que dela beba,
rédea de ouro solta,
solto e louco fique
de inspiração em inspiração
poiesis de fogo,
olhar em riste.

FERNANDO, PESSOA-PAVIO


Para que a língua fosse o que é,
fizeram-se vítimas, sacerdotes e loucos dela
os poetas.

Pessoa não casou,
[e mesmo que casasse não teria casado]
não foi gente comum,
mas o incomum dentro da gente,
e a obra que ficou,
estrume que fecunda a língua
- debruçamento em Penélope-novelo,
enrolado, desenrolado, enrolado.

Ao ver-te, Fernando, velho, calvo,
nessas fotos de fim funesto
[fico fulo por te teres finado!],
precoce em tudo,
até na velhice,
afagando a cirrose amiga, mais vinho,
passaporte para o não saber o que vinha,
vejo o que fica de uma vela:
o pavio consumido, grisalho-negro,
fumegante cinza,
extinta a cera,
extinto o ser.

ALVÉOLOS


A vida por uma Obra?
A glória desta pela brevidade encanecida, encarquilhada, daquela?
Dispa-se a árvore,
folha a folha,
e o vento por entre ela,
lamba a traqueia-tronco,
da árvore-brônquio,
e passe em sopro bronquíolos-ramos,
fusão de azul respiratório.
No enigmar da morte muda
vertam-se metáforas
de luz em festa,
abandone-se cada qual
ao que vem
ser seiva nova,
invisível certeza de sentido
só depois do livro lido.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

HIPOGRIFO MONTADA


Rogério Livra Angélica por Jean Auguste Dominique Ingres,
pintado em 1819, retrata a cena do Orlando furioso na qual Rogério,
montado num hipogrifo, resgata Angélica.
A face cor de fogo
a cegar-te, nudez vencida,
no alguidar de ouro com que amas,
alada montada,
ainda que arremetas e golpeies,
esses caninos
que ta não rasgaram,
essas unhas negras que ta não bipartiram,
ventre aquoso,
por que visses um coração morto,
espalhadas as vísceras,
aguardarão por teu espectro,
seguir-te-ão ao limbo
onde a morte reduz o tudo
ao seu nada.

PAULO QUERIDO OU O BATER NA CANSADA TECLA


Bolas,
João Jardim,
que já deu mais páginas na blogoesfera nacional que governo e sexo juntos,
é apenas uma fatalidade democrática,
atura-se bem melhor que o obsolutismo democrático musculado
e confrontador de José Sócrates
e, ainda por cima, é mais antigo,
por isso só se pode ser benévolo e indiferente
para com ele.
Toda a gente quer fazer literatura e brilhar
macaqueando o João Jardim,
toda a gente quer fazer trejeitos de nojo,
em honra da verdadeira democracia,
por Jardim, produto dela, ser o que é e como é.

Este post de Paulo Querido é só mais um:

«Em matéria de democracia, o grande ídolo de Alberto João Jardim é sem dúvida Fidel Castro. Como o aluno ultrapassa sempre o mestre, Jardim conseguiu desenvolver a ilha à custa do continente, algo com que o velho estadista nem pode sonhar. No resto, as semelhanças são cada vez maiores, notando-se o perfeccionismo crescente de Jardim. Tal como em Cuba, quem podia opor-se já se pirou da Madeira para as floridas deste mundo. Tal como Fidel, Jardim já não precisa de puxar pelo “eleitorado”, que maçada e trabalheira, refinemos: basta subverter as regras do regime e o sistema naturalmente recondu-lo no posto.E à semelhança de Cuba e de Fidel, aos madeirenses em particular e aos portugueses em geral só resta a esperança na passagem do tempo para devolver à ilha alguma hipótese.»

IN ABSENTIA INUTILIA


Não permitas que te enodoem a hora,
ela segue vibrante e leve,
nada te molesta,
nada te vulnera,
nada conta que te doa,
não permitas que te enodoem a hora,
esquizofrénicos badalhocos vêm,
esquizofrénicos badalhocos vão,
mas não permitas que te enodoem a hora,
deixa que apodreçam doentes no meio da própria caca de galinha,
e vê naquela voz de demónio impotente,
naquela voz de indecentes decadências,
somente a carniça desintegrada do malévolo,
somente a inveja sua
fedente, que a morte espreita,
para melhor o levar
para o raio que o parta.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

POÉTICA


Para haver poema
não é preciso mais: estes poros,
que tudo sentem e com tudo vibram,
uma toalha
[longa, enodoada de vinho ou molho,
gotículas de cerveja,
o halo de um copo que ali pousou,]
de papel onde escreva,
tinta que tinja azul
para dizer
o que nem esta mão
nem esta mente
nem nada
nem ninguém
suspeitam enterrado.

Até à erupção
da forma
e a forma ser lava,
e a forma expulsar de si-lama,
pureza sequiosa
vital,
de indizível glória.

RÓSEO ANELO


Quero beber cada aurora,
com o seu silêncio,
com os seus odores a floração adocicados,
antecipando Primavera.

Quero passar lá, onde as pombas pousam
e os melros, em bando,
rebanho, rebando,
veteroclericais,
pastoream a natureza,
e se reunem, insectivorando os solos verdes
onde se pasta a paz.
Quero pelo menos saber que posso fazê-lo,
mesmo que por dentro apenas,
em sono, em sonho.

Quero guardar as róseas auroras,
anúncio de luz,
fulgurações de beleza, de vida,
- esta paz igual a quando se acaba de nascer
ou de morrer.

domingo, fevereiro 18, 2007

MISTÉRIO DA EDUCAÇÃO


Os parlamentares têm de argumentar
e argumentam flexivelmente,
bolsa de valores-camaleão
e de ideias-camaleão.
O fim anunciado dos exames do 9.º Ano
é uma boa medida?
É, porque implica economia de recursos mobilizados:
papel, polícia, examencorrectores.
Não é, por causa do facilitismo que institui.
É, porque cada vez se aprende menos e isso patenteia-se estatístico;
Não é, uma vez que a sua manutenção permitiria pôr a nu
as insuficiências do ensino e das aprendizagens [a presente desmobilização
cansada, exausta, rente ao chão, dos docentes-coisa-de-chutar].

O Ministério da Educação é uma força da natureza:
trabalha para as estatísticas como o castor para a represa.

sábado, fevereiro 17, 2007

MÚLTIPLO


Há um país idoso,
cheio de crateras emocionais,
hidropsia e fealdade,
que me olha judicativo.
Acha que eu devia ser o guerreiro,
aquele que faz violência aos maus,
desembainhando a espada santa da lei.

Não sou nenhum guerreiro.

Em dias como o de hoje
sou o maior dos sem-abrigo,
estou nu, alinhado com outros,
para um duche com Zyklon B,
prestes a ser nada,
sou uma das vítimas a perecer no altar,
em honra de Uitzilopochtli,
extirpado um coração palpitante.
Insecto que voa ao vento,
poalha que rebrilha à luz,
vou não sei aonde
o meu âmago me conduz.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

FERNANDA CÂNCIO - A ANTI-OBSTETRA


O expoente da democracia de mercado é ela,
as ideias mais atraentes e mais fáceis de vender,
os gato-por-lebre dos ideais e das causas, são dela;
é ela a máxima defensora da mulher inteira;
só ela vê a luminosa verdade e a luz ao fundo do túnel da espécie humana:
controlar à vontadinha esta tragédia que é estar grávida,
só ela ampara e defende a tragédia da gravidez,
o atentado à autodeterminação e liberdade de movimentos que é ter uma,
a monstruosidade que é ter uma
a meio de planos transatlânticos
e ilhas Fiji,
e uma operação urgente aos seios,
e uma lipoaspiração imprescindível,
só ela compreende e ampara a moça abortiva que morre no processo,
só ela chora as milhares de vítimas de fodas mal paradas,
angustiadas e perdidas
depois de ter sido bom,
de ter sido tão fucking bomgood;
ela apenas é a certeza absoluta de estar certa
e é bom, grandiloquente e tocológico, que se saiba isto:
que a Fernanda é uma fonte de bem-estar e felicidade,
que todos queremos estar à beira dela, ao pé dela.

É isso: ela é a glória tranquila do aborto!
Foi você que pediu um?
Consulte a Fernanda Câncio - anti-obstetra contra Deus e o Diabo -,
que é sempre a andar!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

DEVERÍAMOS TREMER


'Homenagem' ao blogue A VIDA BREVE...

E à Caixa de Pandora:

«Feijãozinho sem rosto»?
O caralhinho!

Há toda uma mundividência seca por detrás de certas frases
que nunca poderemos esquecer,
ainda que não tenham passado de provocatórios
tiros esfumados de campanha:
é a gloriosa esquerdice de pensar-se do lado certo da 'modernidade',
quando se está só, como aqui bem se escreve,
do lado obeso e obtuso.

SÓ QUERIA ESTAR NA NOVA ZELÂNDIA


Comet McNaught Over New Zealand Credit & Copyright: Minoru Yoneto

Explanation: Comet McNaught is perhaps the most photogenic comet of our time.
After making quite a show in the northern hemisphere in mid January,
the comet moved south and developed a long and unusual dust tail that dazzled southern hemisphere observers starting in late January.
Comet McNaught was imaged two weeks ago between Mount Remarkable and Cecil Peak in this spectacular image taken from Queenstown, South Island, New Zealand.
The bright comet dominates the right part of the above image,
while the central band of our Milky Way Galaxy dominates the left.
Careful inspection of the image will reveal a meteor streak just to the left of the comet.
Comet McNaught continues to move out from the Sun and dim, but should remain visible in southern skies with binoculars through the end of this month.

NOVO CARTÃO DE IDENTIDADE


Depois de ver a euforia socrática
por causa de um pedaço sofisticado de cartão,
fiquei assim.

Gostava de saber a que se deve tanto entusiasmo
primoministerial nos Açores por causa de um cartão com um chip
e a totalidade dos dados dos indivíduos
lá reunidos?

Devemos celebrar ou ter medo, ter muito medo?
Pode ser o princípio do fim da salvaguarda da nossa intimidade
e do recato daquelas informações delicadas que nos pertencem só a nós,
mas não nos definem.

Se esses neocartões de identidade passarão a ficar-nos à mão
porque resumem tudo,
também ficarão à mão de quem indevidamente os apanhar.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

MAGNA BOLHA


Mangusto, magenta,
magnólia benta,
sulfúrea tumba,
plena sebenta
de magna macumba.
Saber ou não saber
o mais que se diga,
num poema despido, esventrado,
neto, conciso,
jorge, preciso,
lambido, neutro à esquerda,
à direita verbal, suma quadriga,
galga esfumadas arenas,
e é quadris em fúria,
coito, pernas,
feroz e fantástica briga.

DORMENTE


Um dia doce abrindo em gradações de azul,
um vento suave batendo no rosto como lençol acetinado drapejando macio,
o som gotejante d'água pingando,
após a chuva,
aqui chapa, ali papel, acolá pano...
e este sono tão grande e pegajoso,
húmido, vaporoso.

Espirro! Bocejo! Fungo!

O deserto à volta acerca-se
e todos os desalmados saem às ruas
para se saciarem de um sangue novo a efundir legal,
mas ilícito quando ilícito quer dizer injusto.
Eis a modernidade chinesa,
o controlo da natalidade através da misoginia precoce, guilhotinante,
eis a relatividade europeia, no seu desaparecimento demográfico
e dissolução cultural,
troca de pele-cobra nos valores.
Pensava que o Estado - supunha que César! - defenderia César,
quando nos pede que lhe demos o que é dele.

Mas César é um fora-da-lei, venal e mundano.
Não vale o que um gato enterra.

Que sono! Mas que sono, Meu Deus!

DEITAÇÃO DE BRUÇOS


De bruços sobre o poema,
sempre,
de poema em poema,
até ao poema final:
quando estas dores,
quando estes espinhos,
quando estas ingratidões,
quando estes combates,
quando estes partos perpétuos da verdade,
quando estes lanhos d'alma,
[quando este país errado se tiver lavado de si mesmo

(se se lavar de todo!)],
quando estes pés, apontado para o alto,
rígidos,
dez vezes disserem da paz e do amor
e o amor e a paz não forem já palavras e pouco mais,
mas posse, rasgação de véu,
um Prado Novo, por cuja Porta, diva e santa,
se passa.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

INFECTIO DEMOCRATORVM


Os parasitas da secção de voto aonde fui,
na hora limite,
estavam em estado morcão, prévio ao da vareja consumada.
Ali, alti-sentados nas mesas escolares,
oscilando as indolentes pernitas, aguardavam e riam.

Seguir-se-ia a contagem dos votos e a entronização do «sim»,
um «sim» seculo-vinte-e-um-nesco.
«Bem-vindo ao Século XXI», pôde ler-se celebrativo na sede do BE,
ia fazer-se História, virar-se-ia uma página dela.

O vazio e o pragmático festejam.

Sócrates, o rei-sol, autoritária flor caliente, perora.
Há quem salte e ria, em nome da 'liberdade'.

Não lhes rebentar a 'liberdadde' na cara,
já que a ética profunda vai de férias, exilada!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

PROFISSÃO

Até ao fim do caminho,
uma espera viva arda em ti,
aquela que te marcou indelével,
aquela que te fulminou inegável,
quando, há muito tempo,
encontraste CRISTO.

Passe-se o que se passe,
aconteça o que acontecer,
doa o que doer,
morra ou nasça a surpresa,
nada te abale,
porque a Meta é Ele,
é Ele a presença que pressentes em tudo,
unificando-te o coração,
revestindo os teus passos de sentido,
hora a hora, segundo a segundo.

Derramem-se as obscenidades cívicas que se derramarem,
neste Portugal complexado e a reboque servil de outros países por serem os tais,
homologizem-se as leis abortivas liberalizadoras que se homologizarem,
à imagem e semelhança dos países que as têm mais liberais,
como se isso fosse modelo de alguma coisa de verdadeiramente bom,
faça-se da história o que se fizer,
é irresistível que Ele seja Tudo
e satisfaça a todos,
delicada e respeitosamente,
na medula das suas fomes,
no cerne das suas ânsias,
já no tempo ou no Além-Tempo.

Assassínios, salazares,
a Sibéria de Estaline,
os programas eugénicos e etnicidas de Hitler,
forquilhas Pinochet,
sanguinários Sadam,
messiânicos Bush ou Sócrates,
toda a pomposa palha passará,
todo o pó assentará,
toda a chuva ou neve ou lama ou estrume
fará o seu papel,
toda a voz soará o seu limite luminoso e fugaz de limite presunçoso ou humilde,
mas a hora total
será certa na hora de cada qual,
e a nossa Hora Completa és Tu,
Senhor Jesus Cristo,
que disseste que nem um copo de água dada ao mais pequeno do Reino dos Céus
ficaria sem recompensa.

Pois a hora é de, no fundo, romper com isso,
a hora é a de pagar paradoxais multas por crimes ambientais,
coimas paradoxais por lixo nas esquinas das cidades,
paradoxais penalizações pela caça a espécies em risco,
enquanto se deixa a vida dos mais pequenos ao livre arbítrio de cada qual,
enquanto se deixa a vida dos mais frágeis
sob o cutelo libertário,
nihilista, de uma mundividência materialista,
decadente, autofágica, autotélica.

Esboroaram-se todos os projectos de salvação ideológica,
talvez agora só o planeta seja A causa agregadora,
a fé cristã é um sussurro de rato,
na sociedade,
talvez fermente, talvez não,
talvez salgue, talvez não;
prudentemente silenciosa e mandada calar
(sob o argumento democrático esquerdizante
- e órfão! - da necessidade de uma neutralidade eclesial conveniente ou conivente),
a voz da Igreja é prontamente ridicularizada pela mó da Imprensa
ou pela sátira permanente do Bloco de Esquerda,
com a sua retórica sempre divertida e cínica
como toda a retórica do ateísmo chique.

Mas ainda há uma Esperança Poderosíssima
agindo,
que escapa a contas de cabeça
e a simulações computadorizadas.
Pousem pois as aves do céu na Árvore
em que se tornou a Semente de Mostarda.
Abram os olhos e vejam o que se desenha à nossa frente.

Até ao fim do caminho,
uma espera viva arda em ti,
aquela que te marcou indelével,
aquela que te fulminou inegável,
quando, há muito tempo,
encontraste CRISTO.

Amigos vêm e amigos vão,
mas ESTA É A ROCHA
SOBRE A QUAL EDIFIQUEI
A MINHA CASA.

VIDRAIVOTA














Poemas com foto em cima,
patas membranosas de gaivota,
passeando sobre um vidro que é tecto,
tecto por onde a luz passa,
vária, branca, baça...

A gaivota e a sombra.

Céu além-vidro,
rasgado de voos
rectos, rasos, oblíquos,
como eu vos amo!,
assim nu,
assim vivo,
defronte à solar catedral Cosmos,
em pôr-de-pasmo!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

INFÂNCIA



















Um corpo derrotado de cansaços,
de sonos,
balança ao desfazer da onda-vida à beira-mar.
As nuvens que passam,
passam luminosas de cinza
ou níveas de ave
e, fulgindo, luminam todo o corpo,
sombra n'água a balouçar.

Ceias, repastos, olhares e lábios,
fomes, em corpóreo sonho,
rolam seixo-corpo sobre a areia a marulhar
e ondulam na memória,
reverberam nela,
a frescura-feto pura,
a antiga luz de muito amar.

PIRATARIA













Se se pretendia sacudir quem está a mais
no sistema português de ensino,
depois de anos de abundância de oferta e absorção,
abanando o mais possível a árvore dele
com medidas que tornam hoje profundamente desatractiva,
por sobrecarregada e burocratizada, a profissão docente,
é bom que se saiba de igual modo que o efeito será prevalecer
e agudizar-se a mediocridade,
isto é, aquele espírito des-empenhado,
in-diferente e sem causas,
sem, no fundo, a mais-valia do desencadear de paixões indeléveis
de que se faz o mérito,
de que sempre se fez a Escola.

Mas isto serão os frutos a médio prazo de uma política ministerial pirata
que tratou e trata os docentes como coisas de reboleta e números ao pontapé,
afinal desprezíveis, só visíveis sob o ponto de vista da má-fé.
Reforme-se como se reformar o sistema,
agora o tempo é o de serem os professores escravos consumados,
domados nos estatutos da carreira,
na esmagadora maioria
entalados nas aspirações entre nada e coisa nenhuma.

Certas navalhas orçamentais,
aliás elogiadas por economistas e ex-ministros & Cunha,
- gente de sofisma anti-docente -,
corresponderão indubitavelmente
a tiros no escuro e no pé,
a tiros na boca-limite suicidária,
no que à motivação
para contar para alguma coisa diga respeito,
no que a melhores resultados diga respeito.

O desânimo grassa.
A estocada final é só uma questão de tempo.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

OS DENTES DO SORRISO


















Este sorriso-esgar de Olmert
dá-me comichões e filosofias!!!
Sorrir é próprio do político,
até Salazar sorria rápido e em força.
Sócrates sorri postiço,
bacalhau na seca de peixe,
perante os flashes nas convenções de governos,
ou de mão pedinte estendida à beira China.

Cavaco, esse sorri bacalhau também...
Mas como peixe acabadamente seco.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

NÃO AO HOMEM PODRE














Não a um saco de batatas equivaler a um Homem;
não a um subjectivismo omnipotente e louco na sua deriva libertária,
na defesa libertária dos direitos do cu e da cona,
(cona humilhada,
cona vexada,
cona arrastada pelos pentelhos-cabelos a tribunal),
na defesa do cuspo e da caspa,
trucidando outros direitos e outros deveres;
não ao desmembramento e extracção de fetos
como se de dentes, como se de hérnias,
como se de unhas, como se de ténias;
não à cuidada vozinha aguda e cândida do José Sócrates
na pele fingidora de um misericordioso Bom Samaritano vaginal, uterino, falopial,
solidário com aquelas que quer libertar da Lei enquanto as cerca de impostos
e de constrangimentos laborais como de beijos e sorrisos triunfalistas;
não a uma desvalorização da ética e da vida
em nome do dói-me a existência e do apetecia-me algo;
não a um opcionismo promotor
do atropelo e eliminação do outro a la carte,
do outro por nascer, desabrochar e brilhar;
não a uma ilusão de óptica humanística decadente
e errónea de um Homem equivaler a um saco de grelos;
não, não me venham com tretas nem com merdas,
liberalizar é uma sementeira estalinista e siberiana de vazio,
é paisagem com merda ao fundo
a de um homem podre
dissolvendo-se,
negando-se,
irremediável.

domingo, fevereiro 04, 2007

A UM CÉU IRANIANO


















Um Céu iraniano de tirar a respiração,
imagino esta contagem onírica das estrelas
pelos Magos,
por Abraão ou, no início da aventura humana,
hominídeos a seguirem-nas no horizonte,
metas novas,
ouro e diamantes,
imortalidade delas,
imortalidade nossa,
crer e esperar,
de promessa em promessa,
até ao fim da caminhada.

sábado, fevereiro 03, 2007

CARNE EVANESCENTE CARNE


















Se eu encontrasse Platão
esmurrar-lhe-ia a cara,
e ao passar por Santo Agostinho,
não sei se não lhe ía às trombas.
Para tal desprezo da corporeidade identitária,
aqui e Além,
para tal perspectiva provisoriista e negadora de este Corpo
bastava deixar sossegados os politeísmos reincarnacionistas orientais,
não era preciso trazê-los para dentro da filosofia,
da política - e sobretudo da religião!

Foi a sedução da evanescência,
da purificação despersonalista e despersonalizadora!
Foi a tentação de os conceitos serem mais verdade
que a odorosa maçã
vista, tocada e mordida.

O que é preciso é o Corpo no seu desenho
de aqueduto, sangueduto,
perfeita perífrase de eternidade,
metonímia dela.

Toda a glória está no Corpo,
no que ele possibilita em encontro e amor.
A castidade é esse encontro e esse amor,
por milagre, nos não devorar.

Gerado no ventre do consentimento
ou do acolhimento grato,
amadurecido numa migalha de anos,
depois maduro, murcho, morto,
re-semeado,
do Corpo não se perderá
nem um cabelo.

Restaurado,
retomado,
há como que uma uma matriz do que somos
salvaguardada no âmago mais âmago da chamada matéria,
há uma inexorabilidade da nossa identidade,
no íntimo mais íntimo
infratómico, infraquárkico,
do que somos,
que é imortal e aguarda glorificação.

Cristo havia eros.
Ágape e eros,
gozo e espírito,
a Verdade.
O Corpo de Cristo é a Verdade.
A Verdade não nega,
sublima, restaura, eleva,
sorri.
Não há reincarnação que valha um sorriso.
Sorriso é sinal de ressurreição,
da corporeidade glorificada,
imortal,
retomada.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

BENNY BENASSI - SATISFACTION

MANIFESTO CONTRA A CAGOCRACIA














Temos de reagir à inércia das coisas passivamente aceites,
reagir aos poderes que, em Portugal,
nos ketchupisam vergonhosamente
entre o pão da miséria e dos maus salários.
Temos de combater as opressões e os abusos
que nos mostardizam no prato fácil dos portugueses privilegiados,
temos de gritar contra a tara dos impostos
e os miserabilismos diplomaticodiscursivos
que politicamente nos
sanitam de desespero.

Eu digo, bloguerantes,
beligerantes da opinião incómoda e inconveniente em tempo real,
uni-vos!
Em face dos cagocratas
políticos,
empresariais,
instuticionais,
que cavalgam o Povo e o desprezam claramente,
às armas da palavra exigente e cáustica já!

O mundo é nosso!
Nosso o país!
Nós os moldaremos de inconformismo e intervenção automática.
Seja o princípio do fim
dessa condução carneiresca do Povo,
onde a mentira manipuladora dos poderes impera
e o marketing faz o resto.