quarta-feira, outubro 31, 2007

LURDES RODRIGUES E PINTO MONTEIRO


O Procurador Geral da República
não gosta de Maria de Lurdes Rodrigues.
Maria de Lurdes Rodrigues não gosta de Pinto Monteiro.
Depois, ainda por cima, discordam e são reciprocamente dissonantes.
Um fala da violência encoberta nas Escolas, esse iceberg inominável,
muito para além das estatísticas e dos números.
A outra diz que é coisa residual,
mas que terá de pedir números e estatísticas
para ter algo de mais palpável a dizer.
lkj
O que eu penso de esse assunto
é compatível com o que pensa Pinto Monteiro.
A violência é uma coisa multímoda e difusa nas escolas
e começa logo na política que se engendrou para elas.
Está toda na forma como o Ministério procurou conter as despesas
à custa do funcionário,
à custa da sangria moral dos seus recursos humanos,
à custa do dividir para reinar,
do ser unilateral em todas as decisões, em todos os pareceres,
como se calar e obedecer cegamente estivesse na nossa natureza humana
ou sequer na nossa vocação de professores.
Talvez esteja nos genes e na cultura dos chineses.
Não está na nossa.
lkj
O facto de o professor ser obrigado a desempenhar mil e uma tarefas,
desde operador de fraldário, a conselheiro e Psicólogo,
o facto de a pressão se exerçer tremenda a partir de um discurso ministerial
que nunca salvaguarda nem protege a figura criminosa do professor,
desde logo aí começa a violência
e os consequentes escapes para ela criam-se depois
ou então geram-se espontâneos.
lkj
Posso testemunhar que o posicionamento de muitos colegas
é sempre rígido, sempre confrontacional com os alunos
mas que, por outro lado, muitos alunos trazem
dos lares rédea solta para infernizarem impunes as salas de aula.
Pontos de equilíbrio precisam-se.
O cúmulo é o recente Estatuto do Aluno
só concebível por quem não conhece o que seja um.
lkj
Não há maquilhagem que salve Britney nenhuma
do horror de quando não tem maquilhagem.

terça-feira, outubro 30, 2007

AR DE FIM: A ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY


Cair a pique na leitura aguada do teu livro dessedentador de afectos
e morrer igualmente mediterrânico e anónimo!
Despenhar-me todo no pelágico abismo que rasgaste,
asa que me falhe
em grito,
motor que a queimar nada mais tenha,
aflito,
e afunde-me igual nesse teu afogamento de nada (fica a obra!).
lkj
Afunde-me igual, se qualquer morte é prematura e provisória:
nada mais que ilusão de fim para quem fica.
Nada mais que breve falta para a febre de quem sobra.

Manchester United - Tottenham 1-0 Nani

PESADELO: NA SANITA COM SÓCRATES VS. KIWI-TORINO


Sonhei que entrava, aflito, na casa de banho de uma escola (era mesmo um sonho!),
sentei-me e comecei a enviar o meu urgente shit-mail.
Estava em plena actividade defecante
quando o 'Engenheiro' Sócrates, gritando, pontapeia a porta do meu cubículo
e irrompe bruscamente, levantando-me descomposto da branca sanita pelos colarinhos:
- Então tu simpatizas com o Kiwi-torino e tens passado meses a atacar-me?
Eu, atrapalhado e meio embaçado, só pude murmurar:
- Mas, 'engenheiro', deixe-me primeiro puxar as calças para cima.
lkj
O homem, porém, de olhos fulminantes, não se tinha
e sacudia-me mais e mais, indignado e indiferente ao cheiro, talvez pela simpatia
que nutre por todos os recursos ambientais limpos
de que nos podemos lembrar em 20 segundos:
- Então tu, que não me tens poupado a ataques e ironias, a mim e ao meu governo,
não vês que somos todos, eu e Kiwi-torino, farinha do mesmo saco?
Eu executo. Ele apenas comenta, mas concorda com tudo e é o mentor de tudo, não vês?
- Sr. Primeiro-Ministro, deixe-me ao menos limpar o cu primeiro.
lkj
Estava furioso e não me escutava. Nada de novo. Na verdade, o PM tinha razão.
Ele é que cumpria as políticas dolorosas e depois o Kiwi-comentador explicava-as
sem ter de se contaminar de impopularidade, de fastio popular,
de contestação, de ódio recebido mesmo, do justificado estigma quotidiano da arrogância.
- Então ele é que seria um sábio Primeiro-Ministro de Portugal,
e pedagógico e com lisura, hem? Não te lembras de quando eu era comentador?
Adivinhavas a sanha anti-professores, anti-funcionários públicos,
anti-jornalistas, anti-classe média em que me vês? Ele é comentador, tu gostas.
Eu sou executor, tu odeias.
- Engenheiro Sócrates, deixe-me ao menos recompor-me de ter estado a cagar.
lkj
Eu só queria limpar-me, lavar-me. Sair dali. Mas o personagem não se tinha.
Sacudia-me violentamente enquanto gritava.
Com uma mão ainda alcancei o papel-higiénico,
usei-o como pude... claro, imperfeitamente. Foi então que comecei a ouvir,
como numa alocução longínqua, aquela voz aguda de sempre
saída de uma TV ou de uma rádio, cada vez mais nítida e próxima:
«Portugal é o primeiro país a cagar energia renovável».
«Portugal é o primeiro país a dar passos decididos nas energias renováveis».
lkj
Afinal fora tudo um sonho. Eu adormecera durante um noticiário da RTP.
E era o mesmo Sócrates do meu pesadelo
que discursava com cagança e pose numa cimeira internacional qualquer.lkj

A minha vida continuava como dantes. Desempregado. Sobretaxado.
Paupérrimo, isolado e anónimo, graças às políticas dolorosas em vigor.
Odiei Sócrates por não me deixar nem cagar em paz,
graças ao controlo exercido pelo cartão único
e pelo cruzamento de dados que lhe permitiu GPS localizar-me.
Odiei Kiwi-torino por ter tido a ousadia de me ter enganosamente seduzido
com o seu linguajar brilhante das segundas-feiras, ele que é unha e carne
com o que possibilitou que me esmagasse completamente.

PRÓSTATAS & BRONCAS NA RTP1


Viram ontem o Prós&Contras?
Que falta de classe e enorme tacanhez entre aqueles plutocratas!
Que falta de educação e de humanidade!
O mau aspecto foi uma tónica dominante e abrangente.
A mesquinhez de quem governa Bancos
ou de quem detém deles grossas fatias
é cada vez mais insuportável!

segunda-feira, outubro 29, 2007

ANTÓNIO VITORINO, PEDAGOGIA E LISURA


Seja sobre que matéria for: a proposta de fusão BPI-BCP,
o saneamento no grupo parlamentar do PSD,
a hipótese de expulsão de Luísa Mesquita do PCP,
os resultados da recente cimeira Europa-Rússia,
no discurso de António Vitorino de hoje e de sempre há uma desmontagem
sempre resumida e pedagógica, aqui e ali bem humorada,
mas não menos densa da realidade que nos diz respeito.
lkj
Nele não há a ponta daquilo que me sobra:
mordacidade, o que o faz inócuo e consensual na adesão que merece,
ao mesmo tempo que leve, esquecido e tolerado,
o que não é justo para o facto de ser realmente um pensador brilhante, leal,
sem excluir que se seja brilhante na arte do contraditório e do confronto político lá,
onde Luís Filipe Menezes parece também muito persuasivo.
lkj
O estilo confrontacional do societário no governo PS já criou sobeja clivagem
com os estratos mais sacrificados da população portuguesa,
porque a insensibilidade, o pragmatismo sem coração, o discurso-espectáculo,
o show socretino para plateias estrangeiras e para quem ande distraído,
tudo isso cansa e soa a oco, quando o dia-a-dia nos pesa pior que chumbo.
lkj
Por tudo isto, mais uma vez, com Vitorino a mero comentador,
Portugal perdeu um Primeiro-Ministro muito mais humano,
mais independente,
e certamente muitíssimo mais sábio.
lkj
Vêm lembrar-me que certamente muitíssimo mais sádico,
que certamente mais cínico e muito menos corajoso que quem agora governa,
afinal conivente com as cretinices em curso com o seu célebre «habituem-se».
Sim, acredito. Mas estou só a falar do que transparece cuidadosamente cuidado
na maquilhagem do seu programa de brilhante comentador
à segunda-feira com a Judite,
um programa sem grande share, sem popularidade,
e também estou a falar no que já acreditei
e gostaria poder continuar acreditar, mas, na verdade, não posso.

AUTOGLORIFICAÇÃO BLOGUEANA


A efemeridade blogueana deseja eternizar-se
pelo menos pela percentagem de palpalvos que a busquem todos os dias.
Certos blogues colectivos não resistem a fazer o ponto da situação do seu percurso.
É quando alguém se pronuncia elogioso e descritivo sobre os demais da equipa
e sobre os motivos por que têm mil visitantes por dia ou mais,
e como tudo isso é bem sucedido, harmonioso, contrastado e feliz.
Mas nem imaginam como a ilusão em que assentam é pura caca egocêntrica,
não lhes passa pela mente como a decadência os ronda e os fumos do fim.
lkj
E tudo porque o reverso da autoglorificação é a precipitação no inferno
se o inferno for aquela forma crassa e irreversível
de ter ignorado um Implorativo Mundo Maciço em volta.
lkj
Não sou individualista. Sou personalista.
A irrupção da Pessoa, sobretudo mediante a Arte,
os gestos de qualidade acrescida, de valor estético e ético, de que ela pode ser capaz
sobretudo dentro de um registo mais imprevisível,
isso fascina-me e interessa-me como caminho e como constatação.
lkj
Esse é um caminho que ou se faz só
ou não se faz de todo.

O DES-ENSINO NO SEU ESPLENDOR


Por que ordem de motivos
o ensino em Portugal não ensina?
Percebe-se melhor aqui.

MAIS DO MESMO


Esta novela vai continuar com novos episódios, novas revelações.
Mas por que motivo não se lhe sente o cheiro
nos noticiários das televisões?

domingo, outubro 28, 2007

MEU BLOGUE DE BABA E LÁGRIMAS



1. A história e as imagens de este peido humano
agredindo uma jovem equatoriana em pleno metro madrileno, se não erro,
correram o mundo e resumem por que motivo devemos ter asco à própria espécie
quer nos agressores, quer nos que conseguem manter-se quedos e mudos
perante tais asquerosas injustiças. Duas violências estúpidas, portanto,
porque a passividade agride e faz doer de igual modo.llkj

2. Um blogue às vezes não passa de uma fachada onde
ou só se escreve sobre amor,
ou so se escreve sobre mexericos,
ou só se escreve sobre sexo,
ou só se escreve sobre política,
ou só se escreve sobre livros,
ou só se escreve de boa mesa e boa vida,
tudo isto muitas vezes através da citação e da transcrição parafraseadas
e onde paira uma mansa atmosfera em que tudo vai bem,
onde as águas nunca se turvam e nunca ninguém é provocado.
Nunca há um gesto desalinhado e desleal,
uma vernácula palavra que se solte dissonante.
Nunca há senão elegância, correcção e classe.
É a deserção da autenticidade toda de que é feito um homem!
É o fim da espontaneidade, da auto-assunção das próprias fezes,
do próprio ouro, do próprio sangue,
do próprio esperma,
e dizer da lubricação vaginal activada,
e dizer das nossas lágrimas,
e dizer da nossa baba desesperada.
Não. Nada disso.
Somente fachada, efeitos musicais ou fotográficos e nada mais.
lkj
Pois para mim, agora mesmo, este é o sítio, o meu sítio,
onde escrevo sobre o garrote que é para mim e para muitos a falta de dinheiro,
onde escrevo sobre o excesso de trabalhos, sacrifícios e asperezas quotidianas,
sobre o excesso de custos e de gastos que impendem sobre mim,
que impendem sobre milhares de nós, portugueses e portuguesas calados,
conformados, acantonados à fatalidade de ter de ser assim,
por mais sangue que exsudemos.
lkj
Não nos passa pela cabeça alavancar multibancos das paredes públicas
em que foram incrustados
ou assaltar Postos de Gasolina ou Minipreços ou Bancos e quejandos,
mas se aqui há este texto serenamente desesperado, feito de forca,
se aqui há uma vontade de ladrar, de uivar,
de soltar uma fúria embestecida aos quatro ventos por tudo o que vai de duro e difícil,
que sorte de sentimentos leva gente de repente
a lançar-se à violenta toma de bens alheios?
Que ruptura, que mensagem percebida no ar, que possessão?
Que imagem malígna captam (talvez a Governação que desgasta e aperta,
talvez a velha desproporção desproporcionada dos que muito têm e dos que nada)?
A ética dos números não é ética nenhuma: ela, feita política, é que hoje nos oprime,
e vai esmagando, reduzindo-nos ao zero do ânimo
a todos os zeros do recomeço.

ACH ICH FÜHL'S

Ach ich fühl's, es ist verschwunden,
Ewig her der Liebe Glück!
Nimmer kehrt ihr Wonnestunden
Hoher Freuden mit zurück!
Sieh, Tamino, heiße Tränen
Strömen meine Wang' herab.
Rührt dich nicht dies bange Sehnen?
Gut, ich kenn'den Weg ins Grab!

REGICÍDIO: VALEU A PENA?

SANTOS SILVA SABE


Santos Silva é um tipo de político com poderosas ventosas:
onde quer que esteja, fica bem agarradinho, alinhado com o discurso vigente,
e o que quer que faça, está sempre bem fundamentado na mais estrita
partidarização. O seu País é o Partido Socialista e o seu País é o seu Patrão.
Este fenómeno dá-se quando a notoriedade e a boa colocação
na escala dos bons lugares são a primeiríssima prioridade para o servidor público
ao mais alto nível, conforme é o caso do Ministro dos Assuntos Parlamentares.
lkj
Comedido, insinuador, hábil no manuseio da palavra «respeito»
como biombo conveniente da palavra «desprezo»,
diz ele, nesta entrevista, que «o PSD às vezes parece que não sabe quem é o líder».
Ferroada por ferroada, por que não dizer que Augusto Santos Silva
sabe muito bem de que sarjetas se faz a tetina sôfrega do Poder
e sabe muito bem onde estão as preocupantes
raízes por cortar da coragem jornalística,
assunto do qual agora mal fala?

sábado, outubro 27, 2007

SINGER: A MÁQUINA QUE ALGEMAVA A MINHA MÃE


A Cristina lembra-se de cada uma:
não se pode evocar um homem excepcional
sem que alguém que leia essa evocação
fique isento de alguma mágoa de súbito convocada.
lkj
Singer, para mim, não é só um norte-americano,
um logo e uma máquina de costura. É também um défice de beijos,
um défice de abraços, um défice de estar com o pequeno migo que era eu.
Era, enfim, o pedalar infinito da minha Madrinha e da minha Mãe
com que, imóveis, iam para longe
perto de mim.
lkj
Posta involuntariamente sádica, Cristina!

BLOGA SOB PROIBIÇÃO E CENSURA


Preparem-se para e iminência de qualquer coisa como isto
e comecem a resistir desde logo, e por todos os modos, às pretensões
mais sinistras da pseudo-democrática Esquerda-Dogmática-de-Direita
ou afinal coisa nenhuma,
somente soma de pruridos e melindres egoísticos,
como escreve João Gonçalves.

A COMITIVA RUSSA LAMBUZA-SE NA NOITE LISBOETA



A célebre e grande noite lisboeta,
que absorve 65% das energias dos futebolistas
ao serviço dos respectivos grandes clubes,
dispersando-lhes a casta capacidade de comer a relva e só pensar na bola;
noite, que tem um serviço de qualidade e encantamento fêmeo e ambiental
o qual-serviço, ao que se vai vendo, ouvindo e lendo,
a ninguém deixa indiferente ou incólume;
essa noite encandeante,
desaguadouro de todos os part-time full-time sexuais bem pagos,
ancoradouro de todos os apetites de que não se pode falar
e sobre que nenhuma justiça retardatária parece capaz de se efectivar pedófila,
essa mesma noite deu pagável carne fresca e relax
de merenda à célebre Comitiva Russa.
lkj
Eles, os petrolígeros, carbonígeros, gasoductores eslavos,
pagam à grande e à francesa a sua própria vampiresca noite lisboeta.
lkj
Nós pagamos o protocolo e as sumptuaridades que a possibilitam.
lkj
Elas, as melhores escolhidas fêmeas de serviço voluntário,
elas, as operárias do belo lúbrico sul-americano ou eslavo também,
profissionais do que for preciso e para o que der e vier,
elas, que estão ali para agradar muito e à medida,
parece não lhes ter faltado argumentos para que ontem
agradassem ainda mais.

sexta-feira, outubro 26, 2007

JEFE ROJO - BLOGUE EM DESTAQUE


Eis um bom contributo para avaliar, entre outras coisas,
o modo como, hoje, a Espanha, que não é uma unidade,
mas várias unidades somadas e, por vezes, opostas,
se pensa a si mesma.
Pensa-se na contradição e no paradoxo,
para dizer o mínimo.

VAGINA EM VERDE


Lambendo lúbrica o meu olhar-coentro,
rola a onda enleando-o marejado a verde-querubim.
Ó cortar de pulsos pelo desastre avolumado dentro
na voluta e revoluta verde vaginal vaga vogando oblíqua para mim!
lkj
Rente rola coleante (cobra ondulando em espuma)
vago desenrolar de água aveludada enfim,
líquido cessar desmaiado a crepitar em espectro,
minh'alma depoente hollywoodizada bruma!

PARA ARRANHAR O PROBLEMA DO TRATADO


Pode apanhar-se uma boleia reflexiva aqui.

quinta-feira, outubro 25, 2007

RANKINGS, RANHO E REFORMA DO ENSINO


Não é preciso que se publiquem rankings e se lhes leia
o descalabro dos aproveitamentos na Matemática e na Língua Portuguesa
para se perceber que o Sistema Nacional de Ensino Público faliu estrepitosamente
e estrepitosamente defraudou a grande massa da sociedade portuguesa.
Quem vê estes resultados no 9.º ano e nos níveis seguintes,
choraria de vergonha se pudesse ter noção dos misericordiosos actos de maquilhagem
a que, por um lado, os pobres docentes procedem nas avaliações finais
ou, por outro, a simplificação estratégica a que, sob a tutela do Ministério,
os organismos encarregados de manufacturar os exames se entregam
como forma de atenuar o impacto das incompetências
no desempenho e resultados de esses mesmos exames.
lkj
É assim e será pior porque os governantes erigiram
o número resultadista como seu Súcubo e seu Íncubo!
E não está na natureza de ambos dar ou ter o mínimo de descanso.
Só, passentos, se lhes submetem, queimando outras ideias e outros critérios
mais fidedignos, mas que exigem a passagem paciente do tempo.
Não conhecem o valor dos cinco anos pitagóricos de silêncio absoluto e contemplação,
agitados numa acção metódica, pensada, mas nem por isso menos torpe.
lkj
Mas neste domínio dos resultados e rankings, os governos sucessivos
(culminando neste famigerado, que fez mais,
mais atabalhoadamente,
mais a partir do telhado em direcção às fundações,
mais à bruta,
mais a doer,
mais contra os docentes,
e em muito menos tempo que qualquer outro, beneficiando para o efeito
da mansidão bovina de esmagadora parte da grande sociedade desinformada e dormente)
os Governos sucessivos subsidiaram a mediania e a mediocridade
ATRAVÉS DE LEIS, DESPACHOS E DECRETOS PSEUDODEMOCRATIZADORES,
promovendo a transição desqualificada dos alunos para poder lisonjear os números,
e burocratizando até ao mais pérfido oxímoro
a verdadeira e selectiva selecção.
Se os alunos não são seleccionados,
mas democraticamente expelidos em frente para a iliteracia
e toda a sorte de incompetências funcionais,
parte-se agora para a selecção avaliativa dos docentes.
Aí antecipa-se o pior: que se proceda ao mais obsceno leilão de valorações,
ao sabor dos conflitos, das inimizades ou das lisonjas averbadas
no seio dos organigramas viciados das Escolas.
Será o vespeiro no Ensino. Será, pièce de résistance,
a crispação e o desgaste consumados no Ensino Público,
uma área onde as relações humanas intensas e desgastantes fracturarão
sob o peso das quotas e das 'últimas palavras'.
lkj
Talvez se verifique uma não pequena deserção ressentida dele-Ensino de muitos professores
a par de um piorar do conceito dele-Ensino entre putativos candidatos à carreira:
ao ponto de em 2015, o Ministério se descobrir na contingência
de ter de contratar professores ucranianos e espanhóis,
com pós-graduações apressadas em Língua Portuguesa,
para poderem leccionar e suprir as necessidades na Matemática,
ou professores Cabo-Verdianos para virem acudir à rarefação de pessoal no Ensino
e assim poderem suprir-se as necessidades
no ensino da Língua Portuguesa
e no que mais preciso for.
lkj
O resto é conversa de encher.
O resto é bodexpiatorizar quem no processo se vem macerando e moendo:
muitos e muitos docentes.
Tenho vergonha de esse legado de inconsistência e de improviso
Governo após Governo após Governo.
E, claro, tenho vergonha de este Governo e o seu discurso ostracizante do docente
relegado e sempre sob suspeita!
E não estou só nessa sentida e espessa vergonha.

AD-CENSURA, AD-MENTIRA, AD-ABUSO: MISÉRIA



Quando me fizeste emergir do sangue do teu ventre
e me puseste cá fora, enxuto, sob o teu seio por teu parco leite;
quando a cada instante me esfomeavas e depunhas entre o lixo,
minha única refeição de esperança na periferia da grande cidade;
quando gritando te não via e te não tinha por cento e setenta graus
de torção com que torcesse o meu pescoço em tua demanda;
nem assim compreendia, AdGoogleSense,
que me usavas e enganavas
entregando ao abandono aquele que tanto te crera.
lkj
Pronunciar o teu nome é falar de usura e deserção.
Nada mais.

JESSICA SIMPSON AND ADSENSE BULLSHIT


«Don't get yourself bullshited by Adsense. I don't.»
They'll use you, abuse you and then leave you with nothing but empty pockets»,
Jessica Simpson said.
lkj
Ela lá sabe o que diz!

LITVINENKO: PARA QUE NINGUÉM ESQUEÇA (II)


A patorra policial no pescoço da Rússia aqui!
Andarem os líderes europeus a bajular quem,
traindo o Povo, tem sonegado a liberdade e a pluralidade integrais
ao jogo democrático russo!
lkj
Não terem vergonha na cara uns e outros!

LITVINENKO: PARA QUE NINGUÉM ESQUEÇA (I)


MINUTO POLÍTICO - BLOGUE EM DESTAQUE


Nada como encontrar um blogue fresquinho todos os dias,
digno de divulgação e recomendação aos meus leitores lusitanos.
Proveniente do magnífico e amplo mundo da lusofonia,
eis o blogue brasileiro Minuto Político,
uma supresa agradável, tendo em conta a toada satírica que o percorre
entre diversos outros pontos fortes.

PUTIN, O GRANDE CZAR-POLÍCIA NO PORTUGALIA


A estratégia de Putin é clara:
ter a Europa Ocidental energeticamente na mão,
conforme vai ocorrendo.
O grande cerco do gás e do petróleo que a Rússia urde para a Europa,
não tardará a reverter em seu favor (democraticamente surdo!)
e a justificar o seu pendor absoluta e insidiosamente chantagista!
lkj
É um pouco como Abramovich,
que é dono do Chelsea (e ali se senta como imperador indiscutível!).
Putin sentar-se-á, se tudo lhe correr como até aqui,
enquanto czar efectivo da União Europeia
na medida em que a sua posição policial de chefia política
se mantenha indiscutível na Rússia
ou não estivessem sob sequestro e bem reprimidas
todas as veleidades pluralistas (quer dentro, quer Litvinenko fora do País),
à imagem da chavezização venezuelana e vice-versa.
lkj
Nesta cimeira lisboeta Europa-Rússia, como se diz aqui, não é plausível
que Putin escute alguém, muito menos que atente ao que Sócrates
terá para dizer enquanto anfitrião, ele que fez sombra a Durão Barroso,
nesta Presidência Portuguesa, mediante a estridência activista
do seu show de grande mediador do célebre Tratado.
(Sócrates é hoje um estridente 'grande' líder cá dentro
e um estridente 'grande' líder lá fora!
Basta ser estrídulo para parecer ser líder
e inchar como um peixe balão no processo.)
lkj
Mas Putin brindá-lo-á, quando muito, com um largo bocejo,
aquele que se reserva a quaisquer insignificâncias parecidas com gente.
Gente, afinal essa enorme e consabida fonte de tédio
quer para um quer para outro.

DELANE VIEIRA E O QUE ESTÁ A DAR



Publicado o famigerado livro, Carolina não se saíu nada mal. Serviu-lhe para tudo: para amplificar-lhe o rosto e a fama, para compensar-lhe o bolso e gerar reprodutivamente outras ideias lucrativas como a rodagem de um filme (a que as massas acorram ávidas de se masturbarem de curiosidade e riso: não sei que actor estará disposto a representar o lado flatulente de Pinto da Costa!) e até para ser processada pela venda confessa de droga ou o seu uso como forma de pagamento de serviços, consta. O velho receituário de acicatar a curiosidade dos públicos para daí tirar dividendos é velho e é fácil: publica-se um livro. Dá-se uma entrevista a promovê-lo. Introduzem-se-lhe (no livro) personagens vivas e polémicas. E pronto! Voilá! Parece que ninguém lhe resiste. É o caso agora de Delane Vieiraum prestador de serviços mistos e místicos, que eu não sabia quem era nem estava interessado em saber, que não sabe quem eu sou, mas que se vê, nesta entrevistater sentido de humor e sentido de oportunidade oportunístico. Fala do medo que o nome de Pinto da Costa inspira por aí e, algures na entrevista, acaba por declarar num daquelas respostas curtas e bem-humoradas: «Não sou namorado de Pinto da Costa»Bem mandada! Palmas! Temos de rir! Para jogadas comerciais de tal teor, parece que o homem Delane nem seria de este mundo se não tivesse essa iniciativa publicacional tão em voga. Um dia, vocês verão quantos livros se farão acerca do Alberto João ou do Major Valentim. Serão outra mina de lucrativas edições indiscretas. Homens de têmpera e bem sui generis no momento em que abrem a boca, tomam decisões e partilham vivências variadas nasceram para dar de mamar a muita gente! [Por que motivo um homem cómico como o Jaime Pacheco sai do Sangria Louca sem pagar os consumos que lá faz? Estará a dar gozo? Está com dificuldades? Acha uma prerrogativa muito sua consumir e não pagar? Estão a ver? É de mistérios destes que vivem livros como aqueles.]

quarta-feira, outubro 24, 2007

JARDIM GONÇALVES: POSTA-CARTA ABERTA, QUASE TELEGRAMA


Caríssimo Exmo. Presidente do Conselho e Insígne Membro Fundador
do BCP (Banco Com Papá)
lkj
Enquanto cliente e vítima do seu Banco,
dentro da lei que vos favorece em quase tudo e nos vitima em quase tudo,
venho pedir-lhe a abertura de uma excepção estratégica ao meu caso e,
ignorando inteiramente vossa mercê o que o Banco de Portugal
(tão omisso em matéria de números redondos)
tenha a assinalar sobre o meu bom nome, limpo como um pau de galinheiro,
vinha pedir-lhe, dizia, que me desse, assim, de mão beijada,
como se eu fosse um seu filho querido,
um módico financiamento de 12.000 euros.
Uma coisa assim dada e perdoada também!
12[.000] porque é o número das Doze Tribos e dos Doze Apóstolos.
12.000 porque eu não sou ganancioso e não estamos aqui a falar de 12.000.000 de euros
perdoados pelo nosso BCP ou, tão péssimo na mesma, assumidos e pagos por si,
na vez do seu filho cliente e accionista,
num horrível mau exemplo, desmoralizador e anti-ético, antiprofissional, anti-isento, anti-etc.,
com mais custos de imagem para o seu Banco que quaisquer benefícios para a sua família.
lkj
Estamos a falar de apenas uns trocos, esses 12.000 que lhe peço.
Ora estes trocos são nada comparados com a debandada massiva de clientes maçados
em face da presente queda de credibilidade da vossa instituição bancária.
Tais trocos são cuspo, comparado com aqueles clientes quase perdidos
que só se sentem bem com o seu dinheiro lá,
onde haja credível equidade e não apenas boa publicidade,
conforme acontece hoje no BCP.
çlk
Deixo-lhe aqui o meu NIB [0033 0000 453 1876 7049 05]
para que veja que isto não é só literária retórica,
mas a mais transparente justiça exigida para aplicar à mais transparente necessidade,
neste caso a minha,
deixo-lho para que perceba que isto é a sério,
eu sou um bom cliente do Millennium, até o anuncio aqui gratuitamente,
portanto, não me faltam argumentos a atestar que mereço o que peço!
Que a Ordem de Malta lhe esmalte a generosidade democrática!
Que a Opus Dei lhe dê a percepção da justiça particular do meu pedido.
Opus Dê-me a mim também o que lhe peço e matarei a minha fome.
(Talvez mate as minhas pulgas
e atenue o Álvaro de Campos que nasce e medra em mim
para o bem e para o mal!).
lkj
Em última hipótese, mudo de Banco e vou jardim-ressalvar
jardim-excepcionalizar, jardim-prevaricar nos estatutos, para outro lado,
além de que o exmo. Presidente e Membrudo Fundador não haveria de gostar
que eu me tornasse um importante accionista, pois não?
E que, sem reservas, apoiasse, por palavras, actos e postagens,
uma OPA do Joe Berardo ao seu BCP, pois não?
Ou uma sua (dele) posição ainda mais dominante,
ele que é Rei de Portugal, pois não?
Pois não!
lkj
Então é porque estamos conversados!
Eurum vobiscum!
Mecum non est nunquam!

LE DÉFI DE L'INCROYANCE - SÚMULA NO COMBUSTÕES


«Ao invés de se libertar dos profetas e das crenças,
o homem ocidental revelou ao longo dos últimos dois ou três séculos
uma crescente tendência suicidária e niilista.
Se o sem-sentido, o absurdo ou o vazio se substituíram a formas integradoras,
ditas "tradicionais", como nos podem exigir o cumprimento das leis,
o respeito pelas instituições, o acatamento das decisões superiores,
a aceitação da cultura e desses valores sem os quais não existiríamos?»
lkj
Reflexão/recensão que subscrevo inteiramente e urgiria ser lida por muitos!
Pode, apesar de tudo, saborear-se um pouco mais aqui.

TRANSFORMAR-SE NOUTRA COISA


Envelhecer é crisalidarmos a pouco e pouco.

Chegada a morte, eclodimos no que fomos Esperando
e Preparando, conforme a transparência à Luz numa e noutra coisas.

terça-feira, outubro 23, 2007

TVI: BOMBOCAS? SÓ HÁ ESTAS. SÃO PARA MIM!


Consta que o jornalista que entrevistou recentemente o Zé na TVI
fez com que o mesmo Zé se passasse numa desusada irritação
à conta de perguntas 'erradas', desconfortáveis ou inconvenientes.
lkj
A imagem supra tão cheia de 'tadinho' e 'peluche',
e que capta uma enganosa expressão humilde e simples do Zé,
força, na verdade, uma paráfrase de ouro
tendo em conta o nosso mais remoto imaginário das bombocas:
«Perguntas? Só as que eu quero para mim».

30 POLÍTICOS


HOMONACIONAL SÓ A GRÃ-BRETANHA


Exemplo acabado do maior peculiarismo tratadístico em relação
à Europa: a Grã-Bretanha está dentro e, ao mesmo tempo, está fora.
Ocorreu-me chamar-lhe homonacional.
lkj
Não conseguirá ser hetereuropeia?

TERESA MOÁS


Agora só dá disto. Habituem-se!

segunda-feira, outubro 22, 2007

BLASFÉMIAS E BLASFEMOS


Hoje o problema da blasfémia é poder haver medo de blasfemar
por haver quem nos possa regular e moderar os enunciados que emitamos livres.
A blasfémia está toda na consideração de que se pode punir ou deve
o acto por vezes meramente formalístico de blasfemar, quando no íntimo se professa.
Os enunciados particulares mais exóticos e mais excêntricos, graças a Deus,
estão fora da alçada de todas a repressões e de todas as penalizações.
O mais espantoso é que isso ainda espante alguém.
lkj
É como o sexo consensual para quem o pode gozar: ninguém tem nada a ver com isso.

CURDISTÃO, PÁTRIA IMPOSSÍVEL?


Ouve lá, ó Turquia, cem mil soldados não é de mais?
Mais um mega-País indisposto com o velho problema curdo.
A desproporção de forças é tal que mais parece uma daquelas guerras,
como quase todas, que não servem para absolutamente nada:
o Curdistão continuará ignorado nas suas aspirações independentistas.
A Turquia fará uma ainda maior sementeira de inimigos ressentidos.
Os EUA e o Irão talvez se vejam arrolados para o problema,
caso ele assuma contornos incontroláveis. Veremos.

Singapore Airlines A380 Interior Cabin Video

JOSÉ PACHECO PEREIRA E O SEU WISHFULL THINKING


No seu Abrupto, José Pacheco Pereira
tem feito uma autópsia exaustiva e intensiva ao seu ornitorrinco vivo e imortal,
o paradoxal PSD, acabado de sair do recente estado comatoso-Mendes
para entrar numa nova era de afirmação.
É tal o seu amor pelo partido, tal a sua independência intelectual,
que, com Marcelo, vai prodigalizando a mais sôfrega e pormenorística
análise multidireccional e multisectorial às linhas de orientação partidária.
lkj
O mais espantoso é que com o prodigalizar de essa mesma análise,
assiste-se à espantosa crisalidação de José Pacheco Pereira
no inesperado Anjo Protector de esta mesma liderança Talvez-Bicéfala
simplesmente porque quem pela correcção da minha trajectória me ajuda,
meu amigo é. É o chamado antagonismo apaixonado.
lkj
Cómico é JPP citar Alberto João quando este terá afirmado um dogma do combate político
e da eficiência das lideranças, aventando aí um wishfull thinking:
que a avaliação da popularidade do líder e da adesão do eleitorado às suas propostas
faz-se através dos indicadores nas sondagens antes das eleições e não depois.
lkj
Este fenómeno diverte-me.

AINDA AS DECLARAÇÕES DO SR. PROCURADOR


Estive a pensar melhor nas declarações de Pinto Monteiro, relativas às escutas
de que se pressente alvo ou ao facto de mandar numa casa
em que ninguém manda dado o seu caos: onde há barões, condes e viscondes.
E, de repente, levando em conta que meio mundo opinante em Portugal
o censurou pela leviandade, mais pela primeira parte da leviandade que pela segunda
(Marcelo censurou, Francisco José Viegas, todos o censuraram e se alarmaram),
de repente, dizia, concluí da coragem e importância meridianas das suas afirmações
que nada têm de levianas e se compaginam com as pressões pela demissão
do anterior PGR, incómodo sabedor de muitas incómodas merdas
que desconhecemos.
lkj
O que Pinto Monteiro disse não é gravíssimo. É ainda pior.
Sendo ele somente um homem, apesar da posição que não é uma posição qualquer,
aproveitou para nos dar o mais importante sinal
do estado de vigilância que se vai instalando em Portugal,
muito para além das prescrições oficiais e autorizadas.
Sentir que as escutas se praticam generalizadamente
é um dado coercitivo e intimidatório das nossas psiques intolerável.
E é assim que ele se sente e foi para isso que nos alertou.
lkj
Se isto for um pesadelo, acordem-me, por favor.

POLÓNIA: RESPIRA-SE MELHOR. QUE INVEJA!


A derrota de um dos gémeos Kaczynski abre alas à liberalização
de Donald Tusk, líder da Plataforma Cívica, graças à significativa vitória
nas eleições antecipadas de ontem - 44% dos votos,
segundo as sondagens à boca das urnas, contra 30,4% do Direito e Justiça,
dos irmãos Kaczynski -, e será primeiro-ministro da Polónia.
lkj
Foram eleições antecipadas devido à ruptura da coligação que tem governado o país,
enredada em suspeições de corrupção,
desgastada com os ajustes de contas com as cicatrizes do comunismo
uma vez que mais que uma efectiva reconciliação praticada
este governo promoveu uma Lei com contornos saneatórios,
este resultado é considerado como uma clara desaprovação
da estratégia de Jaroslaw Kaczynski,
o primeiro-ministro agora derrotado, e do irmão Lech,
que se mantém na Presidência da República, com mandato até 2010.
lkj
Mas este é, também, o resultado que todos esperávamos e desejávamos.
Além dos entraves criados no seio da União Europeia ao tratado constitucional,
duros de roer, os Kaczynski eram particularmente incómodos
para a Alemanha e para a Rússia.
lkj
Para Portugal, por outro lado, este é um exemplo refrescante porque,
por agora, na ilusão de medidas reformistas e opções duras,
na implementação de novas regras a reger o trabalho
de acordo com os paradigmas que fazem dos EUA,
do Japão e, no mais absoluto extremo,
da China, potências económicas globais
em vantagem do ponto de vista competitivo,
o governo português não se tem poupado a esforços no sentido de
mostrar ao conjunto do País, e a um tempo, afrontando-o,
uma face putinesca, embora mais sorridente, em Sócrates,
uma face ultrakaczynskiana na Ministra da Educação,
uma face estalineana no Ministro da Saúde.
lkj
E como a política também é a tonalidade dos actos, as entrelinhas do discurso,
e o clima que se gera no espírito das pessoas, afectando-as,
bem poderemos correr com faces deste teor,
tão para além e apesar das pessoas,
mal nos seja dada a devida oportunidade para o efeito.

domingo, outubro 21, 2007

CRISTIANO RONALDO: BOLA DE OURO OUTONO/INVERNO


Seria uma boa notícia para os portugueses se Cristiano Ronaldo (ou Deco ou Quaresma!) ganhasse o prestigioso prémio, ele que, sendo o indiscutível génio que é, tem ainda uma margem de progressão muito ampla. Se houve alguém com uma ascensão desportiva fulminante, foi ele, o que o faz conhecido e apreciado mundialmente. Eu testemunhei-o muito bem e bastas vezes no Brasil. (No Brasil fiquei comovido por me perguntarem acerca de Artur Agostinho). Ora, esse capital de influência está a ser aproveitado pelos Bancos Nacionais, (bem conhecidos pela extrema benevolência com que perdoam dívidas a quem mais deva, desde que pertença à família ou aos íntimos), que pagam a imagem e o discurso de papagaio publicitário do Ronaldo para seu, dos Bancos, próprio proveito e projecção, naturalmente. Agora, como é que se faz para aplicar essa influência de impacto mundial para maior benefício do País tendo por base objectivos de carácter social, para além do óbvio elemento motivador associado ao desportista? O homem Cristiano, para além do desfile e da moda, dos relógios e dos carros, das putativas prostitutas que só a si dizem respeito, mas nos obrigam a conhecer pelos relatos publicados da tramitação íntima, esse precisa de crescer, cultivar-se, conhecer bem melhor a Língua Materna e seus autores de referência, a História Nacional, tudo dimensões do seu ser melhor Cidadão e Homem, que só o prestigiarão sempre que tiver de falar em público, coisas, enfim, tão espezinhadas por ele enquanto jovem estudante, quando era simplesmente o Terror na Sala de Aula.

SR. PROCURADOR, ESCUTO, DAQUI A SOCIEDADE PORTUGUESA. OVER.


Foi uma verdadeira bomba ter o procurador-geral da República admitido "muitas dúvidas"
de que os seus telefones não estejam sob escuta,
tendo-se seguido uma onda de choque
de críticas procedentes quer de operadores judiciais quer do poder político.
lkj
Nuno Melo, jovem e exuberante deputado do CDS-PP,
assegura, mas não sabe o que diz, que amanhã será entregue
um requerimento solicitando a audição de Pinto Monteiro
e do ministro da Justiça no Parlamento que nada tem de auditável.
Nuno Melo, também não escutou bem a realidade subjacente a esta entrevista na "Sol".
lkj
De uma pernada, Pinto Monteiro considera
que "as escutas em Portugal são feitas exageradamente",
mas fala tarde: na entrevista ontem publicada na revista do semanário "Sol",
o pensar que tem um telemóvel sob escuta não deveria merecer apêndices vitimistas e comentaristas do tipo: "Como é que vou lidar com isso? Não sei.
Como vou controlar isto? Não sei",. Soa esquisito,
pois o homem tem poderes, no mínimo, para SABER.
çlk
Mais uma vez, a vaidade anula o mérito e o falar de mais compromete.
Os media, claro, transformaram estes agentes de primeira linha
em vítimas acabadas dos próprios excessos de verve,
excessos bombásticos que nos introduzem, relutantes,
na República das Bananas em que preferimos não acreditar estar a viver.
lkj
É, cada vez mais, a sociedade do Walkie-Talkie:
Daqui Raposa Calva, escuto. Daqui lobo cinzento, over.

SINAIS DE TODA A DESGRAÇA PORTUGUESA


Para ler denunciados aqui.

CHOQUE FELINOLÓGICO

SPACEBO!


Nasdorovia!

MAINARDI PARAFRASEADO PARA CONSUMO PORTUGUÊS


Diogo Mainardi merece ser descoberto pelos portugueses
no seu estilo desassombrado enquanto comentador político brasileiro.
A sua escrita é corajosa e logo num país onde não é fácil afrontar quem manda.
lkj
Mainardi não esteve calado, (como acontece em Portugal
com certos intelectuais e plumitivos que escrevem, mas a medo
e sob compromisso táctico com quem manda,
tirando o João Gonçalves, do Portugal dos Pequeninos)
perante Lula,
Dirceu,
o mensalão,
o PT,
a oposição ao governo
e os políticos brasileiros na generalidade, sobre os quais destilou o seguinte plebeísmo:
numa entrevista à última Playboy brasileira,
«são todos meio vagabundos».
lkjlkj
Mainardi acabou de editar uma colectânea de textos seus da Veja,
todos sobre Lula, por quem quem o move um ódio privilegiado:
«O motivo da minha implicância é público.
Acho que os brasileiros, por falta de experiência democrática,
atribuem uma importância exagerada ao presidente da República.
Um presidente é só um burocrata medíocre
que a gente contrata por quatro anos para desempenhar uma tarefa
que nenhuma pessoa minimamente sensata estaria disposta a desempenhar.
Ele não é nosso chefe: nós é que somos chefes dele.»
lkj
«Lula é Minha Anta» é um livro que nos situa no Brasil político dos últimos anos,
da era PT, das «roubalheiras do PT» sobre elas escreve com ironia:
«Duvido que todas essas denúncias sejam verdadeiras.
José Dirceu garantiu que os petistas não roubam.
Ou melhor, ele garantiu que os petistas não "róbam",
roubando, inadvertidamente, a língua portuguesa.»
lkj
Parafraseando Mainardi, nenhum dos nossos governantes nos chefia,
a começar pelo Porreiro-Pá-Sócrates,
actualmente em forte assédio aos mais pequenos com medidas gravosas e atentatórias
da sua dignidade de vida. lkj

Nós é que os chefiamos a eles, embora disso nos esqueçamos frequentemente
para nosso mal.
lkj