quarta-feira, dezembro 31, 2008

CONTRA A RESIGNAÇÃO

INSURGÊNCIA QUE ARDE SEM SE VER



1. Indiscutivelmente, a má consciência disfarça-se de consciência quando o ex-Presidente da República Mário Soares reitera temer que Portugal fique “ingovernável” em 2009 devido a eventuais protestos decorrentes de uma elevada taxa de desemprego no país, segundo afirmou à Rádio Renascença, que ouviu os três chefes de Estado que antecederam Cavaco Silva. Uma história de Portugual actualizada e não oficial certamente elencaria a acção de Soares como um começo de um processo aglutinador de forças no quadro do PS-Maçonaria-Portuguesa e menorizador de quaisquer outras tentativas, fora de esse Braço Articulado da Maçonaria, para uma verdadeira pluralidade democrática e uma força efectiva da sociedade civil capaz de absorver e minorar o tal impacto dos desempregos e das fomes que por aí virão. O aqui d'el-Rei de Soares soa por isso exactamente ao contrário. O aviso é para levar a sério, mas não o mensageiro.
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2. Mais uma vez deveria soar a boa notícia que as Finanças tenham conseguido ultrapassar o objectivo de 1500 milhões de euros em cobranças coercivas durante o ano de 2008, segundo reza uma nota do director-geral de Impostos enviada aos colaboradores: "De acordo com dados que acabo de obter, o nosso objectivo anual de cobrança coerciva para 2008 – 1500 milhões de euros – encontra-se ultrapassado", como consta na mensagem de Ano Novo que José Azevedo Pereira enviou aos funcionários da Direcção Geral de Impostos, citada pela Lusa. Só que a verdade é que a fúria despesista irresponsável em que pretende mergulhar o sôfrego executivo de José Sócrates representa deitar tudo a perder e transformar esse vinho em água, isto é, ter levado ao extremo da exasperação e do empobrecimento famílias inteiras e cidadãos verdadeiramente esmagados e atirados ao pó. E para quê? Para nada! Logo por um Fisco em muitas matérias inconstitucional porque indevida e inclementemente retroactivo, porque injusto e sobretudo porque persecutório para com quem não pode, para com quem está desempregado e há muito tempo à margem do fragilizado tecido produtivo nacional. Deveria haver pudor aqui. À semelhança do que se vai passando noutros departamentos do Estado e no tom geral das políticas de este Executivo desalmado, políticas impessoalísticas e frias, a máquina fiscal do Estado comporta-se com a frieza pragmática que visa os objectivos mas sem olhar a meios e, no mau sentido, sem olhar a quem.
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3. O improvisionismo e a desorganização pontuam a cultura das várias facções palestinianas, a mais radical das quais, o Hammas, mais interessado na publicidade sanguinária com que expõe e sacrifica os seus jovns, os seus civis e depois transforma os corpos despedaçados e sob escombros no santo fuel para a santa Jihad; mas também mais interessado em qualificações técnicas em explosivos e tácticas de guerrilha com os seus martírios sucessivamente pífios, que uma verdadeira formação de quadros e aproveitamento dos recursos humanos a bem dos territórios ainda sob a periclitante soberania formal palestiniana. Por isso mesmo parece inglório que o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, apele hoje, meses e meses de Al Kassam e convicto rompimento de tréguas depois, à reconciliação das facções rivais palestinianas. Considera iludidamente tal junção conjuntural de esforços uma resposta à ofensiva israelita contra a Faixa de Gaza, território que o Hammas controla à revelia da Fatah, movimento que domina a Autoridade Palestiniana: “Pedimos aos irmãos palestinianos que façam imediatamente uma reunião de reconciliação”, afirmou Moussa, no início de um encontro dos chefes da diplomacia da Liga Árabe, para debater as consequências dos raides aéreos israelitas ou, visto de outro ângulo, as consequências do flagelo dos Al Qassam. Porém, caso se reconciliassem como poderia admitir depois o Hammas a divisão dos louros, dos martírios e dos méritos, se só o Hammas empreende hostilizar activamente Israel? Definitivamente, não. Não é à toa que Israel ataca um dos pólos de um reino profundamente dividido e cada vez mais inviável. É mesmo para poder reinar e tirar máximo partido de tais divisões. De resto, o mundo árabe não é o mundo islâmico e aqui os ódios são naturalmente mortíferos entre facções religiosas, culturais e étnicas.
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4. Atlético e pressuroso, o CDS-PP anuncia ir pedir explicações ao Governo no Parlamento sobre as medidas excepcionais para acelerar investimentos públicos prioritários, incluindo prazos de pagamento, garantias de transparência e igualdade para as empresas. Mas o cansativo é a sensação de que esta vigilância e linha da frente na confrontação ao Executivo não passe de coreografia de curto-prazo. A Maioria Paquidérmica, com os trejeitos anti-democráticos e autistas que a caracterizam, dará o chuto habitual a este pequeno roedor e a obscuridade das medidas governamentais seguirá impune. Convém ter em conta que o Conselho de Ministros decidiu ontem que, nos próximos dois anos, as obras públicas cujo valor não exceda os 5,15 milhões de euros podem ser atribuídas a uma empresa ou consórcio de empresas por ajuste directo, o que, num país menos alienado e com um grau de activismo cívico poderia dar origem a uma contestação grega e até mesmo ao pedido de dissolução da Assembleia da República, passe a hipérbole que nem é hipérbole nenhuma. O problema é que o divórcio entre a Política e os cidadãos começa quando uma longa lista de ABUSOS um a um e sucessivamente nos passa debaixo dos narizes sem que a sociedade, em grupos e sectores, não franza organizadamente uma sobrancelha ou desencadeie uma reacção visível e de levar a sério, como a dos Camionistas durante a crise dos combustíveis em Junho. Os partidos não nos representam. Representam-se.
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5. Num momento em que o Hammas já se ajoelhou talvez por ter obtido os seus objectivos automutilatórios e sobretudo precisar de reorganizar-se, o Governo israelita, que também tem tem direito a ter objectivos militares e anímicos, acaba de rejeitar as propostas internacionais para uma trégua permanente com o Hammas, optando por continuar a ofensiva até que “todos os objectivos” da operação sejam cumpridos. Em vão o Hammas anuncia, entretanto, estar disponível para suspender o disparo de rockets contra Israel se for levantado o bloqueio à Faixa de Gaza. Somos obrigados a colocar em paralelo as abundantes acções islâmico-terroristas que têm pontuado o mundo médio-oriental e asiático e que se caracterizam por serem impiedosas, suicidárias, pontuais, mediáticas, letais, moralmente intimidatórias, elegendo alvos ocidentais e preferencialmente judeus. Israel tem sido um tampão ao ódio islâmico que se desunha por avançar e desencadear-se sobre o Ocidente a fim de revertê-lo de novo num califado, terra exclusiva do Islão.
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6. O ano que finda mostrou uma agitação particular em termos políticos e a emergência de uma consciência nova e de uma nova forma de vigiar e controlar os poderes abusivamente exercidos pelos políticos vigentes: não proveniente da Imprensa, mas da Bloga, o grande fantasma do Governo Português, bem como as sinergias pessoais intrincadas por ela geradas. Veja-se o caso dos professores, uma classe compressa por medidas estupidificantes, mas que de repente reage, une-se e reorganiza-se não graças à acção-Cassete dos Sindicatos, mas graças aos movimentos, aos e-mails e aos Blogues. Devido ao recrudescimento da ainda insondável mas já terrível crise, 2009 será o ano de definições, mas também de um acréscimo de tensões e de um endurecimento quase certo da Opinião Pública: um Governo a braços com a crise, três eleições, possíveis convergências à esquerda, e o rumo das lideranças à direita marcarão parte da agenda política. Num ano em que o próprio Governo acredita que será o aquele em que se viverá o pior da crise, os portugueses poderão ser chamados às ruas, às avenidas e às movimentações para-partidárias bem antes de efectivamente serem chamados por três vezes às urnas, para as eleições europeias, autárquicas e legislativas.

TUDO SOBRE O PSD


Eterno delator de pequenas ou médias intrigas de bastidores,
que aliás não interessam nada a ninguém,
detector de corruptos e mafiosos do aparelho partidário,
de que se sente sempre demarcado,
pois a cada um as suas conspirações preferidas,
mas sobretudo 'o' mal-amado, 'o' só e 'o' incompreendido,
ei-lo Pacheco, o único historiador, politólogo e blogger no activo,
fazendo autópsia / vivissecando esse cadáver ainda vivo chamado PSD.

terça-feira, dezembro 30, 2008

URSOS, LEÕES E OUTRAS AVES



1. Se a confiança dos consumidores norte-americanos não pára de cair é necessário parar de chamar-lhe índice de confiança e passar a chamar-lhe índice de Desconfiança articulado a um verbo mais positivo, 'subir' - a «o índice de desconfiança subiu» soa melhor. Agora imaginem a diferença que seria justamente no momento em que se noticia que a confiança dos consumidores norte-americanos caiu em Dezembro para o valor mais baixo de sempre devido ao agravamento das condições económicas no quarto trimestre e face às previsões de enfraquecimento do consumo em 2009. O índice hoje divulgado pela Conference Board, empresa privada que mede a confiança dos consumidores desde 1967, caiu em Dezembro para os 38 pontos, contra os 44,8 pontos registados em Novembro, devido a factores relacionados com a insegurança no mercado laboral e a instabilidade do mercado imobiliário.
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2. Desde logo é péssimo sinal que o Benfica estrebuche e vá recorrer do castigo de dois jogos imposto a Nuno Gomes para o Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) porque não se faz prova que o árbitro Pedro Henriques prestou declarações falsas no relatório sem o auxílio de uma Máquina do Tempo, coisa ainda indisponível.
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3. Acho péssimo sinal que uma mera hipérbole circunstancial e pacífica tenha sido transformada num delito e, perante coisas real e efectivamente graves, a Justiça Portuguesa vá perder tempo com o julgamento do presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, pelo putativo e suposto crime de incitação à violência foi marcado para Maio do próximo ano, segundo anunciou hoje o próprio. Lesto como não é em matérias realmente sérias e pertinentes e não de entreter, além de inoportuno e ridículo, em 2007, o Ministério Público de Viseu emitiu um despacho de acusação contra Fernando Ruas, que é também líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), por declarações proferidas na Assembleia Municipal de 26 de Junho de 2006, onde afirmou que a população devia "correr à pedrada" os fiscais do Ministério do Ambiente. Sinais dos tempos. O que tem real periculosidade e gravidade não é atendido, tido nem achado. Lamentável caluniar nada mais que uma singela hipérbole, aliás banal.
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4. Um dos maiores e mais monstruosos sinais da perversão devorista portuguesa é que a carga fiscal dos portugueses tenha aumentado em 2007 pelo terceiro ano consecutivo, encontrando-se em máximos de pelo menos 13 anos, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgados. É como se houvesse um secreto escoadouro por onde o sangue vital dos recursos do Estado se perdesse em irremediável hemorragia. Irremediável, não. Bastaria parar de hostilizar com desmesura o Povo e os grupos profissionais basilares e garantes identitários e passar a hostilizar justamente admnistradores e chefias intermédias do Estado, que escolhem todas as mordomias, quanto querem receber escandalosamente e sem que qualquer transparência e vigilância se exerça sobre esse processo convenientemente subterrâneo, sem que nada seja escrutinado e moralizado ou chegue em boa hora ao nosso conhecimento. É terrível que muitos tenhamos sido esmagados até à mais rosnante miséria precisamente por um Fisco Descomunal, que não pune e moraliza quem deve, mas somente e sobretudo quem jaz já nas faldas da miséria, acumulando desemprego, falência familiar e um fosso pessoal, e nada se faça por que a justiça impere neste domínio. Os dados do Anuário Estatístico de 2007 mostram que no ano passado a carga fiscal (valor dos impostos e contribuições sociais sobre a riqueza produzida) estava nos 37,5 por cento, mais 0,7 pontos percentuais do que em 2006, ora, dado o estado endémico de endividamento do País, nós sabemos que é e será em vão que esta carga prosseguirá de agravamento em agravamento: penalizará as famílias e as pessoas e não chegará para conter o abismo da despesa.

ENTRE SINAIS DISSOLVENTES



1. Tudo indica que a TAP foi vítima de uma monstruosa leviandade e, por isso mesmo, está a analisar a possibilidade de vir a processar a Aircraft Engineers International (AEI), uma associação internacional de manutenção aérea, depois de ter esta, graças a uma maldosa queixa anónima, ter denunciado falhas de segurança nos seus voos, que comprometeram a segurança dos passageiros.“O assunto está entregue à administração da TAP e aos seus advogados, que ainda não decidiram o que vão fazer”, segundo António Monteiro, porta-voz da companhia aérea portuguesa. Falta sentido de responsabilidade e de freio em muitas chefias de qualidade duvidosa e qualquer coisa que belisque uma companhia da importância da TAP terá de ser justificada, muito bem justificada, se é que tem alguma espécie de justificação.
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2. Só um raciocínio simplista poderá ver na recente acção militar israelita ainda em decurso um esforço para impedir que rockets artesanais atormentem os residentes de algumas das suas cidades no Sul, ou sequer que Israel pareça ter insuflado nova vida ao decadente movimento islâmico na Palestina. Que é decadente não há dúvidas, daí a sua pujança como o estertor japonês kamikaze. Só com um olhar de séculos se poderá ver o jogo de xadrez no terreno com o lento movimentar das peças até ao desfecho final em cem, duzentos ou mais anos, quando terá desaparecido a Palestina e só existirá Israel. Como é um processo lento e os desígnios de Iaweh são insondáveis, não daremos pela consumação de isto.
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3. Há o teatro das operações e o teatro das tréguas propostas no teatro das operações, por isso mesmo Israel terá proposto hoje uma trégua de 48 horas na guerra na Faixa de Gaza ao que Robert Lowe, investigador no Royal Institute of International Affairs, em Londres, vem considerar ser “uma ideia sensata”, antes que as críticas internacionais “aumentem à medida que subirem as vítimas civis palestinianas”, como se o que predominasse em matéria de política internacional fosse sensibilidade ao número de vítimas. Se assim fosse, o Iraque teria sido impossível assim como outros danos colaterais em outros tantos conflitos no planeta, sobretudo em África.
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4. Como se pode ler facilmente, há certos sectores sem acesso a rombos e a falcatruas na alta finança e nos produtos e investimentos tóxicos que não têm direito a avales, e é por isso que a CGTP denunciou hoje dívidas de 191 milhões de euros referentes a salários e indemnizações em atraso a mais de 20 mil trabalhadores. Segundo a confederação, o distrito mais afectado é o grande Porto e a região Norte, sendo as indústrias do vestuário e do têxtil as mais lesadas. Basta ler e descobrir as diferenças.
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5. Outra forma de guerra, económica e estratégica é a travada entre os fornecedores de energia e os que apenas podem cumprir o papel de consumidores, matéria a que deveríamos estar atentos no presente e no futuro pois passa por aí a fonte de aflições do mundo ocidental, sobretudo quando a arma económica vem mesmo a calhar para punir opções e rivalidades de carácter político: a gigante gasífera estatal russa Gazprom criou ontem uma comissão especial para proceder a eventual corte do gás natural à Ucrânia, a 36 horas de terminar o prazo dado por Moscovo para Kiev pagar dois mil milhões de dólares em dívida. Sob a pressão do fim de prazo, a gasífera ucraniana anunciou que pagaria até ao final do dia praticamente todo aquele valor, excluindo os 450 milhões de penalização.
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6. Contrariando as previsões de corrigendas e de recomendações, dadas as evidências de ser já nesta altura o OE 2009 uma ficção zombie em andamento, aparentemente o Presidente da República promulgou hoje o Orçamento de Estado para 2009 e já terá informado o Governo de José Sócrates da sua decisão, noticiou esta noite a SIC Notícias, o que só se compreende tendo em conta a lógica de uma no cravo outra na ferradura de um Cavaco bastante errático em matéria de diagnóstico do tipo de gente com a qual tem cooperado institucionalmente. Entre tantos sinais de dissolução de ética e costumes, este parece-me, simplesmente e sem dramas para além da tragédia em decurso, somente mais um e bem sintomático de fragilidade e contraexpectativa.
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7. É uma pena que não oiçamos uma asserção assim determinada, com odor a Baltazar Garzón, relativamente à corrupção que grassa no cerne do Estado e é por isso mesmo que nos soa a parangona e a soundbyte da treta que o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, saliente hoje que "o combate à criminalidade violenta e grave continuará a ser a prioridade da estratégia de segurança para 2009". Só se for no discurso, já que a lei e a punição estão há muito demasiado danificadas para serem levadas a sério. E basta atentar que os mecanismos de prevenção não funcionem ou não continuassem iguais os sinais e os sintomas do último Agosto: a Polícia Judiciária está a investigar dois assaltos a dependências bancárias ocorridos hoje em Lourel e Mem Martins, no concelho de Sintra, havendo a confirmação de que o primeiro decorreu sob a utilização de armas.
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8. Não sei como se pode considerar simplisticamente ter Cavaco Silva feito ontem a sua declaração de voto vencido na polémica política que manteve com a Assembleia da República e, em consequência, com o Governo. Do meu ponto de vista, na prática a coisa está invertida: formalmente a polémica mantida com o Parlamento foi na substância com o Governo, uma vez que le gouvernement c'est Lui, Sócrates assim como o Parlamento é ele, Sócrates. Parece-me aberrante que São José Almeida escreva que: «O Presidente decidiu afrontar a maioria parlamentar, liderada pelo PS e por José Sócrates, ao tentar impor politicamente, usando o seu poder de veto, a alteração do Estatuto dos Açores». E que Perdeu. E como é normal no figurino constitucional português, promulgou a lei. Parece aberrante ler que quem afronta é o PR, quando há só um mestre useiro e vezeiro de todas as afrontas.

ORGIÁSTICA IMPRENSA A MEDO



1. Depois de os números da Crise nos remeterem à Faixa de Gaza da pré-Depressão e da clara Recessão económicas, os tempos vão voláteis também em matéria de guerra. Naturalmente que há desgaste da parte das populações do Sul de Israel, onde os habitantes se queixam de não ter vida por causa dos rockets do Hamas. Sderot, a cidade mais afectada, perdeu metade da população nos últimos oito anos, a economia está estagnada, as crianças têm medo. Agora, os rockets do Hamas começam a chegar mais longe e a cidades maiores, como Ashdod e Ashkelon, onde já fizeram vítimas mortais. Mas parece-me que ainda que o Hamas lançasse uma nuvem diária de Al Qassam, os Israelitas teriam os meios tecnológicos para neutralizá-los um a um. Do ponto de vista táctico, é, porém, interessante ao poder político a manutenção de um grau de dano sofrível e minimamente tolerável para justificar passos de gigante na justificação futura da anexação, ocupação, integração de um território, onde há muito que nem sequer se sobrevive, dado o aviltamento e a indignidade das condições de vida, rigorosamente miseráveis do lado palestiniano em parte por culpa própria ou não fosse a cultura residente um sério limite a outros horizontes, excluíndo a pequena comunidade cristã palestiniana aliás perseguida e compressa. Por outras palavras, uma civilização limpa a casa, limpa o quintal e os fundos da casa, talvez Israel o faça afinal em seu nome. Em face do que a Europa berra. O Mundo assiste. E as tréguas definitivas e duradouras são uma miragem.
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2. Não faltam más notícias: se de facto nos próximos dois anos, as obras públicas cujo valor não exceda os 5,15 milhões de euros podem ser atribuídas a uma empresa ou consórcio de empresas por ajuste directo, tal como aprovou hoje o Conselho de Ministros, então podemos continuar a esperar o pior do pior: primeiro porque nenhuma obra cumpre com o ajustado e o orçamentado inicialmente e em segundo lugar porque o sinal está dado aos amigos: não será preciso manejar grandes explicações: os cidadãos são cordeiros aos quais se servem exclusivamente factos consumados, negócios duvidosos consumados, avales mal explicados consumados. Igual procedimento pode ser adoptado para a compra ou locação de “bens móveis ou compra de serviços”, desde que os contratos celebrados não ultrapassem os 206 mil euros: este Conselho de Ministros está Louco e anda à solta!
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3. Uma boa solução para Portugal de que muitos interesseiros e avençados da política não gostam é esta forma de organizar um governo: com uma vasta plataforma de entendimentos. Bem sei que a Bélgica são dois povos com um ódio mortífero recíproco, mas a belgicização de Portugal não está muito longe, menos o papão de não haver maiorias nem relativas nem absolutas. Por isso é com naturalidade que podemos ver o democrata-cristão flamengo Herman Van Rompuy como o próximo primeiro-ministro da Bélgica, na sequência do acordo a que chegaram os cinco partidos da maioria, abrindo à porta à sua nomeação pelo Rei da Bélgica, Alberto II, segundo noticiou a comunicação social local. Em Portugal, os partidos do arco do Poder não têm vergonha na cara e já superaram o tempo da reforma. O que em bom rigor faliu, faliu. Não vale a pena andarem com rodriguinhos.
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4. Tendo apanhado nas orelhas de todos os sectores da sociedade e nem a comunidade judaica ou hindú se excluíu de censurar a mercearia eleitoralesca do PS parlamentar, tendo sido tais eventos de uma gravidade extrema que nem o pobre Santana, quando foi incidentalmente PM, é perfeitamente natural que o Governo se tenha recusado a comentar as críticas feitas pelo Presidente da República no acto de promulgação do Estatuto dos Açores. Bem pode o Governo alegar que se trata de uma matéria da esfera da Assembleia da República e não do executivo e tentar, uma vez mais, fazer de nós parvos e chutar para a frente: já todos sabemos que o PS Parlamentar é uma sombra e um espectro nas mãos plenipotenciárias e controleiras de Sócrates.
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5. O exército israelita não rapta nem assassina jornalistas, a não ser em casos esporádicos com soldados fora de si e por isso só pode ser temerária a petição que a Foreign Press Association entregou no sábado ao Supremo Tribunal de Israel onde se lhe pede que emita uma ordem temporária que permita aos jornalistas estrangeiros entrar na Faixa de Gaza, “zona militar encerrada”. A proibição está em vigor há cerca de dois meses e foi levantada apenas ocasionalmente. Lá sabem aonde se querem meter e que moeda de troca desejam servir.
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6. Num claro sinal errático e alienador de empregos e de sectores estratégicos do País, na senda aliás de todo um longo caminho desgraçante e degradante para os interesses de Portugal, o Conselho de Ministros aprovou hoje a última fase de reprivatização do capital da Siderurgia Nacional que é controlada pela Atlansider em 89,9 por cento e que agora irá comprar os restantes dez por cento do capital por 32 milhões de euros. Depois segue-se a treta elencada no comunicado do Governo que acrescenta que as relações mantidas com a actual gestão da Siderurgia Nacional - Longos deverão permitir "a continuidade do projecto empresarial desenvolvido desde o início do respectivo processo de reprivatização, em função do interesse para o sector e para a empresa no prosseguimento continuado dessa estratégia". Isto é, de repente a gestão Longos e a Atlansider, num de estes dias, resolvem vender a Siderurgia Nacional a uma siderúrgica qualquer espanhola e bem podem estes venais limpar as mãos à parede ou, o que é o mesmo, integrar os respectivos CEOs, que é a vida seguindo o seu livre curso promíscuo.
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7. Um dos grandes milages da Socratura foi que, dentro da célebre Lei do Tabaco de que o PM está isento, um ano depois, o encaixe fiscal do Estado permanece sensivelmente o mesmo, mas já a tal lei anti-tabaco, supõe-se, fez reduzir o número de fumadores em cinco por cento, anunciou a hoje a Ministra da Saúde presuntivamente. Acrescenta-se que a nova lei também mudou os hábitos de cerca de 30 por cento dos fumadores em relação ao tabaco. Já sabemos que o Fisco também vai estrangulando a economia, que a Justiça vai estrangulada de atrasos e palhaçadas em simulacro, que o Ensino está um farrapo e os professores cada vez mais tapede dos pés do sistema. «Pelos frutos os conhecereis». Não faltam bons resultados de más paleolíticas políticas.
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8. Por que se há-de exigir que se condene o que, por natureza, só pode ser condenável? Para que servem estas exigências formalísticas repletas de ocos formalismos? Israel, na verdade, nunca nos fez mal absolutamente nenhum e os seus cientistas têm-nos feito imenso bem, o mesmo não podemos dizer dos sanguinários paquistaneses que recentemente mataram israelitas, europeus e indianos sem olhar a quem, lá, na célebre Bombaim. Parece-me fátua e só para mostrar que existe e faz alguma coisa a iniciativa do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) ao, reparem bem, exigir, verbo horroso!, hoje que Portugal e a União Europeia condenem os ataques de Israel a Gaza e pedir a implementação de políticas internacionais que ponham fim ao "desumano" bloqueio ao território. Há instituições que, de tão inexistentes e inócuas, esticam um pescoço menor que o calcanhar.
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9. Mostrar serviço e parecer altruísta e eficaz, de tais ingredientes se fazem anúncios como o de a vacinação para prevenir o cancro do colo do útero ir custar cerca de 17 milhões de euros no próximo ano para abarcar as jovens nascidas em 1992 e 1996, sobretudo se nos não esquecermos a luta que foi por que efectivamente o Estado mantivesse a sua natureza, vocação e função primeira nesta matéria, assumindo o que lhe compete. Bastará, para tanto, consultar que lutas se travaram para travarem as pretensões de fazer recair sobre os cidadãos directamente os custos com esta vacina. Em 2008, o custo da vacina foi de dez milhões de euros, menos quatro do que o esperado, escusado será virem alardear de futuro que o Estado afinal aqui e ali até cumpre com os seus deveres.

A ALEGRIA DA GUERRA


Há um prazer secreto em desgraças e mortandades próprias da parte das culturas islamizadas de alguns países médio-orientais, excluíndo a Jordânia, e se Israel rejeitou hoje qualquer trégua com os islamistas do Hamas na Faixa de Gaza antes de pararem os disparos palestinianos de morteiros para o seu território, isso significa que Gaza tem os dias contados. Os ataques aéreos desencadeados desde sábado anunciam “longas semanas de acção militar”, significando isto desde logo, além da reedição de morticínios, a inviabilização infraestrutural do território, base a partir da qual uma reocupação poderá ganhar corpo. Certo é que por cada atentado islâmico-radical frustrado na Europa, e são bastantes, seria de esperar outro tanto em indiferença europeia com a sorte de quem a tais crimes se apresta ou culturalmente os fomenta por natureza ideológico-religiosa. Mas o que temos são manifestações inflamadas anti-israel.

CÉSAR NÃO É CÉSAR


1. Aparentemente, Carlos César, o líder do PS/Açores, não poderia afirmar outra coisa senão que a decisão do Presidente da República de promulgar o Estatuto dos Açores foi "um acto de superior interesse nacional" e que não o fazer "seria um absurdo". Mas a realidade é diversa: antes de mais, não há bons estatutos se eles violam em primeiro lugar a Constituição e são promulgados à revelia da figura presidencial e a sua interpretação. Se Carlos César acha decente dobrar a figura do PR e que o estatuto "É um bom Estatuto para os Açores e um bom Estatuto dos Açores para o País e seria um absurdo não o promulgar", provavelmente estará disponível para ver com bons olhos que o PR, decorativo que é, não sirva para absolutamente nada e possa perfeitamente ser cilindrado, desde que as maiorias o desejem. É o começo do fim de uma República que não se quer levar a sério, dado o oportunismo e a politiqueirice que subjaz a tudo isto. Lamentável.
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2. As festividades em torno de este processo mal conduzido do Estatuto deflagram pelo país e, como não poderia deixar de ser, também o ex-líder do PSD, Luís Filipe Menezes, a elas se associa, tendo revelado hoje à Lusa ter garantido a Cavaco Silva que o partido não aprovaria o Estatuto Político-Administrativo dos Açores e que Paulo Rangel fora encarregado da argumentação para sustentar essa posição. Houve, no entanto, a magnífica abdicação de Menezes, apeado por um sistema intrincado de suicidários-PSD, mafiosos do aparelho, perpétuos conspiradores Rui Rio, Pacheco Pereira e Ferreira Leite. No fim de tudo, Sócrates colocou Cavaco Silva no bolso. Manuela Ferreira Leite ajudou a esse processo. É a vergonha consumada. Que se entendam!

NÃO SE RESISTE A ISTO


1. Até prova em contrário, cheira a trabalho escravo e a exploração prisional, senão que pensar do facto de que, tirando a bondade de alguns voluntários dos Bancos Alimentares desenvolverem actividades junto de reclusos para promover a cidadania e a responsabilidade social, ter chegado a oportunidade de estes últimos retribuírem?! A partir de amanhã, reclusos de cinco estabelecimentos prisionais distintos vão contar com 25 hectares de terreno para cultivar. Os produtos que conseguirem retirar da “Horta Solidária” serão distribuídos pelas populações mais desfavorecidas. Mas e os reclusos não são eles já por si desfavorecidos completos?!
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2. É preciso muita incompetência e muito servilismo para um partido como o Partido Socialista se mostrar hoje satisfeito com a promulgação tão contrariada e a contra-gosto do Estatuto Político-Administrativo dos Açores pelo Presidente da República, Cavaco Silva. Pior é desvalorizar as críticas gravíssimas à redução dos seus poderes por uma lei ordinária e aos interesses partidários referidos pelo chefe de Estado apontando concretamente os interesses de lana caprina e pequena mercearia política do PS. De resto, os principais partidos da oposição centram as críticas na “teimosia” do PS em não alterar os dois artigos no centro da polémica, mas reconhecem [porque não têm vergonha, sobretudo o PSD!] que o diploma é globalmente positivo e divergem [porque se trata de um saco de gatos e de mal-preparados do ponto de vista jurídico e constitucional] quanto à questão da lealdade entre as instituições. Não se enxergam nem aprendem. Teremos de ser nós a ensinar-lhes com uma banhada eleitoral o suficiente para banir sem espinhas a horda de incompetentes que senta as suas nádegas ociosas nas bancadas do parlatório.
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3. Mário Crespo, de novo num belo artigo de opinião independente, feliz e bem humorada, faz a oposição que falta e o contraditório que vai mortiço ao Poder Fátuo que por cá fede, aproveitando o negro labirinto burocrático do Ministério da Educação pseudo-avaliativo para correr a medíocres em todos os itens a Ministra. Vale a pena ler aqui.
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4. Num país de totós, de tretas e de mãozinhas mediáticas estendidas e obedientes ao poder político [e a SIC tem sido informativamente muito complacente com o Propagandesco Oco do Executivo ao contrário da TVI] sabemos que há um ano, Nuno Santos transitava de uma RTP1 com 25,2 por cento de share para uma SIC que, pela primeira vez em quinze anos, estava na terceira posição dos canais generalistas mais vistos. O ano de 2008 termina agora com a SIC novamente em segundo lugar, com 24,9 por cento de share e com a RTP1 com 23,8 por cento (dados da Marktest até 28 de Dezembro). Sem surpresas, a TVI continua a dominar e reforçou mesmo a sua quota de mercado, com 30,5 pontos de share contra os 29 de 2007. A RTP2 tem 5,6 pontos, uma melhoria em relação a 2007, em que tinha 5,2 pontos. Por outras palavras, o pobre povo vidente e nada clarividente das TVs é como la donna è mobile qual piuma al vento, muta d'accento e di pensiero. E logo este desfecho diante um novo ano em que se prevê que muitos jornais e aparentes portentados mediáticos vão tremer e falir. Pode não ser suficiente ter melhorado no desempenho do share.
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5. Aparentemente, segundo estas notícias mais recentes, os militantes do Hamas iniciaram uma intifada à base de barragens intermináveis de Al Kassam ou, por outras palavras, estão como querem e com alguma capacidade de resposta e de vitimação de uns poucos de israelitas: em guerra, matando moscas, errando os alvos, mas morrendo alegremente às dezenas, já 364, com um sorriso martírial no rosto sob os bombardeamentos inteligentes israelitas. Boas festas a tão proverbiais obstinados: «GAZA CITY, Gaza Strip — Palestinian militants sent a deadly barrage of missiles flying deep into Israel on Monday, demonstrating that Hamas still had firepower three days into Israel's punishing air offensive in Gaza. Three Israelis were killed and two seriously wounded. Palestinian health officials put the three-day death toll in Gaza at 364; the U.N. said the total included at least 62 civilians.»

segunda-feira, dezembro 29, 2008

CAVACO, FRAQUEZA FRACA


A situação que nos parecia ridícula no Verão parece-nos afinal agora
o sinal acabado da estratégia oportunística de confrontação
por que se regeu o PS parlamentar [mero títere do governamental]
sob os auspícios de um José Sócrates que não olha a meios:
o caos completo e a conflitualidade como forma de vida
são as sementes de uma legislatura autoritaresca e fracturante.
lkj
Vejam a figura de Vitalino Canas porta-vozeando um ataque ao PSD
dentro da velha e cansativa chicana politica e com aquela boquinha risonha
de um perfeito e reduplicado aboletado do Regime,
grande imitador do Lello topa-a-tudo-em-tacho,
veja-se também a figurinha do PSD nacional,
a figurinha triste e subalterna ao PSD regional
assim como de quantos sobrevoaram esta questão com um amadorismo
que viola a constituição. O PR tem razões para arrasar
por tudo e por nada um PS subversivo e provocatório e se o não faz
nós sabemos porquê: é novamente a fraqueza fraca de Cavaco
e o contexto de crise que determinam que os torpes continuem
nos lugares tremidos em que estão. Se o PR não age com força
pode bem ser que o Povo possa agir e levantar-se.
lkj
Tenho sempre uma secreta esperança de que em Portugal não more afinal um Povo
vegetal vegetando alienação e alheamento até ser tarde de mais para si,
não more um Povo subserviente e temebundo perante as autonomias
e as tácticas cínicas dos seus líderes políticos assim como dormente
perante o banho de propaganda que o esgana todos os dias.
lkj
[O Disney Sexual em desfile orgiástico, basta clicar para ver melhor,
e que escolhi como ilustração metafórica de esta posta,
é justamente o ícone de toda uma inversão inesperada de papéis
dentro do alinhamento institucional entre órgãos de soberania.]

GASEANDO GAZA


Se a memória dos homens valesse alguma coisa,
se a sua noção de história fosse mais que o relato dos vencedores
e dos que prevaleceram pela força ou prevaleceram, apesar de derrotados,
apenas porque pereceram só depois de terem concluído
a limpeza em que se apostaram inicialmente,
já a guerra teria entrado em desuso.
lkj
Se Israel, ao devastar Gaza, garantisse que só os coletes com explosivos
e os suicidários terroristas eram esmagados, que só indivíduos
como os que flagelaram Goa eram degolados,
não estaríamos aqui meneando a cabeça condenatórios
como de resto outros ainda mais nulos
como uma caríssima nulidade burocrática chamada UE.
Assim, é remoto que a acção israelita não equivalha à barbárie
que, de tão banal e recorrente, tem justificado acções, invasões e gestos veementes
do exército. Shalom para quem vier por bem.

TIROS, FARPAS E FLECHAS



1. Era muitíssimo mais fecundo continuar caladinho a fazer propaganda interna que vir produzir ruído e palavrório, tendo em conta a sua rigorosa insignificância em todas as matérias de cariz internacional sobre as quais Portugal se pronuncie: nada mais sinal de despreocupação completa entre o Executivo que alardear preocupação e por isso mesmo se o Governo português está a acompanhar com "a maior preocupação" a situação em Gaza, participando o ministro dos Negócios Estrangeiros amanhã numa reunião convocada pela Presidência francesa da UE para debater a crise no Médio Oriente, isso quer dizer que não vai fazer nada, não pode fazer nada, nem lhe interessa fazer nada.
lkj
2. Espera-se, com enorme cepticismo que os advogados que representam os clientes do Banco Privado Português (BPP), que hoje apresentaram uma providência cautelar para impedir o banco de usar o empréstimo de 450 milhões de euros, esperem em vão qualquer decisão de um juiz seja em "meados de Janeiro" seja depois: será divertido constatar em que conta se têm os tais depositantes, arrolados ou voluntários nas grandes jogadas de casino e investimentos no escuro.
lkj
3. Enquanto isso, o Banco Popular Portugal anunciou hoje um aumento de capital de 200 milhões de euros reservado ao Banco Popular Español, a casa mãe. Em comunicado da instituição que a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgou, o Banco Popular Portugal refere que com a operação hoje aprovada em assembleia-geral, o capital social do banco deve subir de 176 para 376 milhões de euros. Na sequência do verbo de encher político, que se farta de dizer o que fará, mas não faz, a operação representa também "um reforço inequívoco da solvência e cria condições objectivas para continuar a crescer em Portugal, financiando a economia e os agentes económicos, em particular as pequenas e médias empresas e os particulares", segundo o mesmo responsável.
kjh
4. A ASAE e a PSP são aquela máquina. Fazem o Estado facturar o que vai perdendo nas Directorias Gerais de Fachada, onde se esfumam mais recursos que os Estados Unidos consetem para os mesmos serviços e o mesmo tipo de gestores. Só a PSP efectuou 634 detenções no decorrer da operação "Polícia Sempre Presente - Natal em Segurança 2008", uma operação de fiscalização que se realizou durante o mês de Dezembro e mobilizou em todo país 10.998 agentes. Quem poderá queixar-se de esta produtividade de Natal? Aguardemos pelos números do Final do Ano.
kjh
5. Sinal dos tempos e rastilho de forte convulsão social futura é o número de trabalhadores afastados em processos de despedimento colectivo que aumentou, nos primeiros dez meses do ano, cerca de 30 por cento quando comparados com os números de 2007. Os dados da Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho revelam que o peso do número de trabalhadores abrangidos está a crescer significativamente. Definitivamente, o trabalhador-colaborador está ali a atrapalhar o lucro esmagador do investidor. Por tipo de empresas, foram as microempresas que geraram a maioria dos processos de despedimento (76 por cento do número de processos). Mas foram as médias e as grandes empresas que criaram mais desemprego – respectivamente 973 e 1014 trabalhadores, dos 2979 trabalhadores. Vai haver molho. Isto só pode dar em grande ranger de dentes e confusão.
kjh
6. Se a moda pega, as desistências de grandes investimentos alcançados e acordados vai ser banal em 2009 porque o medo de perder assim como a impossibilidade de obter financiamento infecta muita gente, pelo menos tal é o exemplo do consórcio Multi Development/Lena Construções, que ganhou o concurso para a construção de um mega-centro comercial na cidade de Leiria, e que anunciou hoje que desistiu do projecto devido ao atraso na adjudicação e à conjuntura económica.Em comunicado, o consórcio invoca um "desajustamento do projecto à realidade, devido ao atraso na adjudicação" e às "muitíssimo adversas condições económicas e financeiras da conjuntura nacional e internacional" para se desvincular do projecto Forum Leiria.
lkj
7. Quando as coisas estão tremidas, nada como uma boa tempestade para atrapalhar, pelo menos, mais um bocadinho: a SATA cancelou hoje 15 voos entre as ilhas açorianas, devido ao mau tempo que atinge o arquipélago, disse a transportadora aérea açoriana. Até às 16h00 locais (mais uma hora em Lisboa) foram canceladas ligações entre as ilhas de São Miguel, Pico, Terceira, Faial, Flores e Corvo.
lkj
8. Boas notícias para quem gosta de natureza, mesmo aquela toda geométrica porque gizada pela má consciência dos homens ao longo de décadas de desleixo e clandestinidade: A Ilha de Faro vai ter novas dunas nos espaços demolidos, no âmbito de um projecto orçado em 50 mil euros que venceu o concurso público de ideias para requalificar aquela zona do Algarve. O vencedor do concurso público, o arquitecto Nuno Brandão Costa, propõe a criação de "novas dunas nos espaços demolidos com o objectivo de iniciar o processo de renaturalização da ilha". Novas construções para realojamento dos habitantes da Ilha de Faro, praças, novos acessos à praia, apoios de praia e cais na ria também fazem parte do rol das propostas de Nuno Brandão Costa.
lkj
9. De repente lembramo-nos de que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, existe. É um pouco o efeito Barroso: tão insignificante que só por vezes damo-nos conta de que existe e cumpre o seu papel decorativo que não é para levar a sério. Indiferente aos actos provocatórios do Hamas, Ban Ki-moon não anda na lua-moon e reiterou hoje o seu apelo ao fim imediato da violência em Gaza, considerando-a "inaceitável"."Estou profundamente preocupado com a actual escalada de violência em Gaza e em seu redor. É inaceitável", disse Ban Ki-moon esta tarde em conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Imediatamente, Israel, numa prova de grande respeito institucional, continuou as suas tarefas de limpeza de Gaza, as quais, tal como aconteceu com o Grande Tsunami Asiático, correm melhor em épocas de particular festividade ocidental e grande desmobilização cívica por razões de força [gastronómica e preguiçosa] maior.

TARANTINO, PLEASE!


Tarantino, meu amigo, já sabes da minha amizade, do meu interesse
e do meu abraço sincero que envolve os votos de um bom ano 2009 e muito mais.
Termo-nos pegado muito e muitas vezes foram preliminares do abraço dado.
Há brincadeiras que não devem ser lidas senão como elas são.
Há encontros e gestos de benevolência e simpatia, conversas acalentadoras,
essas que tivemos in praesentia, olhos nos olhos, que não têm preço.
Ceando ou jantando, envolvidos por simplicidade e autenticidade,
foi dito e jurado sem palavras que nos somos naturais,
cúmplices e gratos como ancestrais brothers in arms.

domingo, dezembro 28, 2008

NÃO ME DEIXAREM EM PAZ


A bloga é uma caixinha de surpresas. Chegados ao Natal, somos confrontados com gestos convencionais de extrema simpatia de quem, nalguns casos, não conhecemos nem vimos mais gordos ou mais feios ou mais mafiosos e que se traduzem por mensagens de e-mail, pequenos SMS, gestos de grande sensibilidade, cultura e humanidade que tenho a obrigação de registar a seguir. Não. Não me estou a referir concreta e exclusivamente aos dos meus caríssimos amigos Tarantino, Daniel Santos, Tiago Cardoso, Joaninha, Blonde, David Oliveira, João Severino e António Implume, por exemplo, e a ordem é aleatória e nunca por nunca hierárquica, boa gente com quem durante todo o ano por cá se faz sólida amizade e boa cumplicidade para além de quaisquer diferenças e não apenas por alturas das luzes enganosas e da convenção gastronómica do Natal.
lkj
Obviamente que passo o ano inteiro sem passar qualquer cartão a muitos de esses outros blogues e por isso é complicado compreender por que se dão ao trabalho de se lembrarem que existo precisamente agora, na quadra natalícia. Que bicho lhes mordeu? Tudo bem que, tal como eles em relação a mim, possa sempre fingir que os leio e venero assiduamente. Por isso, porque nesta quadra de Natal não me deram qualquer descanso por palavras e 'emissões' a felicitar-me pelo belíssimo projecto do meu Palavrossavrvs Rex, entre o laudatório baboso e a exigência de um link urgente a esses mesmos blogues, passo a referir, com algum fastio e cansaço, mesmo obrigado, os que se deram ao trabalho de me requisitar e requestar congratulatoriamente ao longo de estes dias de Natal, deixando inclusivamente votos de Bom Ano de 2009. E esses blogues são: A Arte da Fuga, A Barbearia do Senhor Luís, A Curva da Estrada, Adufe, A Gata Christie, Água Lisa, Almocreve das Petas, Amarcord, And Now for Somsen Completely Different, A Origem das Espécies, A Pipoca Mais Doce, Arcádia, Arrastão, A Senhora Sócrates, Astro que Flameja, A Terceira Noite, Atlântico, Auto-Retrato, Avatares de um Desejo, Bandeira ao Vento, Berra-Boi, Bibliotecário de Babel, Bicho Carpinteiro, Blasfémias, Boca de Incêndio, Câmara de Comuns, Cão com Pulgas, Canhoto, Causa Nossa, Cibertúlia, Cinco Dias, Cinédrio, Circo Voador, Cocó na Fralda, Com a Luz Acesa, Contra Capa, Controversa Maresia, Correio Preto, Corta-Fitas, Crónicas do Rochedo, Defender o Quadrado, Der Terrorist, Designorado, Despertar da Mente, Eclético, E Deus Criou a Mulher, Entre as Brumas da Memória, Estado Civil, Era uma Vez na América, Estrada Poeirenta, Farmácia Central, Fim de Semana Alucinante, Floresta do Sul, Geração de 60, Geração Rasca, Gonio, Herdeiro de Aécio, Hoje Há Conquilhas, Hole Horror, Irmão Lúcia, Janela Indiscreta, João Tordo, Jugular, Ler, Lóbi, Mais Actual, Mar Salgado, Miniscente, Miss Pearls, Nem Tanto ao Mar, Nocturno, Nortadas, Notas Verbais, Nunca Mais, O Afilhado, O Amigo do Povo, O Andarilho, O Anónimo, O Avesso do Avesso, O Bacteriófago, O Cachimbo de Magritte, O Carmo e a Trindade, O Insubmisso, O Insurgente, O País Relativo, O Tempo das Cerejas, Palavra Aberta, Pedro Rolo Duarte, Pensamentos, Porta do Vento, Prazeres Minúsculos, Quarta República, Quase em Português, Quatro Caminhos, Quinta da Capa Rota, Retórica, Rititi, Sete vidas como os gatos, Small Brother, Sobre o tempo que passa, Sorumbático, Sound+Vision, There's Only 1 Alice, 31 da Armada, Vida Breve, Vox Pop.
lkj
É muito mais saudável e natural ser-se completamente ignorado. Ainda bem que de a lista acima estão ausentes uns bons milhares de bloggers e de blogues que não se interessam minimamente por mim, não me enviam centenas de SMS, nem me massacram com milhares de e-mails ou sequer me exigem que os linke urgentemente, que os referencie recorrente e fastidiosamente nas minhas postas fazendo jus a um tácito circuito fechado de interesses e de não hostilização garantida. De esse fardo estou completamente livre.

MARAVILHOSO PANDEMÓNIO


Do que os fortes encurralados na exiguidade de um território precisam
é de pretextos para sovarem os fracos vizinhos e apossarem-se do que é deles.
Não se trata de ser anti-israel, anti-sionista, embora este último conceito,
sionismo, envolva uma lógica usurpadora, não se trata
de tomar partido por alguma das partes contra a outra,
bem pelo contrário: por ambos os Povos,
contra a violência desmedida e a cegueira territorial sem saída.
Seria de todo o interesse que um País organizadíssimo
e avançado, como é Israel, não se comportasse no terreno de guerra
com devastadora e descontrolada selvajaria, manchando a sua imagem,
ultrajando a sua mensagem cultural constitutiva: não matarás!
lkj
Nada de este tema é varrível com simplismos
até porque o extremismo islâmico é profundamente odioso,
a disponibilidade para massificar a morte e servi-la aleatória a inocentes
é uma ruptura humanística intolerável. No terreno os ódios empapam-se de sangue
e misturam-se numa espiral de ressentimentos entrelaçados, mortíferos.
E este é somente mais um episódio de recontro
entre nada mais que dois Terrores.

BRUXAS MÁS E OE DE FANTASIA


Tenho dúvidas sobre se da parte do PR os portugueses
poderão antecipar qualquer descooperação estratégica com um Executivo
bastante feirante e completamente alienado das suas principais prioridades
de serviço público, traídas e negligenciadas com negócios e privatizações duvidosos.
lkj
E isto porque, por muito afrontado e enfraquecido que a PR tenha sido
por acção concertada conducente à emergência em toda a sua gravidade do caso BPN,
por manipulação maldosa dos Media procurando logo enlamear Cavaco,
por manobras de bastidores no Parlamento refreando audições e inquéritos,
dando ocasião a Dias Loureiro colar-se em velcro à figura presidencial,
sornamente lavar-se nela, isentar-se e salvaguardar-se nela,
nunca vimos da parte da PR uma intervenção de contra-poder
corajosa e firme, a fazer justiça a uma base de Povo
que se sente esbulhada todos os dias por políticas
liberais desalmadas em contraciclo, cheias de social na boca,
mas só da boca para fora no mais esmifrado dos Países.
lkj
Se se sentir que a PR intervém criticamente sobre este OG 2009 de Fantasia
poderemos considerar tal facto inédito um começo de milagre feliz..
Talvez o começo de uma outra história em que as bruxas más
dos cheques-prenda em Armani & Prada desavergonhados
e colaterais desmandos nas altas esferas sanguessugadoras dos recursos do Estado,
[as tais que sequestraram Verdade e Isenção na acção executiva
porque a acção executiva é pouco mais que prostituíção às respectivas clientelas]
não continuem aparentar levar sempre a melhor sobre todos nós.

EM SACO ROTO


António Barreto apresenta um feixe de pedidos
da maior gravidade e urgência para 2009. São avisos sérios à navegação.
Lamentavelmente, sabemos que em nada será escutado,
pois o PM, deslumbrado pela sua governação telecomandada por fichas desfasadas
da realidade, pelos bitaites dos organizadores das balelas
da comunicação propagandesca, convencido de que o seu espectáculo
lhe rende dividendos em popularidade e boas sondagens,
prosseguirá o seu rumo asqueroso.
lkj
Como outros da mesma estirpe, parece um fornecedor de orgasmos
e na verdade não passa de um reles aldrabão torturador
porque indiferente aos mais pequeninos:
lkj
«Gostaria que o governo, num sobressalto de consciência e de preocupação com as liberdades públicas e os direitos fundamentais do cidadão, reconsiderasse todas as medidas e procedimentos em curso que consolidam um clima de intrusão, de violação da privacidade, de despotismo e de controlo dos cidadãos, incluindo, evidentemente, o bilhete de identidade múltiplo, o chip dos automóveis, a legislação sobre escutas telefónicas, a actuação da ASAE e a delação fiscal e económica.»
lkj
António Barreto, in Jacarandá

sábado, dezembro 27, 2008

FALSA PREMISSA EXPIATÓRIA



Considero meramente pretextual e mesmo programática
esta ideia de que a fonte dos conflitos presentes,
ao tempo da escrita originária huntingtoniana vistos como futuros,
se baseia num choque de culturas e de religiões.
Continua, pelo contrário, a ser basicamente económica. A invasão do Iraque
foi um passe bélico de carácter económico; o Afeganistão parece o mais fundamentado
dentre todos os conflitos preventivos possíveis; o conflito na Palestina
é um complexo emaranhado que envolve basicamente pretensões territoriais,
coisa que se tem dirimido basicamente pela força do mais forte,
o resto é comiseração facciosa:
lkj
«A minha hipótese é que a fonte fundamental de conflitos neste mundo novo não será principalmente ideológica ou econômica. As grandes divisões entre a humanidade e a fonte dominante de conflitos será cultural. Os Estados-nações continuarão a ser os actores mais poderosos no cenário mundial, mas os principais conflitos da política global ocorrerão entre países e grupos de diferentes civilizações. O choque de civilizações dominará a política global. As falhas geológicas entre civilizações serão as frentes de combate do futuro.» [Samuel P. Huntington]

A BESTA JÁ NÃO É O PC


Durante muitos anos, vi no PCP a linha avançada de uma tirania
falida, um colonialismo ideológico provindo da longínqua Moskwa,
completamente inviável no mundo e em Portugal.
Hoje, inesperadamente, perante a traição grosseira praticada pelo PS
de esse grande iletrado do espírito, esse fruto do aparelho de todas as máfias-PS,
esse ignorante falsariamente 'ingenheiro', mas também pelo cancro de interesses
alojados no cerne do Estado de que vive e mendiga também o PSD,
percebo e percebe uma esmagadora maioria de cidadãos
que é urgente dar um sinal inesquecível ao País Político:
esse sinal é votar maciçamente à Esquerda de este PS Unívoco e Fascista-em-Actos,
votar em massa. Não por adesão ideológica, não por convicção partidária,
mas porque a Corrupção, o Abuso e o Desrespeito do Bloco Central de Interesses
pelos cidadãos, o esbulho, a miséria e o desemprego cavados compromentem
a continuidade de Portugal, comprometem o nosso timbre pacífico,
atiram-nos para as margens da rebelião e do caos mais ferozes.
lkj
Cada vez que o PM abre a boca, insulta-nos.
Cada vez que se declara socialmente sensível pratica um inteiro insulto desabrido.
Nunca o Povo Português foi tão explorado, desprezado e esmagado. Nunca!
Este PS da Patorra Informe sobre toda a Economia e os Media todos é um cancro
insulta-nos e cospe-nos por existir tal como existe, esmagador e incontestável.
Como descrever o fastio de suportar um Lello, um Vitalino, um Vitorino, um ASS?!
É penoso até ao limite da figadeira: a Besta não é o PCP.
A Besta, a grande Besta lesiva e esmifrante de Portugal, já não é o PCP. Já não é.