terça-feira, dezembro 04, 2012

SOARES ANTECIPA ATENTADO CONTRA PASSOS

«Os portugueses estão desesperadamente contra este Governo. Não há qualquer dúvida. Contudo, Passos Coelho diz que não se aflige com isso. Talvez até goste. Mas é preciso que se lhe diga, antes que seja tarde, que corre grandes riscos. Inúteis. Tem Portugal inteiro contra ele: sacerdotes, militares, de alta e baixa patente, cientistas, académicos, universitários, rurais, sindicalistas, empresários, banqueiros, pescadores, portuários, médicos e enfermeiros e, sobretudo, a maioria dos seus próprios correlegionários do PSD. [...] O povo não existe para o primeiro--ministro e para o seu Governo. Tenha, pois, cuidado com o que lhe possa acontecer. Com o povo desesperado e, em grande parte, na miséria corre imensos riscos.» Mário Soares está desesperado, o que se traduz numa retórica retorcida e desonesta. Nós estamos desesperados, o que se traduz numa emigração em massa e em estratégias de contenção nos gastos com víveres e medicamentos para fazermos face às nossas dificuldades. Coragem e frieza. Mas uma coisa é o desespero e são as dificuldades, outra bem diferente a loucura completa numa cabeça senil que resvala para a chantagem mais reles: não faz sentido que seja Soares, logo Soares, uma vez mais Soares, a ameaçar Passos, porque é do que se trata, recordando-o das ameaças e dos riscos à sua integridade física por executar uma política cuja margem de manobra para conservar tudo como está, por exemplo, o financiamento às fundações do Regime, não deveria existir. «Passos que se cuide! Deixe de ser Primeiro-Ministro e salve a própria vida», parece dizer esse Poço de Isenção e de Virtude, Soares, «Passos que se cuide!». Ora, se um tresloucado efectivamente lhe enfiar um par de balas nos cornos, toda a gente dirá que Soares, benevolente e compassivo, avisou. Eu direi que instigou.

2 comentários:

Grego disse...

Se me é permitido, gostaria de observar apenas o seguinte: com tantos paranoicos, esquizofrenicos e tresloucados à solta neste país, só pode ser natural a insanidade dos nossos políticos.

Anónimo disse...

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” Mário Soares à RTP, 1 de Junho de 1984 (...) “A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente àdemocracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” Mário Soares à Der Spiegel, 21 de Abril de 1984