Não paro, jamais pararei a minha demanda por pessoas e lugares que me façam justiça e me recordem a minha mais profunda identidade. Sou um amado de Deus. Sei-o. Sinto-o. Vivo-o. Anuncio-o aos que se deixam permear pela minha voz propositiva, nunca impositiva, guru de mim mesmo.
Também por isso opto, com toda a minha liberdade, loucura e lucidez, por não consumir coisa nenhuma para mim. O que não gasto, sobra-me, desde que jejue e encare com calma a falta de recursos para um dentista, um problema mecânico, uma deslocação à cidade. Como se estivesse a fazer o meu próprio sal, e a resistir ao colonialismo ideológico de Passos Coelho, encontrei uma forma pacífica e eficaz de resistência psicológica à opressão político-económica em decurso, opressão que me escraviza e me declara fatal precário ou potencial desempregado no meu ofício docente até à minha morte por velhice. Como resistir ao opressivo asfixiar de economias familiares, como a minha? Matar em mim até ao Zero do Desejo qualquer vestígio de consumo. O meu Ganges interior reclama-me o despojamento. O Planeta agradece e a minha fome de viver de Espírito, Sabedoria e Belo agradece também.
Não consumir significa deixar de ser um dos que encharcam rios, esgotos, oceano, de detritos, pequeninos pedacinhos de plástico incolor ou colorido que a maré insiste em devolver à praia, na sua oposição violenta à barbárie consumista ocidental. Somos seres valiosos aos olhos de Deus, mas que se perdem nas águas salobres do que nos é supérfluo e exterior, incapaz de nos saciar.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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2 comentários:
A adoptar essa lógica, todos deixavam de consumir. Belo! Todos deixavam de produzir, pois sem procura não há oferta. Belo" Voltariamos a nos tornar nomadas, procurando extrair da natureza, os bens essenciais à nossa sobrevivencia. Belo!
Apenas uma pergunta: como começou o consumismo? Não terá sido de aí que ele evoluiu? Estaremos então a edificar um sociedade ao estilo de "O senhor das moscas"?! Ou estaremos a trilhar os caminhos da nojenta e miserabilista lógica da podridao fascista de Salazar? Seria melhor dissertar sobre às diferenças entre "consumismo' e "consumerismo"!!!!
Caríssimo Joaquim, eu já simpatizava consigo, mas agora já não é mera simpatia o sentimento que nutro por si: é respeito!
Estou ao seu dispor. Se algum dia necessitar de mim, ficarei feliz por ter a honra de poder fazer alguma coisa por si!
Desculpe-me ser assim tão franca, mas já está habituado à minha maneira de ser pouco ortodoxa, não está? ;)
Abraço cheio de amizade e admiração!
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