sábado, janeiro 05, 2013

VIVER FELIZ COM NADA

Mas por que motivo e por que diabo não poderei ser feliz com Nada?! Viver de belo-árvore-flor-livro, viver de céu, sol e mar, tratar das minhas pencas, cenouras, favas, couves, cuidar das minhas árvores, restringir-me ao essencial, abrir o olhos para o ecrã da vida muito mais que para o ecrã tóxico da grande mentira virtual, cumprir com o que me incumbe nas responsabilidades de pai e depois não consumir porra nenhuma. Nada. Não consumir, não comprar, não pagar, não gastar absolutamente nada, em primeiro lugar por não fazer parte desta turma de cus sagrados, sibilas, cérebros abençoados, especializados em viver acima das possibilidades de dois ou três portugais com o resto da gente como eu por estes dias a roçar a indigência pelas esquinas, a sensação de injustiça nos precipícios de onde ainda não se atiraram. Em segundo, por desdém e desprezo assumido para com esses prazeres legítimos que assumimos como naturais, um café, um sumo, um jornal, um chocolate, uma alegria comercial qualquer dentro do miserável espectro paupero-classe média dos vinte euros. Quando estou horas à beira-mar, sinto que, sim, eu posso. Por isso declaro desde já que abdico de consumir. Uma factura por cada pão. Uma grande paz por cada dia sem aquisições minorcas nem despesas fúteis nem recreio, nem coisa absolutamente nenhuma. Esses que venderam o cu para hoje passearem o espólio de anos de saque à mama da política que olhem para mim: façam bom proveito do furto. Tratarei de ser feliz com Nada.

3 comentários:

Paulo Sarnada disse...


Sim só um mar de ironia, dita na sua prosa, pode reagir a tamanha filha-da-putice.

Anónimo disse...

Não gosto de Portugal porque os portugueses não se organizam para exigir o nosso dinheiro que alguns nos roubaram e pelo qual todos estamos a pagar. Este dinheiro tem de estar em algum lado - há que fazer uma lei que permita averiguar familiares, amigos ... de quem geriu e governou esse capital- lamento que haja gente a viver bem à nossa conta; continuam influentes, continuam a ser superiores, continuam a ser respeitados.. enquanto outros têm de pedir para dar de comer aos filhos. Num país civilizado há muito estariam presos e/ou eles e todos os familiares seriam ostratizados até que se suicidassem, já não era preciso tanto, bastava a prisão. É isto que os portugueses têm de exigir porque se conseguirem já não precisaremos de Troikas!

Anónimo disse...

Grande parte do dinheiro é pura invenção, pelo contrário, o novo era bem real, sai-nos do corpo.