O AFÃ DE INOCENTAR
Graças ao levantamento operado por José António Cerejo, fica-se a compreender o papel de Cândida Almeida em toda a 'novela' Freeport: confirma-se deveras perturbador, para não dizer revoltante, o modo ratazanesco como impede constituir-se uma equipa mista de investigadores ingleses e lusos ou a forma como desvia para longe da investigação, com um coice institucional, a inspectora Carla Gomes, profunda conhecedora do processo, cujo relatório de 131 páginas, assinado em 25 de Junho de 2008, da PJ de Setúbal, e nesse mesmo dia enviado ao MP, salienta encontrar-se, entre os documentos apreendidos, e-mails assinados por Hugo Monteiro (primo de Sócrates) onde se fala no "papel importante" da sua família na aprovação do Freeport e nas iniciativas que poderá tomar para "desbloquear o contencioso europeu" motivado por uma queixa da Quercus contra o licenciamento do outlet de Alcochete. Um outro e-mail do mesmo autor, relativo à marcação de uma reunião entre ele e um responsável do Freeport foi enviado "com conhecimento a um responsável governamental [José Sócrates] à data dos factos". Em suma, como disse por tantas vezes a directora do DCIAP, naquele afã corporativo de, por força, o inocentar à partida e à chegada: nada consta acerca do Primadonna, nem é suspeito, nem está acusado. Inocente, ponto. O problema é o teor dos esclarecimentos que nos chegam, graças ao fim do segredo de Justiça, demonstrando o artificialismo de tudo o que assegura a inocência. Há ali um trabalho de bloqueio meticuloso e repleto de escrúpulos. Enfim, como é da praxe, tudo isto ainda há-de valer a Cândida Almeida a medalha, a comenda, a prebenda, a presidência de uma fundação. Assim sucedeu à inenarrável Maria de Lurdes Rodrigues após anos de abominável malícia.

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