MORTES DE AGOSTO EM PORTUGAL


Se Sócrates se transformasse num Príncipe da Renascença pós-moderna,
se se transmutasse num novo D. João II, e nos descobrisse um caminho económico para
a Riqueza Nacional bem distribuída, vamos fazer um esforço e sonhar!,
e o fizesse através de essas naus novas, as energias renováveis,
e de outras ideias de ponta, sem táureas pontas pelo cu do toureiro,
talvez a esperança emergisse no coração suicidário
de muito acelera louco português, economicamente tão aflito.
lkj
Se se verificasse que afinal a mentira não andava no ar em todas as coisas da Política,
e que as varinhas mágicas tecnológicas, os 'Magalhães', tão eufóricas panaceias
de um tipo de desenvolvimento novo e desconhecido, mas certamente desumano,
desviador do humano no pouco tempo de humanização que as actuais políticas desumanas
reservam às fragilizadas famílias, conceito cada vez menos respeitado na prática,
não servindo os 'Magalhães' para achincalhar as pessoas concretas
sem computadores, nem para lhes esmigalhar os cérebros
com o pavor da desadequação formativa e da actualização tecnológica
à base de PowerPoint e de resmas anafóricas de «por isso»,
talvez a esperança emergisse no coração suicidário de muito acelera português,
perdido entre a perda misteriosa do dom da erecção e das finanças saneadas
associadas à perda ainda mais dramática e misteriosa do trabalho.
jhk
Se a excelente Martifer, inventora do seu Mega-Seguidor Solar,
fornecesse a preços imbatíveis um Mini-Seguidor Solar a toda a indústria nacional,
a toda a pequena e média empresa nacional e mesmo a toda a família em Portugal,
talvez a esperança e a serenidade emergissem no coração suicidário
de muito acelera português, que já não se sente efectivamente em férias
porque se está desempregado está sempre em férias,
vogando e vagando apenas na vida activa da angústia
e da insegurança, esclerose múltipla de todos os domínios da psicologia humana.
lkjlkj
É que isto é de mais. Oito mortos de uma vez, num só dia?, por essas estradas, é de mais!
As férias gerais de Agosto trazem aos portugueses, aos de cá, aos por cá e por aí,
uma generalidade de impotências de viajar extra-portas e variados absurdos sôfregos.
Bebe-se mais cerveja, há mais tráfego, o entorpecimento é maior,
as estradas convidam ao prazer veloz e brutal e o emigrante regressado,
só por circular e cruzar-se com qualquer português por cá deslumbra-o da dúvida existencial,
«Por que caralho não tive nem tenho colhões para em boa hora ir também?
Olhem para eles! Altos BMW, melhores Mercedes.»
lkj
Um português típico, nesta altura, endividado e aflito com a escassez de dinheiro,
fica desesperadoramente ainda mais entregue ao pior do seu portuguesismo típico.
Que Império do Mal nos aconteceu, portugueses? Tão boas estradas, tão bons carros,
para tanta velocidade excessiva, tanta inépcia condutora
e inexplicáveis despistes fatais?

Comments

Popular Posts