segunda-feira, abril 30, 2007

UM CRISTÃO CONVERTIDO


João, devo dizer que fiquei muito feliz com esse teu post
porque é tudo aquilo que deve ser dito e vivido hoje em qualquer contexto de vida,
em qualquer migalha do encontro pessoa a pessoa.
Eu creio firmemente em tudo o que elencaste.

Creio e vivo dilecerado
com as minhas próprias contradições
e com as barreiras de orgulho
que o tempo presente coloca
ao esplendor manso de Cristo.

Far-me-ia palhaço, malabarista, prestidigitador, qualquer coisa excessivo e excêntrico,

se isso representasse milhões de acordares
de outra coisa para A Pessoa Viva de Cristo!
Mas conversão é processo.
Na verdade, faço-me de palhaço,
malabarista,
prestidigitador,
qualquer coisa de louco, excessivo e excêntrico
e ando à procura da liberdade absoluta e extrema que só em Cristo radica.
Conversão é fascínio indelével,
é inconformismo permanente com o Tempo e o Espaço,
até à conformidade gloriosa e corporal com O que há-de vir.
Conversão é encontro pleno,
reencontro na autenticidade identitária de cada um,
impressão digital da nossa história de amados de Deus,
e é transencontro na brisa que passa ao fim da tarde
e em que se está, finalmente,
nesse silencio de entrega
à vontade do PAI.

HIPÉBOLE


continuas a plagiar-me e tens de deixar-te de isso!
E o teu catolicismo é, como direi?,
templário de mais para os nossos tempos,
por isso, guerreiro,
por isso, ideológico de mais para ser espiritual
e, portanto, a partir daí, satisfatório.
Há ainda um catolicismo manso como uma pomba e prudente como uma serpente
a que te podes e deves converter.
É preciso abandonar as armas do diabo,
entre as quais essas da hipérbole na mentira.

domingo, abril 29, 2007

A MEDUSA E O ENSINO


O ensino é um desespero!
Tornou-se presídio e presidiário o ensino.
Um espaço de tolhimento e de labirinto.
A juventude vê-lhe sonegado o sol e,
porque não é nórdica, ensaia matar professores (com doses maciças de laxante)
na forma tentada ou
com aquela nacional espécie de permanente greve de zelo pelo estudo
na mesma lógica de que, já que não nos dão sol e liberdade
ou sequer a esperança de que ele haja incidindo sobre o nosso rosto
devido ao ocupacionalismo que nos desgasta e estupidifica de Zero,
quando um professor falta,
faremos de conta que não estamos aqui.
Estes que vêm agora ministeriais não sabem mesmo o que fazem,
cheios de uivos e lama sobre a classe docente,
lançando a suspeição e a vigilância recíproca
entre eternos desiguais dentro da classe docente,
lançando o pânico e a pressão estúpida
de colegas sobre colegas por lanae caprinae de toda a espécie,
todos os dias inventada,
envenenando os ares da tranquilidade interdocente,
minando a atmosfera docente de temores de futuro, às vezes vãos, mas bem reais,
e de inutilidades inúteis,
como o hipercumprimento da alínea z da mais desumana e inútil papelada de merda,
e tudo súmula de modelos extraterrestres a Portugal
ou então uma vontade mefistofélica de foder com a gente,
com os quais, modelos, esperam que frutifique a excelência.
A excelência?
Para isso, o notório futebol não seria a âncora de realização suprema entre os jovens.
Para isso, a beleza e o sucesso notórios
sem freio não seriam a chave da felicidade entre as moças e cada vez mais moços.
Não funciona.
Um primeiro-ministro a quem aconteceu uma licenciatura
como acontece um carro caro ao filho de um pai rico
não haveria de ter qualquer respeito
por esta profissão pedreira e egipcianamente piramidal que é hoje ser professor em Portugal.
Quanto à Vaca Merdusa, parece e é bovina,
além de merdusa.
Não fosse um rebanho de professores sadomasoquistas,
que adoram a Besta da Ministra,
cheios de erros ortográficos e incertezas científicas,
cheios de culpabilidade profissional
por não saberem organizar uma frase que soe a frase em Língua Portuguesa,
que só sossegam se lhes prometerem coça, vigilância,
inspecções e o diabo-a-quatro,
e talvez isto virasse.
Assim, é o caralho,
porque, para levar o pão aos filhos, se os mandassem limpar cagadeiras entre aulas
como exemplo da multifuncionalidade e flexibilidade da acção pedagógica e tal treta-de-despacho,
até iam!

sábado, abril 28, 2007

SE TIVESSEM VERGONHA


Santos Silva, ou o Tiranete Sarjetas,
António Costa, ou o Pense-Duas-Vezes-Antes-de
e Sócrates, ou o Até Tenho Aqui os Recibos,
o eterno das isento das propinas da verdade,
riem!

Um certo país maioritário e silencioso
contorce-se de curtos cêntimos e de precaridade em tudo
e eles riem.

Que podre riso desavergonhado
de esta gente que manipula os órgãos de informação,
de esta gente que usa convenientemente o Carmona como biombo
das mentiras que pairam i n d e l é v e is sobre si mesmos!
Riam, pois, que há um tempo para rir e um tempo para ter de chorar.
A seu tempo, a Justiça e a Vergonha!

sexta-feira, abril 27, 2007

REPUGNANTIZAÇÃO DO ISLÃO


Degolações. Suicídios homicidas. Decapitar. Decapitar. O discurso afiado
de um ódio cavernoso,
ultrarreptiliano,
sintomas de um fim anunciado, fim-de-mundo, que agoniza por liberdade e integração.
Líderes ultra-esquerda europeia, granítica, granulosamente haraquirizante,
encomiando este sangue, maus olhos lendo justificações de rebelião
contra a Pax Americae e o Capital.
Irresponsabilidade e miopia.
A liberdade é irresistível, seduz e triunfará.
A lei do "quanto pior, melhor" ou do "tende medo, muito medo"
é somente estertor de fim.
A mansidão é um trigo alourando assim como a paz.
Todo o sangue que em terror mane tornará maldito,
demoníaco e asqueroso o nome do Islão.
Toda a sentença de morte borrará de nojo o nome do Islão.
Todo o terror intolerância fará (já faz!) do nome do Islão um halo de repelência,
aquela mancha repugnante que o mundo abomina veemente.
A mansidão é o único caminho
e aloura nos prados do mundo,
a não-resistência,
mansa pomba, víbora esperta,
é a vitória
para além e apesar do joio.

terça-feira, abril 24, 2007

MAUTHAUSEN


Quando os livros mataram Deus,
nem assim puderam os homens dar a morte aos homens mais desesperada e completamente.
Sobrevivia a vontade de ser, ficara ainda assim a esperança.
Existir era mais forte, mesmo dando o electrossuicidário passo redentor.
Mauthausen: nunca mais acabarás de reduzir a cinza a abominável opressão em ti havida.
E não mais se calará o grito que em ti ecoa multiplicado e insepulto
depois do crime mais metódico e asqueroso.

Filamento de nada-seda é agora respirarmos,
nós, os obesos da liberdade e do Ainda Aqui,
beneficiários de respiração democrática e tão provisória.
Eles, porém, sofreram o matadouro,
rezes desmanchadas na mais imunda impiedade,
foram processados-coisa,
infra-coisa,
órgãos,
pele,
cabelo,
recorte tatuado de carnes,
dentes,
cáries em ouro resolvidas,
corpórea pilhagem.

Mas entre diarreias,
o frio, a lama e o lodo, estive Eu Todo,
nessa Mauthausen que não passa.

Estive Eu.

Manso, chorando a cinza,
manso, cheio de além-amor, além-amor que só se pode ter,
que somente pode haver, assim inabalável, assim inquebrável,
quando se suspeita, como quem vê, o Outro Lado.
Meu olhar perdoador provindo do Outro Lado!
Meu Coração batendo passarinho e doce, materno e manso,
cheio de além-amor,
mesmo em face de este completo Inferno,
de este Abismo Negro,
além-amor (ó palavra custosa e pouca, amor!) tão grande
e tão manso, espargindo Sentido a partir do Outro Lado
no lado de cá-dor.

Onde estava Eu quando houve Mauthausen?
Que pergunta tão sem Fé, filhos?
Estava Eu precisamente aqui,
nas mesmas câmaras de gás,
comprimido e sufocado,
na mesma morte retardada e lenta e esquecida, impontual,
sob as mesmas botas, agonizando todos os dias,
em cada amado filho, em cada amada filha.
Não Me entreguei uma vez e inteiramente,
por absoluto e irredutível amor à Criatura Homem,
para depois deixar de o fazer sempre,
partilhando com cada um dos meus filhos as consequências do caos,
quando o aquém-amor se rarefaz mais ainda.

Ó espesso absurdo,
ó dor que ainda dói igual e virgem,
que não podes ser aceite ou compreendida
nem em milhões de séculos,
cadáver indesfeito e inconsumível que nunca cinzifica,
terás somente Porto
na luz absolutamente mansa e feliz do Outro Lado,
verás aí como serei Eu a enxugar todas as lágrimas
verás então de que mansidão impensável,
de que impensável delicadeza,
sou feito e é feito o Céu,
teu Descanso, Matéria Viva
de que te visto de CORPO.

SAUDADE QUE O ESPAÇO SE DEMOCRATIZE INTEIRAMENTE


Sonho com isso desde criança:
que se vulgarize passearmos nos planetas interiores,
correr a explorar meteoros,
e assim inundarmos de esplendorosas imagens cósmicas
esta humana tacanhez sovina
no que respeita à Vida.

segunda-feira, abril 23, 2007

VARA DE PORCOS


PENSAMENTO COR CARNE D'ÁRVORE


Amanhece.
Ante a frescura laranja que cá fora se bebe,
dispara toda uma nuvem de cânticos aviários
- tumulto sôfrego de melros vivos
e pardais e piscos e rolas e pombas e andorinhas,
toda esta galáxia que toco
de bicos com penas
gritando muito o magnífico desemprego da vida.
Tenho de fechar os olhos: vejo melhor agora.
Foco escuramente em rajada de olhares
e vejo verde.
Esplende-me por dentro
a carnação casca, fibrosa,
de seiva doce,
odoriferam as árvores por dentro de mim
deitadas de mundo.

domingo, abril 22, 2007

O PARTIDO SABUJISTA MOSTRA AS SUAS GARRAS


A verdade, meu amigo,
que sofres de lealdades e de amores pelo teu Partido Sabujista,
é que as tentações de controlo e de abafamento e de opressão pressionante,
impressionantemente incansável a pressionar,
se tentacularizaram pelo país: é só acordares da camaradagem apodrecida
que ainda te move de amores antigos pelo Partido Sabujista.
A Net é já mais verdade que os media tradicionais:
por aqui escorre a bem informada opinião pura, dura, imediata,
e nada nos pode escapar, venhamos de onde viermos,
tudo escrutinamos porque a Cidadania é Isto, é Já, é Connosco.
Quanto a ti, Partido Sabujista, mamão supremo das energias do País com tetas,
desiste já de ser filho da puta!
Pela tua inteligência,
pela tua independência,
pela tua experiência e idade provecta,
se não abrires os teus olhos já, meu amigo,
tão leal apaixonado e defensor do Partido Sabujista,
que mais poderei fazer por ti?

sábado, abril 21, 2007

PODE LER-SE NO COMBUSTÕES


EM CIMA DA TVI? BOM TGABALHO!


Tens uma maneira esquisita de falar!

sexta-feira, abril 20, 2007

IL PATRONO


La beneditione, Patrono!

DECLARAÇÃO DE FALÊNCIA EM SER ADULTO


Está tudo errado!
Quero ser menino pequeno outra vez.
Sentar-me de novo a uma mesa de café
e sentir a sensação redentora e real
de levitar por não chegar com os pés ao chão.
Sentar-me sossegadamente irrequieto
à frente ou ao lado do meu pai.
Ora à frente, ora ao lado, até que me decida.
Pedir-lhe que me compre um carrinho
e conduzir a miniatura pelo chão todo ruidosamente imitativo do motor de um carro grande.
Sentar-me e ver que há um enorme jornal aberto que me oculta todo o tronco do meu pai.
Sentar-me depois de espreitar a caixa do engraxador.
Sentar-me e responder, após o habitual «O que queres tomar?» que quero
uma torrada e um copo de leite com groselha e uma palhinha.
Sentar-me a essa mesa de café e reparar que é domingo
e não me apetecia nada ir à missa, mas que lá a música é linda
e o meu pai perfeito a cantar, que o Padre Brochado incentiva e faz pensar.
Ó poder recuperar a liberdade de não ter responsabilidades nem contas a prestar,
andar envolvido em inocência e sentir-se amado como um bebé em amniótico líquido.
Ser sem-abrigo deve ser uma forma de rebelião contra isto não ser o Céu que deveria ser,
contra a lógica de ter de pagar tudo,
contra a realidade de tudo se conquistar e nada se partilhar,
deve ser uma rebelião contra ser grande,
rebelião por se ter crescido e, se calhar,
a melhor forma de rir da seriedade toda em se ser produtivo,
bem sucedido, instantaneamente engenheiro,
licenciado em habilidade, manobras de bastidor e em gestão de imagem,
rir de esse ganhar uma sinecura num Banco (pode ser a Mama Geral de Propósitos,
como o honestíssimo Vara, ou a GLUPE, como o competentíssimo Fernando Gomes,
que não se tem notado que fale porque não se fala enquanto se mama de boca cheia),
ou numa puta de uma Direcção Geral, onde se passam horas na Internet e a ler jornais
enquanto se coçam produtivamente os colhões,
ou no magnífico Ministério da Agricultura ou a mamar os subsídios
culturais depois de dúzias de cartas e faxes e emails e telefonemas e SMS's e cartazes
e queixinhas a fãs adorativamente admiradores e coconspirativos.
Ah, quem me dera anticrescer em direcção a ter outra vez cinco anos!
Ou então tornar-me um sincero sem-abrigo no núcleo mais dura da minha alma!
Queria regredir no meu corpo e novamente diminutar-me na leveza de voar
e sonhar com vôo.
Queria desexperienciar e desaprender tudo
para volta a simplificar a felicidade de não ter nada, de não ter que ter nada,
de não ter culpa de nada...
É tão mais fácil aceitar o destino quando nada há a ambicionar,
nem o ir à loja por pão,
nem o ir à loja por iogurtes e fruta,
nem o ter que levar o carro ao mecânico
e comprar medicamentos,
nem o ter que contar os tostões
e sentir-me oprimido pelo Ministério da Educação que trata as professores como merda,
e ver que os professores compreendem e aceitam naturalmente ser tratados como merda,
e tudo!
É tão mais fácil quando nada mais há que brincar e nada querer da vida senão
o próximo filme de cowboys a preto e branco e bolachas maria com leite por lanche.
É inútil!
A vida é somente um papel rascunhado onde nos enganamos muito, amarrotado.
Talvez morrer seja finalmente passar tudo a limpo!

ATENÇÃO: QUEM BLOGA CONTRA PERDE O TRABALHINHO


A vergonheira desta iniciativa diz tudo da governação,
é uma espécie de resumo negro e destrutivo
dos pobres vendedores de tapeti,
dos merceeiros de esquina,
dos serralheiros e biscateiros
e mulheres a dias,
dos distribuidores de folhetos publicitários!
A máfia, aquela que engorda os Pina, os Vara e demais sinecurantes do Partido Sabujista,
não perdoa ninguém: não perdoa haver vulgares,
os sem estudos e sem licenciaturas,
não me perdoa a mim por pensar e falar poemas de inconformismo,
apesar de pós-graduado.
Estou fodido quanto a trabalho!
Não lhe perdoará a si, se blogobulir indignado como um mexilhãozinho,
tal como eu,
se blogar contra, pode perder o pãozinho.
É o aniversário partidário
é a liberdade no seu melhor,
é o contra-ataque e a conspiração silenciosa
da máfia do costume!
Deus me ajude que eu não sei nem posso!

quinta-feira, abril 19, 2007

O INESCAPÁVEL LABIRINTO SOCRÁTICO


'A pulsão suicida' Quinta-feira, Abril 19, 2007

19.04.2007, Constança Cunha e Sá, no Público


O primeiro-ministro foi particularmente atingido por um caso
que mostrou ao país o que o seu retrato oficial escondia.
Como era de esperar, os "esclarecimentos" do primeiro-ministro à RTP "esclareceram"
apenas os que queriam, acima de tudo, ser "esclarecidos".
Uma semana depois, a fé dos adeptos, onde se contam inúmeros jornalistas, resiste heroicamente à divulgação de novos dados sobre a licenciatura do eng. Sócrates:
para uns, o fim do silêncio do primeiro-ministro
devia equivaler ao fim de uma polémica que,
segundo um editorial do Diário de Notícias,
tem sido alimentada diariamente por "notícias avulsas, sem conteúdo nem sentido";
para outros, esta insistência numa "questão que não interessa nada"
(José António Saraiva dixit) revela,
como explica candidamente Fernando Madrinha, no Expresso,
"uma pulsão suicida que nos puxa para o abismo
sempre que um Governo tem condições para definir um rumo
e a coragem de seguir em frente,
convicto de estar a fazer aquilo que tem de ser feito".

Só falta recuperar, embora a recuperação esteja implícita,
a famosa frase do prof. Cavaco Silva que o PS tão bem soube aproveitar:
"Deixem-nos trabalhar!".
Nessa altura, foi o próprio primeiro-ministro que, perante a gargalhada geral,
defendeu o seu direito ao sossego e à harmonia institucional.
Agora, pelos vistos, são os jornalistas os primeiros a zelar pelos interesses laborais de um Governo que, de acordo com os mesmos, tem um "rumo"
para o país e a "coragem" de não o abandonar.
Não vale a pena perder muito tempo com a suposta "irrelevância"
das notícias que têm vindo a público. Como se viu esta semana,
é impossível ignorar a sucessão de factos controversos
que enfeitam o percurso universitário do eng. Sócrates.

As datas não coincidem, os documentos são contraditórios,
as avaliações incompreensíveis,
o plano de equivalências inexplicável e as "explicações" oficiais claramente insuficientes.
Neste momento, fazendo um ponto provisório da situação,
existem dois certificados de licenciatura que não coincidem,
um plano de equivalências que não passou pelo conselho científico da Universidade
e que não foi sequer aprovado pelo seu reitor,
dois curricula na Assembleia da República,
quatro cadeiras dadas, no mesmo ano, pelo mesmo professor,
uma cadeira que não foi dada pelo professor responsável e, por fim,
um exercício de Inglês Técnico feito e avaliado
depois da data em que terá sido concluída a licenciatura.

Se, no meio de todo este enredo, há quem se considere devidamente "esclarecido",
não sou eu, com certeza, que vou desfazer essa doce e miraculosa fantasia.
Já a "pulsão suicida" referida por Fernando Madrinha
e outros ilustres comentadores merece alguma atenção.
Pelo que se depreende do que foi escrito, esta semana,
um jornalista responsável não pode fragilizar politicamente um Governo
que está "convicto de estar a fazer aquilo que tem de ser feito".
Antes de "dar gás" a "trapalhadas" avulsas e crises ministeriais,
tem que fazer uma avaliação da política governamental: se esta for positiva,
como parece ser a do eng. Sócrates, as "trapalhadas"
devem desaparecer perante as velhas e recorrentes questões
que interessam verdadeiramente aos portugueses;

se, pelo contrário, a política anunciada indiciar o pior,
como aconteceu, por exemplo, no tempo do dr. Santana Lopes,
então qualquer "trapalhada" deve transformar-se num caso nacional,
com direito a primeiras páginas e a aberturas de telejornais.

O principal "erro" do dr. Marques Mendes
não foi ter falado numa "falha de carácter" do eng. Sócrates: foi ter-se "atrevido"
a dar crédito institucional a factos que fragilizam politicamente um Governo
- que, de acordo com os poderes estabelecidos,
deve ser preservado a todo o custo,
de forma a poder cumprir os seus lustrosos objectivos.

Acontece que os factos não desaparecem perante as conveniências de uns
e o entendimento de outros tantos.
Por muito "corajoso" e "determinado" que seja, o primeiro-ministro
foi particularmente atingido por um caso que mostrou ao país
o que o seu retrato oficial escondia.

Por trás da imagem de Estado que ele habilidosamente construiu,
durante estes dois anos de Governo, surge, agora, à vista de toda a gente,
o Sócrates que ele sempre foi: um político sem espessura,
educado nos meandros do aparelho e nos favores do partido,
que se notabilizou, a dada altura, pelas qualidades cénicas que revelou.


O facilitismo que se detecta no seu percurso académico conjuga-se mal
com o "rigor" de que faz gala e com a "determinação"
com que enfrenta os "interesses" estabelecidos e os grupos de "privilegiados".
Não vale a pena escamotear a realidade.
Muito menos alterar critérios noticiosos consoante a opinião política dos jornalistas.

O facto (por demonstrar) de este Governo ter um "rumo" e "coragem" para o prosseguir
não o exime do escrutínio público,
nem pode ser visto como um impedimento à liberdade de informação.

VIRGINIA MATANÇA TECH


É possível esta possessão matadora porque nos EUA
faz-se sexo com as armas.
Homens e armamento eroscam-se,
lambem-se,
fodem-se e, nessa transgressora luxúria
cheia de adrenalina e, logo,
mais tesão e mais excitada adrenalina ainda,
é preciso ejacular.
em sangue absurdo!

Cho Seung-hui é só um pormenor.

QUANDO O CHÃO SE ABRIR


Naquele tempo,
quando pudermos, se pudermos, beber água,
não passaremos de homúnculos como que em festa por champagne novo.
Raridade arbórea, festins desaparecidos de verde...
Entre o deserto generalizado, com a boca rebentada de fissuras,
sorriremos mais com o menos,
mais vezes beijando a fronte fria da morte com beijos de fogo.

Naquele tempo,
o chão íntimo, aberto, será para nós um refúgio,
que tudo nos seja gruta, ventre, íntimo.
Ah, voltarmos a ser bíblicos e a escutar os longos serenos silêncios,
reencontrarmos, palpitante, a Afirmação, a Esperança e o Encanto!

Naquele tempo,
castigar-te-ei, meu amigo, tão cego foste, maldoso para com a pureza feita gente.
Todo acção e exterioridade, nunca poderias compreender a interioridade e a paz,
que se desenrolavam pessoa diante de ti,
que te aborreciam de morte. Movido não sei por que sentimentos negros,
vampirizaste-me a alegria íntima, intensa, do Sagrado.
Mergulhar no Tempo é colher ilusão após ilusão,
é conformomarmo-nos com o porco lixo das coisas que nos possuem bolotas,
quando no despojamento completo do coração é que se ganha absolutamente.
Toda a riqueza, o magnvm mysterivm!,
está na radicalidade Francisco despojada,
está na descoberta do nada-ter
como plenitude e plena realização!

Quando Deus vem habitar um coração assim humilde, livre e limpo,
completamente varrido de supérfluo,
é o Céu a estabelecer-Se em ti,
irmão aprisionado.

terça-feira, abril 17, 2007

DO PORTUGAL IMUNDO


As gralhas e as grafonolas da mentira multiplicam-se em atenuantes e generalizações:
«Quem não beneficiou já de uma qualquer cunha?»
«Quem não traficou já um favor qualquer?»
«Quem não pagou já algum interesse com uma posição?»
Vejo duas balizas e abrem-se árvores numa folhagem jovem: primaveriza,
faz calor e há um Portugal mole que acorda ainda mais merceeiro e preguiçoso.
Sente-se no ar, como um grande cartaz nacionalista policiado,
que o PS é aquela espécie de máfia laica e corrupta que dá tau-tau
a quem se mete balbinamente com ele.
PSSSST, você já pensou em despedir a coisa mole e mentirosa chamada 'partidos'?
Os partidos fazem pouco de nós,
troçam da nossa cara, sobretudo o PS, que é um lupanar de padrinhos na podridão
beneficiada e acomodada às tetas silenciadoras das sinecuras.
A chantagem pró-opção sim referendária é uma inovação em Portugal
e representa o produto mais podre e decadente vendido pelo PS num século inteiro.
Já não há valores nos corredores do poder.
Só há pragmatismo e a arte de ser cabrão.
Aldrabice por aldrabice, escândalo por escândalo,
- a vida humana é vida humana,
não é excrescência opcional, não é nódulo cancerigeno, tumor.
Pois que a deriva da vaidade,
que a gula do mando,
que a brutalidade decisória se paguem caras!
Que esta gente a vomitar uma espécie de Machiavelli grosseiro
seja educada pelo efeito boomerangue dos próprios actos!
Que a inconstitucionalidade das clínicas filhas da puta e do Diabo
rebrilhe culpada de trinta dinheiros, os que custa qualquer traição,
mormente a traição à Inocência
e à Espécie, que uma Lei imunda tenha a sua devolução qualitativa.
Sibilino o digo!

domingo, abril 15, 2007

JOSÉ LELLO


Quem o ouve
ouve um espírito completamente
rendido às obesas moscas do Partido,
pastando as mais coveiras fidelidades!

FLORES 2


Dêmo-nos ao alívio, ao muito alívio consolado,
faça-se de conta que Portugal se pode dar ao luxo de assobiar para o lado
enquanto irrompe a impoderável clarificação total,
esta, que chatice!,
transparência modelar!

FLORES


Flores! Em todo o tempo e lugar,
flores. Flores para ti, flores para mim,
perdão, amizade, coisas leves, amor e flores!
Pousarei esta pileca quixotesca
e olharei para outras coisas bem diversas,
se mo lembras, se mo pedes,
como, por exemplo, flores!
Insisto, flores!
Sobre a bosta, entre a erva
haja flores. Sobre a mesa.
Sobre a cama. Na cabeça,
pagã festança, sob os pés,
sopeadas na fragrância: flores!

sábado, abril 14, 2007

GRANDE LOJA DO QUEIJO LIMIANO - A SÍNTESE


THE BRAGANZZZZZA MOTHERS ARE SO RIGHT



1. O Gabinete de serviços de mascaramento das trapalhadas passadas do Primeiro Ministro
está fraco de mais, já que quer o código postal quer o indicativo telefónico aí constantes
são posteriores à data da suposta licenciatura.
Agora percebe-se para que serviu o longo silêncio
e o enorme desaparecimento da cena pública:
para coligir papeladas impossíveis,
para forjar papéis à pressa,
para atabalhoar documentais fugas.

Agora a pergunta: que Jornal de referência ousará publicar isto?
Que culpa temos nós dos nós sem fim do canudo?

Realmente, mentir é muito feio!

2. Ora aí está a razão freudiana que faltava: Sócrates lixa completamente os licenciados do País, os que sofreram na pele licenciaturas e até pós-graduações a sério.
E por que o faz? É o chamado complexo. O tipo é tramado! Cuidado com quem assim vai galgando pelos corredores do poder!Tudo lhe é possível!!!

AGOSTINHO, PLATÓNICO SANTO


A vida feliz vê-se com os olhos:
mesmo a mente que a imagina e a julga flagrante,
imagina-a mediante olhos inexistentes e no entanto tão carne!

A maior ilusão do cosmos é a dicotomia, é que haja matéria:
quando um corpo decai está saturado de informação
e nada dele se perderá até que ressurja.

O mal de Agostinho foi todo um Platão!

ESPELHOS


E os olhos onde, húmidos, se reflectiram olhos,
vultos orbitando transversais pela pupila
num movimento de nunca mais.

TECTO DE ABRIR 2


Agora sim, rompe um Céu sonhado
e a luz descende
perfumada e doce
à orla do meu tacto.

sexta-feira, abril 13, 2007

JORNAL DE NOTÍCIAS NA MÃO DO PS OU NADA DE NOVO SOB O CÉU


Joaquim, tive um baque de total concordância consigo ao ler-lhe este seu texto.
E por sentir que ninguém me cerceia a liberdade de pensar e opinar,
conforme me ditam as tripas, é que blogo.

Joaquim, se queres liberdade e compreender até que ponto a blogosfera começa a ser determinante quer na investigação quer na divulgação da verdade toda,
pesquisa-a. Verás.

Eu cansei-me de essa sensação de frequente subtil censura aí, no Desabafe.
Quanto ao JN, lamento a fraqueza completa de este Jornal,
a partir de há muito, em especial Sócrates agora, e para sempre
sob a minha suspeita quanto ao amor à verdade
e à informação pura e dura, não maquilhada,
por muito que doam aos acordos e convenções estratégicas com o PS
já tão saurianas e moralmente feias.

Este País é um nunca abrir de olhos!

quinta-feira, abril 12, 2007

JOSÉ SÓCRATES: UMA ANÁLISE PSICODRAMÁTICA


Apareceu humilde e deferente.
Meteu no coração José Alberto Carvalho
e Flor Pedroso, enchendo a boca dos seus nomes,
multiplicando vocativos, tornados afectadamente afectivos à força de os repetir,
como os repetiu, noite de apóstrofes amiguinhas.
Parecia mais magro. Estava.
Simular perguntas e respostas,
olhares piedosos, alterações dramáticas do tom de voz,
insinuar insinuações, blasfemar blogosferas,
exige a grande abnegação de semanas recluídas, em frente ao espelho,
exigindo ao paciente acessor o apoio sôfrego: «Anda lá, faz-me montes de perguntas tramadas,
que é para isso que te pago principescamente.»

Além do mais, foram também semanas e semanas a clicar e a clicar,
saltando de blogue em blogue, corando muito, insuflando insónias Morais, mentiras albinas, Aroucas ideais,
a forma melhor de branquear a chico-esperteza-furão de sempre.
Nada a fazer quando a mancha em montes de óleo alastra imparável
e a inundaguação é um estrume que roça o queixo.
Não há entrevista que lave mais branco.
«Sr. Primeiro Ministro, não leve a mal, isto é apenas a humilde sugestão de um acessor,
mas lá, na nossa RTP que tão sabiamente monopoliza e domina,
evite a tentação de esganiçar a voz ou levantá-la como a um pregão na lota do peixe.
Lembra-se daquele post do blogue COMBUSTÕES em que se dizia que isso lhe ficava mal e nem se percebia para que servia?»
Ok. Isso, acessor! Bem tramado!
A hipocrisia, bem treinada é tramada,
e com montes de horas de simulação e montes de acessórias bocas acessoriais,
é uma arte.
A falsidade sempre assentou bem e até é necessária e útil,
quando se é poder. É preciso furar e ir furando.
Parecia envergonhado.
O corpo, os braços, as mãos abertas e os dedos muito juntos,
o sorriso tenso, até,
estavam dessincronizados, desafinados, com o pensamento.
Tinha aquele olhar longínquo de quem se radiografa e escrutina muito,
analisando-se retrospectivamente.
Ó sapiência de separar Portugal em postas:
a blogosfera especialista, informada, uma minoria solitária,
nada mais que ilhéus de verdade e sensacionalismo,
de conhecimento mais fundo, mas de ressentimento mais fundo ainda – posta rara de Robalo que ninguém come.
E a massosfera do povo cansado de manhã, à tarde e ao fim do dia,
esse atum vigoroso de braços, mas desinformado entre alegres iliteracias alarves.
O «Seu», o todo «seu» Sócrates, falou para esse grande cardume de carneiros
chamado povo português, um povo-atum, um rebanho acossado pelos cães do Partido Socialista, rosnando muito e mordiscando os flancos das rezes disciplinadoramente.
Por isso, Zeca Sousa, com toda a tranquilidade,
pôde representar inocências, nobrezas, exemplos e transparências
para as sardinhas assadas da vida, que é o povo nas mãos de estes cínicos maquiavélicos,
que salivam por uma boa maquia do poder.
O poder a todo o transe.
Não é difícil vender enganos ao povo-atum, embora seja a venda inútil a prazo.
O cardume popular tem uma grande intuição para mentirosos assim
como também para confiar em líderes que dêem pau,
que imponham respeito e restrições abusivas e absurdas,
é a vontade de cima e de fora que os vai ajudar a viver contidos
no grande eremitério nacional da qualidade de vida
fora de Lisboa e do Vale de Santarém.
Entre a rejeição de um bom mentiroso, implacável com o Dr. Lopes,
autêntica hiena parlamentar,
entre a rejeição imediata de um artista de topo do cénico cínico,
como este Zeca Socas Sousa,
e confiar num líder que dá pau,
o cardume arrebanhado de comodismos populares e enfadado do político feito,
encolhe os ombros,
hesita,
cala e consente.
Apareceu inquieto.
Tinha um show e o seu show mustinha de go onar.
Papéis.
Andou aos papéis.
«Foi há muito tempo.»
Não se lembrava.
Era tão espectáculo nunca mais os impostos baixarem!
Se os governos não tivessem a tentação, em época de eleições, do cunilinguus ao clitor-erógeno do povo com medidas suavizadoras das asperezas tornadas hábito,
seria tão talvez benéfico!
Não sabia se baixava. Se sim, nunca por eleitoralismo.
Acabou.
«Chega disto».
Há uns olhos abertos cada vez mais abertos num país de desinformados e preguiçosos a doer.
Não há lixívias fáceis como antigamente e a blogosfera,
tão unida na exigência acutilante de uma clareza cristalina,
é o completo choque tecnológico na língua e no cu dos Chico-espertos da vida!
A nódoa vai continuar.
As costas do Zeca Bacharel talvez folguem.
Talvez não.
Não importa.
Mendax supremo é o que diz nixoniano «I’m not a crook!» ou,
mas menos,
«I did not have sex with that woman»!
Ou ainda uma frase saudosa e bonita,
com olhos, de repente mais fechados,
vidradamente cândidos e humedecidamente cínicos:
«Blá, blá, blá, a minha transparência, blá, blá, blá, a minha nobreza,
o meu exemplo, blá, blá, blá, não temo tempestades!»
Mas dá-nos tempestédios!

quarta-feira, abril 11, 2007

TÁRTARO UGA!


Violaria esse verde emergente em virgindades orvalhadas,
aladas, com um sol de radiações azuis,
laranjas, se uma lua se me multiplicasse nas mãos em pomares de espanto,
ainda que horrorizado, irizado, calafrio luminoso de existir.
Floram árvores, refolham-se imparáveis e há sonhos de carbono capturado
e de oxigénio respirado.
O pensamento cala.
Explode um entreolharmo-nos muito multidão.
Quem trará a mordaça à minha palavra ferina?
Quem ousará premir o gatilho que cale este fio d'água da esquerda à direita
da linha onde cada verso se cose?
Ninguém!
Asfaltaria o caminho que os olhos calcam até, inquisidores,
virem encontrar-me na polpa dos dedos.
Entardece sobre a página.
Corre um vento áspero sobre o milagre da palavra, bola de hélio balão,
verticalizando-se toda em miniscências
que ascendem a ouro rescendendo - eis a palavra.
Telefonaram à palavra oito vezes.
Oito vezes se exaltaram.
Oito mais a cercearam, perante ela esbracejaram.
Resistiu a criatura. Soltou-se leve e, espumosa, quilha de caravela, cortas as águas inscientes.
Afirma-se.
Meu ser, lago morto de sal,
branqueja ao sol do deserto.
Sulcos o sulcam.
Gritam gretas esfaimadas por esta pele, de toda a luz, grutas milenares,
onde muitos animais foram comidos
e estratos se sobrepõem a estratos
e um palmo é mil anos de guano e pó desabado.
Ó chão cheio de dentes pequeninos e memórias de fogueiras,
migalhas de ossos roedores, ruminantes, quanta carne é havida!
Como és penoso, poema!
Mais que a máscara positiva numa entrevista negativa, limiano, saudades do leite antigo,
Maquineta tão Zero.
Penoso poema!
Tenho-te sono!
Felner profundo, a quem interessará cortinas de fumo?
Socos, punhadas no focinho da verdade há-de ser sempre Portugal,
salazarenta cunha num mar de medíocres de frio mortos, de medo transidos.
Ao Tártaro contigo, àquele inferno sem penas, só com nadas,
à evanescência, ao esquecimento lá,
onde D. Sebastião finalmente se masturba
folheando ambíguas revistas de agora - condenado a séculos de gajas boas, às vezes gajos,
por cada olho enfadado delas, ou talvez deles num grande vice-versa tão talvez,
havido quando ainda era o Rei dos romances de cavalaria,
das fantasias, dos mimosos mimos,
miséria de névoa,
diáfana rede de chumbo lenta
que ainda paira capilar tão capital, tão puta!

ABRUPTAMENTE PREGO A PREGO


Abruptamente, Juno corou perante a nuvem.
Afinal, à mulher de César bastou parecer, não valia a pena ser,
porque o homem é determinado, tão determinado
que se Maomé não tinha a licenciatura, a licenciatura
havia de ter Maomé.
A culpa é da licenciatura que possuía todo um Sócrates!
Ó pavor possessivo de ter comerciado isto!

terça-feira, abril 10, 2007

NO BOOMERANGUE BLOGO-TECNOLÓGICO DAS EMOÇÕES


Por outras palavras,
a angústia corta-se à faca lá
pelos lados primo-ministeriais em parte incerta.
Não imagino como possa ser poupado da verdade e das suas consequências
subjectivas e morais,
quem não tem poupado ninguém,
sobretudo os mais frágeis dos frágeis,
nos respectivos direitos e nos respectivos bolsos.

É o choque boomerangue tecnológico das emoções.
É o boomerangue choque das angústias governativas causadas por aí aos fracos e improdutivos nacionais e que vem agora blogo-atingir tecnologicamente de taquicardia
e suores frios governativos
os mensageiros governativos de estas reformas governativas a doer.

Também agora eu é só epanalepses!

domingo, abril 08, 2007

SÓCRATESGATE: IMPRENSA E AUTO-CENSURA


Se havia dúvidas, foram desfeitas: a blogosfera está em expansão, rompendo os limites impostos pela imprensa de papel. Numa fracção de coisa nenhuma, os jornais vistos como a fonte de informação, fonte certificadora de verdade e um contra-poder, revelaram, graças aos blogues, a face vendável, prostituída, de auto-censura mercenária, de manipulação desinformativa, face essa levada ao limite da caricatura com este caso SócratesGate/Universidade Independente, onde obviamente a sujidade não é meramente administrativa, mas dentro de uma lógica pagadora de favores supernebulosa de gente, neste caso, agregada ao PS, posicionada aos mais diversos níveis dos interesses, implicitamente negociando lugares, interesses e favores como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ouça-se a esse respeito Armando Vara sobre a UnI, desvalorizando os factos e argumentando o argumentário da autodesculpabilização relativa à sua licenciatura relâmpago. A partir daí, a partir da expansão da blogosfera, desencadeou-se uma legítima desconfiança - o começo do fim de essa realidade tradicional - da pequena, média, grande imprensa, afinal, em todos os casos, pequenina. Pequenina porque paga e, assim, tendenciosa, porque pagadora e devedora de favores, porque papagaio de um clube ou de um interesse, porque dependente da publicidade e, portanto, sob a sua permanente chantagem e instrumentalização estratégicas.

Há artistas e jornalistas, gente até certo ponto anónima, na blogosfera nacional, que está a cumprir verdadeiramente um papel de intervenção e de transformação-formação de um novo público, todos os dias lobotomizado pela imprensa e pelos meios de comunicação tradicionais a funcionar como uma grande morfina tranquilizadora de problemas dos quais, com alívio de muitos, nos alheamos completamente. Há artistas e jornalistas construindo todos os dias uma janela de perspectivas extraordinária. Como não esperar verdade, neutralidade, coragem, de um blogue, sendo este, como é, algo grátis e completamente independente de aprovação superior ou lateral ou inferior?

Todos os dias colecciono e descubro novos e excelentes blogues de artistas e jornalistas que se manifestam de uma independência admirável e que não estão ali para obedecer às conveniências das redacções e dos directores, mas por um imperativo de verdade. A opinião e a verificação operadas pela experiência e pela consciência cívica de muitos estão a levar aos limites as possibilidades da intervenção democrática, traindo irresistivelmente os poderes, sejam eles quais forem, santaníticos, socráticos, por exemplo, que pensavam deter ainda meios de controlo da informação delicada para si, para a sua imagem, para a moral das suas medidas, para a autoridade de elas, tornando-a, a essa informação inócua, light e pret-a-porter, desviando as atenções do público.
Isso agora é impossível.

Nem tudo na blogosfera é ouro, coragem, denúncia oportuna do mal-fazer político, económico, social ou outro: a pulhice, a maldade, a provocação rasca, o odiozinho filho da puta, a difamação, todo o nojo de uma galáxia de mentes pedidas e malígnas, gente imunda, que escoa, através de ela, os sentimentos mais abjectos e subterrâneos encontra na blogosfera o meio perfeito para medrar provisoriamente. Mas o mau, o mal intencionado, o maldoso simplesmente não poderão prevalecer e um público novo, inteligente, sensível e bem formado, seleccionará naturalmente a qualidade e extinguirá o que não preste.

Vivemos, portanto, um ponto de viragem: queremos a insegurança da verdade à segurança da mentira e os blogues proporcionam tal nível de acesso a uma compreensão multidimensional da verdade. Já fui insultado diariamente nos comentários aos meus posts poéticos por uma ou duas mentes doentias, revoltei-me, ripostei, fui igualmente estúpido, ripostando, fui igualmente doentio na defesa descabelada do que é meu e do que sou eu, perdi tempo, estafei-me. Fechei a janela de comentários, moderei-a, reabri-a, voltei a fechá-la, voltei a abri-la. Agora sei por experiência que o anonimato puro num blogue ou no panorama geral da Rede tende a ser coisa impossível: tudo é tracejável, investigável, tudo deixa em todo o lado as suas dedadas autodenunciadoras. Ninguém maldoso sai impune, seja de uma maneira, seja de outra. Seja porque se lhe dê caça, seja porque se lhe dê desprezo completo.

Interessa-me produzir, escrever, criar vida viva, procurar a verdade, exigir e verificar verdade no agir político e a todos os níveis de acção e intervenção na sociedade e, como somos milhares, e estamos unidos, aliados, interagindo todos os dias, nada bloqueará tal tarefa. Vejo nisto um nítido efeito Prometeu.

sexta-feira, abril 06, 2007

APLAUSOS


ROCHA DE REFÚGIO


Salmo 31 (30)

ORAÇÃO NA HORA DE PROVAÇÃO

Em Vós, Senhor, me refugio;

não seja eu confundido para sempre!
Livrai-me pela Vossa justiça.

Inclinai para mim os Vossos ouvidos!
Apressai-Vos em salvar-me.
Sede para mim uma rocha de refúgio,

uma muralha fortificada que me salve.

Vós sois a minha rocha e fortaleza;

por amor do Vosso nome,
guiai-me e conduzi-me.
Retirai-me da cilada que me armaram,

porque sois o meu refúgio.
Nas Vossas mãos entrego o meu espírito.
Vós me resgatais, Senhor Deus da verdade.
Detestais os que adoram ídolos vãos;

eu, porém, confio no Senhor.

Exulto e rejubilo na Vossa misericórdia;
Vós olhastes para a minha aflição,

conhecestes a angústia da minha alma.
Não me entregastes na mão do inimigo,

antes, pusestes os meus pés em caminho espaçoso.
Tende piedade de mim, Senhor, porque vivo atribulado,
os meus olhos definham por causa da humilhação,

a minha alma e o meu corpo.
A minha vida mirrou-se na amargura,

e os meus anos, em gemidos.
As minhas forças foram-se perdendo na aflição;

consumiram-se os meus ossos.
Tornei-me objecto de opróbrio para todos os meus inimigos,
especialmente para os meus vizinhos;

objecto de terror para os meus conhecidos;
fogem de mim os que me vêem na rua.
Caí no esquecimento dos corações como um morto;

fui rejeitado como um vaso abandonado.

Realmente ouvi os grupos das multidões;

rodeia-me o terror.
Conspiraram contra mim, reuniram-se para me tirar a vida.
Mas eu confio em Vós, Senhor; digo confiante:

Vós sois o meu Deus!
O meu destino está nas Vossas mãos,

livrai-me das mãos dos meus inimigos e perseguidores.
Fazei brilhar o Vosso rosto ao Vosso servo;

salvai-me na Vossa misericórdia.

Senhor, não seja confundido, porque Vos invoco;
sejam confundidos os pecadores,

reduzidos ao silêncio do Sheol.
Sejam reduzidos ao silêncio os lábios mentirosos,

que falam contra o justo insolentemente,
com soberba e desprezo!
Como é grande a Vossa bondade!
Vós a reservais para os que Vos temem,

Vós a preparais para os que em Vós confiam,
à vista dos filhos do homem.
Vós os escondeis sob o refúgio da Vossa face,

longe das intrigas dos homens;
Vós os escondeis na tenda contra as línguas maldizentes.

Bendito seja o Senhor, que engrandeceu a Sua misericórdia comigo na cidade fortificada.
Eu, porém, dizia, no meu temor:

«fui expulso para longe dos Seus olhos».
Porém, ouvistes o brado das minhas súplicas,

quando a Vós clamava.
Amai o Senhor todos os seus santos;

o Senhor protege os fiéis,
mas paga em duplicado contra os que procedem com soberba.

Sede corajosos e valentes no vosso coração,
todos quantos esperais no Senhor.

quarta-feira, abril 04, 2007

PORTUGUESES, É COM GRANDE HONRA QUE...


... nos podemos e devemos sentir
os mais ilustres macacos do mundo
perante as macacadas na UnI,
uma embrulhada que já corre o mundo,
uma festa da vigarice que faz rir de riso e cómico de situação risonha
o próprio Cosmos ridente,
(passe a deliberada epanalepse)
a Etiópia ri da UnI, o Burkina Faso ri da UnI,
a UnI é o Circo na Cidade,
a política circense
em que não queremos acreditar, mas que é real,
de que quase ninguém sai imune e muito menos imune,
para não dizer imune.

ARS FACTA


Saem dos meus dedos
poemas de formas-sabores diversos
saem vivos,
saem brotos,
saem altos,
divos, santos, ou marotos,
saem e saem e saem.

O que entrou visto
sai dito,
o que entrou sofrido
sai reescrito, descrito
e é saindo esta linfa,
este ranho de choro e luz feito
que me faço
e ao que digo.

Largo a pele,
deixo-a ao inimigo
que ma leva fulo, esfolado,
levado em esta torrente,
meu dito feroz, fendente.