O CONTAGIÁRIO
Curioso o modo usado para branquear uma nuvem indiciária sem tamanho proveniente dos políticos ultimamente em foco. Tanto no Jugular como no 31 da Armada, a coisa funciona do mesmo modo óbvio, directo, convergente. No ataque a Carlos Santos, foi cristalina a convergência mais alargada, ostracizante, quando os factos denunciados eram gravíssimos. Hábeis na forma de minimizar todos os indícios, é-lhes indiferente que a esposa de César não só pareça puta como de facto o seja, desde que lhes pague a respectiva defesa. Ei-los a atacar a história recente do Ministério Público, insinuando que o MP é muito mais competente a trabalhar nos media que a actuar nos processos judiciais. Insistindo maliciosamente que há muito que o MP deixou de “jogar limpo”, como se o estado de conspiração fosse um desporto univocamente praticado pelo MP e, pelo contrário, não fosse a política, a maçonaria e todos os interesses alternantes a inviabilizar o edifício jurídico português, sepultando-o em toda a espécie de impasses, arquivamentos e despachos pífios. Esses megabloggers da treta insinuam que o trabalho do MP consiste em arranjar um ou vários suspeitos superstars, políticos de topo, gente da ribalta. Em segundo lugar, misturar-se alguns indícios dispersos (e muitas vezes irrelevantes), dizem. Em terceiro, acrescentar-se convicções pessoais: e está aberto o caminho para encontrar um crime espectacular. Querem posts? Querem megablogues e metajustificações? Aí tendes quem são e para o que servem: o 31 da Armada com esse cromaço inteligentíssimo, belicoso, repleto de argumentário, chamado Xico Proença de Carvalho. Sabem para que servem? Sim, branqueiam factos. Relativizam o dolo. É verdade, desviam as atenções. Sem dúvida, mitigam culpas, contagiando de relatividade o absolutismo impuninário da política vigente e a decorrente canga despreziva que a pseudo-democracia faz impender sobre os cidadãos de terceira em que nos tornámos e lhes apraz continuemos. São eles os contagiários do laissez-faire político e os seus grandes desculpadores oficiais porque directos beneficiários, nesse limbo onde não há Esquerda nem Direita. Saem-se muito bem na poluição da verdade como na vida.

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