A VOCAÇÃO TRITURADORA DA RÚSSIA



A infinita Rússia decidiu rechaçar com extrema violência
as pretensões soberanistas do governo de Tbilissi sobre a Ossétia do Sul.
São infelizmente incontáveis os exemplos de como, nesta Rússia de Putin,
entre a lógica diplomática e o último recurso da força,
prevalece a insânia da segunda hipótese,
com o desencadear violento de ódios e rivalidades
entre povos de convívio milenar.
lkj
A Lei e o Direito internacionais, um certo amor militante da Paz, não fizeram escola lá,
onde a democracia é claramente uma utopia e o Estado rival e concorrente das Mafias,
segundo processos equiparados de actuação. Enquanto cidadãos de um país pequeno
que viu o oportunismo histórico espanhol segurar Olivença enquanto todo se pela por Gibraltar,
mas segura Ceuta e Melilla contra as aspirações marroquinas,
no mínimo deve chocar-nos, nesta questão,
a clara desproporção de força e de escala entre a Rússia e a Geórgia.
lkj
Para maior aprofundamento dos antecedentes de este conflito,
sugiro a consulta e leitura do blogue Da Rússia, de José Milhazes,
sem omitir a caixa de comentários, onde abundantemente se digladiam
posições apaixonadas pró-russas e pró-georgianas:
lkj

«O conflito entre a Geórgia e as regiões separatistas da Abkházia e Ossétia do Sul tem origens no período de desintegração da União da Soviética (fim dos anos 80 e início dos anos 90 do século passado). Então, Zviad Gamsakhurdia, Presidente da Geórgia, decidiu pôr fim à autonomia delas através da força. Destacamentos armados georgianos entraram na Abkházia e Ossétia do Sul, dando início à guerra civil que durou até 1994. Grupos armados separatistas, apoiados por Moscovo, conseguiram travar a ofensiva georgiana e controlar grande parte do território dessas duas regiões. Em 1994, as partes do conflito, tendo a Rússia como intermediária, assinaram um cessar de fogo. Tropas de manutenção da paz russas instalaram-se na região, mas a contenda foi apenas congelada. Os presidentes georgianos, quando iniciam funções, começam por prometer o restabelecimento da unidade territorial. Os separatistas da Ossétia do Sul realizaram dois referendos onde o sim à independência do território e sua posterior unificação à Ossétia do Norte, república que faz parte da Rússia, teve o apoio da esmagadora maioria. Moscovo apoia, directa e indirectamente, os separatistas, utilizando-os como alavancas de pressão sobre Tbilissi. Por exemplo, a Rússia deu cidadania à esmagadora maioria da população dos dois teritórios separatistas.»
kh
In Da Rússia, José Milhazes

Comments

antonio ganhão said…
Não é o Bush? Então não interessa nada...

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