terça-feira, setembro 30, 2008

O ENSINO DO GARROTE


Naquele dia, o professor levou-se diverso para a Escola.
Transportou-se para lá à superfície como em cada um dos outros quinze dias,
o escasso tempo que lhe coube ser sinceramente feliz ensinando,
até lhe mandarem dizer, a partir do Executivo, dentro do mecanismo
corajoso do rumor e do talvez, que teria só mais oito dias, se tanto,
para continuar a ensinar ali e a ali ter ousado sonhar
que teria o pão-dele sossegado por mais mais algum tempo digno.
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Mas levou consigo, além de si, dos seus livros e dos seus materiais,
uma corda resistente. Subiu discretamente à cobertura
entre o Pavilhão A e o Pavilhão C, que forma como que uma ponte à prova de chuva.
Era intervalo, e os alunos juntavam-se para ver dançar,
uivando, aplaudinho e ululando, um par de moços,
escondidos dentro da concha formada pela multidão,
com o cu duro sem K, os moços e a multidão,
ao som dos Buraca Som Sistema, em altos decibéis.
Da sala de professores, na parte superior, muitas professoras, embevecidas,
debruçavam-se para lubricamente das janelas verem melhor o show.
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No topo da cobertura, o professor envolveu, metendo uma ponta de corda em abraço,
a viga transversal, por baixo da cobertura de fibrocimento ondulada em V e em A,
uma viga de concreto resistente, encaixada noutra vertical.
como uma letra grega, o Gama Maiúsculo Γ,
ou uma cruz partida num dos braços. Deu um forte nó.
Amarrou a outra extremidade ao pescoço, bem firme e decidido, e,
sem que ninguém reparasse no transe, preparou-se para saltar
pela certa, sem errar no tamanho da corda
ou ignorar a necessidade do esticão brutal
do seu corpo no fim dela.
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E saltou. Saltou com muito amor pela vida, pelo País,
com muito amor pela mulher, pelos filhos pequenos, pelos pais, pelos irmãos,
mas cansado de ser tratado como a merda que os outros desprezam,
sobretudo os tecnocratas do Estado e os ressabiados com a alheia felicidade.
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Era necessário fazer um discurso veemente e definitivo com a vida e com o corpo,
como o discurso enigmático dos polícias igualmente suicidários, e gravar, assim,
ainda que com a covardia cansada e abissal de um suicídio docente,
uma mensagem indelével para a Opacidade Medíocre e Desumana,
pedra a pedra erigida, em Portugal, por estes dias
e logo com ares pseudo-reformísticos:
«Pelo amor de Deus, evitem ler o Implume!»

segunda-feira, setembro 29, 2008

WALL STREET CONFIDENTIAL


Quaisquer vozes autorizadas que venham a terreiro, como a de Obama,
tentar acalmar a intranquilidade dos mercados podem falhar de igual modo
o ensejo por serem apenas isso, vozes. Ele recorda que todos sabem
nunca serem fáceis as coisas no Congresso Norte-Americano:
não é possível antecipar que, de uma forma ou de outra,
o célebre plano de 700 mil milhões de dólares seja concretizado,
mesmo que quem o assegure seja Obama.
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Cavalgando o mais que pode esta recusa, o candidato democrata
afirma que esta crise resulta de oito anos de irresponsabilidade
do executivo de George W. Bush e que significa igualmente
um veredicto final para este Governo: isto é perigoso, por muito verdadeiro que seja,
pois todos os que afrontam os poderosíssimos lóbis armamentistas e petrolíferos
que somente governos asininos como o de W. Bush protegeriam,
têm de se preparar para as graves agruras dos Kennedy,
não puderam ser derrotados a bem, foram derrotados a mal:
de certa forma, desde então a ditadura está a caminho dos Estados Unidos.
O paradoxal país das liberdades tolera pouco as verdades heterodoxas.
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O candidato à presidência dos EUA não tem como alavancar o projecto rejeitado.
Só pode fingir que pode, representar que pode e, como fazem outros,
retardar a revelação declarada, minimizando-a por aí, só por aí,
dos danos irreversíveis a pouco e pouco tornados públicos.

BASCULAÇÃO CRUDE / FALÊNCIAS IMINENTES


Como piroclastos pelo declive do vulcão, os impasses da crise fazem entrechocar-se,
abalando-se reciprocamente, sectores variados da economia:
«O preço do petróleo permanece sob pressão.
Nos últimos cinco anos alterou-se muito
por receio de interrupções na oferta.
Agora altera-se devido aos receios de afundamento da economia»,
explicou um analista da WTRG Economics.
[...]
«Durante o dia, as perspectivas da procura de petróleo
tinham já sido abaladas pelas sucessivas notícias de falências iminentes
no sector financeiro, evitadas graças à intervenção estatal
ou à aquisição dos activos por parte de outras empresas.» [Público]

SALDOS, SEXO E NACIONALIZAÇÕES


Na verdade, as falências
já não são um instrumento de auto-regulação do mercado,
eliminando os medíocres ou os que têm azar. Podem ser uma oportunidade
para ser salvos pelo Estado e recomeçar todo um processo de Casino.
Provavelmente os 700 mil milhões de dólares
no sistema financeiro servirão de paliativo
e pouco mais, caso se efectivem.
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Por cá, Europa, é agora o Grupo Fortis parcialmente resgatado
pelos governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo.
No Reino Unido, é o Bradford & Bingley
no qual intervém governo de Gordon Brown
que fica na posse dos activos de maior risco,
ao alienar a rede de balcões aos espanhois do Santander.
Em suma, a hipocrisia da economia auto-regulada esboroa-se a olhos vistos
e, uma vez mais, são os cidadãos a custear os desastres de gestão.
Claramente, esta procissão ainda vai no adro e discutir o sexo dos anjos
será o principal tópico dos liberais mais aflitos e quixotescos.

MINHA UBIQUIDADE EMOCIONAL


Obrigado, João, pela sandes. Adoro comer leitão à sexta
e sempre que possível!
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Pensa que a minha relação com o teu Quarto
é mais um fenómeno de ubiquidade emocional e literária
que de voyeurismo, esse aquém do gozo que coloca o voyeur
numa posição de prazer ainda mais indirecto e demasiado asséptica e distante,
não participante porque desconhecedora da paisagem viva observada,
quando é precisamente o contrário o que se passa comigo.
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Ler transfiguradamente o teu Quarto
transformou-me ainda que ilusoriamente numa omnisciência que paira,
se compadece e participa, o prazer é ilusão e a ilusão é prazer,
figura, se quiseres, a meu ver aproximada, da figura absoluta do Narratário Supremo
a que aspira qualquer narrativa nossa: por ser aquele que tão bem nos escuta,
compreende e acolhe, que de igual modo parece de todo habitar-nos as entranhas
e consubstanciar-se connosco e nós nele. Há efectivamente um supraNarratário
e um superNarratário na nascente e na foz da nossa escrita. Deus?
A mulher de todas as nossas telepatias?
O amigo da maior e mais sublime cumplicidade connosco? Todos?
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É verdade que conversamos, o Tiago, o António e eu,
no último jantar sobre a gratificante radiofonização de um escrito teu
e é verdade igualmente que o António tem de resingar a meu respeito
de todas as vezes. Somos amigos, picardiamo-nos e picamo-nos todos os dias
com todo o prazer sádico da espora. Mas não é para tu pensares
que sejam sérias as coisas afiadas, aparentemente cruéis, que passamos o tempo
a espetar na literatura deficitária de um e de outro.
É desporto, mesmo. Ao contrário de ti, que és generoso,
abnegado e cheio de mérito, abdicando à partida do lucro e do mercado
pela gratuidade universal do prazer de ler e de ser lido,
ambos desejamos e aspiramos a publicar livros de carne e de papel
e sabemos que o poderemos fazer a breve trecho.
Tenho dado uns passitos. Tenho sentido o grato encorajamento
de um padrinho editorial secreto e de grande peso e prestígio nacional
que a isso (publicar!) muito me alenta e que eu admiro imenso. Veremos!
Mas gosto do António Emplumado, para além de tudo e acima de tudo.
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Abraço em deleite de-leitão-lambuzado!

E EM BREVE: MADE IN CHINA'S MOON

Preparem-se para comprar bijuteria, bujigangas e lantejoulas
made in China's Moon e com materiais lunares: quer se queira, quer não,
e porque a China não brinca em serviço, dar-se-á uma corrida aos minerais
e aos territórios, luas e planetas, limítrofes.
É só aguardar tranquilamente pelos novos desenvolvimentos.

ESMAGAMENTO TRIPLO DO CONTRIBUINTE


A urgência de respirar de alívio é notória: não sabemos se tal se logrará.
Menos Estado. Melhor Estado - que saudade
dos slogans ingénuos do passado quando a bondade benévola
do Estado para com os cidadãos parecia residir precisamente no delegar e no encolher. Evidentemente, que a prática efectiva
foi um feroz Mais Estado ao Serviço dos Super-Privados.
Agora o mundo treme porque o resultado-panaceia é
Todo o Estado Possível para financiar uma Hecatombe de Dívidas Privadas.
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Evidentemente, que o contribuinte-cidadão, o centro sagrado das Nações,
que deveriam ser poupados, respeitados e acautelados, arriscam-se a pagar
tão multiplicadamente a irresponsabilidade de outros,
que é de perspectivar um levantamento nunca visto a varrer o Mundo de lés a lés.
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Quando vejo um mendigo, homem de quarenta ou cinquenta anos,
dormindo em pé, sujo, mal-cheirento, sem Magalhães que o enquadre e modele,
encostado a uma caixa eléctrica, na minha cidade, penso nos transes de rebelião
que por aí vão fermentando, por enquanto dormentes e contidos,
talvez semelhantes aos que por alguma razão,
pelo gritante contraste entre a miséria e a opulência,
varreram os primeiros séculos europeus,
mas sobretudo italianos, do segundo milénio.

TREZE ANOS E MAIS POBREZA: SO WHY SO GAY?


Há efectivamente muito poucos motivos
para marchas triunfais como a de Guimarães e as que se sigam obámicas e iguais:
o cortejo de desempregados, de emigrados em desespero de causa,
de expelidos dos sistemas de apoio social, apesar de desempregados,
a estatização de tudo até do conceito balofo em anti-prática do liberalismo,
com a manutenção sonsa e sorna de toda a espécie de principescas obscenidades
e principescas promiscuidades nas altas esferas político-económicas
por esses organismos e departamentos públicos, entre outros exemplos.
Perante tudo isto e o que de verdadeiro
a pata estatal abafa e suprime, portanto, why so gay?!
Why so joyful while fucking us wide and large?!
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DIAGNÓSTICO SOARES, FARPA AINDA SUBLIMINAR A SÓCRATES


A julgar pelo modo como os líderes da chamada 'esquerda reformista' nacional
seguiram nos seus governos promíscua e obscenamente
ao serviço dos negócios dos privados, cagando para os cidadãos,
arrotando alarvidades sobre competitividade e produtividade,
quando nada há que estimule e respeite os cidadãos e contribuintes,
quando se esboroam os critérios para uma sociedade coesa, forte, determinada,
em Portugal, cai como um bálsamo este artigo de Mário Soares.
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Obviamente que lhe ficará muito bem uma crítica directa
e não meramente subliminar a tudo o que de inautêntico
e oco José Sócrates tem representado
contra as necessidades e os interesses concretos das pessoas concretas,
ficamos a aguardar que até Soares em breve, terminado o tempo do eufemismo
«abrandamento», chame o Boi pelo devido Nome:
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«3. É preciso, pois, repensar a Esquerda reformista,
na perspectiva de fazer face, com êxito, à crise e de encontrar outro modelo económico,
social e político (no sentido do aprofundamento democrático
e de uma maior participação cívica dos cidadãos)
para dar um novo élan à Europa (paralisada),
responder à angústia e ao pessimismo dos cidadãos,
quanto ao futuro, reforçando a justiça social.
lkl
Voltar aos valores éticos - que foram sempre bandeira da Esquerda -,
ao civismo (contra o enfraquecimento dos Estados),
contra as sociedades de mercado e dos negócios pouco transparentes,
lutar contra a corrupção e o tráfico de influências.
Voltar à militância em favor da paz e das negociações
para resolver os conflitos, lutar contra a precariedade do trabalho,
contra as desigualdades, a injusta distribuição dos rendimentos,
pela inclusão social, contra a degradação do ambiente
e pela ordenação do território.
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do serviço público. Foi essa honradez republicana
que permitiu que a nossa I República, apesar de só ter durado dezasseis anos,
deixasse um legado de moralidade que resistiu,
como um exemplo a seguir, a quase meio século de ditadura.
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Foram os lobbies dos interesses, a imoralidade dos dirigentes dos bancos
e das empresas, as grandes negociatas, envolvendo políticos,
e o tráfico de influências, numa palavra, a promiscuidade entre a política e os negócios,
que desacreditou a política e nos conduziu à crise em que nos encontramos.
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Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo.
Essa é a grande tarefa da Esquerda europeia, com autonomia ideológica
em relação à América, uma vez repensadas as políticas e os comportamentos,
para que os cidadãos se mobilizem».

domingo, setembro 28, 2008

PAUL NEWMAN'S ROAD TO GLORY


O secretismo e o silêncio até à sua morte,
em torno do seu estado de saúde e derradeiros momentos,
foi uma dominante fielmente respeitada por parentes e amigos
do actor Paul Newman, de 83 anos,
que mantiveram uma reserva absoluta sobre quaisquer informações
que indicassem que sofria de um cancro terminal do pulmão.
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Foi assim que passou as últimas semanas de vida:
em casa, rodeado pelos seus. Apesar da publicação de variadíssimas notícias
e especulações, pessoas ligadas ao actor não se quiseram pronunciar.
Participou em mais de 50 filmes, incluindo Butch Cassidy
e A Cor do Dinheiro, com o qual ganhou um Óscar de melhor actor principal.
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Paul Newman aparecera, em Abril, no programa Tonight Show,
de Jay Leno, mas as primeiras informações sobre a sua saúde surgiram somente em Junho,
quando um amigo do actor, A.E. Hotchner, assegurou que Newman,
fumante inveterado no passado, sofria de essa doença
e que se encontrava sob tratamento.
lkj
Foi o próprio actor, irritado com os rumores,
que fizera publicar um comunicado, por intermédio do seu agente,
no qual assegurava que estava bem, sem fazer qualquer alusão
à possibilidade de sofrer de cancro. O The Daily Mail,
citando uma fonte anónima próxima à família do agraciado com dois Óscares
(um deles pelo conjunto da obra), que assegurou que Newman
«não queria morrer no hospital», já que havia sido informado
de que tinha apenas «semanas de vida».
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A publicação indicava que o actor
tinha concluído o seu tratamento de quimioterapia
para o cancro, em Nova York, e, de facto, apareceram fotografias suas
em cadeira de rodas e com um aspecto muito enfraquecido,
a sair do hospital.
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Uma carreira brilhante e uma exemplaridade cívica e social
a toda a prova fizeram de Newman um dos homens mais imprescindíveis
nos nossos tempos, lamentavelmente subtraído agora à humanidade dos vivos.
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Outros, que nunca deveriam ter nascido, vão-lhe sobrevivendo,
por aqui e por ali, através do crime, da incompetência grave,
da ignorância crassa, falindo empresas privadas e,
depois de eleitos para grandes responsabilidades,
quase falindo Estados saudáveis e fortes
que por pouco não soçobram às suas inéptas mãos.
E sobrevivem-lhe os adeptos e praticantes da monovalência do Oil,
e prostituem-se ao serviço dos interesses de poucos,
os 10% do costume, e, por isso mesmo, actos lesivos de milhões
porque não há pior Road to Perdition que a incompetência administrativa
e a falta de qualquer sentido social. Nada mais execrável.

O MEU MÉDICO CUBANO


Estou contente com o meu médico cubano.
Na verdade não tenho médico de família
e a instituição privada/social de saúde, barata e social, como dizia,
quando solicitada por alguma urgência nossa, proporciona-me
um sr. Doutor Ramón, nascido e formado em Cuba,
homem desenvolto e claro ao falar, cómico também, acessível, descomplexado,
próximo, simpático, natural, com a sua voz rouca,
os seus olhos esbugalhados, o seu sorriso generoso
e os seus trejeitos maricas, no bom sentido.
Estou efectivamente contente com o seu trabalho e com o seu discurso.
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À saída costuma contar, com alguma graça, as peripécias da sua chegada cá.
Como foi memorável e curioso estar a sua pobre mãe
numa cerimónia Vodu, lá em Cuba, no preciso dia e momento
do seu teste de equiparação em Portugal do Curso Cubano de Medicina,
e que envolveu, a cerimónia, um círculo de fogo, e uma galinha sem cabeça
a andar perdida pelo perímetro, perante o desespero de uma mãe
que, nunca tendo matado qualquer animal muito menos correndo sem cabeça,
a tanto se atreveu só para que tudo corresse pelo melhor
ao seu emigrado filho. E valeu a pena. Obviamente, ficou aprovado
e está autorizado a exercer com largas vantagens
para a população idosa nacional
que fica servida e se diverte aos sotaques e às línguas,
e para o médico, que passa a ganhar muitíssimo mais cá que lá
e a assim poder auxiliar, quando não a sustentar, um cortejo de familiares,
por vezes de largas dezenas de necessitados lá,
na célebre Ilha Congelada e Sancionada.
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Enfim, o problema do nosso défice de Médicos
tem ele a mesma aparência de desfiguramento planificador
proporcionado pelo chamado excesso de professores,
uma responsabilidade ou irresponsabilidade política
do início ao fim.
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Se os políticos são eleitos para estarem um passo à frente da sociedade
e para decidirem e legislarem por nós em função de uma leitura fiel
da realidade-real do País, das suas necessidades efectivas,
e não putativas ou potenciais,
temos a concluir que é por múltiplice incompetência
que nos encontramos destapados conforme nos encontramos.

SUPREMA HIPOCRISIA


Entre Alberto Martins e um papagaio treinado
não se notam de momento diferenças: amestrado pela tutela consciencial
do Poder-que-Vigora, intimidades como o casamento gay/homo/lesbiano
interessam-lhe tanto como interessam aos próprios, ao PS ou ao País.
Nada.
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A crise de empobrecimento geral e galopante
arrefece os ânimos mais entusiásticos por rupturas de este carácter
e o recuo do PS em agendar ex-machina deus a questão de estes casamentos
é meramente tópico-cenoura-de-esquerda sujeito a toda a prudência
dado o conhecimento que se faz da opinião pública,
como amplamente frígida na consideração de esta matéria como prioritária.
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Neste momento, as derivas libertárias têm pouca pertinência.
Mais pertinência têm as questões do salário, da qualidade de vida,
do desemprego galopante, do vazio opositivo confrangedor,
da feira de vaidades e de fingimentos em shows artificiais de triunfalismo falso,
deprimente tonalidade de mentira que domina a fútil vida de Portugal,
um País condenado desde sempre à decadência inexorável
apenas pelo azar dos políticos medíocres que lhe calharam.

sábado, setembro 27, 2008

O HEMATOMA FINANCEIRO


É evidente que a bloga, a imprensa e o mundo estão saturados
de Wall Street: eis o topónimo mais importante e perigoso
no momento presente, sendo que a quantidade de informação
acumulada, contraditória e especulativa ela mesma
deve ser de proporções monstruosas! Acena-se com o fim do mundo,
caso as movimentações negociais não obtenham o efeito desejado.
Mas esta forma de fim de mundo já começou e o que é preciso
é prepararmo-nos para construirmos um um novo.
lkj
Falou-se de mais em ganância, em especulação,
mas ao que parece as dramáticas alterações das regras do mercado que ditam
o momento presente foram negligentemente caucionadas
precisamente por quem agora procura resgatar do abismo, por força, o mercado.
É também precisamente por isso que a fama de ignorante,
de impiedoso, de entusiasta da pena capital, de incompetente
se colou famigeradamente a este W. Bush, redneck espiritual,
que as elites norte-americanas tanto e tão amargamente abominam
e o Mundo inteiro lamenta.

O LEITE CONTRAFEITO DA DESPESA


Claramente, mais despesa soa mal e nem é preciso haver Oposição
para recordá-lo: o bom senso, arredado aliás da conduta do Executivo,
que quer esvair-se em magnanimidades
realmente estranhas, realmente desproporcionadas,
o reconherá.

QUANDO O IMPLUME ME É PEPE LE PEW

Depois disto no sítio da Joaninha, a natural homenagem ilustrativa
e adicional ao meu amigo António Implume, o Emplumescente
(e esperemos que cada vez menos Plumitivo) da Literatura,
Canário de cauda deplumada.

BENFICA, SEMPRE...


... Sempre em segundo ou em terceiro em relação ao FCPorto, claro!
Fora isso, obviamente que vejo o jogo de esta noite como a descontraída
e grande oportunidade de o Benfica vencer e convencer, finalmente,
sossegando toda a gente a ele afecta, de que pode conquistar algum título,
após o show extenso que tem sido a fabulosa constituição do actual plantel
de lesionados, cansados, extraordinários atletas,
que por vezes até jogam.
kjh
Adenda 23:11: Ainda bem para o futebol que esta vitória se deu porque relança os dados.
Paulo Bento evocara a estatística de não derrota ou da vitória na Luz em três anos
mas talvez tenha motivado bem mais o Benfica que o seu Sporting.
Da mesma forma actuam as análises de Rui Santos, provocam!,
e certas postagens na bloga: irritam, estimulam, funcionam como suplementos de raiva.
Lamentavelmente, sabemos que os índices de motivação do Benfica,
apesar da pedagogia futebolisticamente avançada de um simpático Quique,
descerão abruptamente perante o próximo Trofense ou Rio Ave, o que é perigoso.

MEU CORAÇÃO RADICA AQUI

As raízes da minha vida e do meu bem radicam aqui,
inteiramente aqui, templo de paz vital deixado em suspensão
pela vertigem da vida consumida, desenhada no conflito e na conquista.
lkj
Um retorno saudoso, tempos a tempos consumado,
lava-me o íntimo e me é baptismo de lágrimas, comunhão de lágrimas,
reconciliação de lágrimas gozosa, ápice do estar vivo,
porque abraço aninhado na divindade amorosa
de um Povo que é Jesus Cristo disperso e reunido.

OBAMA'S BEAM ME UP, SCOTTY!


Vi o debate entre Obama e McCain pela CNN,
depois de ter visto no AXN a politizadíssima Entrega dos Emys,
perdendo a paciência com a intrusão tradutória na SIC-N.
lkhj
Vi-o, apesar do sono, apesar da hora,
observando a sucessiva abordagem aos tópicos,
a possibilidade de expor o pensamento sem as interrupções incivilizadas
que por cá jornalistas e adversários políticos muito gostam de cavalgar
abominavelmente, diga-se, a pouco e pouco passando com o corpo e o olhar
para o lado de lá, Oxford, Mississipi,
e sinceramente sentindo alguma pena por não estar lá,
e por, em matéria de riqueza opinativa, abrangência de matérias,
clareza e vitalidade cívica, não fazer eu parte integrante de tal mundo,
não poder eu viver e intervir também como um cidadão norte-americano.
lkj
Falar de vitória vitória é um conceito redutor para qualquer das partes,
mas é óbvio que o herói aqui é Obama, é ele que, depois do combate,
poderá dizer «Beam me up, Scotty», missão cumprida.
De pouco valerá ao sénior herói de guerra McCain o seu estatuto venerável.
lkj
Certamente que o rezingão MacCain, com o seu tique de língua lagarta,
foi um bicho duro de roer, bem agressivo, sem dúvida experiente,
sem dúvida cheio de iniciativa e trabalho no passado em variadíssimos dossiês
de importância crucial. Ainda tem um conceito de poder
reaganiano, feito de inflexibilidade negocial com os Eixos Malígnos,
ao passo que Obama assenta a sua tese de actuação putativa e futura no facto
de que o isolamento férreo de um país, cercado de sanções económicas e de silêncio
acicata nesse país precisamente o tipo de reacções mais indesejáveis,
conforme o caso recente da Coreia do Norte, ao reactivar o seu programa nuclear.
Daí desejar instituir vários níveis negociais, várias plataformas negociais directas,
até ao mais alto nível, estratégia com a qual concordo.
lkj
McCain nunca cruzou o seu olhar para Obama, estava rígido ali,
com as suas mazelas físicas e a sua marca de um duro de roer, defendendo-se,
distorcendo a cada passo as asserções obamanianas,
esforçando-se por mostrar-se mais por dentro dos assuntos.
Obama mostrou-se mais natural, fisicamente era aquele um corpo de diálogo.
Conforme ontem vi muitos dos premiados com um Emy subliminharem,
em especial alguns séniores com Emys de Carreira, aplaudidos de pé:
era preciso mudar de governo, de registo, de estilo, de perfil, de tudo,
porque é muito triste ver a ignorância (Bush) em acção.

VENTRE, CAIXA DE PANDORA


Ao princípio, parece simples e experimental: é só um bocadinho.
Com o passar do tempo torna-se usual e vulgar.
A ética e a prudência atrapalham a consciência? Eliminem-se do caminho.
Os interditos são aborrecidos e antipáticos? Façamos-lhes uma plástica.
ljj
Se o aborto praticado pelos médicos e a eutanásia
deixaram de ser considerados falhas graves
no novo Código Deontológico da Ordem dos Médicos ontem aprovado,
por que é que não me sinto aliviado e feliz?!
O documento anterior referia que "constituem falta deontológica grave"
ambas as práticas, pois. A falsa fluidez e a falsa modernidade
vão tornando laxa e lassa a Letra da Lei, a Letra da Norma, o Corpo do Código,
porque o Corpo do Código, a Letra da Norma e a Letra da Lei atrapalham.
lkj
Foi assim, eliminando a barra rígida dos princípios,
desculpabilizando, naturalizando, darwinizando a luta e o conflito evolutivos
entre fortes e fracos e metendo no torno da rotina até ficar espalmado e flexível
o que na verdade é aviltante às consciências,
foi assim, repito, que se viram, há mais de cinquenta anos
e há menos de vinte, crimes e loucuras inomináveis.
lkj
O Ventre Humano, uma vez aberto
desde o seu âmago a uma interferência de morte,
é ele a Verdadeira Caixa de Pandora: aparentemente liberta.
No cerne, é mortífero, desassossegador, pai do caos within.
Desorganizador insidioso.
lkj
Arranjem a Letra como quiserem.
O Espírito não pode negar-se.

sexta-feira, setembro 26, 2008

A ICTERÍCIA CRÓNICA DO PSD


As intervenções de Manuela Ferreira Leite, além de pecarem por tardias,
têm revelado uma desorientação de fundo que a ninguém passa desapercebida.
Já sabemos que a ostentação pífia norte-americana do PS,
cheia de vácuo, de gás metano e fogo fátuo,
despudoradamente presente no comício de rentrée em Guimarães,
corresponde a uma recorrência longamente experimentada nesta legislatura:
o regime não se poupa a grandes operações e a grandes produções, efectivamente caras!,
perante a pelintrice própria e a do pobre Povo, a quem sugaram (e continuam a sugar)
o mais que puderam e para coisa nenhuma, diga-se.
lkj
Mas para que nos interessa, no estrito plano político ao mais alto nível,
falar de essa lana caprina, havendo tanta matéria intocável?! Não haverá
quem tenha cérebro na Comissão Política Nacional do PSD?!
Onde há rasgo?! Onde o carisma?! Onde a tarimba de vencer e persuadir?!
lkj
A tentativa de liderar nesta liderança do PSD é um malogro amargo para o País,
porque baseada em que a melhor defesa é a defesa, e não o ataque claro,
frontal e contundente. Para que nos serve tanta reserva,
tanto acanhamento, a parcimónia da palavra?!
Daí que, com um entusiasmo infantil,
as respostas às intervenções de MFL por esses testa-de-ferro socialistas,
primem por características grotescas de língua de bairro,
procurando reduzir ainda mais à mais confrangedora nulidade
a nulidade calada a que foi remetido um PSD credível, mas dúbio,
sério, mas derrotado, com rumo, mas a pique,
prudente, mas desaparecido e antipático.
lkj
É a figadeira-icterícia do PSD.
A Laranja definha e desbota sem que lhe deitem uma mãozinha
e nos apareça um messiânico Cavaco Silva, partindo a loiça
e arrastando a Gente.

HELL CAME UPON BUSH ADMINISTRATION AND MACCAIN'S ASPIRATIONS


Sarah Palin, que parecia um refresco para a candidatura de John McCain
e para a dinâmica geral das Presidenciais,
revela-se agora como um claro e fatal erro de casting, um dos maiores equívocos
ideológicos, de perfil perfil políticos que o lado republicano alguma vez cometeu
e ainda por cima nem tanto pelos mecanismos
raivosos de difamação activa pelo levantamento
de ratos e ratas podres presentes e passados,
mas por inépcia própria e despreparação pura em face de dossiês seríssimos
por ela tratados e comentados desastrosamente.
Fora do argumentário ana-gomesiano,
a mulher revela-se, podemos dizê-lo sem risco de errar,
como efectivamente perigosa e campónia no pior dos sentidos.
lkj
O senso-comum, a população e a sociedade em geral olha para Bush
como um fracasso global repleto de erros sendo o objectivo de injectar dinheiro
em Wall Street em grave risco e representando um derradeiro teste.
O momento é todo de Obama que vê fraquejar com fragilidades várias
a candidatura adversária: o debate em Oxford, no Mississipi
poderá representar um momento de viragem definitivo,
antes do promissor para si 4 de Novembro.
lkj
João Pereira Coutinho ontem, na SIC-N,
considerava que as presidenciais norte-americanas e o momento financeiro actual
estavam a ter um impacto exagerado, e deproporcionado
na opinião publicada portuguesa, o que nos leva também a ler
nas imitações baratas de Sócrates o mesmo tipo de atenção apaixonada
pelo tentador impacto daquele show sedutor e clownesco.
lkj
Talvez. Considero é que o sucedâneo
norte-americano está a servir, uma vez mais, para preencher o Buraco Negro
da transparência e do debate sério de ideias em Portugal sobre Portugal.
Quando por cá nada nos atrai, nada nos catapulta, nada nos entusiasma,
porque a cleptossituação segue inalterada, o empobrecimento é um dado factual,
descobre-se invariavelmente um sucedâneo, um suplemento, vindo do exterior:
ou fim do mundo da crise financeira, ou uma crise diplomática qualquer,
ou ventos de guerra. Sem estas manobras de ilusão e de fascínio desviado
abafar-se-ía aqui de modorra, da trágica e medíocre hegemonia
do PS governo-eucaliptal forjado por Sócrates.

FUGAS-FRADE, RETIROS E LEVITAÇÕES


kjh
te tinha dito que sonhei que caminhávamos juntos,
tu vestido como um frade, tonsura, cilício e certamente um grande malho das Caldas
de barro e desproporcional porventura por baixo do teu Hábito, já?!
Pois foi o que me foi filme uma de estas noites.
lkj
Quanto ao malho, não ligues que o elenque:
quando se sonha não há limites para associações,
e tinhas tudo, toda a loiça, que um frade franciscano tem,
sandálias também.
lkj
Lado a lado, num percurso florestal, conversando sobre Política

me dizias que estavas cansado, que te retiravas franciscanamente
da consultadoria jurídica e da Política no seu Todo,
que por ti agora seria um sossego armado da aurea med
e da pena de vergastar o mundo e eu te dizia inconformado assim:
«Frei Tarantino, longe de ti abandonares a Causa Executiva.
A Causa Executiva precisa de ti. Estiveste no meio deles.
Conheces os vícios deles. Estás fartinho das manhas deles
que, industriado e doutorado, conheces por demais.
É a tua vez de liderar sozinho e sem eles.»
lkj

Pequeninamente, meneavas a cabeça e não assentias
no que te suplicava alvitrador. De repente, passa Frei Marques Mendes
e dirige-se-te deferente: «Fratello Tarantino, vim também para a Ordem
franciscanizar a minha retirância política e a minha liberdade de bitaitar.
Como folgo em ver-vos igualmente por cá sem penas e abraçado à pena!
«Num braço a espada, no outro a pena», citou, gracejando que,
retirados agora do Mundo, a espada de Agir em Prol do Povo
também descansaria. Seria só verbo mesmo.»
lkj
Nesse ponto, com mil tonéis de vinho
e dois mil suculentos quartos traseiros de leitão rescendendo,
o sonho virou pesadelo porque eu via impotente
dois Frades da Política aportuguesarem-se inteiramente,
retirando-se da vida activa e executiva para activar somente a bitaitada,
a marcação de língua ai-jesus e tal da nossa Política
e da nossa fraca Vida de Ideias Nacional.
ljlj
Pequeninamente, o Marques Mendes também quer vender livros,

é mais um, e tu viste, eu vi, as suas perninhas ambientais
e enérgico-renováveis bamboleando na cadeira diante da Judite Inquisitorial
de olhos de faca, feliz, sereno, seráfico, ali devolvido à grande paz
do descompromisso político activo, ali o símbolo acabado
de este Fado de Amuados e de Atados que nos vai definindo como Povo.
Mas para todos os efeitos, entre tanto frade franciscano retirante da política,
tu ao menos tens um Grande Malho das Caldas por baixo do Hábito e,
pelo menos no meu sonho, não és de barro.
Resposta muito oportuna tarantino-ferreira-pintoneana:
«FREI JOSHUA, Irmão Rex, é verdade que lado a lado,
num percurso florestal, íamos conversando sobre Política ...
e não é menos verdade que te dizia estar cansado,
que admitia uma retirada franciscana...
ljj
Enganais-vos, porém, no que tange aos frades que da política se retiraram
e se aportuguesaram inteiramente... é que um, por muito que o não queira,
tem de vergar a mola, pois tem de meter pão e mais alguma coisa
portas adentro que a sua condição de amancebado o exige
(sim, amancebado pois cousa inaudita seria ver-se um frade casado! e com gêmeas!)...
lkj
Já o outro, para além de generosos sestércios
que lhe caíram da mama republicana pública, ainda os recebe da mamas privadas...
como vêdes, há diferenças... e outra ainda...
eu bitaito porque me incomoda que se viva assim,
que se minta descaradamente,
que se diga hoje que somos amigos dos pobres
e amanhã nos transformemos em amantes dos ricos...
eu bitaito porque penso que o meu coração
bate do lado dos visonários que sonham com uma sociedade,
pelo menos, um pouco mais recta,
e o de Frei Marques não tenho bem a certeza que bata!
lkj
De qualquer modo, não Vos iludais, Frei Joshua,
meu retiro é meramente táctico, embora a minha acidez do bitaite seja permanente...
Tivésseis Vós tido a oportunidade de ler as minhas escorrências
apelidadas "Disto & Daquilo",
quando era efectivamente um Frade mais importante
e Frei Guterres mandava,
logo verias que a mim dificilmente me escaziam de pensamento!»

quinta-feira, setembro 25, 2008

DESENLIVRO SOB O SOL


[Este Cristo vianense, que fotografei na Sra. da Agonia,
parece deitado 'à Terra': espelho nosso,
que nos deitamos ao sol gozoso do sol e do simples pensar
e do simples viver].
kjh
Agora a sério ou também a sério, João,
conhecia e gosto da história do Pra Quê?,
meu pai ainda a conta à mesa enesimamente.
Nela o que faz raiva é que não nos podemos refastelar
conforme o Pedro, graças a Deus, se refastela, come e descansa.
Filhos, mulher, contas, tudo.
lkj
Por isso trabalhamos muito e ganhamos cada vez menos que pouco
sem que nos possamos verdadeiramente deitar assim de peixe cheios,
e de papo, embora o desejemos.
lkj
Quanto ao teu livro, julgo que ainda não há um computador
com o qual nos possamos deitar,
cujas páginas possamos cheirar
e meter o seu corpinho maleável num bolso
como num quarto moreno para folhear
na penetração mais serena e doce e sôfrega do mundo.
lkj
Como o Pedro, quereria lê-lo, o teu O Quarto, o meu O Pub também,
deitado ao sol, com um longo e fino caule de erva triunfal bailando entre os dentes.

A ASAE E O LEITE CHINO


O leite chinês anda na boca de toda a gente
pelas piores razões: o que esta notícia sublinha
dá motivos para pensar, tendo em conta aí as múltiplas e notórias violações
e sinais de desprezo pela legislação comunitária
relativa ao leite chinês fora de prazo
e perigosamente manipulado à venda onde?
Porto, Portugal.
lkj
Uma vez mais, neste lado descomprimido da legislatura,
pressente-se que os fiscais da ASAE estão naturalmente remetidos
à modorra da caserna, aguardando pelo pós-eleições
para de novo virem implicar encapuçados, embuçados,
com a doçaria tradicional mal acondicionada e sem condições de salubridade.
lkj
Mas então, agora são os jornalistas do Público
que, por sua iniciativa, têm de suprir, com serviço de interesse público,
as responsabilidades pelo nosso bem-estar e segurança alimentar
que competem também à ASAE?! Era condecorá-los e medalhá-los.
É preciso derramar este leite!

CÂNCRO LIBERAL E CÂNCRO COMUNISTA


Temos de ir pela Esquerda ou por onde houver virtude, que está no meio,
e temos de ir todos, mesmo aqueles, como eu,
que em matéria de valores coesivos fundamentais sou de Direita,
mas em matéria social e de organização da economia e da sociedade
sou de Esquerda, uma vez que a cupidez desenfreada, não controlada,
margina e destrói selvaticamente franjas mais fragilizadas de indivíduos.
lkj
Defuntos ainda vivos, como Álvaro Cunhal, podem ter chorado
a emergência de um líder manso, mole, hesitante, côr-de-rosa,
incapaz de controlo político ou sangrent'outro, como Mikhail Gorbatchev,
com os seus novos conceitos de um império capitulante Perestroika e Glasnost,
mas tardou que esse capítulo negro de opressão e dogma colapsasse.
kjh
Lições houve e há a tirar: devemos ser menos dogmáticos e orientados
quer em matéria de comunismo, quer em matéria de sociedade liberal.
Entre ficar entregues aos caprichos de um Estado Omnisciente e Omninterveniente,
ou entregues aos caprichos da concorrência desenfreada e imoral,
o Diabo tem escolhido precisamente alternar
entre estes dois fundamentalismos extremistas.
lkj
O câncro-cerne é a própria espécie humana que,
demente e autodestrutiva como é, ignora um Anúncio Antigo e sempre Jovem,
ainda não se convenceu que Partilhar Justamente existe e realiza.
Que Complementar, Emparceirar e Distribuir é melhor que Explorar,
Reter Minoritariamente a Maioria da Riqueza,
que é a trágica lógica da avareza vigente.
lkj
Bush é, na verdade, e sem o saber, uma forma de ser Estaline para o mundo,
com a boca cheia de Democracia, Liberdades e Garantias:
«Kill, kill, kill, the bastards! And win the war!».
Desconfiemos, portanto, dos Portentos,
das Siglas e dos Modelos Absolutos!

PORQUE URGE BEST-SELLERIZAR «O QUARTO»


Depois de ter lido o Quarto 1, o Quarto 2,
o Quarto 13, o Quarto 14, e o Quarto 15, faz todo e qualquer sentido
estar sentado defronte do meu amigo João e vê-lo radiante
assinando uns atrás dos outros os exemplares
de um óbvio, claríssimo e urgentíssimo best-seller.
lkj
Quanto ao texto 15, achei-o por demais sublime,
poético, roçando uma muito intensa tonalidade Alma-Minha-Gentil camoneana,
roçar de lâminas do como dói amar e sofrer por amor.
Ler o Quato 15, como aos outros, é enredador: encharca-me de prazer e comunhão
entrar na carne do João e escrevinhar com ele, por ele e nele,
como na Doxologia Católica, esse místico diálogo dilacerante
entre a Paixão mais pura, e por isso tórrida e torrencial,
e a mais pegajosa e empatante obrigação lasciva
por consideração, oh!, sapo engolido
de ser escriba!
kjj
Abraço enTâniado!