PENSAR QUE BEBEMOS JUNTOS

Pensar que bebemos juntos, meu jovem!
Que loucura foi aquela? Porquê ir tão longe e matar?!
Na outra tarde, no remanso de um domingo sereno de Agosto,
entre a cachaça, a música e a conversa,
em família, minha mulher grávida, meu cunhado, minha filha,
as crianças brincando sujas pelo pátio pequeno,
naquela casa esverdeada, velha, mas aconchegante para um recomeço,
e tu desceste, já bebido, entorpecido, apresentámo-nos,
e nada disseste, sempre sorrindo e simpático no teu silêncio ébrio.
Apertamos as mãos. Não tinhas nada para dizer. Nada te disse.
Só te abençoei, como abençoo a todos.
Mas, agora, que loucura foi essa, fratricida, meu rapaz?!
Já sei que no calor da refrega quem não mata, morre.
Mas por que te não puseste bem longe de essa loucura, W.?!
Por que não abandonaste de vez a mais pequena hipótese de rixa nesta vida?!
lkj
Pensar que o Brasil por cá aporta com tanto sorriso e afectos
e com explosões de sangue tão loucas, tão irreparáveis.
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Comments
Pelo jeito o co-patriotismo não alivia as tensões humanas. O ser humano mata e morre em qualquer lugar do mundo, e se falarem a mesma língua, tanto pior, pois é aí que a língua fere como faca.
ps.: o seu feed agora funcionou e atualizou em meu blog.
Abraços