McCAIN TEM AQUELA IDADEZINHA


Nem por um momento se pense que esta preferência por McCain em Portugal
radica em questões ideológicas. O Portugal sondado
foi o Portugal senil e crente nos benefícios da experiência,
mas também o Portugal simplesmente piedoso de um homem afinal riquíssimo,
mas cheio de mazelas físicas, maleitas várias e todo o tipo de achaques,
que simplesmente está naquela fase dos medicamentos, muitos medicamento,
das romarias em grupo à Farmácia. Quem passasse hoje mesmo
pela rua mais movimentada da freguesia Portugal
poderia ver uma mulher, pobre mulher!,
roliça, gorda, deitada ao comprido, abrandando o trânsito ao faro de sangue,
desesperada, contorcendo-se de dor, rodeada por um polícia, uma enfermeira
e um grupúsculo de mirones ali só a atrapalhar.
lkj
E por quem é que ela chamava? Dizia porventura,
«Valha-me, sra. Dona Sarah Palin,
pelas suas viagens fantasma e outras coisas que a vizinha me tem contado, valha-me?»
Claro que não. Enquanto não intelectual, mas só popular, ao comprido na rua
deixava escapar murmúrios sinceros: «Valha-me, sr. McCain.
lkj
Nada a fazer se a velhice ignora o mal que se faz por murmuração
e que abundantemente se pode conhecer que se faz a partir de aqui.
As pessoas não sabem nada, não lêem nada,
por isso mesmo resistem a boatos: pensam é no bom velhinho
para lhes valer, na hora do aperto no meio da rua,
descompostamente com as pernas ao léu.
lkj
O sucesso de Obama por essa Europa
radica numa ilusão colectiva compreensível só abalável
pelo efeito mágico que uma eleição norte-americana tem
de pura e simplesmente padronizar os candidatos
transformando-os na esmagadora maioria das matérias robots
articulados dos lóbis de sempre.

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