quarta-feira, março 06, 2013

DA CRISE TERMINAL DOS PARTIDOS PORTUGUESES

Os partidos valem zero a partir do momento em que constroem meticulosamente uma vida tão própria que se impermeabiliza ao clamor das gentes. Há muito que as aspirações das pessoas [mais participação directa e consequências imediatas dos nossos debates e das nossas escolhas] e a lógica ronceira dos partidos nada têm a ver. Muito por culpa da agenda medíocre destes últimos, das lutas intestinas pela escada e a chave do Poder interno ao fraccionamento interminável das suas facções e fracções: ironicamente, o carunchoso statu quo governativo ora PS ora PSD favorece o ganha pão prosaico e funcionarizado dos demais partidos, sem excepção, representados na AR, pelo que o facto de a contestação na rua visar virulentamente um membro do sistema representa na verdade uma séria ameaça ao sistema como um todo. Mas, ainda que inconsciente disso, o sistema dos partidos faliu. Não nos revemos nele nem nele cremos. Sinal disso o triste e melancólico diagnóstico do que é hoje o Bloco de Esquerda, rebate autojustificativo e tardio com que Daniel Oliveira explica a saída desse partido entorpecido e bizantino. Ele adequa-se à consabida escória da restante partidocracia em Portugal, pesada, estanque, um cancro: perpassados de corruptos, carreiristas medíocres, responsáveis por escolhas devastadoras, gestão danosa continuada do Estado, não nos reflectem. Nenhum nos reflecte. Se com os partidos, tal como estão, não vamos lá, reforme-se a forma como elegemos quem e o que elegemos. Reforme-se já. Para lá de qualquer aqui-d'el-Rei aflitivo e derrotado pelo desespero, nas ruas, comecemos pela remoção desta nossa vã, vil, singela e viciada forma de votar às cegas. Voltaremos às ruas. Vez após vez. Em massa. Com os nossos slogans desfocados, angustiados e álacres. Sem líderes. Sem alternativas. Uma mole sofredora. Para quando também com um caderno claro de reivindicações democratizadoras do sistema onde os partidos apodrecem, empurrando com a impávida barriga um monstruoso divórcio do Povo?!

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