segunda-feira, março 25, 2013

PORTUGAL TEM CU MENTOL

Como já dei a entender, ter de comentar as prestações comentaristas de José Sócrates tira-me o sono e retira-me minutos de paz: o azar completo da Nação, o Anti-Toque de Midas, isto é, o Dom da Merdificação Política concentrados num só Maluco vazaram já tarde para Paris. A pouco e pouco, esperava eu, conquistaríamos o nosso sossego. De vez em quando, faz falta o vazio higiénico da estridência estéril na Política, o zero de tensão artificial no ar, umas férias à crispação pela crispação. O silêncio excessivo de Passos [um silêncio sem programa e sem mensagem que valha a pena] é o oito comparado com a sobre-exposição mediática com que Sócrates e os seus fabricavam paleio-camuflagem vinte e quatro por vinte e quatro horas, os sete dias da semana.


Preferia não voltar a sentir desapontamento e incómodo no confronto pessoal com essa indústria de entretenimento e prestidigitação políticas, com o olho gordo em todos os negócios e comissões que a Política comporta para bichas de rabiar e oportunistas daquela cepa. Assim, voltarei à chatice de contrariar Sócrates comentador, simbionte de magna frustração e raiva portuguesa, provocador gratuito de milhões de mansos. Somos milhares em Portugal com o gosto da postagem política através de um blogue. Não há, jamais haverá, comentadores políticos a mais: se todos os cidadãos pudessem comentar criticamente a nossa vida político-partidária, filtraríamos juntos alguma da lama que nos atola: ex-dirigentes partidários e ex-titulares de pastas e cargos na política cujo desempenho à frente dos nossos destinos redundou globalmente em largas e ocultas vantagens pessoais, a outra face da nossa fome, do nosso desalento, da nossa completa falta de perspectivas, de fé e de orgulho na Nação Valente e Imortal. Cidadãos e activistas cívicos, esses moram quase todos em sociedades verdadeiramente avançadas com elites verdadeiramente responsáveis. Depois de ouvir Marcelo, Pedro Marques Lopes e outros a classificar de «patetice» a petição contra o regresso mediático do Primadonna à Estação do Contribuinte, dei comigo a considerar ser pelo menos o Pedro Marques Lopes e o Adão e Silva a cristalização da imbecilidade, da previsibilidade num tipo de comentário que nunca levanta ondas, excepto para efeitos da velha treta politiqueira de sempre que opõe e não opõe os corruptos de Esquerda aos corruptos de Direita: deveriam saber que petições como a dos mais de cem mil em dois dias contra a antena do pseudo-engenheiro representam um eloquente repúdio e sinal de vida. Só. Não há em quem repudia o regresso de um Palhaço Rico uma linha de intolerância do direito à palavra do que repudiamos. Significa isto que, para nós, que Sócrates tenha lata é mais um insulto a somar a todos os outros. As televisões não deveriam ter comentadores que tivessem ocupado cargos governativos de um modo desastroso, vexatório para o País. Isenção e imparcialidade nos não defendem da desonestidade e do mau carácter na actividade Política: Sócrates não tem a mais pequena noção de como é abominado e porquê. Não, não queremos corruptos e playboys a comentar a actualidade política; não, não queremos que gente daninha no passado, gente que enriqueceu expressamente na Política e pela Política e nos empobreceu e desgraçou graças à Política e através da Política, tenha moral para uma reabilitação ou uma antena que não merece. Marcelo, ex-dirigente partidário, não conduziu os destinos de Portugal rumo à falência. Pode debitar semanalmente a sua verve de avaliador, tem carreira como docente universitário, pôde passar sem a política. Ele pode e deve falar sem que nos escandalizemos porque não consta tenha ficado rico no exercício do Poder que aliás nunca exerceu. Marques Mendes, ex-dirigente partidário, apesar de ter sabido governar-se moderadamente na Política e pela Política, e à sua família, não consta tivesse conduzido Portugal à vergonha internacional de um pedido de resgate. Louçã, Bagão Félix, Otávio Teixeira, Pires de Lima, que também têm cu mentol nas TV, não constam na lista dos que fizeram de Portugal pasto da miséria, objecto de chacota e presa fácil dos credores. Sócrates, pelo contrário, e quem diz Sócrates obviamente diz aqueles passionais aclamadores e serviçais do socratismo, é e só poderia ser o alvo de todas as acusações e da máxima rejeição não por uma questão de censura, mas por uma simples e cristalina questão de pudor para com um Povo Traído que Sofre. A grande unanimidade em torno da ignorância crassa de Sócrates, da sua incompetência revestida a lantejoulas, lábia de charlatão e sobretudo a fixação muito oral na própria imagem, egolatria de terceiro-mundo, dispensam-no largamente seja de que papel for na sociedade portuguesa. Roubar muito à socapa e encher de tragédia as famílias dá direito a ter vergonha e ao esquecimento. É uma tristeza que o passado político em Portugal insista em regressar para nos ofender e espezinhar. Só os degenerados socratistas andam com a Direita, a Direita, na boca, como se fossem de Esquerda e não do subPartido do PS, a Minha Barriga, num tempo em que a fome, a miséria e a derrota pessoal não têm lado. Só mesmo os abaixo de putos e de cão do socratismo poderiam aspirar a uma nova oportunidade para reeditar a nunca vista manipulação monstruosa que exerceram na vida pública, como se a reconquista do Poder e a pequena, medíocre, mesquinha, disputa político-partidária tivesse algum espaço e algum tempo em face da urgente federação abrangente de vontades e saberes. Aos fanfarrões de pretensa Esquerda que não hostilizam Sócrates nem os socratistas porque todos os putativos anti-Governo lhes convém no derrube do flop passista, pensem duas vezes: não nos servirá de nada esquecer os malefícios da falsificação porque apoia a derrota da contrafacção. Como é possível atribuir antena à mais maliciosa casta de gente que Portugal já suportou?! Como é possível, também nós, berlusconizarmos o ambiente já infecto da nossa vida pública?!

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