DEGRADAÇÃO DA PROVA

Nada sei mais que tu pareces saber de convívios.
Há tantos convívios, ágapes, orgias, swingerismos de múltiplo tipo.
Quem me dera que a tua paz de espírito fosse de contágio
porque haverá muitos que a mereceriam e nada fizeram para perdê-la.
Porque eles vieram e disseram que a prova era o corpo, a prova eram os corpos,
sim, os corpos trespassados, varados daquele pénis, no furor da sua ousadia.
Os corpos e a memória têm um problema: crescem eles,
aclara-se ela com o tempo, num crescendo de lucidez e de pormenor.
De sentido também.
E a prova degradou-se. As vítimas cresceram.
Degradou-se, percebes?! Os anos passaram. Ninguém agora conferirá peso
ao clamor do depoimento de um adolescente
quando o adolescente desapareceu, se dissolveu num jovem adulto.
Já não é o mesmo corpo. A vítima transmutou-se e já não parece vítima.
Como te atreves a felicitações e à tábua rasa sem mais?!
Comments
Do ponto de vista criminal o assunto fica encerrado.
Mas quando os tribunais declaram os putativos culpados em inocentes, porque não se reabre o processo e se procura pelos culpados definitivos? Trabalha a polícia para resolver os casos perante e opinião pública ou perante e justiça?