sábado, fevereiro 07, 2009

CONTRA O ESTALINSMO 'DEMOCRÁTICO' PS


A ideia de que este PS rançoso possa, apesar de toda a atracção desastrosa pelo Abismo, obter uma maioria tangencial e depois ser viabilizado pelo PP ou por uma derradeira coligação com o PSD é absolutamente intragável. Qualquer coisa de muito novo terá de ser ensaiado da próxima vez. Por isso mesmo não podia estar mais convergente com a deputada Ana Drago que defendeu, hoje à tarde, o aumento das pensões e do salário mínimo, ao apresentar a moção de estratégia da direcção, na VI Convenção do Bloco de Esquerda que decorre em Lisboa. Ana Drago elegeu como problema central da sociedade portuguesa o desemprego e apontou a responsabilidade da crise ao “bloco central de interesses, que têm governado” o país, em particular o PS que exerceu o poder executivo nos últimos quatro anos. O horrível legado do Centrão é um de irresponsabilidade, ganância, sentido corporativo. Mais que uma adesão ao ideário, há que aderir a formas de fazer política mais humanizadoras das relações entre as pessoas. O caminho para lá chegar poderá ser suave e pacífico, caso um Povo sóbrio de esta vez vote, não se abstenha e arrisque. Mas também poderá acontecer que cheguemos aos limites da nossa paciência, à intolerância mais absoluta com uma sociedade desigualitária. Nesse momento, o desespero colocará a fumegar as pedras da avenida. E será a mal que chegaremos a qualquer equilíbrio social. O caminho é o pluralismo e não a iluminância de caca do PM e dos seus tristes acólitos sôfregos, como ASS. Vale bem a pena ler o que dizem do presente momento político irrespirável em Portugal VPV (1.) e Eduardo Cintra Torres (2.), no Público: (1.) «A solidariedade não se liga e desliga de quatro em quatro anos. Coisa que manifestamente o dr. Santos Silva não percebeu. Em resposta a Edmundo Pedro, essa personagem declarou que não a preocupavam “minudências” e recusava, como bom zelota, a “autoflagelação”. E, num arranque de oratória, confessou: “Eu cá gosto é de malhar na direita” – sendo neste caso a direita “conservadora” e “reaccionária” a de origem “plebeia” (o PC) e a “chique” (o Bloco). A linguagem do sr. ministro é, como explicou Alegre com razão e repugnância, “o discurso estalinista por excelência”. O que não admira num antigo trotskista, admirador de Otelo e Pintasilgo. Mas convém lembrar que ele encarna e simboliza um método e um regime que não se limitam a sufocar o PS, sufocam Portugal. O medo e o desinteresse, infelizmente, alastraram.»; (2.) «A aflição do Governo e do PS no caso Freeport já leva ao desespero, que se traduz na violência dos seus porta-vozes contra a liberdade de imprensa. É o que anda a fazer, em pressões intoleráveis e estalinistas, o ministro Santos Silva, e fez, num programa de rádio, o deputado Arons de Carvalho. O ex-ministro Correia de Campos também ajudou à missa da cabala, mas, como os outros, nunca concretizou num único exemplo as “mentiras” da imprensa. A liberdade deixa este PS furioso. No “Fripór”, a RTP andou a cumprir os mínimos. Depois, tentou fazer a gestão dos danos de Sócrates. E o último Prós e Contras, que parecia, mais uma vez, planeado até ao detalhe pelo ministro Santos Silva e pela central de propaganda, tentou encerrar o assunto. A prestação de Fátima Campos Ferreira foi de novo um enxovalho para o jornalismo. Ela chegou a dizer que em democracia não deveria haver notícias do Freeport todos os dias — quando a democracia é precisamente a possibilidade de haver notícias todos os dias. O Prós e Prós cumpre, entre outras missões governamentais, a de sugerir à opinião pública uma configuração da esfera política do tipo corporativo salazarista: nele só existe o Governo e as corporações (médicos, economistas, patrões, advogados, etc.). Não há nem partidos da oposição nem outro tipo de organizações políticas. Só o Governo e as corporações, como na Câmara Corporativa de Salazar. O Prós e Contras transformou-se num asco e a sua apresentadora representa agora o pior do jornalismo.Entretanto, o deputado irmão da apresentadora entregou na ERC uma queixa do PSD a respeito do Prós e Contras. Mas não, nada tem que ver com o conteúdo. Luís Campos Ferreira viu um grave problema… num intervalo do Prós e Prós! O intervalo foi muito grande! O intervalo prejudicou o programa da mana! O PSD, não vivendo no medo como o PS, deixa cromos como este em roda livre. Outro cromo é o “estadista” Pedro Passos Coelho. Se ele chegar a líder do PSD, será o primeiro que lá chega pela mão do PS. Já são demasiadas as vezes que a central de propaganda lhe tem proporcionado os holofotes por portas travessas (Mário Crespo, DN, conferência Economist, etc.). No dia em que a Agitprop do Governo começar a tapá-lo nos media amigos e a tentar destruí-lo, como fazem aos verdadeiros opositores, então talvez ele se consiga apresentar como possível futuro líder da oposição. Por agora, mais parece um factotum da propaganda governamental». Ainda há quem se deixe vogar no mais normal e natural dos espíritos em face de isto e labore na ideia de que não há alternativa a esta deriva estalinista, a esta estufa de pensamento unívoco e uniforme, promovida pela tristeza do socratismo e censure a apologia do mais convicto pluralismo, venha ele de onde vier! Da panóplia de movimentos de cidadania, aquele que o BE configura é um caminho. O que mais anelo é que cresçam e consolidem muitos outros com uma leitura da realidade exigente e com uma exigência de verdade e transparência totais.

6 comentários:

Niagara disse...

É claro que há alternativas, mas primeiro haveria que dar uso ao parque florestal de monsanto e a alguns quilómetros de corda...

antonio - o implume disse...

Imagine-se! Até causa repugnância ao manuel Alegre! Não abram os olhos, não...

Anónimo disse...

É verdade insofismável que estamos numa situação de bombardeamento serrado pela artilharia propagandista deste PS.
Mas o facto é que também não assistimos a uma união real da verdadeira esquerda. Uns porque se mantém na indefinição programática e se limitam a dizer "assim não pode ser", outros por teimam em defender programas obsoletos e que todos sabemos que não resultaram no terreno, outros ainda porque, enormemente teóricos, não passam à prática por princípios de ética um pouco descabida nos tempos de hoje.
É preciso acção, atitude e firmeza no caminho a traçar. E é urgente.

Helena Branco disse...

Os que deveriam avançar, nós todos, mirramo-nos a gritar contra o que está errado mas...o que urge é tomar uma iniciativa pública! Se...tivessemos um código de honra firme e "algo mais que não refiro"...pese o pudor feminino...

Anónimo disse...

o sr Passos Coelho é a lança dos clubes CFR e Trilateral Comission em Portugal, depois temos Rui Rio e António Costa através do don Balsemão o zelota do bilderberg...

Este país vive afundado na lama da Maçonaria, Opus Dei e demias sociedades secretas que se protegem mutuamente e aos seus crimes.

Os cidadãos são meros escravos ao seu serviço.

Anónimo disse...

Quero lá saber de Freeport, é só mais um a juntar a tantos outros escândalos já notíciados, mas que vão dar em nada. Em Portugal existe uma norma que não favorece a justiça, mesmo que a lei seja aplicada: É QUE A LEGALIDADE PREVALECE SOBRE A VERDADE. Não pensando sequer na questão das perscrições, pode até provar-se um crime e não se provar nada, simplesmente porque as provas não podem ser consideradas: ou porque foram conseguidas sem a autorização prévia de um juiz; ou porque se consegue levantar a suspeita de que o juiz não é imparcial, o que leva a que as provas deixem de ser válidas. Não admira que todos os casos mediáticos idos a Tribunal até hoje, que envolveram figuras de relevo, tenham acabado ou estejam em vias de acabar com condenações insignificantes, penas suspensas ou que nem se consiga chegar a qualquer condenação.

O motivo são as leis deste país, feitas pelos ilustres políticos que as idealizaram, aprovaram e fizeram entrar em vigor. Nunca mudará nada enquanto os portugueses mantiverem a sua orientação de voto neste "Centrão" PS/PSD que há 30 anos nos governa alternadamente.

O PS queixa-se que está a ser vítima de uma campanha mas o principal partido da oposição tem estado calmo. Porque é que o PSD tem estado tão calado relativamente a este assunto? será que tem telhas de vidro?

Zé da Burra o Alentejano