ÓSCAR PARA O MELHOR FEIRANTE


Nada mais negro para o primeiro-ministro, José Sócrates, que a própria verdade exposta e assumida, desconstruída, trabalho a que nem sequer se deu nem sequer nos vê como dele legítimos merecedores. Berlusconizar Portugal é basicamente não prestar contas e estar muito além desse pormenor de somenos. Coloca num plano da vítima, posta-se majestático, irredutível, sabe que Portugal é o paraíso da impunidade pelo recurso à mentira e conhece bem essas águas pelágicas onde é peixe de peso. Hoje acusou o PSD de desenvolver uma campanha contra si, após ser questionado sobre a eventual actuação ilegal dos serviços de informações em relação aos magistrados que investigam o caso Freeport. Durante o debate quinzenal no Parlamento, o líder parlamentar do PSD questionou o primeiro-ministro "enquanto autoridade máxima e responsável directo" pelos serviços de informações sobre notícias de que estes "estariam a fazer vigilância sobre magistrados em pleno processo de investigação criminal". "Trata-se de uma matéria gravíssima para o Estado de direito", considerou Paulo Rangel. As pessoas esquecem-se que com este Governo já não vigora o célebre «quem não deve não teme, mas o «quem controla não teme». Qualquer questão colocada sobre o Freeport é-lhe convenientemente insultuosa, quando o insulto a todos os portugueses é fugir de provar coisas muito simples. "Enquanto for primeiro-ministro, os serviços de informações cumprirão a lei", referindo que o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informação da República Portuguesa, órgão com membros eleitos pelo Parlamento, deu ontem "a mesma garantia". Neste jogo de xadrez nada é real, tudo são figuras e instituições de fantoche, com chefe certo e as pressões e garantias nos lugares certos. Uma vez mais, o primeiro-ministro qualificou de "insultuosa" uma pergunta de Paulo Rangel: «Está em condições de garantir ao Parlamento que não há qualquer interferência nem qualquer condicionamento dos serviços de informações sobre investigações criminais em curso?» E o PM responde no seu estilo habitual: «O senhor deputado é que utiliza esses truques e essas tácticas, de quem quer trazer a questão do Freeport, dos serviços de informações para o debate na Assembleia da República. Faça-o frontalmente, faça-o com coragem». Secando tudo em volta, semeando a pressão e o condicionamento, controlando todos os aspectos da vida política e das instituições de Estado, será sempre facílimo rebentar de bazófia e convicção e fazer o seu número no Parlamento. Com as mesma convicção com que se defende e apresenta um relatório da OCDE que nunca o foi. Aparentar, parecer, simular, fugir às próprias responsabilidades, não ter um pingo de vergonha e sobreviver politicamente. Assim vai o Poder num Portugal berlusconizado. Assim se aliena um País e falsifica a vida cívica, pois o péssimo exemplo, aquele que esmaga, que está para além do decoro e do respeito pelos outros, é esse que, acotovelando tudo e todos, prevalece. Entretanto, há mais anúncios. Acção, essa é Zero. Menos, muito menos que um Governo de Gestão.

Comments

Daniel Santos said…
Como sempre o PM não responde ao que lhe perguntam.

Aproveita para se vitimar e colocar tudo numa cabala da oposição contra si.
antonio ganhão said…
Desconfio que neste país não existam assuntos da maior gravidade...
Pata Negra said…
Quem controla não teme - eis a questão! Enquanto for ministro os serviços de informação cumprirão a lei - como a lei não é para cumprir, ele apenas quer dizer que controla os serviços de informação. Muito obrigado, já sabia. Recordo aquela canção: "ela controla... ela enrola..."
Um abraço à espera duma revolução
Anonymous said…
A estratégia do Socrateone é a vitimização e o ataque! Certo que está que somos todos de somenos importância...Até que a voz lhe dôa???

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