CRASSAS GALAMBIDELAS SOBRE O EUROCAOS

Relíquia do socratismo, João Galamba insiste muito numa solução europeia, aliás numa completa revolução organizativa da Zona Euro, que constitua a solução deus ex machina do grande destrambelhamento europeu em decurso. Tratar-se-ia de um tipo de solução que poderia resultar, mas resultaria na rasura instantânea para fora da memória colectiva dos erros crassos cometidos nos anos 2008 e 2009, conforme nota hoje Manuel Maria Carrilho: «A prolongada negação da crise e das suas consequências, em 2008, e a total desvalorização do endividamento do País e dos seus efeitos, em 2009 e 2010, fizeram o País perder tempo precioso. Foram erros nacionais, que a crise internacional não explica. E os portugueses não esquecerão tão cedo estas opções - nem o líder que as tomou, nem o Partido em nome do qual governava.». Ok, talvez o caminho sistémico, obsessão de Galamba, seja O Caminho de saída desta cilada fatal criada à Zona Euro. Simplesmente, não é possível discordar de Pedro Santos Guerreiro quando critica Papandreou por ter anunciado o referendo «dias depois de a Europa ter, mal ou bem, dado um passo atrás face ao abismo». Porque efectivamente a Europa retrocedeu face ao abismo, mesmo se dois dias depois do tal retroceder que fazia progredir, isso não se espelhou nas bolsas. Nunca se espelharia imediatamente. O comportamento dos mercados, títeres de uma guerra bem mais subterrânea e complexa dólar/euro e mais nervosos e sensitivos que as patas de uma mosca, é errático e irracional, embora não insensível às vulnerabilidades desastrosas deixadas por Governos calamitosos, no plano ético e no plano meramente merceeiro-administrativo, como o de Sócrates. Galamba sabe disso. Daí a ansiedade e a busca de um buraco por onde enfiar responsabilidades próprias a pretexto do eurocaos comum.

Comments

Popular Posts