ITÁLIA E O CASTELO DE CARTAS EUROPEU
Não é que me agrade o tom milenarista, mas cheira demasiado a fim do mundo «com epicentro no Centro da Europa» e arredores. Para o desmoronamento do castelo de cartas e da grande justaposição suicidária e moraliera europeia, bastará só mais um peteleco.
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"Todos têm responsabilidades. As famílias, que acharam irresponsavelmente que podiam ter um consumo muito acima do seu rendimento. Os governos dos últimos 10 a 12 anos, que fizeram um crowding-in. Ou seja, criaram condições que compensavam, do ponto de vista eleitoral, investindo não no que gera mais riqueza e no que faz crescer, no aumentar das exportações, mas naquilo que são os bens públicos não transaccionáveis, como estádios de futebol, estradas e todo um conjunto de investimentos que não geraram crescimento da economia."
"Portugal pode seguir o mesmo caminho que a Grécia?
Não creio. Olhando para os dois países, vemos que a transição que foi feita aqui este ano a partir do momento em que se negociou o auxílio foi muito diferente. Fizeram-se eleições, houve um novo governo e uma correcção da gestão orçamental. Correu maravilhosamente bem quando comparado com o que está a acontecer na Grécia. Apesar das dificuldades de milhares de portugueses. Por outro lado, a economia portuguesa tem uma base industrial muito mais forte do que a da Grécia e tem um potencial de internacionalização muito maior. Podemos ter alguma confiança, se seguirmos o caminho certo. Agora temos de nos situar não como um país periférico mas como um estado europeu. Temos de reforçar o nosso relacionamento com os vários lados do Atlântico, quer com África quer com a América do Sul. A história deu-nos horizonte e podemos relacionar-nos com os países emergentes de forma diferente. A experiência diz-nos que esse relacionamento não nos tem corrido mal. Quando vamos para o exterior com capacidade somos bons."