COMO GERIR JARDIM E SOBREVIVER

Apesar de alguns erros e inépcias, Passos ainda se encontra salvaguardado por um certo nimbo de benevolência da minha pena-espada, especialmente quando comparado e confrontado com entidades, políticos, ex-titulares e ex-responsáveis que me não merecem qualquer espécie de contemplações. Escrito isto, de novo convém voltar os focos para o Matusalém político português, o madeirense Jardim. Não me agrada a ideia de que Passos Coelho tenha, segundo Jardim, passado a gerir a opinião pública, a dedicar-se ao desmentido, a praticar o desporto negar seja o que for. Isso é muito socialista. Sobre a Madeira, a dívida da Madeira, e sobre Jardim, para este Governo, o que é, é. O que é, seja. Deixemos Jardim com a sua patética esquizofrenia política paranóide, quando diz que se faz campanha contra si, envolvendo a direcção do seu partido; deixêmo-lo entregue ao mundo que, quanto a si, só pode girar à sua volta: «Existe em Lisboa, inclusive no meu partido, a ideia que dá votos fazer frente a Jardim; [...] havia um plano da coligação do PSD e do CDS para a Madeira, com outra pessoa [...] Eu não desisto. Vou defender a Madeira ate ao fim e não tenho medo destes.» No fim de contas, esta retórica ensandecida, autocentrada, personalizada, absolutamente trágico-shakespeareana [à altura de um Hamlet; um Othello; um Lear Rei ou um Macbeth] fará a Jardim o que fez a outros com a mesma obsessão narcísica e a mesma imoderação sistémica. Entretanto, a única forma de vencer as guerras de manjerona jardinistas é ignorá-lo, considerá-lo o mínimo possível. Resistir à chantagem jardinista é jogar limpo sem procurar gerir a Opinião Pública à qual importa dizer a Verdade e nada mais que a Verdade. Ignorar Jardim. Resistir a Jardim. E não é por não ter qualidades. É por ter defeitos horrorosos.

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