CONTRA O REQUIEM PELA UNIÃO EUROPEIA
Não se está a fazer tudo o que é possível para salvar a União Europeia e a lógica punitiva e restritiva preparada pelo directório Paris-Berlim constitui uma facada fria, um atestado de menoridade, aos outros estados. Não se resolve o problema europeu humilhando a soberania dos países endividados, dividindo esta Europa entre Devedores e Credores, reforçando a soberania dos segundos sobre os primeiros. O delírio hegemonista dos alemães e franceses, sob a passividade e covardia inglesas e o mutismo estranho dos russos, prepara-se para criar uma soberania europeia na política financeira dos estados marchando por cima dos parlamentos nacionais. Isto é o fim. O Tratado de Lisboa fora já o último golpe na democracia, na confiança nos eleitorados nacionais em todo este processo de construção ou desconstrução europeia. Vencem os tecnocratas. Com a crise económica e social, os que, alemães ou franceses, desejem prevalecer sobre a Europa, mandar na Europa, dominar e predominar sobre a Europa significarão pífias reedições das moções mais mortíferas que este continente já viu. Foi contra isto que a União Europeu se uniu e se fez: pelo fim dos senhores absolutos de uns países sobre os demais países. Voltará o tempo da rivalidade em detrimento da conjugação, da negociação, do respeito por minorias e territórios menores. Cospe-se sobre os túmulos de Jean Monnet, Schumann, De Gasperi e Adenauer, abre a caixa de Pandora a todos os ressentimentos nacionais como se, de fora, alguém lograsse mexer nos cordéis que dividem e repletam de dissensões estes Países com mais séculos de sangue que de concória. Tentação irresistível dos fortes.
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