CP: UM AMEAÇO OBSCENO DE GREVE

Num tempo em que rigorosamente a nossa fome portuguesa alastrará, em que todos se retraem de consumos que não os estritamente necessários, em que é ainda mais caro trabalhar e o mais certo será materializar um desejo desesperado de emigrar, é impensável que se concretize a prometida paralisação dos maquinistas de 23 a 25 deste mês e que pode deixar apeados mais de dois milhões de passageiros. Não se pode compreender e o facto de esta ser a época de maior procura de comboios é o menor dos argumentos para rechaçar esta greve, rejeitando quaisquer razões para parar uma empresa semimorta. Pouco importa o que Gestão da CP e trabalhadores arenguem como se houvesse dois lados numa Empresa Naufragada e Mortiça  um lado a dizer que salários e pagamentos a fornecedores estão em risco e a invocar a ausência de receitas que a paragem dos comboios originará para assegurar o pagamento de os salários no dia habitual; outro lado, os trabalhadores pré-grevistas, insistindo que a receita de bilheteira da Empresa ligada às Máquinas dado o Passivo Monstruoso é de 300 milhões anuais  a única perseguição que coloca esta CP sob o foco condenatório dos contribuintes é a perseguição, não aos trabalhadores que fizeram greves anteriores, com mais de duzentos processos disciplinares, mas a perseguição aos nossos bolsos garantida por um passivo angustioso de mais de dois mil milhões e setecentos mil euros. A greve, a concretizar-se, seria um gesto obsceno, mais uma estocada numa Empresa Moribunda. O ameaço dela é, por si só, obsceno.

Comments

Anonymous said…
A CP é o exemplo mais gritante de uma empresa que foi desmantelada para reduzir custos e ficou muito pior.
Reformou-se e despediu-se (compulsivamente) trabalhadores, entregou-se trabalho a empresas privadas, mas, criaram-se postos de administração e chefia que custam mais que a poupança conseguida, assim não dá.

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