DA AMBIGUIDADE OPORTUNÍSTICA BRITÂNICA

«O Reino Unido tem tido desde sempre uma posição oportunista relativamente à União Europeia: quer todas as suas vantagens, mas nenhum dos seus preços. No entanto, apesar da tolerância demonstrada pelo "continente" (onde é que já ouvimos este tipo de idiossincrasia?) o resultado tem sido a desindustrialização acelerada do país (primeiro, a favor do Japão, e depois da Alemanha) e o seu empobrecimento deslizante, só disfarçado pela sua ainda formidável indústria de serviços, nomeadamente financeiros. A City londrina e os seus paraísos fiscais são responsáveis por uma verdadeira rede de especulação à escala global (1), curiosamente protegida pelo direito europeu, ao mesmo tempo que disfarçam na sua actividade frenética boa parte do descomunal endividamento da economia e da sociedade britânicas. O Reino Unido tornou-se, embora esconda a realidade o mais que pode, um gigantesco banco negro (shadow bank) cujos contornos começam agora a ser revelados. Ora foi precisamente a pressão exercida pelo eixo franco-alemão para limitar os graus de liberdade desta actividade financeira não regulada e obscura (2), maioritariamente sediada em Londres e nos off-shores do reino e da rainha, que acabaria por quebrar a tradicional fleuma britânica. O primeiro ministro inglês levava um veto no bolso acompanhado de uma única instrução: usar em qualquer caso!» O António Maria

Comments

Anonymous said…
Eu não critico as atitudes do Reino Unido quanto ao mercado comum europeu, é que pelos vistos a posição que tomaram tem-os mantido afastados dos problemas que atormentam a maioria.

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