DA CANDURA À VIGILÂNCIA INTELECTUAL
«Há semanas, o primeiro-ministro confessava que o caminho do País era o do empobrecimento. Há três dias, todavia, o ministro da Economia juntava-se à galeria dos optimistas escatológicos, na linha de Pinho e Sócrates, decretando o fim da crise para 2012. Perante a candura do primeiro-ministro, recorda-se que só para um espectador cruel pode a pobreza ser um caminho. Um governante sabe que ela é o resultado do falhanço das políticas públicas que nos são impostas. Ao ministro da Economia, apesar dos desmentidos, aconselha-se mais respeito pelo professor que, em Vancouver, certamente ensinava aos seus alunos a diferença entre risco e incerteza. O abismo entre o que pode ser estimado, e aquilo que escapa totalmente ao cálculo das probabilidades. O optimismo insensato insulta aqueles que sofrem. O País precisa de austeridade material, mas não da perda de vigilância intelectual naqueles que aparentemente nos governam.» Viriato Soromenho-Marques
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