DEFLUENTE APODÍCTICO FODER FORA AMERICANO
Não se pode resistir a citar isto, demasiado bom para passar ao lado: «“Ou deixas de foder outras ou está tudo acabado.” A ameaçadora primeira frase de O Teatro de Sabbath, de Philip Roth, pertence curiosamente à amante e não à legítima. É quase inevitável que, num determinado momento da sua vida de enganos e pequenas mentiras, o adúltero seja confrontado com o espectro da exclusividade, quando não com a conversão forçada às virtudes da monogamia. Contornar os deveres matrimoniais requer uma considerável ginástica da consciência. Da bíblica carne fraca aos modernos viciados em sexo, da adrenalina egoísta da novidade à justificação filosófica e genética da traição masculina, o menu de desculpas para o adultério é variado e suculento quando comparado com as razões frugais para a fidelidade: amor e respeito pelo outro ou a (pouco admitida) falta de oportunidades. Haverá outra, mais maquiavélica e praticamente desconhecida do homem comum. Trata-se do interesse político. Muitos políticos americanos têm aprendido que um desvio conjugal pode prejudicá-los mais do que um desvio de dinheiro. [...] Mais de trinta anos antes, John Fitzgerald Kennedy não teve de enfrentar procuradores esfaimados a morder-lhe as canelas. Era, contudo, um adúltero em série e insaciável. No início de Adúltero Americano, de Jed Mercurio, lemos: “Sempre teve mulheres – várias, em sequência e simultaneamente, e podiam ser amigas da família, herdeiras de famílias ricas, senhoras da alta sociedade, modelos, atrizes, relações profissionais, esposas de colegas, “meninas” amigas de festas, lojistas e prostitutas.” O seu lema poderia ser a frase da personagem de Joe Pesci em O Touro Enraivecido: “I try to fuck anything”. A popularidade de JFK pode atribuir-se à morte prematura e também ao desinteresse da imprensa da época por delitos menores. A fama de mulherengo não lhe arruinou a aura de menino de ouro da política americana. Pelo contrário, essa aura aristocrática de eleito contaminou todos os aspetos da sua vida pública e privada.» Ler, Novembro, via ADI
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