A HYBRIS JESUSINA E A DIGESTÃO DOS RECURSOS
Não é por nada, mas se Jorge Jesus queria efectivamente ganhar este jogo, era muito simples: em vez de ter inchado como um sapo no cio, após o confronto vitorioso com o Sporting, no passado Sábado, calava-se bem caladinho, prescindia dos flashes e perdigotos fáceis na sala de imprensa e, pronto, nunca teria incorrido na sua habitual e batida hybris, que é ficar vaidoso, mas tão vaidoso, que logo os deuses agendam para ele um castigo qualquer, que não falha, seja perder um título, seja sofrer uma goleada contra uma equipa estrangeira, seja ficar em seco em conquistas, como no ano passado. Qual é a raiz de todas as mortes na praia benfiquistas, qual é? É a vaidade. Já por aqui me cansei de avisar o JJ, ele é testemunha de quem é amigo. Pois, mas a raiz de todos os desaires é esse arrotar larguete a postas de pescada. Se JJ guardasse a 'filosofia do futebol' e a 'estética do futebol' para quando os títulos fossem efectivamente alcançados, certamente que teria tido hoje uma airosa alegria, por muito mérito que coubesse e caiba ao Marítimo. Após o triunfo sobre o Sporting, os «excessos de confiança» e a «falta de trabalho» começaram precisamente na língua imoderada de Jesus naquela sala de imprensa, nas suas lições de cátedra na sala de imprensa, no seu cagar d'alto na sala de imprensa, no seu cantar de galo, na sala de imprensa. Gosto de Jesus e tal, a sério, mas o Benfica tem de começar por ser comedido, menos poltrão, nada fanfarrão, menos palavroso, a começar pelo seu treinador, talvez a precisar de um curso intensivo de como gerir recursos humanos para evitar noites como esta. Tinha de ser, mais tarde ou mais cedo, e foi esta noite, no estádio dos Barreiros, Funchal. A primeira derrota da época, ao fim de vinte e três jogos. O Marítimo, clube esta época sempre precedido pela própria fama e proveito, acaba de vencer os lisboetas por 2-1. Eram os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Todos aprendem. Menos Jesus.
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