NO ENTREVER DA ENTREVISTA A PASSOS

Mais do que vi, entrevi a entrevista do Primeiro-ministro. A intuição sussura-me isto: tenho a obrigação de acreditar em Passos, mendaz relativo, na proporção em que abominava o anterior detentor do cargo, aldrabão absoluto. Devo ter fé e dar o benefício da dúvida, mesmo que isso irrite os meus amigos da Opinião e da Crónica (1), ou da pequena frase de espírito (2) [por exemplo, (1) o encarniçado Manuel António Pina ou (2) Daniel Santos, mas também outros suaves aforísticos, tão pacientes e passivos no passado com o Primadonna, aliás por eles jamais evocado agora como se nada tivesse a ver com o nosso onerado presente] porque tendo-se descido aos infernos da credibilidade política e tendo-se o Poder de então comprazido na extensa e reiterada corrupção da palavra, das intenções e do sentido de serviço às pessoas, importa agora acreditar um pouco, enquanto é possível, que, com Passos, os tempos antigos de desinformação e contra-informação, tão lesivas dos interesses gerais, acabaram. Tenho necessidade de crer que a manipulação da baixa rapaziada do reles socratismo e os seus sovietes intrometidos nos media já passou e que, com Passos, não se fará igual, mas se respeitará a nossa inteligência, manusear-se-ão verdades, dados realísticos, factos incontornáveis. É preciso acreditar que a gente fretista à cata de migalhas caídas da mesa sôfrega dos orçamentos desonestos socratistas já passou e nada de semelhante voltará a suceder com o pessoal equivalente do PSD. Que ao menos seja o menos equivalente possível. Tenho de acreditar que não serei traído pelo Governo Passos, apesar de traído pelo Forte Apache passista, fechado em copas num passe burro de fechamento em copas. A entrevista de Passos Coelho mostra algo nada desprezível para o momento ponderoso repleto de incertezas que atravessamos: serenidade, normalidade, verdade, nenhum espavento, nenhuma pesporrência, nenhum síndrome da loucura primadonnista que varava o insuportável e horrendo Sócrates, doente sociopata, mentiroso compulsivo, notícia todos os dias, todos os dias impregnando-nos de escândalo pela pífia sobreexposição mediática. Gostei da discussão posterior na SIC Notícias. Gostei de David Dinis, editor de política no DN, um jornal do ex-socratista Marcelino, hoje um motor patriótico de uma retórica sensata, apostada nas reformas de que Portugal necessita e na nova mentalidade que nos deve nortear. Que o sectarismo político socratista, língua de pau abominável nos media, dê lugar à verdade, nada mais que à verdade, somente à verdade. Com a verdade podemos nós todos. Com o que não podemos é com estas décadas passadas na mais ofensiva corrupção, cínicas e insultuosas práticas políticas a merecer, no mínimo, a bênção de uma metralhadora.

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