PCP — LIXO ARQUEOLÓGICO POLÍTICO EM FORMOL
«O PCP, é sabido, é um lixo arqueológico político, uma bizarria que nos ficou duma época tardia de patilhas ensebadas - já de si absurdamente anacrónica — que foram os anos 70 e as abriladas, que o soltaram - qual fera vermelha — da jaula: então, foram organizadas excursões de jornalistas vindos de França, Alemanha, Reino Unido, Escandinávia, até da Itália perigosamente operária (que o futuro Paulo VI e a CIA ajudaram a 'afogar' nos anos 50), para presenciar uma revolução marxista-leninista-estalinista ao vivo, em directo e a cores (ou a preto-e-branco). Ninguém podia crer em semelhante disparate ou espectáculo circense na Europa Ocidental da Guerra Fria. Portugal — por péssimas razões — foi assim uma espécie de Marco ou de Kátia do Big-Brother socio-político de então. Ficou-nos em herança, portanto, este PCP que "não se arrependeu", não se reformulou, não mudou de roupa, não mudou os tiques reverentemente copiados de Cunhal, que não esqueceu nada e que não aprendeu nada; dissidentes sim, houve alguns... mas o PCP manteve-se granítico, impiedoso, sectário — "consentindo" (!...) jogar o jogo democrático (até um dia poder renascer em força e afastar esses disparates à coronhada). Enquanto isso não acontece, é um partido de tristes. Vasco P. Valente chamou-lhe "um partido de reformados"; eu acrescentaria, 'de reformados e de tristes de todas as idades' embora pessoas como Bernardino ou Rita Rato sejam uma minoria dentro do Partido. Não embalsamaram efectivamente o Dr. Cunhal — mas este já estava divinizado, santificado, imortalizado, conservado em formol, mumificado, cristalizado ainda em vida; e seria impensável ao Comité Central reunir e deliberar sem que Cunhal, já cego e frágil, desse remotamente instruções e doutrina. Assim são os comunistas: uma espécie de fervorosos crentes, de indefectíveis monges cujos Evangelhos são "O Capital" e "O Manifesto", de inabaláveis religiosos — daqueles que, para proteger a sua fé ou para a impingir a alguém, não hesitarão em recorrer à força e aos campos de reeducação e de trabalhos forçados. Culpada é toda a sociedade portuguesa que sempre deu, e ainda dá, demasiada atenção ao que diz e faz o PCP (e a Inter...); também por isso nos encontramos nesta situação que políticos preguiçosos e cobardes criaram, por cederem demasiado às exigências absurdas, colectivistas e estatizantes com que o PCP tem vindo a ameaçar o País desde 1975: tem sido mais fácil ceder e consentir, em vez de criar juízo
— ao qual agora não podemos escapar. Cunhal chamou ao PCP o "Partido com paredes de vidro" (só para rir); parece-me mais todo ele um sarcófago. Bernardino devia ter-se já deslocado à Coreia do Norte para as santas exéquias: isto de ficar cá no bem-bom do Hotel Victória é inaceitável.
A Coreia, um estado "teocrático" baseado no mais brutal e primitivo comunismo, feito sagrada escritura; um regime cuja chefia é hereditária e que nega, só pela sua existência, qualquer ideal ou possibilidade de 'igualdade'. E é isto, para o PCP, motivo para admiração e condolências.» Besta Imunda
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