PECADO DA DÍVIDA: FRACTURA ENTRE OS GERMANOS
A lógica de crime e castigo seguida por Berlim passou a ter, internamente, uma voz de peso na profética denúncia desta deriva insana. O nonagenário Helmut Schmidt discorda frontalmente da política europeia da chancelerina Angela Merkel e não lhe faltam nem argumentos nem legitimidade para a recusa do caminho atávico seguido pela chancelerina: «Não podemos esquecer que a reconstrução da Alemanha após a guerra não teria sido possível sem o apoio dos parceiros ocidentais e, por isso, temos o dever histórico de mostrar solidariedade com outros países, o que se aplica especialmente à Grécia». A desmemória merkeliana do que foi o reerguer da Alemanha pós-guerra e a interferência luterana do Pecado da Dívida não auguram nada de bom nem para a própria Alemanha nem para a frágil Europa. Berlim, para o mal e o mal, voltou a ser centro do mundo e a tentação da Pureza [económica] e da Força [financeira], os novos caminhos fáceis de hegemonia para que a mediocridade merkeliana conduz chantagisticamente o pobre e velho continente. A Helmut Schmidt não falta experiência de vida, daí que seja particularmente luminoso que não poupe as veleidades germânicas do Directório, pois nada seria mais nefasto que «... eventuais demonstrações de força da Alemanha perante os parceiros europeus [...] pois o nacionalismo alemão causa sempre incómodo e preocupação nos vizinhos». Também concordo que Passos poderia arriscar ter este tipo de discurso pedagógico, qualquer coisa repleta de bom senso e ao mesmo tempo de ousadia mesmo apesar do espesso véu de incerteza enquanto não se define como param as modas. Antevendo que a Alemanha poderá receber respostas proteccionistas massivas ao seu proteccionismo e exclusivismo e desconfiança como resposta à sua desconfiança, Helmut Schmidt prossegue: «É fundamental para os interesses estratégicos que a Alemanha não fique isolada de novo. Entretanto, sou um homem muito velho e a favor de uma completa integração porque se a União Europeia não conseguir actuar em conjunto alguns países ficarão marginalizados. E isso será muito perigoso porque atiçará os velhos conflitos entre a periferia e o centro da Europa». Só a estupidez e a ambiguidade de uma líder menor, como Merkel, explicam tergiversações, hesitações, e sobretudo o velho receituário em tom neonacionalista, segregacionista, agora entre défices, como outrora entre arianos e judeus, ciganos, padres, homossexuais, deficientes e comunistas.
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Comments
Para "neo-diatribes" de Genocidas Dinossaurus Rex já bastam as que já fizeram e ainda fazem, só se esperando o vosso Julgamento e Extinção. como vossos iguais (pares e paes) foram.
Sin Mas di Mommentvm.
TEMPVS NON OCVRRIS REGI
HIRH