PINOCADAS DA FAMA E O ESTRIPADOR PRESCRITO
Não tem de nos escandalizar que tenha sido o próprio filho de José Guedes a denunciá-lo como o suposto "estripador", não de Lisboa — que não foi estripada por ele —, mas de três mulheres. Quando muito chamar-lhe-ia o Estripador Prescrito. À vista desarmada, o dito moço, atormentado pelas relações infelizes com a aquela paternidade tormentosa, lá recordou o que vende mais, o que tem mais retorno e é mais produtivo. A notoriedade rápida. Não é que a grunhice repleta de testosterona e um grande vazio no cérebro ganha dinheiro depois de estagiar na TVI? Eh lá, lamber de lúbrico os nossos televisores! Eh lá, sexo, eh lá, suspiros grandes, grandes orgasmos abafados por cobertores, pinanço do bom, pinocadas bem tiradas, tudo grátis, visto ou sugerido na TV! Ter um segredo como o seu poderia ser devidamente comerciado. E foi. Pelo menos tentou. Quem sabe se ser um cromo passeando grunhice na Casa de Segredos não se tornaria bem mais rentável que produzir bonecos, produzir brinquedos, carrinhos e camiões de brincar ou quaisquer outras coisas nesta vida?! [Coisas. Coisas manufacturadas. Algo que ainda não nos bateu: aliás, há réplicas de camiões de transporte Pingo Doce a dizer por baixo, escarninhamente, Made in China. Sinas, enfim, e guerras modernas todas perdidas pela Europa. As moedas de troca que este mundo tece.] Certo é que o moço concorreu ao tal programa televisivo da TVI «Casa dos Segredos». Em vão. Mesmo contando que o seu segredo era ter um pai assassino com o gargalo laminado de uma garrafa. Deve haver segredos piores. Como ter dois ânus, um cérebro hermafrodita, sei lá.
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