TODOS REFÉNS NUMA SITUAÇÃO VOLÁTIL

Não fosse a situação europeia tão volátil, com todos os sinais e sintomas da dissolução e do suicidário, [pense-se no que líderes como a chancelerina Merkel ou Sarkozy fazem ou não fazem, dizem ou não dizem, sob o temor do veredicto eleitoral que se lhes aproxima], e faria sentido um certo activismo federedor passos-coelhista sugerido por António José Seguro. Simplesmente, é necessário, antes de falar com os impotentíssimos líderes da União Europeia, continuar sentado em São Bento. Recorde-se que Sócrates nunca sossegou aquele cu em São Bento. Nunca. O Circo Socratista estava sempre em digressão. E não é uma questão de esperar as decisões de Merkel e Sarkozy, pois continua a haver telefones, telemóveis e vídeoconferências. Aliás, vale mais um magistério silencioso e invisível que o histrionismo histérico das grandes beijocadas em cimeiras, quando a casa está a arder e os sorrisos um último registo de cínico. Isto, mais coisa menos coisa, é como escreve, hoje, o ex-socratista, ex-crédulo nesse lixo, ex-crente nessa gente, João Marcelino, agora um Passista dos quatro costados, conforme o atesta a pureza e fé dos seus editoriais lucidamente angustiados: «Hoje, vários meses depois, fruto do egoísmo dos países do Norte e da inconsciência dos do Sul, a hipótese de o euro acabar é uma possibilidade que atormenta a maioria dos cidadãos do eurogrupo e é o cerne de todas as movimentações políticas. [...] Há muita coisa que não está nas nossas mãos, mas uma pelo menos está: cumprir, cumprir rigorosa e obstinadamente aquilo a que nos comprometemos internacionalmente. A melhoria das condições de investimento na economia tem de ser fruto do alívio geral, de renegociações posteriores, e nunca conseguida à custa das metas nacionais. Se tentássemos sozinhos, falharíamos e, além do mais, deixaríamos de ser credíveis.». Como escrevia o meu amigo vinte-e-sete-onzeneiro, Daniel Santos, a propósito dos anos de chumbo socratistas: «Não há alternativa!». Havia, na verdade, uma alternativa para apear o socratismo enquanto fosse tempo: manifestações, greves, uma opinião publicada unânime a condenar e a rejeitar a marcha de tal imoralidade com o erário e com os cidadãos. Hoje é que não há mesmo alternativa a cumprir rápido, o melhor e o mais honestamente que possamos para com os nossos credores.

Comments

André Miguel said…
O remate final é perfeito e devia ser mais que suficiente para calar toda essa estirpe socratista que ainda por aí pulula, bem como aqueles que agora berram a plenos pulmões nas ruas por lhes estarem a ir aos bolsos.

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