UMA EQUIPA E UM MISTER RESSUSCITAM DOS MORTOS

Para meu contentamento, há um evidente ressurgimento futebolístico no meu FC Porto, já capaz de resistir à inépcia de árbitros que deixam passar em claro grandes penalidades de magna evidência como a de João Luiz sobre Belluschi, e equipas arrumadas à frente da própria baliza como autocarros em hora de ponta e que se jogam vis-à-vis com o Benfica não o ousam fazer de todo com o FC Porto, fechando-se a sete chaves. Gostei da ânsia esfaimada de Iturbe em mostrar o seu futebol e comprovar os propalados ímpetos de Messi que lhe atribuem. Gostei de Rodriguez, James, Hulk, Maicon. Com receio do que a pausa natalícia oferecerá em afrouxamento destas atitudes renovadas, devo, porém, constatar isto: nos últimos jogos, o FC Porto ressurge para o futebol com arte e com garra e mesmo Vítor Pereira, como o Lázaro do Evangelho, é feito ressurgir do túmulo do despedimento e do opróbrio desportivo para onde parecia remetido sem hipóteses de remissão. Ainda bem que nasce pela segunda vez enquanto mister. Isto de ter Miguel Sousa Tavares, Rui Moreira e eu próprio como críticos e detractores não há-de ser coisa fácil de suportar, ainda que deva ser olhado como absolutamente estimulante. Era natural levar connosco, tendo sido dados pelo Vítor tantos e tão profundos argumentos à nossa crítica-provocação por uma mudança, por uma reacção-resposta em campo, que têm acontecido mais recentemente desde há pelo menos quatro ou cinco jogos. A crítica, nunca se esqueça isto, pode ser maldosa e construtiva, benigna e destrutiva, neutra e indiferente, provocatória e revolucionária. Não é para reprimir. Não se perseguem opiniões. Não se fazem conferências de imprensa com um olho nos críticos, com respostas e insinuações aos críticos mais ou menos explícitas. Têm, quanto muito, de ser implícitas. Psicologicamente há num bom crítico de futebol [apaixonado pelo futebol do seu clube do coração ou armado em isento] um espírito com os mesmos intentos de um líder de balneário quando esfrega uma iniquidade, perpetrada ou proferida pelo adversário, na face do seu plantel a fim de o galvanizar. 

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