quinta-feira, julho 31, 2008

FAUCES, CORNOS, DENTES


Tu, que transportas sempre contigo essa afiadíssima Faca de Aço e de Verbo-Matar,
reservada a um inimigo de última hora com quem te indisponhas,
tu, que recomeças a tua vida de três em três meses,
que te reergues e re-afundas, entre a sístole vulcânica da tua cegueira
e a diástole da paz confiada a que, por instantes, te atreves,
vieste de novo a rasgar as tréguas
ao teu retalhado modo de viver.
lkj
Ela tem outro, pronto. E daí? E que interessa quando começou?
Se antes, se depois de te afastares daquela morte, não já casamento?
Agora queres matar a eito, lavar a tua honra, cumprir vingança,
simplesmente porque não te consentirás o ter sido corno?!
E em que tempo exacto é que se começa a sê-lo?
Ao primeiro pensamento dilacerado dela, desejando outro,
ou à primeira consentida compressão maciça das suas carnes com as de um outro?!
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Pior que um corno cego é um burro convicto!
lkj
E a verdade é que és homem para isso, para morderes mortes ladradas.
Homem, isto é, desumano para o cumprires nesse suicidário circuito de fúria.
lkj
Ficamos aqui à espera, a ver como e por que tem de repetir-se esse teu filme habitual
e com que capítulos dissonantes agora mais dramáticos, sangrentos ou inconsequentes.
A loucura mais cega é necessariamente ostensiva, tu prova-lo bem.
Ranges os dentes. Bravejas. Esbracejas, mesmo contra quem te segura a mão
e te leva a mansidão da palavra ponderosa ao teu esgoto irremediável.
Essa loucura revestida de violência irracional-passional,
é um enunciado que se exibe a arder em pólvora,
ácido que corrói um ténue vínculo ao futuro,
e acaba absurdamente mal.
ljlj
E eu no meio disto, desta tua recaída, poderás perguntar?
Eu, só por te ter acreditado uma nova vez, sou só este tailandês
com a testa incerta, inserta entre reptilianas fauces!
As tuas, novo Joseph K. palpável, fora do livro,
inútil unhando o labirynthico Processo que a ti mesmo moves e a nós!
As da vida!
lkj
Ora foda-se!

A 'O JUMENTO', E-MAIL ABERTO E PROSA AMBÍGUA


Querido O Jumento,
lkj
Há um blogue espanhol,
La Mosca Cojonera,
que foi igual e temporariamente alvo de uma injusta quarentena
como esta que, misteriosa, sobreveio ao vosso aeroporto de moscas laboriosas, portanto,
à vasta e profissional equipa blogueana d'O Jumento.
lkj
Lamentavelmente!
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Agora os fascistas encapotados, o PCP, vá!, leva coça quotidiana de O Jumento,
que nos lembra um conjunto de características nefandas desse velho PC,

ainda vivas e actuantes, sobretudo contra O Jumento,
aliás barradíssimo na sua liberdade de expressão
e tão obscuro e pouco influente no panorama da Bloga Nacional.
Tiques e cenas essas de susto e muito antigas no PC.
Graças a O Jumento ressuscita-se-nos o pavor que lhe tínhamos,
quando havia o inferno no outro lado da agora Oxidada Cortina 'no more'
e eles tinham cassetes iguaizinhas com bordões linguísticos horríveis

que debitavam e com as quais gastavam na nossa paciência
ao serem colados dogmaticamente a qualquer realidade social e laboral
evidenciada nos velhos jornais, velhas rádios e velha TV pública.

lkj
Velhos tempos onde ainda havia 'Os Maus' e 'Os Papões'
desastrosos para si mesmos, em matéria de boa e má publicidade,
ao contrário de O Jumento!
lkj
Ora aí está de novo O Jumento, como bom Avô Cantigas da Política,
a fazer urgente pedagogia e compreensível profilaxia,
não vá uma caterva de desesperados desempregados

e mentecaptos maledicentes desatar a votar desalmadamente neles-PC
e nem sequer na bondade do seu mundo-sem-classes de propostas-PC,
mas na pura vingança e mesquinez ingrata

proporcionada pelo voto contra o único Governo Reformista
que cá se viu em 34 anos de pára-arranca e infinitas derrapagens.
lkj
Um grande bem-haja a O Jumento por nos re-colocar no Zen da Abelha Maia,
com esse artístico revivalismo PC, garantido todos os dias, hem?!

lkj
Mas o que me traz à vossa presença com este meu humilde e-mail
é que, entretanto, a quarentena naquele blogue espanhol passou.
Fora nada mais que um estigma temporário, um equívoco, uma sabotagem reles,

todas as sabotagens são reles e muitas delas são maquiavelicamente autoministradas,
fora uma experiência purgatória com excelente oportunidade no plano da publicidade pura
e que os atentos serviços da Google

entretanto filtraram devolvendo a César o que era dele.
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Sugiro simpaticamente por isso mesmo à vasta equipa d'O Jumento que,
para além de quaisquer diligências entretanto tomadas no furor da indignação democrática,
deixe que a situação passe também. Depois ver-se-á... Com calma corrosiva, vê-se melhor.

Afinal, tudo corre a favor de O Jumento, O Jumento 'rules',
O Jumento linka tudo, menos a letra Y,
e mais parece uma Directoria Geral da Bloga, diligentíssima e ciclópica,
e da Contra-Bloga Nacional, afadigada por que a Verdade,
o Contraditório, o Pluralismo, e os seus agentes oficiais e exclusivos,
resplandeçam incontestados e incontestáveis!
lkj
Agora que mudem impulsivamente de endereço, isso deprime-me.

Afinal, em Portugal, já nem as moscas mudam, já não mudam!,
nem sequer a pródiga merda que lhes cabe ameaça minguar!
lkj
Ósculos, Abraços, Bajulações e Basculações Argumentícias!

lkj
PALAVROSSAVRVS REX

VIA DOLOROSA


Via Dolorosa from Nathan Campbell on Vimeo.

quarta-feira, julho 30, 2008

JOSÉ MARIA MARTINS DENUNCIA: PORTUGAL SUCUMBE À MEGACORRUPÇÃO



Desassombrado como ele só, José Maria Martins escreve, no seu blogue,
de uma forma sempre transparente e directa
acerca das múltiplas questões que nos comprometem o futuro
em desenvolvimento, bem-estar e justiça para todos.
Fala com independência e patriotismo
das metástases da corrupção, Cancro Terminal que nos corrói e arruina há trinta e quatro anos,
com a plena complacência timorata e comprometida do Poder Político.
lkj
São de diagnóstico fácil os motivos por que se corrói a autoridade do Estado,
por um lado, e a moralidade do Estado, por outro:
minado de lés a lés por interesses espúrios, pelo facilitismo impune
com que se penetra e contamina vários compartimentos da Sociedade,
que deveriam ser estanques e mutuamente independentes e nada regula que o sejam,
por muitos anos arriscámo-nos a ter somente uma justiça symbólica,
syntese de nulos e neutros, isto é, quando de todas as vezes 'uma montanha pariu um rato',
por descargo-escarro de consciência do systema,
como são exemplos, bodes expiatórios e mostradouros de serviço,
a consumação de descida de divisão do Boavista, depois de muito Caifás e Anás,
ou a suspensão de Pinto da Costa,
decisões-symulacros de seriedade, determinação,
coragem e exigência na Justiça.
lkj
Há, no meio de tudo isto, outros, bem diferentes do nosso José Maria Martins,
que, com uma eloquência cínica e bem fundamentada,
na lógica da manipulação do iceberg dos desempenhos orçamentais passados,
dos quadros comparativos e das tretas estatísticas passadas,
dentro de outros cenários e contextos macro-económicos distintos,
venha brincando aos cowboys dos argumentos,
aos polícias e ladrões dos números, numa competição anacrónica, populista e inútil,
entre governos PS vs. governos PSD.
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Ora, o Povo, o País, a Nação, estamos completamente noutra dimensão da realidade,
dos interesses em jogo e da percepção cabal do grau de incompetência e traição
em decurso nos últimos trinta e quatro anos: provem-nos que Portugal não tem sido
uma permanente Derrapagem Despudorada em todas as obras de regime
e nas outras, mesmo nessas rotundas emblemáticas
dos Grandes Desertos Populacionais do Interior Profundo.
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Não brinquem estes connosco.
lkj
«Falar claro aos portugueses passa por dizer-lhes que a corrupção não acaba porque não é combatida. Porque o Poder Político não quer combatê-la.
Há muita gente que enriqueceu sem que se lhe conheça a razão de ser de tanta riqueza.
Para ajudar a perceber o "Polvo" da corrupção é útil ler o livro de Rui Mateus:
"Contos Proibidos - Memórias de Um PS Desconhecido".
lkj
Ficou pela primeira edição, mas revela toda uma teia,
uma urdidura que o Poder Judicial nunca quis investigar.
Nunca teve força para investigar.
O Partido Socialista agora foi severamente criticado pelo Eng.º João Cravinho
que pôs o dedo na ferida: A política do PS e do Governo,
no que tange à corrupção é um mero faz de conta.
O PS não quer punir a corrupção por enriquecimento ilícito,
sem fundamento substancial. Compreende-se!
Como é que uma determinada pessoa ia justificar que, de um momento para o outro,
tenha comprado bares, navios?
lkj
Há imensa gente em Portugal que ostentam níveis de riqueza
que não conseguiriam esclarecer, explicar, justificar se fossem obrigados.
Há imensos patos bravos que de repente são ricos!
Negociatas de todo o género vão sendo referidas nos meios de comunicação social,
mas o Ministério Público leva 5 , 6 , 7 ou mais anos para investigar.
O tempo lava tudo! Tudo vai indo para o arquivo.
Mas vai para o arquivo porque o Estado quer.
O "Sistema" está montado para esse fim.
lkj
A promiscuidade entre partidos políticos, grupos económicos,
sociedades secretas está delineada de forma a tudo ser travado.
O Ministério Público veio agora dizer que só em Lisboa
estão em investigação 400 e tal processos de corrupção.
O M.º P.º revela tais factos para conseguir
que o fim do segredo de justiça seja alargado!!!!!!!
Uma investigação não pode levar 3 anos!
É a perversão total da administração da Justiça.
Pode ser justificado num caso ou outro, mas não pode levar, em regra, tanto tempo.
Ou seja, processos em investigação há 3 anos e ainda têm que estar mais! Para quê?
Tudo passa pela forma como se programa a investigação.
lkj
Em vez de serem criados processos monstruosos,
cujo destino é sempre a prescrição, ou o insucesso,
o Ministério Público deveria cindir os processos,
separar as culpas possíveis e investigar
de forma a que os processos fossem menos complexos.
Claro que se, por exemplo, na "Operação Furação" se juntar tudo,
vai tudo prescrever ou ser arquivado, porque o processo ficará monstruoso.
Quanto maior, mais tempo leva, mais nulidades, inconstitucionalidades
se vão arguindo e depois o sistema vai digerir tudo isso,
de uma forma ou outra.
lkj
Esta é uma forma de não punir a corrupção.
Que não é combatida eficazmente porque o Poder Político não quer.
O resto é conversa. É atirarem areia para os olhos do Povo.
João Cravinho percebeu que a corrupção se multiplica impunemente.
Quer a punição do enriquecimento ilícito.
Mas isto o PS não quer! O "Polvo" da corrupção organiza-se
minando o sistema, pondo-o a funcionar segundo os seus interesses.
Quem lê o livro do Rui Mateus pode compreender que o Dr. Alberto Martins,
presidente do Grupo Parlamentar do PS diga que o PS não aceita lições
do Eng.º João Cravinho?
lkj
O que seria de alguns partidos e ou políticos
se o combate à corrupção fosse efectivo, eficaz, célere?
Uma desgraça! Desgraça porque Portugal tem um regime de financiamento dos partidos
de faz de conta .Tantas normas e normazinhas, "éticas"
- dizem os políticos - para depois receberem sob a mesa,
em vez de ser um regime como o dos EUA,
em que os cidadãos e as empresas financiam livremente os partidos
e ou políticos em que apostam! Tudo transparente ou pelo menos
mais transparente que em Portugal que é um sistema de faz de conta.
Saído da cabeça de pessoas que estão noutro Mundo.
Desfazadas do que é a Democracia, os novos tempos.
Pessoas que se apoderaram do Estado, destroem Portugal,
sempre com a certeza de que têm os amigos em lugares chave
para acabar com a veleidade de algum magistrado
menos permeável ao controlo que o Poder faz das magistraturas,
via CSM e CSMP, Maçonaria e Opus Dei.
lkj
Juizes de avental em celebrações secretas
é o contrário da Ideia de Magistratura.
Mesmo ao nível do Tribunal Constitucional lá estava como Presidente
um maçon, o Dr. Nunes de Almeida, já falecido.
lkj
Portugal é um eterno campo de corrupção
que cresce como a erva daninha, sem ser mondada eficazmente,
e vai alimentando uma corja de bandidos que suga o Povo e o Estado em seu benefício.
Por isso foram sugados os Fundos Europeus
em vez de servirem para armar Portugal para convergir.
lkj
Podemos mudar isto se os tivermos no sítio
e os portugueses deixarem de ser um rebanho de carneiros
que não consegue ver para além dos caciques políticos
que os manipulam como marionetas nas eleições.
Como diria Obama: Yes we Can!
lkj

«Vais desculpar-me, João, mas a minha memória democrática permite-me recordar vividamente o papel obstrutivo, sistematicamente destrutivo do PS, caninamente persecutor das políticas, fossem quais fossem, do PSD, naquele primitivismo pseudo-democrático, que encara o País não como alvo preferencial de estratégias e metas comuns, mas como a criança entre um casal em separação tensa e litigante, cuja tendência é subalternizá-la em favor da sua pseudo-posse. Imaturamente democráticos, PS e PSD, sempre que novamente reconduzidos, recomeçaram do zero na Educação e no Resto, brincando às Reformas, praticando o lado perdulário e vazio da Política.
lkj
Daí que a tua matemática, gizada embora num português contabilístico artisticamente irrepreensível, tal como uma boa cópia de Picasso também pode ser quase melhor que o original, esteja eivada de uma espécie de Idade da Pedra dos argumentos e de um Arcaico Código de Honra, entre Partidos tão profundamente Decadentes e Decaídos da nossa profunda confiança antiga das maiorias absolutas, Código de Honra obsolescente do que a nós, gente comum, verdadeiramente interessa na horinha de votar.
çlk
Por isso, João, não vás por aí. Mas já que foste e já que vais, boa viagem. Terás sempre por cá gente boa ainda com margem para acéfalo aplauso e ingénuo louvor, bajulando-te as postas como num Benfica-Sporting da Política.
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Há mais política que esse jogo caduco.
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E por mim, estou cansado dessas irmãs gémeas desavindas, mas afinal bem federadas nos mesmos herméticos interesses, infinito coito hermafrodita, PS vs. PSD.»
lkj
PALAVROSSAVRVS REX

BRASIL, INVENÇÃO DO SÉMEN PORTUGUÊS


Só um português universalista, nunca um francês e menos ainda um inglês,
poderia inventar e sustentar alguma vez a declaração de alma
de que a sua pátria era a Língua,
forma de pensar, lugar musical que vestigia o Latim e o Grego,
registo ortográfico que igualmente invoca e re-evoca o Latim e o Grego.
lkj
Pela Língua circula, veiculado mais que o sangue,
um espírito, um modo de ser, uma idiossincrasia únicos,
no caso português, uma brandura, uma capacidade e vontade de amar mais determinantes,
em última análise, que a de dominar, tirar partido, explorar.
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Historicamente, o balanço é esse:
Uma enorme hemorragia de gente saída do Portugal europeu,
culturalmente restritivo e economica e empreendedoramente constritivo,
para melhor se cumprir no Portugal da Língua universalizada,
agregadora, miscigenada, com mais possíveis e maiores horizontes a tentar.
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A Língua Portuguesa, desde que se lançou ao conhecimento e à troca
pela grande costa africana, os primeiros europeus até aos confins da Ásia Esquecida,
os primeiros europeus pela Oceania e talvez os primeiros europeus modernos
pela América, tem sido Sémen de Afectos mais intensos e transcendentes
que outra coisa qualquer que valha a pena relevar.
Que diferença entre os portugueses que se apaixonaram por japonesas, e ficaram
e os que se apaixonaram pelas aborígenes de Timor, e ficaram,
e os que se apaixonaram pelas nativas do litoral de Vera Cruz, e ficaram,
e os que se apaixonaram pelas negras da Guiné, Cabinda, Angola e Moçambique,
e ficaram? Mil Helenas raptadas não gerariam tanta paz e tanta hsitória de vida.
A Língua era também o filho que era feito e universalizado.
A Língua estava também no coito, da vulva ao falo, do beijo ao parto.
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Afinal, o Nectar dos deuses era a Língua Portuguesa.
Afinal, a Ambrósia diva era a Língua Portuguesa.
Por isso mesmo, desfeitos os equívocos e os rumores envenenados
que procuram reescrever mais de quinhentos anos de inseminação cultural,
que também é permuta, permeabilidade, síntese, pela Língua e pela Cultura,
é tempo de retomar a nossa vocação irrefragável, reacender a nossa paixão,
quer na Criatura Admirável Brasil quer na África Amada Nossa, que fala português,
quer ainda na Ásia que bem nos deseja e conhece.
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Um farmacêutico a quem recorri no Brasil, ao ver que eu era português,
logo me elencou, ressentido, razões erróneas anti-Portugal.
Imediatamente me deu conta das teses envenenadas, estereótipos gastos,
sobre o papel e o peso dos portugueses no presente brasileiro,
e que, segundo ele, explicam todos os défices desenvolvimentais do país.
Está, em muitos casos, enraizado este pensamento enviesado,
embora pessoalmente o prefira a ele,
que ao esquecimento e apagamento psíquico de Portugal no Brasil,
remetido às anedotas, às padarias e às curiosidades mais elementares e distantes.
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Daí que valha sempre a pena recordar o que escreveu o novo Prémio Camões,
João Ubaldo Ribeiro, sobre a tralha preconceituosa
que vai circulando por (e varando!) alguma da sociedade brasileira,
texto em que graças a Deus tropecei aqui:
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«Levando-se em conta nossa pitoresca realidade contemporânea, até que a quantidade de besteiras ditas e escritas sobre o controvertido aniversário do Brasil não dá para surpreender. O que chateia um pouquinho é que diversas dessas besteiras continuarão a perseguir-nos pela vida afora, algumas talvez trazendo conseqüências indesejadas. A principal delas, naturalmente, é a de que o Brasil começou em 1500, quando nem mesmo no nome isso aconteceu, posto que éramos uma ilha quando os portugueses primeiro viram as terras daqui e, durante muito tempo, o Brasil que duvidosamente existia não tinha nada a ver com o Brasil de hoje.
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A impressão que se tem é que, do povo às autoridades e mesmo aos entendidos, acha-se que o Brasil já estava no mapa, com as fronteiras e características atuais, no momento em que Cabral chegou. Teria tido até um nome nativo, já proposto, pelos mais exaltados, para substituir “Brasil”: Pindorama, designação supostamente dada pelos índios ao nosso país. Não sou historiador, mas também não sou tão burro assim para acreditar que os índios tinham qualquer noção geopolítica, ou alguma idéia de que pertenciam a um “país” chamado Pindorama. Não havia qualquer país, é claro, nem sequer a palavra Pindorama devia fazer sentido para os ocupantes que os portugueses encontraram aqui, se é que ela era usada mesmo. No máximo, significaria o único mundo conhecido deles. Parece assim que os nossos índios administravam impérios e cidades como os dos maias, astecas ou incas, quando na verdade, que perdura até hoje, viviam neoliticamente e a maioria esgotava os numerais em três - era o máximo que conseguiam contar e o resto se designava como “muito”.
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Como corolário disso, vem a tese de que fomos invadidos. Com perdão da formulação pouco ortodoxa da pergunta, quem fomos invadidos? Todos nós, salvante os mais ou menos 400 mil índios que sobraram por aí, somos descendentes dos invasores, inclusive os negros, que não vieram por livre e espontânea vontade, mas também não viviam aqui na época de Cabral e hoje constituem parte indissolúvel de nossa, digamos assim, identidade. Imagino que haja quem pense que, diante de uma delegação portuguesa, algum diplomata ou general índio tenha argumentado que se tratava da ocupação ilegal de um Estado soberano do Oiapoque ao Chuí e que aquilo não estava certo, cabendo talvez a intervenção das Nações Unidas.
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Se a História tivesse tomado rumos um pouquinho diferentes, nossa área hoje podia estar subdividida em vários países diferentes, uns falando português, outros espanhol, outros holandês, outros francês. Do Tratado de Tordesilhas às capitanias hereditárias, aos movimentos separatistas e à ação do barão do Rio Branco, muita coisa se passou para que nos tenhamos tornado o Brasil que somos hoje. Ninguém chegou aqui e descobriu o Brasil já pronto e acabado (se é que podemos falar assim mesmo agora), isto é uma perfeita maluquice. O Brasil, é mais do que óbvio, se construiu lentamente e às vezes aos trancos e barrancos.
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Compreende-se que nativos de países como o Peru, o México e outros, notadamente na América Central, se sintam invadidos. Até hoje são numerosos e discriminados, muitos nem falam espanhol e, quando aportaram os conquistadores, tinham cidades maiores do que as européias. Mas nós? Quem, com a notável exceção do amigo pataxó e da jovem senhora xavante que ora me lêem, foi aqui invadido? Vamos supor, já jogando no terreno da absoluta impossibilidade, que o chamado mundo civilizado ignorasse a existência destas terras até hoje. Teríamos aqui, não o Brasil, mas uns 4 milhões de nativos de beiço furado e pintados de urucu e jenipapo (nada contra, até porque furamos as orelhas, nos tatuamos e usamos batom, é uma questão de estilo), que não falavam as línguas uns dos outros, matavam-se entre si com alguma regularidade e cuja tecnologia não era propriamente da era informática. Brasil mesmo, nenhum.
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Mas está ficando politicamente correto, suspeito eu que por motivos incorretíssimos, abraçar a tese da invasão do Brasil. “Nós fomos invadidos, fomos invadidos!”, grita em português brasileiro, a única língua que sabe, um manifestante mulato, em Porto Seguro. Será possível que não se perceba a vastidão dessa sandice? Daqui a pouco - e aí é que mora o perigo - entra na moda de vez e os resquícios das nações indígenas que ainda subsistem deverão aspirar à soberania sobre os territórios que ocupam. Como na Europa Oriental, cada etnia quererá ter seu Estado e sua autonomia, com bandeira, hino, moeda (dólar, para facilitar) e passaporte. Que beleza, forma-se-á por exemplo, depois de um plebiscito entre os índios, o Estado Ianomâmi, completamente independente e ocupando área bem maior do que muitos outros países do mundo juntos, reconhecido pelas organizações internacionais e protegido pelo grande paladino da liberdade dos povos, os Estados Unidos, que mandariam missionários e ajuda econômica e tecnológica e, dessa forma, investiriam desinteressadamente numa área tão pobre em recursos econômicos e que tão pouca cobiça desperta, como a Amazônia. E, se protestássemos, a Otan bombardearia o Viaduto do Chá, a ponte Rio-Niterói e o Elevador Lacerda, como advertência.
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Cometeram-se e cometem-se crimes inomináveis contra os índios, que devem ter seus direitos assegurados. Também se cometeram e cometem crimes contra grande parte dos brasileiros não-índios, outra vergonha que precisa ser abolida. Mas isso não tem nada a ver com a tal invasão, assim como a outra série de besteiras intensamente veiculada, segundo a qual, se não houvéssemos sido colonizados pelos portugueses, estaríamos em melhor situação, assim como estão em melhor situação a antiga Guiana Inglesa, o Suriname, a Indonésia, a Nigéria, a Somália, o Sudão e um rosário interminável de ex-colônias européias, quando na verdade se trata de um caso claro de o buraco achar-se bem mais embaixo. Como é que se diz “babaquice” em tupi-guarani?»
lkj
O Besteirol dos 500 anos,
João Ubaldo Ribeiro, in O Estado de S. Paulo, 24/04/2000

terça-feira, julho 29, 2008

DOS INVIÁVEIS


Falarei ainda das minhas inviagens, anelados topoi impossíveis,
e do poder assombroso dos meus sonhos inviáveis.
Também são gente uns e outros.
Pois se neles, nos meus sonhos, mergulhando inteiramente, me fiz inoxidável, robusto,
fibra de carbono na vontade, aço temperado da disciplina,
e nem mesmo assim algo obtive,
Pedra Filosofal que me doure o esterco,
que me remoce os membros Fonte da Juventude,
tenho ainda soberano o navegar desdestinado
dos meus Íntimos Mares de Quietude.

segunda-feira, julho 28, 2008

MIGUEL SOUSA TAVARES E OS PARAÍSOS NACIONAIS VIOLENTADOS


Começo a convencer-me de que mais quarenta anos em Portugual
de discursos certeiros sobre ambiente, reformismo administrativo e ordenamento do território,
artigos de opinião e prosápia vã concernentes a estes dois tópicos,
de diagnósticos corajosos debalde elaborados,
de denúncia de abusos urbanísticos, mas inconsequente,
de aberrações arquitectónicas, mas irreversíveis,
da habitual delapidação dos recursos naturais e paisagísticos, mas sem retorno,
mais quarenta anos deste exercício contundente de uma mera indignação formal, dizia,
e o País já será, ainda com mais entusiasmo, este lamentável queijo suíço,
esburacado, desmatado, betonado, desnaturado lá, onde era mais imperdoável.
lkj
Felizmente, ainda acredito na capacidade de a Natureza reclamar para si muitas vezes
o que por sofreguidão de ganho o HML, Homem Medíocre Luso,
julga edificar definitivamente e conservar definitivamente como seu.
Haverá certamente ainda prodigiosos maremotos e terramotos genesíacos
e a respectiva promessa de regeneração e humildade para os insuportáveis chulos corruptos,
céleres violentadores do nosso olhar e do nosso bem-estar íntimo.
lkj
Daí que a eloquência nostálgica de Miguel Sousa Tavares
para com os seus redutos secretos de um Portugal litoral desconhecido e raro,
- o barlavento algarvio e o litoral alentejano intocáveis de há trinta anos -,
em nada me emocione e em nada me acalente rebeliões indignadas, vergonhas virgens,
numa espécie de comunhão meramente verbal com os dedos indicadores acusativos
contra o estado calamitoso a que chegaram.
lkj
Nada a fazer se os Patos Bravios sequestraram o sentido profundo
de um Estado Soberano, violentaram a Nação,
e fizeram da República o corrupto Prostíbulo vendido aos Interesses
que cansativamente se implicitam nos Jornais,
mas nunca terão rosto e a devida punição.
Marinho Pinto mata e esfola. Cravinho amarelamente denuncia.
Sousa Tavares chora e acusa retoricamente.
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Promíscua e puta, a impunidade mais desavergonhada segue igual a si mesma:
lkj
«E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.»
lkj
in Expresso

JUMENTOLOGIA E CORRUPÇÃO



«O PSD de Cavaco Silva usou e abusou dos cargos públicos colocando militantes em postos de chefia ou “convidando” os chefes a inscreverem-se no partido. O PS foi incapaz de romper com esta realidade e introduziu duas novidades desastrosas, a confiança política na nomeação dos directores-gerais e subdirectores-gerais e os concursos para a nomeação das chefias. Agora a teia tem base legal.
lkj
Veja-se o exemplo do fisco onde os directores-gerais dos Impostos têm menos poder na organização do que um antigo assessor de Oliveira e Costa, hoje director do contencioso fiscal de um grande banco. Uma boa parte dos dirigentes do fisco tem mais lealdade às personagens que os ajudaram na carreira do que aos sucessivos directores-gerais que por lá passam. O resultado está à vista, nalgumas zonas do país quase foi necessário um “golpe de estado”, as dívidas fiscais estão a ser cobradas por funcionários deslocados de outras regiões.
lkj
É mais fácil condenar “meia-dúzia” de corruptos do que arranjar provas contra milhares de situações que numa organização com uma cultura favorável multiplicam-se como cogumelos. O combate à corrupção é uma condição para o desenvolvimento económico do país e não uma feira de vaidades que serve para promover políticos ou procuradores em busca de fama.»
lkj

SER LIDO PELOS OUTROS


É óptima a sensação de ser lido.
Ser lido anda muito próximo da sensação de ser amado,
automática e incondicionalmente amado, isto é,
sem a exigência a contrapeso daquela reciprocidade só formal e estratégica
de um do ut des latino ou quid pro quo.
Se calhar sinto-o ainda mais, dada a minha necessidade visceral de,
enquanto artista do verbo, estar permanentemente sob os holofores da atenção.
çlk
Por outro lado, uma desleitura a nós indiferente ou que, na nossa cara,
ousa dar-nos como ininteligíveis e que só pelo influxo de uma suposta amizade se faz,
como médicos ousam anunciar, de chofre, óbitos ante o estado de choque de relativos,
é uma crueldade monstruosa, ainda que involuntária, bem intencionada e inocente:
«A maior parte das vezes não entendo nada do que escreves!»
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Uma das razões por que quando estive no Brasil, se pudesse, lá ficava
foi porque me senti intensa e absolutamente amado e do mesmo modo amei:
tudo, sobretudo o melhor da vida, me acontecia ali com um fulgor inusitado,
os afectos tinham mais textura, o olhar, o coração e a pele
capturavam uma inédita intensidade afectiva quase indiscriminada.
Pode ter sido uma ilusão devida à concentração temporal da minha estada,
à inexcedível hospitalidade da nova família que lá me recebeu.
Mas trata-se de uma ilusão adorável e adoravelmente a reeditar.
lkj
Serve todo este intróito para destacar a nota do Eduardo Pitta, no seu Da Literatura,
a uma das minhas postas recentes, onde procurei armar um difícil humor,
e para admitir publicamente a minha boa surpresa e o meu prazer nisso.
lkj
Recordo que o seu foi absolutamente o primeiro blogue que,
mal comecei a minha própria aventura,
me aconteceu abraçar entre tanta busca aleatória, virginal e perdida
própria de um iniciado neste Admirável Mundo da Bloga.
É claramente uma das minhas leituras quotidianas e incondicionais.

domingo, julho 27, 2008

HUMOR ECONÓMICO


DYING PROFESSOR GIVES FINAl, FAREWELL LECTURE

RANDY PAUSH, UMA LIÇÃO AO LUSO EDUQUÊS


A última aula de Randy Paush, também relevada aqui, é portentosa.
Não porque se trate de um excelente professor, sábio nas relações humanas,
aproveitando a aproximação da sua própria morte
para obter notoriedade mundial póstuma com o seu percurso e trabalho,
mas porque de facto acumulou tesouros fundamentais de experiência e sabedoria
que urge partilhar com o Mundo agora e depois e depois e depois.
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(E essa aula de uma hora e dezasseis minutos é ainda mais assinalável
pois dela está ausente qualquer coisa de análogo nos Estados Unidos
à presente maravilha portuguesa que consiste em estrangular a personalidade dos professores
com uma catastrófica legislação contraditória, torrencial, babélica,
matando à nascença nos docentes a necessidade de, no Ensino, associar alegria e prazer
ao mais extremo e probo profissionalismo, sem ter de aturar
equivalentes ao desdém minimizador, eivado de má-fé,
concentrados nas pernocas roliças à mostra
e no despropositado sorriso vitorioso da Mª. Lurdes Rodrigues que aparece no Expresso,
a Ministra que mais vezes falou em 'mais trabalho' nas Escolas
em toda a História Universal. Sem ter de aturar tal coisa intragável.).
lkj
Aula portentosa, não porque puxa a lágrima fácil por alguém nobre e valioso que vai morrer,
mas porque revela uma atitude extraordinária na vida até ali vivida
e também uma cultura escolar e universitária onde afinal se trabalha intensa
e inimaginavelmente, e por paixão pura,
favorecidos embora por todas as relevantes e verdadeiras condições para isso,
dentro de um clima humano que efectivamente permite manifestar,
na pesquisa e na docência,
o que de melhor e mais determinante há no ser humano
e em quaisquer conceitos de competitividade,
porque competitividade cooperativa:
na 'Arte Electrónica', na vida, no ensino da Literatura,
em tudo o que ocasiona sonhar.
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Claro que esta aula sobre Como Realizar os Sonhos de Infância
e o facto de se tratar efectivamente de uma aula são ambos 'head fakes',
isto é, falsos tópicos: não se tratou de uma aula sobre como realizar os sonhos de infância,
mas sobre como conduzir sabiamente a própria vida,
não dirigida àquela audiência concreta que o acompanha atentamente
conforme vemos no vídeo de essa última aula,
mas, bem no âmago, dirigida, como testemunho e testamento,
aos seus três filhos pequenos.
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Por tudo isto, trata-se de uma aula inspiradora.
Inspiradora sob imensos pontos de vista mais pessoais ou mais sistémicos.
Mas sem dúvida inspiradora da necessidade de libertar o Ensino
da pesada pata paquidérmica, tão intrusiva, do Estado, da sua sanha burocratizante e paralisadoramente inepta, sanha geradora de confusão e contradição profundas
no cerne do nosso Ensino.

RANDY PAUSCH LAST LECTURE: ACHIEVING YOUR CHILDHOOD DREAMS

TAVISH - PHOTOGRAPHY


Qualquer foto do Tavish está efectivamente abençoada de Poesia,
de uma densidade de vidas, de afectos, de essencialidades,
e merece a glória do blogo-conhecimento mundial.
Pela parte que me diz respeito, dou-lha!
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Entre rostos cavados de asperezas e dificuldades, mas sempre capazes de sorriso,
rostos plenos de histórias enternecedoras nascidas da pobreza,
alojadas no tesouro espiritual misterioso compresente na maior pobreza que o mundo conhece,
nasce um trabalho tocante e ainda mais tocante para quem tem apenas 16 anos.
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Há nele o pormenor luminoso que enforma de Transcendente
a nossa realidade provisória de terrestres em trânsito.

JOÃO CRAVINHO, SUPER-HERÓI INFELIZ


Lamento o adormecimento geral perante as declarações
e revelações do Engenheiro João Cravinho,
no programa da RR/Público, «Diga lá, Excelência»,
nada que já não soubéssemos!,
quanto ao défice legislativo gerador de impotência prática,
falta de independência, governamentalização do Conselho de Combate à Corrupção.
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Certo é que Cravinho compareceu na RTP 2/RR com alegre desenvoltura,
leve, transparente, um 'soldado derrotado', mas sorridente,
consciente e apurado conhecedor da gravidade do problema português,
mas divertido e criativo na explanação do que sabe.
Antes do seu exílio num cargo internacional de remunerativa mediocritas aurea em Londres,
pelo menos em comparação com os abusivos padrões de remuneração
dos Gestores Públicos nacionais,
fomos levados a considerá-lo um General de Cinco Estrelas responsável pela questão.
Afinal, nas suas palavras, fora somente um soldado. Derrotado!
E o silêncio adormecido perante o que diz é geral!
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Pela parte de Manuela Ferreira Leite e do PSD, há e haverá o sepulcral silêncio
a que já nos habituaram, que semelha uma táctica de mestre,
pelos princípios de auto-preservação-contenção da imagem,
mas que funciona mais como inexistência, debandada, falta de carisma,
superficialidade, ignorância dos dossiês e incapacidade reactiva.
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Pelas partes do PS e do Governo, este diagnóstico feito por Cravinho,
que se cunha como «soldado derrotado pelo inimigo e sem culpa da derrota»,
elencando artigos da defeituosa e capciosa Lei Anti-Corrupção, essa treta impotente,
não merecerá senão uma nota de o mais roda-pé possível,
abafar-se-á tudo, a coisa diluir-se-á nos Media
e, no fim, parecerá à pouco exigente psique distraída nacional
que nada foi dito e nada de grave se passa.
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Neste momento, a legislação Búlgara é mais séria que a de Portugal.
Qualquer dia, o corrupto e pobre Burkina Faso será mais sério que Portugal!

sábado, julho 26, 2008

¿POR QUÉ NO SE BESAN?


Se se amam, por que não se beijam?!
Literalmente, há mesmo frases que valem ouro.
Agradeço desde já a T-shirt e o boneco das Caldas que me enviaram
com a tal frase imortal.

QUEM TRAMOU O JUMENTO?


Não se compreende que acção concertada motivou a activação do condicionamento
pelo Blogger do acesso imediato, sem 'Aviso sobre Conteúdos, a O Jumento.
Se é verdade que O Jumento aparece em certas matérias num isolamento notável,
dentro do Oceano Turbulento da Grande Bloga Nacional, nada parece justificar
tal medida de, passe o humor possível, 'coacção', 'termo de identidade e residência',
poluindo a imagem decente, de simples debate de ideias,
embora unívocas, que de facto tem.
Agora, mesmo mudando de servidor, conforme promete, fica o labéu malicioso.
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Prova-se assim que, concertadamente, é possível boicotar, que boicotar resulta,
que estigmatizar o execício que outros fazem da própria liberdade,
além de gerar não pequena indignação ao respectivo autor, funciona. É pena.
Bastaria argumentar contra, simplesmente crescer como O Jumento cresceu,
com os seus mais de um milhão e quinhentos mil visitantes até ao momento,
e argumentar contra, repito. Sem mais.
lkj
Há, n'O Jumento, um trabalho extraordinário, totémico, hercúleo,
de comentário e emissão de opinião oportuna, pontualíssima,
sobre quaisquer casos da actualidade nacional e internacional,
de preferência defendendo os flancos esquerdo e direito do Governo Sócrates.
Tudo bem. Está no seu sôfrego e heróico direito.
Não era necessário punir O Jumento por isso.
lkj
Enquanto quase único blogue suportador de quase todas as políticas
e opções governamentais,
O Jumento tem sido também incansável e exaustivo, artístico e aflitivo,
a desviar as atenções das fraquezas governativas como se fossem próprias,
do próprio O Jumento, quero dizer, bem como a atacar,
com humor, sarcasmo, memória histórica e factos indesmentíveis,
alvos muito precisos que, precisamente por isso, podem de facto ter retaliado como se vê.
Há momentos em que O Jumento é mais governamental e reformístico
que o próprio Governo ou mais PS que o próprio PS, ali sempre imaculado
de tão omitido e ausente da cena política portuguesa e claramente de esse blogue.
O silêncio do PS é tão insurdecedor como o de Manuela Ferreira Leite
e ninguém repara nisso, muito menos O Jumento,
sempre entretido com o inócuo rato do PCP e o paquiderme moribundo do PSD.
lkj
Tem sido um zurzidor impiedoso das lideranças do PSD, do estado do PSD,
do caos do PSD, do colapso nos diversos vazios dentro no PSD,
mas tem sido também um perseguidor igualmente implacável do putativo estalinismo do PCP,
do eventual anacronismo posicional do PCP, da possível irresponsabilidade
e irrealismo do PCP em face das políticas agressivamente modernas em decurso,
como se ambos os partidos, o PCP e o PSD,
tivessem sido até agora, e afinal, as grandes forças obstaculizadoras
de toda a espécie de Reforma encabeçada por esta governação visionária.
Ainda haverá quem pense pela sua própria cabeça? Será o PCP maioritário?
Será o PCP ou o PSD que conduzem o País ou serão só do PCP os 'anónimos'
que nas ruas assobiam e embaraçam Sócrates e a sua diplomacia pragmática?
Não podem os que assobiam ser perfeitamente apartidários,
bastando-lhes o peso do desemprego ou da fome encapotada,
o peso da revolta contra todos os desmandos que se conhecem,
contra a lógica terceiro-mundista de boa parte dos Gestores Públicos
que nunca se ouviu raciocinassem como agora os Gestores da TAP?
Bastando-lhes esse peso para enrouquecerem a vaiar
e terem de recorrer ao assobio ou a qualquer outra manifestação de assuada
para afinal existirem? O Jumento está muito alto e alheio a isto, naturalmente.
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Aqui e ali vai reproduzindo textos, artigos de opinião, abrindo, tem esse mérito!,
ao público o que certa Imprensa mantém cativo de um preço que ninguém paga,
libertando e reproduzindo aqui e ali uma anedota, uma bricadeira marota e inocente,
acolá um vídeo curioso, mais além umas fotos estimulantes,
a mais recente anedota sobre Jaime Silva, vá lá!, via Correio da Manhã,
é simplesmente hilariante e merece nota, dada a rara preciosidade.
lkj
Enfim, não sabemos quem tramou O Jumento.
Só sabemos que alguém tramou O Jumento. Neste mundo de maus e bons,
há sempre uns vilões fascinantes que tem um acto de loucura publicitária
com o qual, acto, ao mesmo tempo que atrapalham a vida normal dos heróis,
divulgam ainda mais as suas acções e heroísmo e abnegação.
Mas a missão fatigante e incansável de O Jumento é indestrutível.
Deste contratempo sairá mais forte para enfrentar as forças negras
que não suportam nem a liberdade nem talvez o facciosismo absurdo de defender
incondicionalmente o Governo de José Sócrates.
lkj
Post Posta:
[Do meu ponto de vista, bendigo a crise presente, caso seja ela a espora
que faz da nossa diplomacia esse garanhão activo, saltitante,
no meio do Rodeo da Política Internacional,
e que, mesmo preso pelos colhões, vai escocinhando no ar,
procurando libertar-se das contrariedades internacionais que a montam,
estabelecendo parcerias vantajosas para a Galp com Chefes e Países inimagináveis,
novos negócios com os Chefes de Estado mais ostracizados e desconfiáveis,
novas indústrias e oportunidades de o empresariado português prosperar em qualquer lado
desde que sobretudo entre as riquezas do Terceiro Mundo.
Oportunístico triunfo, mas triunfo, admito e admitirei.
lkj
Eu digo que há muito tempo que nos deveríamos voltar para esses.
Passámos séculos a desejar a Velha e Despreziva Europa
com a mesma força com que a ignorávamos porque ela quase nunca compreendeu
que desígnio levou a que Portugal existisse fora da Pata Espanhola.
Temos por isso mesmo de regressar ao Mundo tal como o conhecemos
e experimentamos durante séculos, por nossa conta e risco,
sem guarda-chuvas duvidosos como o Francês ou o Inglês,
desta vez de igual para igual e dando alguma coisa mais a esses pobres países ricos
que somente Língua e Arqui-Ruínas em troca.]

sexta-feira, julho 25, 2008

HEMATIDROSE, FISIOLOGIA DA ANGÚSTIA


Aqui, para quem quiser rever matéria de extrema gravidade.

MCCANN, OU O CADÁVER ESQUIVO DA VERDADE


Depois das revelações parciais de Gonçalo Amaral, no seu livro:
Maddie - A Verdade da Mentira, consolida-se no público
uma convicção incontornável acerca do que realmente se passou
naquele quarto de Condomínio, na Aldeia da Luz, Algarve, a 3 de Maio de 2007
e sobretudo o que se seguiu depois, com a ocultação meticulosa
de um embaraçoso cadáver pequeno e a tese sôfrega de rapto.lkj
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Começara o jogo mediático. Jogo ambíguo. Jogo agressivo e defensivo,
a partir de certa altura mais determinado em reagir e atacar
que em agir e focalizar no essencial todos os esforços: a verdade.
Em relação a Portugal, como bons donos disto, e disto desdenhosos,
os McCann, graças a altas influências e altos conhecimentos, esse tráfico maldito,
foram inoculando dubitativo desprezo pelos nossos Investigadores, Polícia e Justiça,
tratando-nos sistemicamente como terceiro-mundo, coutada de tourists,
secundarizaram-nos e rebaixaram-nos,
desviando as atenções de um crime que começa a ser
aos olhos da opinião pública indisfarçavel:
pelo menos o de ocultação de cadáver.
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O circo mediático montado, cavalgado e explorado,
e depois, quando a festa itenerante do rapto acabou,
o chamamento do papá Clarence Mitchel para ser testa de ferro deles,
isentando-os de responder a questões delicadas,
ao confronto dos factos com a ficção e criatividade fotográfica e fotogénica,
convocado para branquear a história toda e sobretudo para ameaçar e para intimidar.
O pretexto do rapto transformara-se rapidamente num negócio extraordinário
para pagar aos mais excelentes advogados.
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Ora, se tivéssemos políticos com colhões,
com brio nacional e com a devida auto-estima,
políticos que não se abaixam perante ninguém
que não se põem de quatro perante Kadhafis e outros vendedores de petróleo,
que não temem outros governos mais poderosos que eles, mas obedecem exclusivamente
à pursuit of truth, esses papás fuinhas McCann, tão queixinhas e bons actores,
já estavam na prisa preventiva, no mínimo, por negligência grosseira,
manipulação da Imprensa, dos factos, dos indícios, das versões,
a lidarem, como toda a pobretalha sem apelo nem agravo,
com as consequências dos seus actos.
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Permeáveis a pressões porque FRACOS e INSEGUROS,
falo, claro, dos políticos e de essa hierarquia descendente até aos Alípios e companhia,
parando na equipa dos nossos investigadores,
só poderíamos redundar na chacota tentada
desses ingleses vorazes donos do mundo,
do sul de Espanha e do Algarve Português.
lkj
Como há duas justiças: uma formal, dentro dos dois sistemas nacionais, Português e Inglês,
facilmente bloqueável e obstruível, desde que se tenha poder para isso,
e uma outra justiça, informal, na voz populi ou doxa, firme, pura,
os ratinhos habilidosos McCann,
(que têm as autoridades britânicas a advogá-los eventualmente
por eles deterem, enquanto casal sexualmente avançado e experimentalista,
amplos saberes comprometedores para muitos in high positions),
os ratinhos habilidosos McCann, repito,
já não podem fugir mais do seu próprio labirinto
de mentiras e de espelhos deformadores.

quinta-feira, julho 24, 2008

WHERE IN HEAVEN IS MATT? (2008)


Where the Hell is Matt? (2008) from Matthew Harding on Vimeo.

MÁRIO SOARES E TALVEZ O APOCALIPSE


Se os jornais fossem apenas repositórios (ou um concurso!) de ingenuidades e simplificações,
Mário Soares, como se lê aqui, ganharia por larga margem.
Não é Marx o que esta falência neoliberalista e esta crise catastrófica no Ocidente
está a suscitar de novo para o cerne do debate e da reflexão. As suas ideias
redogmatizam, simplificando-o, um problema bem mais radical na Humanidade.
Um problema de Felicidade Profunda
que nunca foi redutível ao problema do Consumo Profundo.
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É, na verdade, uma questão de Mais Evangelho, de ir à Base,
à Fonte Civilizacional da Liberdade Responsável e Solidária a partir do âmago de cada qual.
Os Livros faliram: a Bíblia e Das Kapital já não nos iluminam o caminho e a utopia.
Temos Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Kant. Por puro fastio, ninguém lhes toca.
O fastio contamina tudo convertendo-nos a todos em perfeitos e acabados Tântalos.
Já se disse que Marx inaugurou um cristianismo sem Cristo
e uma Teologia-teleologia sem Deus.
Mas a Bíblia exala um Espírito de dentro,
um Espírito que é Projecto e transcende largamente
o mero ambientalismo e a mera integração-coesão social porque unifica diversos,
congrega opostos, constrói humanidade e bom senso,
edifica esperança pelo cimento do Amor vinculando geração a geração,
apesar da mesquinhez sectária com que os humanos reduzem a respectiva Letra.
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Ambos os Livros vêem a história como processo violento e brutal para a utopia-escatologia
de um Céu recompensador. A anarquia da cupidez num mercado falsamente auto-regulado,
a redução dos direitos e da protecção das pessoas, em cima da mesa, hoje,
semeiam afinal a experiência do inferno de todas as assimetrias,
o não-lugar para o Não-Lugar,
e provam que esse mesmo inferno tende a prevalecer
para além das boas intenções trasformadoras da livre iniciativa,
e para além de qualquer consciencialização e intervenção das Massas
pelos seus direitos, bem-estar e progresso amplo.
Há um retrocesso de valores que faz deslocar a pessoa do centro da decisão política
para colocar lá os altos desígnios do lucro desenfreado, dos interesses enclavinhados,
do maquiavelismo competitivo por objectivos de produção impiedosamente orientais?
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Regresse-se, então, ao Essencial, ao inomeável Essencial: ao Cristo
que Marx subplagiou e darwinizou. Como? Regressando!
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Uma última nota: nós, o povo português, não somos pessimistas, Dr. Mário Soares:
o péssimo é que nos encurrala e nos oprime de logros por todos os lados,
e de abusos, de explorações encapotadas, de injustiças sociais que bradam aos Céus.
Nenhum bom exemplo, nem o da nossa filantrópica e beneficiente Bial Global,
nos conforta perante a grande anástrofe da repartição de riqueza em Portugal,
perante o grande hipérbato que é o colpaso das famílias
seduzidas para o abismo das facilidades financialísticas,
perante o desemprego galopante, quotidiano,
perante, em suma, a paralisia económica que nos entorpece
e promete entorpecer ainda mais. É só aguardar.
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Obviamente que do alto do seu Trono de Ideias, Mário Soares poderá até pensar nisto
por que passamos e nos acabrunha e enfraquece e atira ao pó,
mas não o sente nem o vive de perto com toda a certeza.
O laico dentro dele só lhe permite navegar no plano das análises, das ideias, da razão.
Há um nível de honestidade íntima
vedado a egos perdidos no langor de si mesmos.

quarta-feira, julho 23, 2008

P.F. ALGUÉM CALA A DRA. MARIA DE BELÉM ROSEIRA?


Gosto muito, mas mesmo muito, do Mário Crespo e do seu Jornal das 21, SIC-N.
Lê-lo ou ouvi-lo equivale para mim a milhões de horas bem produtivas
de efectiva e criativa, denunciante e independente, Oposição,
corrosiva e incomparavelmente superior a qualquer outra oposição,
e Oposição às milhentas formas de rebaldaria por que se caracteriza a vida democrática
de esta cada vez mais deprimida colónia feliz do capital angolano
chamada Portugal. Colónia também de uma caterva de maus servidores e maus patriotas
dependurados das liberais tetinas de um Estado sem vergonha
para moralizar e assediar fiscalmente apenas os mais fracos,
deixando ao alto os que podem, mormente as chefias, directorias-gerais e outras funções,
onde a competência e a seriedade nos têm deixado ficar francamente mal.
Ao ponto de ser legítimo pensar que os nossos gestores públicos,
além de nos não prestarem contas com as suas fantasias gastadoras e sumptuárias,
não prestam para rigorosamente nada.
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Ora, naqueles frente-a-frente que Mário Crespo modera como ninguém,
na segunda parte do seu Jornal,
acontece-me às vezes uma sensação de desconforto inimaginável,
torço-me no sofá, a minha alma, como se fosse uma tripa, revolve-se.
E porquê? Não é o aparecimento novamente do sonso casal McCann,
do insuportável fuinhas Jerry e insonsa Kate.
Não. É simplesmente a Dra. Maria de Belém Roseira que está a falar.
Ela e a sua vozinha aguda e irritante, de desenho animado Betty Boop,
que nunca se dá por vencida e muito menos interrompida,
delicadamente interrompida pelo nosso Mário.
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Por amor de Deus, que se modere, que nos poupe às suas longas e imoderada perorações.
Por favor, menos.
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Quem muito a propósito for ler o Manual dos Chatos
verá que, dentro da tipologia dos respectivos,
ela se inscreve talvez no segundo caso, o Catalítico.
Mudar, sabemos que já será tarde. Mas incutir-se moderação?
Não é ainda possível? Que lhe custaria o esforço?
A Nação agradeceria.