domingo, novembro 30, 2008

O DIVINO CARVALHAS


A análise de Carlos Carvalhas é de uma pertinência cristalina.
Houve um tempo em que tudo o que o PCP tinha a dizer era cassete
e era o credo dogmático de uma forma de mentira enquistada e já desfasada da realidade.
Era um partido-fóssil, moribundo e em processo de desaparecimento representativo.
lkj
Agora, porém, é o PCP, um partido-fóssil vivo, que se mostra vital para fazer justiça
a um povo esbulhado na sua dignidade de vida, condenado a tudo pagar,
esbulhado nos seus mínimos de bem-estar em nome não se percebe
de que lucro imoral transformado depois em lixo e em nada,
como se viu em Wall St., com as aritméticas suicidárias das bolsas ali vinculadas,
é um partido imprescindível a manifestar uma linha de leitura
e de crítica da realidade global e nacional
francamente indesmentível.
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Ao passo que hoje a área da mentira, da imoralidade dogmatista
neoliberalóide é precisamente aquela onde se posicionou o PS,
com as suas políticas atabalhoadas e em contra-ciclo,
ocupando a área da manipulação dos factos, dos números, dos Media,
o partido do primado das propagandas, do sem-sentido das políticas desumanas,
da despudorada clivagem entre os factos da economia e a situação das pessoas.
lkj
Clientelas políticas pagas imoralmente como em mais nenhum país da Europa
ou mesmo nos Estados Unidos, grupos económicos levados ao colo,
casinos bancários para onde se atiraram fundos da SS, promiscuidades económicas
de todo o género, é aí que se inscreve e se situa o cerne
da presente forma de Governar em Portugal, viciada, descolada da Gente.
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Dizê-lo pode ser irritante para adeptos do PS, se forem aselhas,
asininos paus-mandados, mas é sem dúvida urgente para adeptos de Portugal.
É curioso observar, num momento em que vai caindo o véu
de esta forma de exercer o poder, o rosto e a palavra amortecidos
dos bajuladores-Júdice de um Governo assim austero e oprimente
com quem não pode e todo favores e liberalidades
com quem sempre teve e sempre terá.

sábado, novembro 29, 2008

SOU HERMÉTICO, PORRA!


Não tenho futuro, por mais que tente. Não tenho. E nem sequer arcaízo.
Escreva eu embora o que Camões não saberia, o que Pessoa não concebeu,
não tenho futuro como escritor. Não sou popular e não escrevo coisas populares,
e romântico então muito menos o sou: escrevo todo do lado macho da escrita.
O meu livro ficará com pó e bolor nas livrarias, e será vizinho vertical de papel
com capa e contra-capa de um volume de Ramos Rosa minoritário,
encavalitará o meu volume frustrado e dionisíaco com os de Sophia apolíneos
e ficará só, num mar de fracasso, massivo sargaço, em não-venda.
Só. Por que porra me saíu ser hermético?!

A FORÇA DA IGREJA-PCP


O Congresso do PCP é um belo sinal de resistência ímpar de um partido-fóssil
e logo num país em crise reduplicada por via de condutas sociais e políticas
marcadas pela exploração global das pessoas. Num país assim esmagado e explorado
é perfeitamente natural que o PCP faça sentido, muito sentido,
pois a desvergonha do Governo-PS, a sua camaleónica capacidade
de mentira e de incompetência constarão nos anais da História.
ljk
Graças a Deus que ainda temos um PCP, resistente, directivo e dogmático
e um dia secular e milenar em Portugal, como as igrejas de tradição directa apostólica,
um PCP com um discurso que, falhando em muitos pontos
de coerência internacional ao caucionar Cubas, Chinas e Coreias do Norte,
tem o mérito de continuar a descrever de que malfeitorias se faz o poder em Portugal,
país do precarismo crónico, país de um Estado marcadamente mentiroso
e servilmente aliado ao poder económico, traindo a sua função e vocação primária
de zelar pelo bem-estar e progresso integral e integrado do conjunto das pessoas
e não dos números plásticos e moldáveis. País onde tudo se partidariza-PS
e onde se afoga e estrangula a liberdade e o pluralismo com processos sornas,
com que se acossam pessoas e instituições.
lkj
Não há PCP que chegue para denunciar a miséria de valores que se instala,
uma miserabilização, desertificação da democracia que se pratica impudente,
com a culpa notória dos tiques absolutistas de este PS medíocre
nas mãos de um vendedor internacionalmente ridículo, pesporrente, leviano
com a realidade das pessoas, um Partido com vocação e provas dadas
para estalinizar e re-salazarizar Portugal.

sexta-feira, novembro 28, 2008

ANARCA, FASCISTA, HORRÍVEL


Tenho ouvido a rua e o que pensa sobre a Ministra e as suas políticas.
De um modo geral, sabem todos muito pouco sobre o que está em causa
e muito menos ainda sobre os métodos de abordagem, verdadeiramente aberrantes
e bizarros, falhos de qualquer legalidade e sentido democrático, empregues
a todo o custo por este governo sem credibilidade para que torcionariamente
leve por diante a devastação a que se tem proposto. No entanto, à rua agrada
aquele pouco que colhe de tal acção, de «que ela está a pôr a classe na ordem»,
que «havia desmandos sem tamanho na escola pública».
Por outras palavras, a capacidade da propaganda para intoxicar a rua
de meias-verdades e visões periféricas e hemisféricas dos problemas
colhe alguns resultados e esses resultados basicamente são a indiferença
ou a opção favorável às políticas do ME, sejam elas quais forem.
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Quem ouvisse hoje, ao final da tarde, os partidos da Oposição no Parlamento,
Os Verdes, BE, PCP, PP e PSD, diante do facto consumado e incorrigível
do OE 2009, e os ouvisse com a mesma indiferença que a rua testemunha
perante um processo que penaliza e torciona uma classe,
também não poderia interessar-se pelo facto de que todos consideram o Governo
incompetente, mentiroso, mentiroso, mentiroso, autoritário, desonesto,
e dão exemplos que deveriam fazer corar de vergonha o sorriso enganoso do PM
que depois vem disfarçar e simplificar o seu nulo País Utópico com o célebre e batido
«Só sabem dizer mal», história do menino e do lobo.
O que faz a pintura de Galileu no encimar de esta posta? Não é ele o símbolo
do que singnifica estar certo, matematicamente certo, cientificamente correcto,
e no entanto ser obrigado a abjurar e professar princípios errados
em nome de uma Fé cuja desfocada teogonia de todo o não deveria exigir?
Não se tem comportado o ME e o Governo como tal torcionário e bruto inquisidor?
Há em Portugal um povo que agoniza de penúria e de fisco mais que excessivo
enquanto os ricos ficam a abarrotar de riqueza tributariamente intocável.
Há em Portugal uma hostilização desproporcionada e doida de classes profissionais
com vista à poupança de uns trocos que facilmente se malbaratam em pompa
e publicidade enganosa. Tempo de avales para poucos e de miséria para muitos.
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Este Governo jogou o jogo dos poderosos e tem esmagado despudoradamente
a grande maioria dos portugueses, cada vez mais pobres e esmagados.
Que é um Governo apoiado em propaganda enganosa,
em fantasias, numa teimosia e avareza impressionantes,
que é um governo que desmobiliza as pessoas e as deprime,
que não respeita a sua dignidade,
que não promove o bem-estar, que não sabe o que seja justiça fiscal,
que não usa de bom senso nem tem criatividade, não tem rasgo, só vulgaridade,
oprime a quem mais sucumbe a essa pressão criminosa,
desinteressado das pessoas, mas interessados em índices e indicadores frios e mentirosos,
incapaz de integrar um proposta que fosse das oposições. É ver a RTP
comportar-se como a TV do PS que é, servindo futebol e irrelevâncias
em vez da reacção devastadora das oposições ao OE.
ljj
Em suma, a indiferença, a superficialidade e a ignorância gerais jogam a favor
da incompetência e desgoverno do Governo, olimpicamente desprezivo
das pessoas comuns, mas não da Banca, da Regulação do BdP que não regula,
e de todas as manobras de diversão com que os seus galfarros visam enlamear outros.
A mesma indiferença, superficialidade e ignorância gerais, o grande desânimo nacional,
explicam a decorrente frigidez de um povo, temeroso e tímido
que não reage perante um Governo teimoso, atabalhoado e brutal
nas suas chamadas reformas: violência pura e combate por salvar face sádica
e prestígio corrompido. Uma face informal do poder que se manifesta
Anarca, Fascista e Horrível, socialmente insensível,
humanamente desprezível porque despreziva das pessoas concretas.
Não reajam, não se organizem nem façam nada, não!

BOMBAIM, ENTREVISTA COM O DIABO


Depois de todos os eventos, limpo todo o sangue, a Índia não será a mesma.
Foi esta fúria medonha uma entrevista da cidade com o diabo.
Espera-se que surjam ímpetos retaliatórios e represálias,
a menos que as lideranças religiosas cedo amputem o resvalar
para um clima de violência generalizada que há a todo o custo que conter.
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«O primeiro tiroteio começou, anteontem, cerca das 22h33 (17h03 em Lisboa)
no antigo Terminal Victoria, a principal central ferroviária da cidade,
hoje conhecida por Terminal Chhatrapathi Shivaji.
Testemunhas contam que dois homens armados com metralhadoras AK-47
e granadas mataram pelo menos dez pessoas e feriram dezenas de outras
antes de serem abatidos pelos agentes que acorreram ao local.
Contudo, o balanço final desta acção poderá ser muito superior,
admitem as autoridades.»

MÁFIA-PS, MODO DE USAR


Está frio lá fora e chove. Dentro do nosso pequeno quarto somos quatro.
Do meu pequeno pc sai a minha música favorita,
sucedendo-se o meu melhor Mozart, o meu melhor Bach, o meu melhor Beethoven,
e tantos, tantos outros, numa sucessão aleatória e mágica,
peças que coleccionei ao longo dos anos para meu prazer e meu maior consolo,
sobretudo em horas negras e avaras para mim e para o meu Portugal entregue à vérmina.
Mas o abandono à paixão e à alegria de viver Singing in the Rain faz-se oásis
por vezes, ao olhar esta simplicidade familiar.
lkj
A bebé está relaxada no seu berço,
tem esgares sorridentes e solta ruidinhos meigos, parece vibrar em especial
com o movimento Alegro, Süddeutsche Orgel Musik, de Mozart,
o outra filha colou os grandes olhos ao canal Panda.
O tempo para nós é medido ao ritmo de cada amamentação, sôfrega,
e a pequena, doze dias depois, está já um chumbinho de respeito
na balança firme das nossas mãos.
Para além disso, há que naveblogar e dobrar todos os dias
novos Cabos das Tormentas porque a alegria e a angústia
vieram enlaçar-se no meu cerne.
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Naveblogando, grandes verdades e belas peças de retórica
são-me dadas a ler a cada passo
e todo me passo de concordância e confluência, quando leio isto:
«O que está em causa [com a lama atirada a Cavaco]
é a tentativa de esconder o fracasso total
das políticas "reformistas" do Eng. Sócrates, o qual conseguiu o feito
de fazer o país a retroceder à década de 80, segundo revelou o INE hoje,
na confiança dos empresários no clima económico
e a confiança dos consumidores. O povo português encontra-se
na cauda da Europa nas expectativas e nos indicadores de satisfação
com a sua vida, e nem mesmo a maioria dos povos
dos novos estados da adesão apresentam um estado tão depressivo.
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Sendo esta a herança de Sócrates e do seu governo
à entrada do último ano de legislatura, é normal que os socialistas
queiram matar três coelhos de um só tiro:
primeiro conspurcam a única referência política positiva dos portugueses
pós-25 Abril - o "odioso" cavaquismo, normalizando tudo pela mesma bitola
de mediocridade que caracterizou a última década de governação;
num segundo momento, condicionam a imagem e poder do PR,
a única voz credível e não controlada que lhes poderá fazer frente
nos próximos tempos, fazendo crer que a "cooperação estratégica"
continua sem mácula; por último, desviam a atenção pública
do que é realmente relevante: estamos metidos num grande sarilho
e entregues a um bando de políticos propagandistas e autoritários,
cuja incompetência agora até já é reconhecida lá fora
(a não ser que o PM considere que o Financial Times não é um jornal credível).»

quinta-feira, novembro 27, 2008

PSD-BRAGA, UM SOLITÁRIO RASGÃO


A menos que uma figura bem distante dos Dias Loureiros da perdição nacional
emirja sebastianicamente da sombra para cometer menos gaffes imperdoáveis
e estar em bem menos almoços e jantares só da alta sociedade lisboeta,
mas também nas sardinhadas populares e demais besuntadorias gastronómicas,
esta proposta do PSD de Braga tenderá a malograr-se.
lkj
O PSD Braga, ao ver um líder do Partido que se circunscreve a Lisboa, que, portanto,
não funciona nem opera como verdadeiramente nacional, tinha naturalmente
de se indispor e avançar. No mais, é impossível ter sucesso quando mesmo para o PSD,
que não o de Braga ou o da Madeira, o próximo primeiro-ministro de Portugal
deverá ser José Sócrates. É precisamente para alavancar este desfecho
que MFL tem sido discursivamente desastrada e politicamente perdulária.

MOMBAI, A DISRUPÇÃO ISLÂMICA


Se é verdade que a Índia é um melting pot religioso
e um campo de tensão competitiva a esse nível, temos que historicamente
os bons exemplos de respeito e convivência pacífica são mais abundantes
na maior parte do tempo que os de conflitos integristas e radicais
sobretudo entre muçulmanos e hindus e, mais recentemente, de hindus sobre cristãos,
e entre as demais manifestações do religioso.
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Este caso em Mombai tem contornos mais graves e mais sérios
relativamente ao passado recente local,
onde, por exemplo, o integrismo hindu fora reprimido com eficácia,
e é todo um novo enunciado de predisposição homicida,
dada a extrema e meticulosa organização evidenciada.
Com pouca margem de erro, respeita ao modus operandi dos sequazes da Al Qaeda,
com objectivos nítidos: transferir para territórios novos as suas tácitcas
de desrupção até agora praticadas, mas em processo de contenção, noutros,
como o Iraque e o Afeganistão/Paquistão, sobretudo.
As célebres tácticas dos norte-americanos
no Iraque, com o General Petraeus, estabelecem princípios de acção
que funcionam entre a negociação comunitária e o contra-terror
e em muito explicam a transmigração sonante de muitas células de voluntários
internacionais da Al Qaeda, cada vez mais frustrados no propósito
de humilhar sucessivamente os norte-americanos.
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HEADQUARTERS
Multi-National Force — Iraq Baghdad,
Iraq APO AE 09342-1400
10 May 2007
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Soldiers, Sailors, Airmen, Marines, and Coast Guardsmen
serving in Multi-National Force — Iraq: Our values and the laws governing warfare
teach us to respect human dignity, maintain our integrity, and do what is right.
Adherence to our values distinguishes us from our enemy.
This fight depends on securing the population,
which must understand that we — not our enemies — occupy the moral high ground.
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This strategy has shown results in recent months. Al Qaeda’s indiscriminate attacks,
for example, have finally started to turn a substantial portion of the Iraqi population against it.
In view of this, I was concerned by the results of a recently released survey conducted last fall
in Iraq that revealed an apparent unwillingness on the part of some US personnel
to report illegal actions taken by fellow members of their units.
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The study also indicated that a small percentage of those surveyed
may have mistreated noncombatants. This survey should spur reflection on our conduct in combat.
I fully appreciate the emotions that one experiences in Iraq. I also know firsthand
the bonds between members of the “brotherhood of the close fight.”
Seeing a fellow trooper killed by a barbaric enemy can spark frustration,
anger, and a desire for immediate revenge. As hard as it might be,
however, we must not let these emotions lead us — or our comrades in arms — to commit hasty,
illegal actions. In the event that we witness or hear of such actions,
we must not let our bonds prevent us from speaking up.
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Some may argue that we would be more effective if we sanctioned torture
or other expedient methods to obtain information from the enemy.
They would be wrong. Beyond the basic fact that such actions are illegal,
history shows that they also are frequently neither useful nor necessary.
Certainly, extreme physical action can make someone “talk”; however,
what the individual says may be of questionable value.
In fact our experience in applying the interrogation standards laid out in the Army Field Manual (2-22.3)
on Human Intelligence Collector Operations that was published last year
shows that the techniques in the manual work effectively and humanely
in eliciting information from detainees.
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We are, indeed, warriors. We train to kill our enemies. We are engaged in combat,
we must pursue the enemy relentlessly, and we must be violent at times.
What sets us apart from our enemies in this fight, however,
is how we behave. In everything we do, we must observe the standards
and values that dictate that we treat noncombatants and detainees with dignity and respect.
While we are warriors, we are also all human beings. Stress caused by lengthy deployments
and combat is not a sign of weakness; it is a sign that we are human.
lkj
If you feel such stress, do not hesitate to talk to your chain of command,
your chaplain, or a medical expert. We should use the survey results to renew our commitment
to the values and standards that make us who we are and to spur re-examination of these issues.
Leaders, in particular, need to discuss these issues with their troopers — and, as always,
they need to set the right example and strive to ensure proper conduct.
We should never underestimate the importance of good leadership and the difference it can make.
Thanks for what you continue to do. It is an honor to serve with each of you.
kjh
David H. Petraeus General,
United States Army Commanding

DIAS LOUREIRO TRESANDA A FACTOS


Nunca gostei de Dias Loureiro, se, em política, podemos ter bom gosto
e apreciar o produto humano, a acção e o discurso, como de igual modo
apreciamos ou não um bom filme e uma música que nos toque ou não toque nada.
O instinto e um sentido muito apurado para avaliar caracteres
determinou, assim o quis a química e as ondas hertzianas,
que aquilo nunca me tivesse beneficiado de qualquer benevolência.
O certo é que em Portugal o Estado de Direito agoniza, vitimado pela escória
de uma gente sem escrúpulos, cega, surda e muda, ou na miséria moral
da mais grosseira e sistémica pedofilia na grande parte provavelmente impune
ou na sordidez dos altos negócios ocultos na Banca
com que se escarnece dos cidadãos e da Justiça e que ficará
em grande parte provavelmente impune também.
lkj
Por isso, num momento em que todo o Portugal, mormente o do jornalismo
tantas vezes tendencioso, exige uma testa decente ao investigado
Manuel Dias Loureiro e a não obtém de todo
[por que se não demite de conselheiro de Estado?],
em que este encosta Cavaco Silva
a qualquer parede misteriosa neutral que não sabemos, é sintomático
que este bafejado milionário e condutor de Porches da política não se manque.
Nessa medida, apetece-me em conformidade conceder
às palavras de Alfredo Barroso, que também não é nenhuma virgem pudica,
mas também não é de certeza um milionário da política e um condutor de Porches,
a pertinência que têm, quando a um tempo fustiga o lado do fragilizado conselheiro
e o lado caváquico, um lado fraco e indirectamente entalado,
diga-se, em toda a questão ou não fossem as amizades também
uma intrincada cumplicidade de silêncios:
lkj
«Ora, é um facto que o doutor Dias Loureiro foi um dos colaboradores
mais próximos do professor Cavaco Silva, no PSD e no Governo.
É um facto que o doutor Dias Loureiro é um dos cinco conselheiros de Estado
designados pelo actual Presidente da República.
É um facto que o doutor Dias Loureiro tem andado a fazer em público
uma triste figura. É um facto que a triste figura que ele anda a fazer
incomoda muito o Chefe do Estado.
lkj
Isto são factos do domínio público, e não insinuações urdidas
por conspiradores que só querem o mal da Pátria, da República
e do professor Cavaco Silva. O Chefe do Estado não pode ser julgado
pelos amigos que tem, mas tem a obrigação de os pôr na ordem
e demarcar-se deles quando fazem em público tristes figuras.
Sejam eles o doutor Alberto João Jardim,
presidente do Governo Regional da Madeira e líder do PSD na Região,
ou o doutor Manuel Dias Loureiro, conselheiro de Estado
e ex-secretário-geral do PSD.
lkj
Em democracia, ninguém está acima de qualquer crítica
ou de qualquer suspeita. Nem mesmo o Chefe do Estado,
seja ele quem for. O professor Cavaco não é uma flor de estufa.
E o doutor Dias Loureiro não é flor que se cheire.
Bem podem os seus apoiantes mais caninos desfazer-se em insultos.
Os cães de Pavlov ladram e a caravana passa.»
lkj
Alfredo Barroso, in Sorumbático

quarta-feira, novembro 26, 2008

RISCO CONTÍNUO, O BLOGUE


Divergir da linha contida por que se pauta uma certa bloga de contenção de danos,
políticos ou de outra natureza, ousar um enunciado inteiramente livre e autónomo,
ter como plano de fundo um sentido de justiça e de verdade, de autenticidade
e de integridade na ruptura com o sufocante dictat vigente,
valores pelos quais é necessário arriscar o couro, o cerne de uma cidadania activa
e de um novo sentido crítico, penetrante e agudo, capaz de humor,
mas não do eufemismo perante os factos,
eis o que antecipo no novo blogue, Risco Contínuo,
até porque nele encontro e encontrarei sempre
os conhecidos contributos dos meus próximos e amigos João Severino,
João Távora e Paulo Cunha Porto, cujo posicionamento
desassossegador e denunciador fino da vida portuguesa-ela-mesma,
em todos os planos e sem fantasias de vendedor,
aprendi a valorizar e a prezar imenso.
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Por isso mesmo, do coração oferece-me dizer-lhes desde já, e aos demais companheiros
de aventura, bem-vindos, de novo!, à Bloga com este vosso projecto!
Vida longa ao Risco Contínuo e a melhor sorte para todos!
Já sou um de esses vossos leitores fiéis e aliados.

terça-feira, novembro 25, 2008

BESTAS DO APOCALIPSE LUSO


O apocalipse português é feito de começos de desmoronamento como este.
Uma multidão de máscaras que se desposicionam na sua fealdade bem-falante
para nos revelar uns personagens sinistros, requintados nos gostos criminosos,
sodomizando, pervertendo, humilhando, rasto de décadas em nojeira,
que longamente se arrastaram pelos bancos da Justiça
e tudo gastaram e se desgastaram a pagar que se provasse o improvável,
quando em rigor e para abreviar: «Não se faz aquilo às crianças.»
lkj
Um conjunto de personalidades que caçam com el-Rei de Espanha, que são amigos
do topo da sociedade, que aprendem a mentir com solenidade, que não se mancam,
que em dias de tédio passados viajaram a enterrar uns milhões e outras coisas
gloriosamente erectas numas falências exóticas, nuns hotéis com muito falo,
gente cuja memória e consciência são uma real bosta, um atrevimento boçal.
Sim, o apocalipse português é feito disto e é feito de um núcleo central
de partidos nos quais os Portugueses colocavam esperança de progresso
e expectativa de bem-estar para uma vasta maioria de seus filhos,
e que se revelaram, esses partidos nucleares, somente uma máfia sôfrega
de interesses promíscuos, de imoralidades indecentes, circuito fechado de abjecção,
e de má governança incompetente, controleira, brutal e corrupta.
lkj
Agora os portugueses estão a pagar tudo isto por todos os lados e de todas as formas.
Pagam electricidade alta, pagam a falácia de caros combustíveis obscenos,
não proporcional e homologamente compatíveis com a baixa sistémica do petróleo,
mas imediatamente encarecidos em caso de alta sistémica do petróleo,
pagam gás caro, pagam água cara, pagam prestações de habitação altas
que não há euribor baixa e mais baixa ainda que as baixe.
Pagam. Pagam e pagam!
lkj
Pagam em vergonha, pagam em desânimo, pagam em horror!
Pagam por todos aqueles que, escapando às malhas amigas
e por vezes laxas, por vezes maleáveis de uma Justiça sequestrada,
não se sentem obrigados a justificar-se perante os cidadãos.
Escapam os seus sinais corporais, que outrora empalavam adolescentes
cujos olhos olhavam e viam. Fogem às consequências dos seus actos,
ficam ao abrigo da verdade, e devem ficar a rir descaradamente
da própria impunidade servida numa bandeja gloriosa, em ombros,
apoteose filha da puta, nacional venalidade.

DESOBEDECER É POUCO


Animalescamente, quando se parte para a ameaça e para o endurecimento do discurso
já se perdeu completamente os restos da razão rala que muito duvidosamente se tenha tido.
Margarida Moreira, como Lurdes Rodrigues, espécimes dos mais horrendos
entre diversíssima fauna nacional de brutais, quando recuam e acuam,
pressionadas, não tanto por 120000 ordeiramente na rua, que não respeitam,
mas pelos diversos Drs. que amadurecem opinião e vão dizendo de sua justiça,
é só para, com mais vagar, recorrerem aos últimos recursos
da humilhação em tentativa com o único léxico que dominam:
ameaçar, processos, punir, expelir, banir.
kjk
Não consigo conceber os professores de rastos aí como no resto.
Quando o abuso é de mais, deixa de ser uma questão de professores
e passa a uma matéria de cidadãos lúcidos e ousados enfrentando o intolerável.
O velho Marx nalgumas coisas profetizava.

RECESSÃO MORAL E ECONÓMICA


A trupe de incompetentes e degenerados dos valores fundamentais
da democracia que se toma por Governo de Portugal,
hábil praticante de formas subtis e desabridas de mentir e distorcer,
resolveu há muito deitar a mão controleira em todos os números,
índices, estatísticas, indicadores, para assim mais bem condicionar, retardando-a,
uma leitura necessariamente devastadora da sua intervenção económica global,
oprimente para com o cidadão comum, mãos largas para com o poder económico,
Banca, Indústria, boys com acessores sem fim - essa massa de prestadores
de favores políticos colocadas em lugares-chave do Estado a fazer coisa nenhuma,
a ganhar vergonhosos e despudorados honorários, massa de eleitos
que tentaculiza Portugal até ao ultravómito do ultraje,
coisa que escapa à generalizada iliteracia
de muitos frequentadores dos Fora,
como o da TSF e os das TVs.
lkj
Fazendo anunciar ser Portugal [com zero ponto e pico]
a honrosa excepção no plano da recessão europeia, o ridículo das agências
das instituições e dos media que isto veiculam não podia ser maior.
A realidade está e estará para além dos números e dos índices anunciados.
Depois dos favores de letra e conversa da treta à agenda do governo pelo BdP,
pelo FMI, pela OCDE, nunca como agora o correcto discurso económico,
alavancado por instituições correctas e passentas, serviu de desesperado tampão
e bóia salvadora à incompetência mais gritante e aos números maus da economia,
óbices estes últimos de nada mais perigoso ou urgente ou pertinente para o País
que a possibilidade de uma reeleição folgada para um Partido.
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Agora sabemos que os depositantes do BPP são menos gente
que os depositantes do BPN e merecem menos protecção.
Cambada de hipócritas e requintados camaleões!
Agora sabemos que os contribuintes, enganados, explorados,
esmagados de um fisco desmesurado, servem para todos os remendos
e para todos os riscos-casino do Estado. Agora sabemos que Dias Loureiro,
que há poucos meses, com a sua voz de castratto falhado sem Ópera que o queira,
os seus olhinhos piscos e lacrimejantes, e a sua emoção
aflita por apadrinhamento e protecção, elogiava os méritos do Menino de Ouro
enquanto que, há mais meses ainda, rugia como um leão autoritário,
com outros nove barões da merda, contra, por exemplo, os espirros de Menezes,
agora dança um corridinho algarvio entre versões e contradições,
com que o contravertem e contradizem. Agora sabemos que o discurso económico
praticado pela interina e despreparada Tia Manuela e pelo Tio Sócrates,
que fogem do ranho das gentes como o gado foge dos cawboys,
é um desastre, uma tragédia, uma falta de criatividade completas.
lkj
Não foram nunca, em nenhum momento, os portugueses que danaram Portugal.
Não foram nunca, em nenhum momento, os portugueses
que se desmobilizaram a si mesmos da construção do progresso no País.
Esses políticos da merda, há trinta anos a encher-se de reformas obscenas
e a outros reformados obscenos da Banca, a nepotizar com discreta alegria
fazendo-se pagar com honorários irrealistas de gananciosa tragédia, sim!
Esses políticos da merda, da mentira, das irrealidades, do assédio social,
e dos sucedâneos-magalhães e carros eléctricos de verdadeiro rasgo e visão política,
esses agentes cegos do controlo desumano do défice,
dos ordenados mínimos sempre minimizados,
e da fiscalidade criminosa, são esses que nos danam e danaram,
num servilismo europeu de Tios incompetentes, protectores exclusivos
dos interesses instalados e das reeleições.
lhj
Não nos vermos livres de tais visionários vesgos!

sábado, novembro 22, 2008

CRÓNICA A UMA PRAÇA


Conheço o Porto como a palma das minhas mãos. Não resisto a escrever
esta frase estúpida hoje, dia em que me senti particularmente estúpido,
perdido e infeliz na minha cidade tantas vezes percorrida por meus pés.
Não pus os pés no espaço que a foto ilustra, mas na envolvente
da Praça do Marquês, por onde me vi deambulando, numa tristeza de morte,
enquanto observava mais de perto, na cara das pessoas, de todas elas,
histórias tácitas do que se passa no meu País e não só comigo.
Abafa-se de miséria. Confeitarias e quiosques ombreiam
por estes peões e pedestres que se lhes roçam por pastéis e por notícias
e são fundamentalmente velhos portugueses envelhecidos,
jovens brasileiros e brasileiras laboriosos, desbravando sobrevivência,
quase nenhuma gente madura activa por cá nascida vislumbro.
Por que Angolas andam agora pretos os próprios portugueses catando e servindo?
Por que Europas frementes de crise e de neossocialismo renascido das cinzas
e mal refeito delas labutam esses braços e essas mentes aqui proscritos?
Como nos refazemos de imposturas ideológicas, neoliberalismo e socialismo,
e do biombo hipócrita delas, ficar por cima quem sempre esteve?
lkj
Paro defronte à Praça, no movimentado passeio norte, à Costa Cabral,
tenho um vazio agudo no meu peito e uma encrizilhada no coração.
Duas filhas amadas, pequeninas. Um País despedaçado de tirania, abafado de mentira.
O mundo desmoronando todo ele. Evidentemente sofro angústias todos os dias
e escrevo como quem foge e enfrenta e se sabe muito remotamente compreendido.
As luzes públicas de Natal acendem pobres e piscam despojadas.
Recomeço a sofrer ainda mais.
Duas putas fazem-me o favor de, ao passar rente, me abalroarem o corpo
só em êxtase por sofrer, chamando-me de novo para o chão por onde passam.
Pernas bem expostas, bem apreciáveis, na sua dimensão carnuda, nua, inteiriça,
realçadas por quase-meias, o olhar cabisbaixo, internacional,
súplice e envergonhado, pontua-lhes a passagem bruta que se não desculpa
como se a seguir alguma vez eu as seguisse por satisfações ou satisfação.
lkj
Compro eu mesmo um jornal Público de papel por trás de mim
e pergunto por uma farmácia. Há um umbigo tenro a preservar
e a tratar com gaze pura, limpa, esterilizada. Pela segunda vez, em apenas dez minutos,
sou ajudado com uma amabilidade extremada: primeiro pela empregada da confeitaria,
jovial e solícita ao servir-me a nata e o galão que lhe pedira,
e depois me folheia o jornal da casa na pista de uma de serviço
mas não consegue ser exacta nem clara;
depois pelo pobre rapaz simples do quiosque, que,
igualmente folheando solícito um jornal num automatismo de máquina eficiente,
me encaminha com exactidão e humanidade
para uma Rua e um número de porta exactos de Farmácia,
ali, na Costa Cabral.
ljj
Avanço. Automóveis e cidadãos circulam. Nas minhas costas, a praça escurece
e as folhas de árvore que se acumulam e pejam de castanho a estrada,
são o meu povo traído, longamente traído,
pelos desmandos da democracia, pela podridão
escondida e revelada, que ela engendrou e se vai alimentando
do meu sangue, do sacrifício moral e vital de muitos e muitas.
É preferível não olhar nem as folhas de árvore nem as gaivotas que riscam
o céu de essa rua com oblíquas rasas aos pares de um lado ao outro lado,
aguardando por lixos e por mortes mínimas.
lkj
Pipilam outras aves, mas o asfalto triste e os rostos baços têm a assinatura tensa
de um futuro já presente que rosna de despeito à liberdade,
que espuma de autoritarismo e punição à verdade.
Mentira e propaganda são-nos dadas a engolir todos os dias
até ao engasgamento do tédio. Ei-la a Farmácia.

PS, A COREOGRAFIA DO MAL


A sociedade portuguesa está a compenetrar-se melhor a cada momento
que toda esta questão do BPN terá muito por onde chamuscar
não apenas o PSD, não apenas inclusivamente o PS,
o cerne, portanto, do que tem sido o poder político e económico no País,
mas sobretudo alguns dos fundamentos da própria oligocracia portuguesa
com fachada democrática, chamemos-lhe democracia, para não lhe chamar
monturo, vergonheira, nova Chicago de um Al Capone difuso.
lkj
No plano das audições em sede parlamentar,
seja em comissões especializadas de acompanhamento, seja
na comissão de inquérito a formar seguidamente,
é sintomático o sem número de óbices levantados estranhamente pelo PS
a que alguns dos envolvidos sejam ouvidos. Porquê?
Para saborear na imprensa, notícia a notícia, a pira de descrédito
na opinião pública onde ardam e se imolem as figuras dos adversário directos?
Para salvaguardar algum nome ou esquema delicado pelos vínculos ao próprio PS?
Porquê? O Mal é isto. Uma legislação lassa sobre corrupção
que o PS fez questão de assim promulgar, à revelia de Cravinho,
falhenta e rala como um coador. E o Mal é também este atrasar das audições
por vantagens de agenda e de disputa política no deserto das ideias português.
lkj
Esta Máfia sodomizante entre negócios e política está agora nua, diante do nosso nariz,
e apesar de administrada, de gerida e tratada caprichosamente no plano mediático
para cusar danos políticos mais a uns que a outros, oferece-nos a possibilidade
de uma longa retrospectiva e reflexão de quanto ela danou Portugal
e o condena ainda por muito tempo, pois uma sociedade estratificada, sul-americana
e injusta, como a nossa, onde a Dra. Manuela estremece com uma miséria
de aumento do salário mínimo nacional, uma sociedade de tias,
divorciadas do dia-a-dia de loucos dos portugueses,
que só esgrime o discurso social quando faz sol e para a fotografia,
uma sociedade anónima, essa horrível PS e PSD SA, merece apanhar com toda a coça
de que a sociedade civil seja capaz e lhe queira dar, espancando-a
de rejeição punitiva. Não haverá perdão nem haverá votos na hora de considerar
este núcleo a pouco e pouco exposto de corrupção e decadência.
lkj
E é assim dramático que se antecipe ao parlamento a mentira e a incoerência
das entrevistas-de-mentir previamente televisivas, previamente nos jornais
e que isto permita que se ganhe tempo, que se perca tempo, que se lance a confusão:
uma chuva de desmentidos e de palavras contra palavras. Na verdade,
é a todo o custo que se branquearão clamorosas fraudes passadas.

sexta-feira, novembro 21, 2008

EXPIAÇÃO DO BODE, A MÁFIA POR TRÁS


A convicção geral é a de que Oliveira e Costa rapidamente será transformado
numa espécie de Vale e Azevedo novo, de esta vez mais magro e com menos saúde,
pequena rã que vem agarrada ao dedo da Justiça, nele se concentrando
o ónus de tudo e nele começando e acabando, como num resumo humano,
toda a suposta massa de indivíduos na sombra corrupta e criminosa
que peja de bloqueio e opacidade o nosso sistema infrademocrático
nos seus circuitos anónimos de dinheiro sujo.
lkj
Muito ajudaria que na verdade fossem ouvidos em sede parlamentar
os que o desejam e os que para o efeito forem devidamente convocados.
Pelo menos assim esse manto de suspeição e de meias-verdades
por momentos aparentaria menor espessura.

ESSE ÓDIO PRIMÁRIO AOS SINDICATOS


Quem clama por formas avançadas de tecer o activismo sindical deveria reflectir
sobre a fraude em decurso na organização e gestão dos lugares-chave
na administração do Estado, o número sumptuário de acessores,
de sinecuras, de posições de charneira bem pagas em Portugal.
Por isso mesmo, peca por defeito qualquer movimento de cidadania que vise
repor poder de compra e a redignificação de quem trabalha,
daí que a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública
que nesta sexta-feira se manifestou com dimensão nacional,
conteste os aumentos salariais de apenas 2,9 % para 2009,
na Função Pública propostos pelo Governo.
lkj
Afluiram de todo o país militantes sindicais em Luta
e ainda que se levantem vozes sarcásticas pelo facto de ter sido escolhida
esta sexta-feira numa alusão ao oportunismo de mais fim de semana prolongado,
cabe recordar que por certa ordem de raciocínio comer e calar,
[suportar sem reacção o jogo de cintura da administração central,
as suas más opções de gestão, as suas derivas TGV em descritério e em despautério,
tantos e tão crassos erros de gestão e de endividamento excessivo],
estar sempre a perder no bolso, nos direitos, em todos os planos, isso, sim,
é o que se espera de quem trabalha. Não contem comigo para tal peditório,
para a humilde obediência servil dos precários e contratados a penar indigência
por todo o país. Em tempos de ambígua ironia, conviria mais pudor
e um pensamento mais ajustado à concretude da vida difícil dos portugueses.

O MAU SINAL DO AVAL


Quando o Governo prá-anunciou a disponibilização de um aval
de 4000 milhões de euros à Banca Nacional
todos ficamos com a ideia de que a ele genericamente só se acorreria
em caso de extrema e absoluta necessidade, em situação limite.
Vemos agora que, pelo contrário, o recurso ao aval é a rectaguarda perfeita
de que os bancos, afinal todos os bancos!, necessitavam
para se reposicionarem confortavelmente no mercado internacional
e desenvolverem a sua actividade na arena do financiamento.
lkj
O problema é se todos estes passes de mágica facilitista e nada clara
que o aval possibilita servem somente para confirmar que a regra de ouro
entre as diversas instituições bancárias é acobertar o mais possível
a gigantesca e desconhecida parte submersa do seu iceberg,
mantido longe da vista da opinião pública e, logo, longe do seu coração avaliador.
Por exemplo, por quanto tempo andará muito mal explicada toda a situação do BPN
[já se lhe pode chamar uma espécie de Casa Pia do PSD] com factos
novos servidos a conta-gotas na imprensa diária para capitalizar um efeito
de vantagem na disputa político-partidária?!
lkj
Não é verdade que ficou de igual modo por explicar devidamente
o que se passou no BCP e certamente se passa noutras instituições bancárias
sobre as quais sabemos que o escrutínio regulador só pode ser de igual modo lasso?!
Por que se insurgem os administradores de outros bancos por o BPP recorrer,
conforme parece ser opção e direito seu, ao mesmo aval?
Recorrer ao aval não soa bem à opinião pública, aos observadores, e os argumentos
que visam legitimar esse mesmo recurso parecem algo esfarrapados.
lkj
Em última análise, estão por aí os contribuintes a servir de tampão e de reserva,
caso alguma coisa neste aval vá de mal a pior, porque o Governo, que põs e dispôs
sem que se visse o lavrar de um conjunto de critérios nitidamente vinculativos
das responsabilidades daquelas instituições, dado o lapso temporal nestas coisas,
uma vez desaparecido de cena, simplesmente será sucedido por outro
que poderá lavar as mãozinhas e voltar a falar das más opções passadas
que os contribuintes vão pagando no presente esquecendo
de todo o que vem primeiro, se ovo se a galinha.

MANUELA E O SARCASMO DA IRONIA


A ironia desencantada com um gancho cirúrgico no ânus do enunciado polémico
de MFL pode ter colado e sossegado alguns espíritos
mais virginalmente ultrajados. O que me parece de tudo isto
é que contra ela não se desencadeia nenhuma moção contestatária estável
de oposição interna, por justificável e urgente que seja. Cheira, aliás, ela mais depressa
a uma vice futura de Sócrates, a uma admiradora secreta das suas políticas falhadas
porque aplicadas com a marreta absolutista dos grandes presumidos,
que alguma vez à mobilizadora e crítica do governo daquele. Para mim,
a ideia peregrina de uma ditadura provisória e reformista foi de uma sinceridade
inócua infantil e teve todos os laivos da leviandade mais imatura nestas lides.
Tudo, porém, se esquece e perdoa à tia. É a tia e é tudo.
lkj
Acantonada entre as elites lisboetas, perorando sempre para elas,
avessa e longínqua ao Portugal Profundo, longe do Portugal empobrecido,
com mau hálito,
com as carnes amarelentas das fomes disfarçadas em muitos polícias jovens em crise,
longe dos deprimidos e padecidos laborais,
longe dos desempregados sistemáticos,
longe dos docentes escarrados e torturados pela Opa Hostil à sua dignidade
por este governo hostil e por contextos tirânicos e tiranias sistémicas hostilizantes,
longe das feiras,
longe dos matadouros,
longe das fábricas,
longe das traineiras,
não há, não pode haver muito país dentro de Manuela e, nela,
o País também não se faz ouvir. Longe dos desesperançados e desmobilizados, certo?
E no entanto com um discurso miserável cheio de investimentos interditos
e de riscos impossíveis.
ljlhj
Manuela, a tia Manuela, metida no seu traje-tailleur-Thatcher, Manuela e a sua malinha,
de salão de hotel em salão de hotel, diga o que disser,
erre como errar, cabriole como cabriole na sua retórica-acidente,
está provado que contra ela nunca se desencadeará o rumor prolongado
e insidioso, a langue de pute destrutiva e desleal e é por isso, só por isso,
que Menezes, há muito queimado precisamente pela avalancha
de langue de pute e de rumor, queimado pelo rumor e pela destruição logo sôfrega
dos seus enunciados sempre erráticos, contraditórios e desdizentes,
está só, na voz que levanta apocalíptica contra ela.
lkj
Nasce e cresce uma ironia da ironia supostamente existente no discurso de Manuela:
o PSD de Manuela tudo faz por merecer o meu sarcasmo.
Tem um efeito sintomática e indirectamente sarcástico-etimológico,
queima-me a carne, que o Pais real, sofredor e profundo, de todo esteja ausente
dos périplos da Manuela, a Interina, e dos seus ouvidos sem Cristo dentro.
Fossilizou no seu estrato social e nada existe fora do seu sítio social. Nada de misturas.
lkj
Fugacho de Truman Capote, penso muitas vezes no primeiro namorado da Manuela,
pessoa que conheci e com quem convivi ocasionalmente por oito anos,
pai de uma namorada que transportei da pós-adolescência urgente em se desvirginar
para uma adultícia sonsa e enjoada, homem mordaz, divertido e sagaz,
marcado e revoltado órfão-prematuro-de-pai-tuberculoso também.
Desnível social. Não casaram. «Faltou pouco», contava ele. Mas imagino que,
casando um com o outro, talvez ela o livrasse do jogo compulsivo que o danou,
e ele a salvasse talvez de esse feudo hermético e aversivo à gente comum
que, começa a ser cada vez mais claro!, tanto se suja e tanto se fode
por causa do que estas elites do ordenado mínimo têm preparado para si.