sexta-feira, agosto 31, 2012

MAIS SACRIFÍCIOS, ISTO É, MAUS SACRIFÍCIOS

Qual é o problema de o Orçamento do Estado para 2013 implicar regressar do Além-Troyka ao Aquém-Troyka?! A Troyka não é portuguesa. A Troyka não vive em Portugal. Desconhece, portanto, o infinito e peculiar défice cívico que implica os mesmíssimos hábitos de fuga ao Fisco, sonegação de facturas, e muitas das falências oportunistas e fraudulentas que sempre tivemos entre nós à pala da Crise, dos Custos, do Diabo. Quem são os campeões da Fuga ao Fisco?! Os de sempre: os ricos. Exploram como ninguém aqueles a quem pagam mal e brincam com o Estado como o gato com o rato. Agora, a Troyka já não pode ignorar que o Processo de Ajustamento necessita ser ajustado. Há demasiado desemprego, mais alto do que a Troyka suporia. Há demasiado abrandamento económico, mais do que a Troyka imaginaria. Há uma receita demasiado abaixo do previsto pela Troyka. Apesar do aumento absurdo e generalizado de impostos, o défice desejado pela Troyka, pelo Governo e pelos portugueses para seu urgente e rápido alívio [excluindo os socratistas!], parece que não vai ser cumprido, embora os massivos despedimentos previstos (de professores, polícias e outros funcionários a mais) prometa um mal menor para as Contas Gerais, lá mais para o fim do ano. Mais sacrifícios correspondeu, portanto, e infelizmente, a Maus Sacrifícios, isto é, a piores resultados orçamentais. Mas não basta olhar para o presente. É preciso olhar todos os dias para o criminoso passado político recente, deslumbrado, sim, e decadente, também: afinal, não havia suficiente dinheiro, fruto da nossa produtividade, para ir demasiado longe no plano tecnológico. Era preciso prudência, contenção, paciência. Em vez disso, ajustes directos, dívida. Afinal, num País que não cresceu em toda a primeira década do século XXI, não havia suficientes recursos, dinheiro!, para a dita modernização económica [à tola, rios de milhões para empresas amigas], sequer para a política energética [desonesta, ilusória!], que, embora fizesse baixar a dependência externa de de 87,2 para 76,8% [grande coisa!] em cinco anos, representa, todos os meses, 50% da nossa obscena conta mensal de electricidade. O presente coloca-nos em mau estado. O passado ainda tresanda. Como ´que essa prga de gafanhotos chamada socratismo se atreve a apontar o dedo ao quinteto Troyka-Governo Passos-Portas?!

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