segunda-feira, abril 22, 2013

E A FODA MÁ CONVERTEU A UGT NUMA CGTP B

Corrigenda: onde se lê FODA deve ler-se FADA. 

Não é com prazer que digo isto, mas afigura-se-me que Carlos Santos ascendeu à liderança da UGT com um tom de ruptura que dá a entender querer converter a UGT numa CGTP B. O discurso do novo líder já se move pelas tóxicas águas enganosas do radicalismo populista de uma Esquerda desactualizada e nada nórdica na construção de acordos duradouros e robustos. Não se pense que o populismo seja uma maleita que acomete somente os líderes demagógicos e danosos dos governos ávidos que tivemos nos últimos 39 anos. Não. Pode ser um problema da linguagem sindical, especialmente quando pretende afirmar-se. A de Carlos Santos pretende ser mais radical que os radicais tradicionais. 

Defender parlapatoriamente os trabalhadores, mas criar atrito negocial e todas as condições para a saída do Euro, para a turbulência dos mercados, para a irritação dos Poderes Globais que realmente põem e dispõem da nossa liberdade e democracia, da nossa soberania perdida porque sem dinheiro, esse é um caminho ínvio e que Carlos Santos, meu homónimo, não deveria trilhar.

Agora que nos acercamos do 39.º aniversário do 25 de Abril convém sublinhar esta ideia: precisamos de outro Regime para traduzir mais a fundo a nossa aspiração democrática cuja materialização está sempre inacabada, processo perfectível que é, um Regime mais forte, mais couraçado e passível de defesa atempada e eficaz perante corruptos como o Obsceno Comentador Playboy Repetido Retornado da RTP e todos os outros que, como ele, colocaram Portugal à mercê dos Portentados Globais com os quais nem sindicatos nem aprendizes de líderes partidários como Seguro devem ousar brincar. 

Depois de quarenta anos de ditadura interna, paz podre, ordem formal e finanças enxutas, vivemos sob uma nova tirania que na verdade não parte dos amanuenses hoje no Governo, substituíveis por quaisquer outros amanuenses amanhã no Governo. Ela dita novas regras à nossa democracia sem dinheiro. Sob o FMI, a nossa margem é mínima. Sob o periclitante sistema bancário europeu, a nossa margem para arrufos e guerras da manjerona é nula. Com as nossas finanças públicas sob um escrutínio apertadíssimo externo, nada sensível à propalada sensibilidade de Seguro e de todos os outros sensíveis sociais de última hora, a Troyka na verdade é quem mais ordena e é por isso mesmo que o País deveria estar unido para evitar, custe o que custar, uma carga de trabalhos e de sofrimentos semelhantes aos dos gregos ou à boleia das balelas êxodo-monetaristas do dr. João Ferreira do Amaral. Era o que faltava a Portugal vir agora Carlos Santos espingardar também como o Fóssil Arménio começou por espingardar e cavar um abismo estéril entre portugueses.

O que a Troyka quer é entendimento político lato. Demos-lho. Quer consensualidade entre o Governo e o principal partido da oposição, quer o PS embebido na dura e cediça realidade que também lhe tocará, se for Governo, e lhe exigirá o mesmo tipo de resultados no plano da sustentabilidade do Estado Português, a qual deveria caminhar mais pela via da economia que pela vida das tesouradas cegas ao Estado Social, coisas que já não dependem do voluntarismo optimista parvo ou das boas intenções dos Governos, mas só decorrem da lógica fria dos números com que a Intervenção Externa nos leva pela mão. O malogro deste Governo será o malogro de todos. 

Carlos Santos pode dar-nos a concertação social que merecemos para nos mantermos no Euro ou não dar. A sua responsabilidade é altíssima. Do mesmo modo, o principal partido da oposição, contra cujos desmandos e devastações o nosso ressentimento sangra em carne viva, pode e deve dar-nos o consenso suficiente que mantenha dormentes, inócuos e sossegados os mercados e as avaliações trimestrais. A única realidade que nos convém é um caralho de um consenso amargo, mas urgente e indeclinável, enquanto empobrecemos menos mal, entre duas maneiras de empobrecer a mal: dentro ou fora do Euro. A nossa guerra é uma guerra contra os erros no Excel da Troyka. Sim. O Excel da Comissão Europeia, do FMI e do BCE tem caruncho, falha metas, piora resultados. Mas dada a nossa fraqueza negocial, é tudo o que nos guia contra a nova parede de um segundo resgate, se não tivermos a salvação Eurobonds no último minuto.

Esqueçam as vossas veleidades de Esquerda, porque a Política é hoje uma Multinacional, um fenómeno Transnacional nas mãos de quem tem o Poder e o Dinheiro Globais. Quem mais ordena são eles. São Feios. São Porcos. São Maus, mas ao contrário dos Maus, Porcos e Feios que desgovernaram e endividaram Portugal no quadro da tradicional democracia representativa clássica, em decadência, e que só tinham poder de endividar e fugir para Paris, estes Feios, Porcos e Maus têm a faca e o queijo de serem os únicos a darem-nos a mão.  

A força da democracia e o nosso paleio razoável e indignado, dizem eles, são menos fortes que os forçosos cortes que nos são impostos pela Troyka. O centro do Poder em Portugal já não é Lisboa. É Berlim. É Bruxelas. É Nova Iorque. E, para lidar com isto tão 'Moderno' e 'Avançado', não nos pedem só civismo, nem liberdade obediente, nem uma felicidade conformista nem uma nova odisseia até à Índia. Pedem-nos, exigem-nos!, disciplina financeira. O que pode um pigmeu sindical fazer para nos emancipar desta nova ordem?! Fingir que não há um sapo do tamanho de uma montanha por engolir à nossa frente?!

1 comentário:

Floribundus disse...

à banca interessa o soviete da ugt