quarta-feira, abril 10, 2013

SE HÁ DIÁLOGO, NÃO HÁ RUPTURA

E pronto. Telefonema daqui, post dacolá, euroapertão dacoli e o discurso político de Seguro arredonda-se. De dia para dia, vai completando o círculo quadrado do consenso necessário com a Quadroyka [FMI, BCE, CE, Governo Passos]. Quanto mais convergência verificarmos no arco desavindo da governação, melhor respirará Portugal, por mais apertado que se veja no colete de varas das contas públicas e das exigências inflexíveis dos credores. 

Expressões ainda recentes, rescendentes de insanidade, como «ruptura», «eleições antecipadas», «parar de escavar», «acabar com a austeridade» já estão a dar lugar a outras como «abertura ao diálogo», «consenso social e político mínimo»; «sentido de responsabilidade do PS», «respeito pelos compromissos internacionais assumidos», «austeridade inteligente».

O radicalismo partidocrático socialista mais recente vai acalmando, portanto. Era uma escada descendente para um tipo de loucura abaixo-de-grega, Vertigem pelo Vazio, coisa a que só quem não passa fome poderia apelar. Estratégias suicidárias no concerto do Euro, poses descolonizadoras à tolo, só mesmo prebendistas e diletantes como os soares, os marinhos e pinto, os raivoso-pachecos, mas também partidos que não se chegam à frente a fim de aspirarem à Governação, como os Berloques Residuais e Inconciliáveis de Esquerda, PCP e BE. Acalmam e recuam todos os que colocam a mão atrás dos arbustos da agitação, do Golpe de Estado Piroso, e morra Sansão e quantos aqui estão. Como um exorcismo que corre bem, pois a vítima pára de uivar. 

Porquê? Por causa do dinheiro! Não haver dinheiro é tramado. Ameaçar e bater o pé aos que têm o dinheiro é um jogo temerário e perigoso. Não poder ser impresso à discrição, como Soares levianamente cogita babando no DN, é horrível. Não poder ser extorquido ao BCE à vontadinha, um verdadeiro problema. 

E, no fim de contas, é essa elementaridade e só ela a impor juízo às elites de merda que dominam a opinião no País, em obediência à manufactura política do País, ao serviço da finança do País.

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