BPN E OFF-SHORES INFERNAIS


Uma das coisas ou efeitos mais esperáveis da crise será a gradual e corajosa liquidação dos off-shores, de toda a forma de fuga bancária ao Fisco, coisa que não será fácil, tendo em conta o volume de insuspeitos neles apostados e neles encravados. Quixotescamente, o imprescindível ex-deputado socialista João Cravinho afirmou ontem, em entrevista ao programa "Edição da Noite" da Rádio Renascença, que seria fundamental que a comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do BPN investigasse para que serviram os "off-shores" que o banco utilizou, que tipo de operações foram feitas e com que efeitos. Nós aplaudiríamos tal movimento de investigação e ficaríamos ainda mais contentes com a detecção dos demais Oliveiras e Costas envolvidos assim como o desaparecimento da cómoda amnésia do Dótôr Dias Loureiro cujas versões na comissão parlamentar de inquérito não colhem quando confrontadas com as de António Marta: se o primeiro garante que se importava e concitava a atenção do BdP sobre o BPN, o segundo, pelo contrário, diz que o Dótôr Loureiro estranhava tanta curiosidade e atenção do BdP sobre o BPN. Enfim, não é à toa que Portugal é um sítio cada vez mais mal frequentado. Além da sugestão investigatória já referida, Cravinho considerou ainda que esta é "uma oportunidade verdadeiramente excepcional [para se esclarecer o assunto] que espera que se aproveite", o que duvidamos, pois já não esperamos nada que nos console de sério e de rigoroso com quem é Forte: só há celeridade para punir e esmifrar os Pequenos. Os abafamentos e os arrastamentos dos processos do Grande Roubo e do Grande Desvio de Dinheiros, ainda por cima sem consequências de maior para os ilicitamente abonados, isso é o que podemos esperar quer queiramos quer não. O ex-ministro considerou "fundamental que o Parlamento queira saber como é que os off-shores funcionaram no caso BPN, para quê, com que efeitos e daí retirar as devidas conclusões". O sempre heróico, mas pífio, Cravinho acrescentou ainda que "o Governo deve agir porque se trata de um esforço internacional" e que, havendo movimentos internacionais, Portugal deve juntar-se "a países como a Alemanha e França, ao contrário de se juntar a países como o Luxemburgo ou se calhar ao Liechtenstein que não querem fazer nada". Veremos como é que o Governo se comportará nesta matéria, sabendo como sabemos que muitos recursos e fundos públicos, mesmo comunitários, foram "off-shorizados" e até esta questão do Freeport manifesta que o off-shore talvez tenha sido a forma ideal de ocultar o pagamento das luvas de que tanto se fala.

Comments

Anonymous said…
Nós os "cordeiros" é que estamos sem dúvida alguma off!!.
"Choro-lesados"...without gloves and blue pockets...gelados de indignação!

Falta-lhes grandiloquência...eu diria moral!

como venho repetindo...
antonio ganhão said…
Já nos juntámos ao EUA na coligação para invadir o Iraque... parece-me razoável que entremos também nesta.

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