FREEPORT: ESCREVER COM DESASSOMBRO

Tenho de aplaudir de pé António Ribeiro Ferreira pelo facto de ser dos poucos jornalistas HOMENS em Portugal. Inteiramente contra a corrente que nos transforma em nulidade cívica e carne para canhão medíocre-mediática qualquer ser comum a quem está vedado pensar com plena consciência. Aliás, o esforço para que não pensemos, não escrutinemos, não nos indignemos está todo condensado no corpus de asneiras, de inépcias, de desumanidades, de uma legislatura de fachada, a coisa mais malígna que Portugal enfrentou depois da Longa Noite da Ditadura. Como escreveu alguém, e muito bem!: «Temos visto de tudo na (des)governação socratina: decapitação da PJ, manipulação da PGR, instrumentalização da investigação criminal, controlo da comunicação social, entre tantas outras malfeitorias e ataques ao Estado de Direito Democrático. O que se passou ontem na RTP, no programa Prós & Prós, já não espanta ninguém pela repetição sistematica das técnicas socratinas de lavagem cerebral aos eleitores. Resta-nos apenas expressarmos a nossa indignação. Disso não nos demitimos sob pena de nos situarem entre as lavadeiras e prostitutas do regime que sacrificam a incontestável verdade dos factos e vendem a sua dignidade e a dos portugueses em troca avenças na próspera indústria dos pareceres jurídicos ou de lugares no aparelho central ou periférico do Estado». É por isso que é de suma justiça aplaudir as palavras de um HOMEM livre e corajoso o quanto baste em Portugal, onde se financia abundantemente a mediocridade e o alheamento geral perante um quadro de imoralidade e, pelas piores razões, de controlo indecente dos mecanismos e instituições do Estado por quem nele em nada mais deveria pensar que em servir-nos e servir-nos bem, com um módico de respeito pela nossa inteligência:

LAVANDARIA ROSA O senhor Presidente da República classificou o caso Freeport como um assunto de Estado. É natural que esta afirmação de Cavaco Silva já esteja a ser devidamente analisada pela central de contra-informação rosa que pretende reduzir o processo de Alcochete a uma campanha negra, uma miserável cabala, uma urdidura, uma infame ignomínia montada por uma central que pretende atingir pessoal e politicamente o senhor Presidente do Conselho e, por tabela, decapitar a direcção do Partido Socialista. Nada de novo, portanto. A imaginação dos pobres agentes da central de contra-informação rosa anda, manifestamente, pelas ruas da amargura. Imaginam que os bons resultados obtidos no processo de pedofilia da Casa Pia se vão repetir neste caso Freeport. Acontece que as situações são diferentes, a violação de menores não se compara à corrupção ou ao tráfico de influências e, para azar dos contra-informadores, no terreno também anda uma autoridade inglesa, a Serious Fraud Office, que legitimamente quer saber para que bolsos foram parar uns milhões de libras de uma empresa britânica que acabou falida e vendida a baixo preço a um grupo liderado por altas figuras da política norte-americana, com estreitos laços a eminentes figuras deste sítio corrupto, manhoso, pobre, deprimido e obviamente cada vez mais mal frequentado. É evidente que a estupidez e tacanhez dos agentes da central de contra-informação vai ao ponto de negar legitimidade às autoridades ingleses de investigar personalidades lusas, sejam elas quais forem, suspeitas de ter participado de forma criminosa no processo de licenciamento do Freeport. É evidente que a central de contra-informação tem alguns pequenos problemas. Não conseguiu explicar até agora porque é que o Ministério Público luso decidiu entrar numa empresa e numa casa de um tio do senhor Presidente do Conselho e tenta atirar para o caixote do lixo uma interessante conversa entre tio e sobrinho em que é denunciada uma tentativa de extorsão de dinheiro. É obvio que os e-mails enviados pelo primo aos promotores a pedir contrapartidas e as mensagens destes para a empresa a justificar o pedido de avultadas verbas para subornos são, para os contra-informadores, não factos mas apenas peças da tal campanha negra. Neste sítio, pelos vistos, não há corruptos e corruptores. Só há gente que fez fortunas por milagre e uns tantos almocreves que fazem autênticos milagres nas lavandarias do regime».
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António Ribeiro Ferreira, Jornalista, in Correio da Manhã
António Ribeiro Ferreira, Jornalista, in Correio da Manhã
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Comments
Publicado por helenafmatos em 3 Fevereiro, 2009
como bem se viu ontem no impropriamente designado Prós & Contras. A dado momento, meio refastelado, como se o assunto do Freeport não tivesse importância alguma, José Miguel Júdice divagava sobre as mentiras escritas nos jornais. Diz ele que a infãmia afasta os melhores dos cargos públicos. E dava o seu próprio exemplo: demitira-se da Sociedade Frente Tejo porque não estava para aturar todas as mentiras que sobre tal organismo então se escreviam.
O advogado José Miguel Júdice não é obrigado a lembrar-se daquilo disse como cidadão presidente da Sociedade Frente Tejo mas a sua demissão dificilmente pode ser assacada às mentiras escritas pela comunicação social.
Em Março de 2007 José Miguel Júdice foi convidado para presidir à Sociedade Frente Tejo. Esta sociedade integraria o Governo e a CML.
A 17 de Abril de 2008, a CML negou pronunciar-se sobre o convite feito a José Miguel Júdice. O próprio presidente da CML, António Costa, se absteve. Sá Fernandes e Helena Roseta designaram Júdice como capataz.. José Miguel Júdice deu entrevista ao PÚBLICO e explicou que se seguisse os conselhos destes veradores era sinal que “teria perdido o juízo”.
A Junho de 2008, José Miguel Júdice demitiu-se da Sociedade Frente Tejo. Na hora da saída nunca referiu que a tal fosse levado por alguma campanha negativa contra si na imprensa. Declarou “Se fosse pelo primeiro-ministro e pelo ministro da Economia, ficaria até ao fim deste projecto, que é fascinante.” E ainda prometeu: “Vou escrever um livro sobre esta experiência, que será também uma reflexão sobre o mundo de funcionamento das instituições em Portugal.” E mais não disse. Até ontem dia em que informou urbi et orbi que a sua saída da Sociedade Frente Tejo já não se deve aos conflitos com a CML mas sim às mentiras dos jornalistas. Se calhar a CML até se pronunciou por aclamação sobre o convite que Sócrates lhe fizera e foram os jornalistas que inventaram a recusa da CML em pronunciar-se. Haja paciência. Mas com tudo isto, como advogado, foi brilhante.
Corrupção, o teu caminho está livre!
Acho que um político apanhado em pleno acto corrupto (com a boca no trombone) e confessando o ilícito na Televisão perante a populaça, não seria julgado e condenado no nosso país: passavam-lhe um certificado de demência e davam-lhe um lugar como gestor na CGD.